terça-feira, 28 de setembro de 2021
Anexo “4” [...] [...] [...]
Centralização financeira e
concentração financeira:
fundamentos da “conspiração”
encontrada no “moderno
capitalismo bursátil” [...] [...]
[...]
Prosseguindo em nossa
abordagem, o economista francês
François Chesnais sustenta que o
"fundo de pensão" é uma escolha
política; escolha em benefício dos
mercados financeiros. Entretanto,
iremos sustentar que os
prejudicados pelo “hodierno
capitalismo bursátil” são o
trabalhador (ativo, aposentado,
pensionista) e o pequeno
acionista. Tal prejuízo equivale a
uma transferência de riquezas
destes dois grupos para o
sistema financeiro, mormente
para os “proprietários materiais
da poupança concentrada
coletiva” (alguns poucos
executivos do fundo de pensão).
A chegada a tal conclusão foi
semelhante à montagem de um
quebra-cabeça gigante. Portanto,
tal conclusão não nos parece
equivocada, como doravante
iremos sustentar. Em outros
termos, doravante iremos
sustentar que tanto o “hodierno
capitalismo bursátil” quanto o
“fundo de pensão” são
instituições sociais que tem sido
utilizadas principalmente como
simples meios de transferência de
riquezas. Tal transferência de
riquezas é materializada por meio
de um misto dos fenômenos de
concentração financeira e
centralização financeira,
conforme iremos doravante
demonstrar. [...] [...] [...]
Permite-nos compreender os
conceitos dos fenômenos da
“concentração” e da
“centralização”, o seguinte
fragmento de texto encontrado na
literatura técnica: [...] [...] [...]
[...] Na história do capital, a
expropriação dos meios de
produção permitiu que se desse
curso ao processo de subsunção
real do trabalho, isto é, a
subordinação do processo de
trabalho ao capital, permitindo a
criação de valor por intermédio da
exploração da força de trabalho.
À medida que o capitalismo
avançou, o movimento da
concorrência intercapitalista
operou um processo de
concentração e centralização* do
capital que, conjuntamente a
outras mudanças de natureza
sociopolítica, deu surgimento à
indústria moderna (PAULO (9)
NETTO; BRAZ, 2006). [...] [...]
[...]
* Pinto (1997) assevera que há na
doutrina uma grande confusão
entre esses dois termos que
devem ser entendidos como
movimentos separados.
Apresenta a concentração de
capitais como um aumento da
composição orgânica do capital e
a centralização como uma
expropriação dos capitais
individuais por outros capitalistas,
de modo que poderia haver a
ocorrência desse processo sem
aquele, em que pese ao fato de
não ser uma prática comum. (9)
Adicionalmente, iremos sustentar
que quanto maior for o tempo de
duração do “moderno capitalismo
bursátil” e do “fundo de pensão”
mais riquezas serão transferidas
dos dois grupos antes
mencionados (trabalhadores e
pequenos acionistas) para
“determinado capital financeiro”.
[...] [...] [...]
Antes dissemos que a Bolsa de
Valores deve servir para alguma
coisa diferente de financiar a
acumulação e avaliar os títulos
bursateis. Assim, tentar descobrir
qual seria esta outra coisa deve
ser o próximo passo do presente
trabalho. O primeiro tênue indício
de que o “hodierno capitalismo
bursátil” se equipara a uma
“pirâmide financeira” podemos
lograr compreensão por meio da
leitura do seguinte fragmento de
texto encontrado na literatura
técnica: [...] [...] [...]
[...] Les théoriciens de la valeur
travail (Smith, Ricardo et Marx)
reconnaissent d'ailleurs
explicitement que d'importants
écarts peuvent exister entre ces
deux grandeurs. En effet, à leurs
yeux, si les évolutions de la valeur
sont au fondement des évolutions
des prix, la conformité entre
valeur et prix ne prévaut que
tendanciellement, sur le long
terme. (18) [...] [...] [...]
Traduzindo: [...] [...] [...]
[...] De fato, os teóricos do valor
trabalho (Smith, Ricardo e Marx)
reconhecem explicitamente que
pode haver grandes diferenças
entre estas duas grandezas.
Assim, na opinião dos “pais
fundadores”, enquanto a evolução
do valor é a base para a evolução
dos preços, a conformidade entre
o valor e o preço tende a
prevalecer apenas no longo
prazo. (18) [...] [...] [...]
O fragmento de texto, acima
mencionado, observa que “[...] a
conformidade entre o valor e o
preço tende a prevalecer apenas
no longo prazo.”
Consequentemente, como exceto
no longo prazo existe uma
conformidade entre estas duas
grandezas, nos demais períodos
de tempo existe uma
não-conformidade entre estas
duas grandezas. Adicionalmente,
a leitura do fragmento de texto vai
de encontro à hipótese que
estamos sustentando de que
“moderno capitalismo bursátil” se
equipara a uma “pirâmide
financeira”.
Entretanto, nesta primeira parte
do presente trabalho
pretendemos nos aprofundar na
sustentação de que as
instituições sociais conhecidas
como “moderno capitalismo
bursátil” e “fundo de pensão” se
equiparam as primeiras duas
características antes
mencionadas, quais sejam,
“conspiração” e “pirâmide
financeira”. Neste sentido,
respectivamente, apresentamos a
seguir dois fragmentos de texto
encontrados na literatura técnica:
[...] [...] [...]
[...] The market, considered as a
whole, cannot dispose of a
security. [...] This is what I have
called “the liquidity paradox”,
namely, that the individual liberty
to sell a security whenever one
pleases exists only by virtue of an
implicit commitment on the part of
the financial community as a
whole to hold on to the totality of
securities over the long term. Yet
this mutual dependence, which
clearly sets financial markets
apart from ordinary markets, is
concealed from view by the
effects of competition. Ordinary
markets bring together two groups
with clearly divergent interests:
producers and consumers. Prices
are formed as a result of the
tension between these two
opposed forces, the one pushing
prices upward, the other
downward. This is the basis for
the law of supply and demand,
which prevents either party from
gaining too great an advantage
over the other. In financial
markets, by contrast, nothing of
the sort occurs. There is no group
of buyers that negotiates with a
group of sellers; instead there is a
group of individuals, each of
whom acts as a buyer and a
seller. Structurally, then, above
and beyond whatever local
reasons there may be for buying
or selling, their interests
converge. (18) [...] [...] [...]
Traduzindo: [...] [...] [...]
[...] O mercado, considerado
como um todo, não pode dispor
de um título. [...] Isso é o que
chamei de “paradoxo da liquidez”,
ou seja, a liberdade individual de
vender um título sempre que
quiser existe apenas em virtude
de um compromisso implícito por
parte da comunidade financeira
como um todo de manter a
totalidade dos títulos no longo
prazo. No entanto, esta
dependência mútua, que
distingue claramente os
mercados financeiros dos
mercados normais, é ocultada de
vista pelos efeitos da
concorrência. Os mercados
normais reúnem dois grupos com
interesses claramente
divergentes: produtores e
consumidores. Os preços são
formados como resultado da
tensão entre essas duas forças
opostas, uma empurrando os
preços para cima e a outra para
baixo. Esta é a base para a lei da
oferta e da demanda, que impede
que uma das partes obtenha uma
vantagem muito grande sobre a
outra. Nos mercados financeiros,
ao contrário, nada disso ocorre.
Não há um grupo de
compradores que negocia com
um grupo de vendedores; em vez
disso, há um grupo de indivíduos,
cada um dos quais age como um
comprador e vendedor.
Estruturalmente, então, acima e
além de quaisquer razões locais
que possam existir para comprar
ou vender, seus interesses
convergem. (18) [...] [...] [...]
[...] Tampouco prospera a idéia
de que a propriedade das
empresas é entregue aos
trabalhadores por intermédio dos
fundos de pensão. Há aqui um
equívoco conceitual entre
propriedade formal e real, pois
não é denominação jurídica da
titularidade que efetivamente
evidencia o conteúdo da
propriedade. Independente da
mesma, o que define a
propriedade é o poder de
alocação e, principalmente, o
destino das riquezas produzidas
que, cada vez mais, se
concentram em poucas mãos. (9)
[...] [...] [...]
A expressão “dependência
mútua, ocultada de vista pelos
efeitos da concorrência”,
encontrada no primeiro fragmento
de texto, é o principal indício de
que o “hodierno capitalismo
bursátil” se equipara a uma
“conspiração” e/ou a uma
“pirâmide financeira”, pois no
“moderno capitalismo bursátil”
“[...] acima e além de quaisquer
razões locais que possam existir
para comprar ou vender, os
interesses dos compradores e
vendedores convergem”, como
podemos ler no primeiro
fragmento de texto. Entretanto, tal
convergência não passa de uma
espécie de “manipulação”, como
veremos na segunda parte do
presente trabalho. Por outro lado,
o principal indício de que o “fundo
de pensão” se equipara a uma
“conspiração” e/ou a uma
“pirâmide financeira” encontramos
no segundo fragmento de texto:
“[...] o que define a propriedade é
o poder de alocação e,
principalmente, o destino das
riquezas produzidas que, cada
vez mais, se concentram em
poucas mãos”, como a seguir
iremos demonstrar. Ou seja, a
constatação de que “[...] o que
define a propriedade é o poder de
alocação” é um forte indício de
que o fundo de pensão
equipara-se a uma “pirâmide
financeira” e/ou a uma
“conspiração”, como veremos.
[...] [...] [...]
Em primeiro lugar, cabe-nos aqui
observar que se não houvesse a
“dependência mútua”,
mencionada no primeiro
fragmento de texto, a evolução
dos preços no “hodierno
capitalismo bursátil” teria sido
bastante diferente daquela que
encontramos na realidade. Neste
sentido, iremos sustentar que o
surgimento de preços
extravagantes no “hodierno
capitalismo bursátil” se equipara a
evolução dos preços de uma
“pirâmide financeira” e/ou uma
“conspiração. [...] [...] [...]
Ademais, iremos doravante
sustentar que o surgimento de
“preços extravagantes” no
“moderno capitalismo bursátil”
fundamenta-se em 3 (três)
constatações: [...] [...] [...]
(1) Os preços do mercado bursátil
seguem uma oferta
“não-concorrencial”; [...] [...] [...]
(2) O “moderno capitalismo
bursátil” equipara-se a um misto
de “manipulação” e “oligopólio”;
(3) A maioria dos participantes do
“moderno capitalismo bursátil” é
pouco informada sobre o que é o
“moderno capitalismo bursátil”.
Em segundo lugar, parece-nos
importante aqui realçarmos algo
mencionado no primeiro
fragmento de texto acima, vale
dizer: “[...] esta dependência
mútua [...] é ocultada de vista
pelos efeitos da concorrência.”
Assim, são apenas “efeitos da
concorrência”, as palavras
encontradas no fragmento de
texto acima. Em outros termos,
nos mercados bursateis não
existe concorrência, pois nos
mercados bursáteis prevalece
uma oferta “não-concorrencial”,
como vimos no Anexo “1”. [...] [...]
[...]
Por outro lado, no segundo
fragmento de texto encontramos
podemos ler o seguinte: [...] [...]
[...]
“[...] o que define a propriedade é
o poder de alocação” [...] [...] [...]
Permitem-nos ilustrar tal
observação dois fragmentos de
texto encontrados na literatura
técnica. [...] [...] [...]
O primeiro é de autoria de um
grande trader,
o norte- americano, Warren
Buffett; no segundo dois grandes
economistas sintetizam as
fragilidades do sistema de
capitalização, conforme se segue:
[...] [...] [...]
[...] Pension fund managers
continue to make investment
decisions with their eyes firmly
fixed on the rear-view mirror. This
general fight-the- last-war
approach has proven costly in the
past and will likely prove equally
costly this time around. (24) [...]
[...] [...]
[...] Um segundo conjunto de
contestações à “sabedoria
convencional” sobre a
oportunidade de um
desenvolvimento da previdência
com capitalização obrigatória é
mais fundamental e pode ser
reconduzido a uma verdade
afirmada claramente por Keynes,
na Teoria Geral. Face à idéia
segundo a qual os trabalhadores,
ao fazerem poupança financeira
em contas individuais, estariam
em condições de acumular
fundos, ao longo do tempo, cujos
rendimentos lhes garantiriam uma
pensão em termos reais, vale
ainda a observação que “como
coletividade, não podemos fazer
reservas para o consumo futuro,
mediante mecanismos
financeiros, mas apenas pela
produção física corrente”. Em
outras palavras, em termos reais,
os bens reais dos pensionistas de
2030 não podem ser retirados
senão da produção real de 2030.
O mesmo ponto é sublinhado até
mesmo por Milton Friedman,
grande adversário de Keynes,
que, em 1999, reafirmou que “as
taxas pagas pelos trabalhadores
de hoje são usadas para pagar os
pensionistas de hoje”, ainda que
tenha perdido a ocasião de atacar
a reserva dos fundos estatais no
seu país e manifestar o temor de
um crescimento de imposições
futuras. Em suma, a questão do
pagamento real das pensões se
refere à distribuição real do
rendimento do período em que
aquele pagamento é efetuado, e
não há como contornar esta
circunstância com mágica de
cartas. Pelo contrário, na medida
em que as políticas de
compressão dos gastos
previdenciários públicos ou a
instituição da previdência
complementar obrigatória,
deprimem, ao invés de ampliar a
força de trabalho ocupada e a sua
atividade, não fazem senão piorar
a situação. (33) [...] [...] [...]
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