terça-feira, 28 de setembro de 2021

Anexo “3” [...] [...] [...] Sustentação inicial de que o "moderno capitalismo bursátil se equipara a uma “conspiração” e/ou a uma “pirâmide financeira” [...] [...] [...] A seguir, iremos apresentar os conceitos de “pirâmide financeira” e de “conspiração” encontrados na literatura técnica. [...] [...] [...] Em primeiro lugar, iremos conhecer o conceito de “pirâmide financeira” por meio da leitura do seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica: [...] [...] [...] [...] Como “pirâmides da felicidade”, as bolhas especulativas apóiam-se numa hipótese impossível: a de que novos investidores sempre entrarão na ciranda, para sustentar os ganhos dos que chegaram antes. Provavelmente, ninguém melhor do que Hyman Minsky evidenciou os encadeamentos da economia de mercado, resumidos por ele na eloqüente expressão “cegueira ao desastre”. Minsky dedicou particular atenção aos distúrbios provocados por Charles Ponzi, especulador dos anos 20, que iludiu pessoas ingênuas, seduzidas por promessas de rendimentos extraordinários. Na falta de qualquer ativo real capaz de cobrir os rendimentos anunciados, Ponzi oferecia a seus primeiros clientes o capital aportado pelos que vinham depois. A sustentabilidade do conjunto supunha, portanto, a manutenção infinita do fluxo de novos clientes. Próximas à fraude, todas as bolhas especulativas baseiam-se num mecanismo bastante semelhante. Elas requerem uma entrada constante de investimentos, para manter o mercado em alta e a ilusão de que, assim, todo mundo ganha. O segredo da bolha é a adesão especulativa. Investimentos de alta rentabilidade atraem aplicadores cada vez mais comuns — portanto, cada vez menos esclarecidos, porém mais numerosos. (14) [...] [...] [...] Por meio da leitura do fragmento de texto acima de autoria do economista francês, Frédéric Lordon, viemos a conhecer que, essencialmente, o segredo da bolha é a adesão especulativa. Em outros termos, essencialmente o segredo das “pirâmides financeiras” é a adesão especulativa. [...] [...] [...] Em segundo lugar, uma referência de que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “conspiração” encontramos na leitura do seguinte fragmento de texto de autoria do trader britânico Robert Beckman (1992): [...] [...] [...] [...] The securities industry will never admit this, and probably won’t like to hear it said. But, it is a fact, and you can be certain of that: the securities industry is like a massive global conspiracy. Like any conspiracy, the stock market is not what it appears to be. IF IT PORTRAYED ITSELF AS IT ACTUALLY WERE, NO DOUBT IT WOULD CEASE TO EXIST. As an investor, it is not possible to accumulate stock profits by participating in the illusion as it is perceived. For the average investor, investing is a game of chance, nothing more, nothing less. (18) (maiúsculo nosso) [...] [...] [...] Traduzindo: [...] [...] [...] [...] A indústria de ações nunca vai admitir isso, e provavelmente não vai gostar de ouvir isso ser dito. Mas, é um fato, e você pode estar certo de que: a indústria de títulos é como uma conspiração global maciça. Como qualquer conspiração, a Bolsa de Valores não é o que esta parece ser. SE A BOLSA FOR RETRATADA – COMO ESTA REALMENTE FOI, SEM DÚVIDA, ESTA DEIXARÁ DE EXISTIR. Como um investidor, não é possível acumular lucros com ações, participando da ilusão como ela é percebida. Para o investidor médio, investir é um jogo de azar, nada mais, nada menos. (18) (maiúsculo nosso) [...] [...] [...] No fragmento de texto acima o trader Robert Beckman faz duas afirmações: (1) a Bolsa de Valores é uma conspiração; (2) “se a Bolsa for retratada – como esta realmente foi, sem dúvida, esta deixará de existir.” [...] [...] [...] Adicionalmente, uma indicação mais profunda de que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “conspiração” iremos constatar por meio da preferência pela liquidez, escolha feita pelo “moderno capitalismo bursátil”, mormente pelo “capitalismo bursátil anglo-saxônico”. [...] [...] [...] Entretanto, a “preferência pela liquidez” é uma transgressão concebida no interesse dos detentores dos títulos, conforme a leitura do seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica nos permite compreender: [...] [...] [...] [...] Conseqüentemente, a liquidez financeira deve ser interpretada, não como estando ao serviço da produção, mas como constituindo pela sua própria natureza, uma transgressão da economia produtiva, transgressão concebida no interesse dos detentores dos títulos. (18) [...] [...] [...] No mesmo sentido, da inteligência contida no fragmento de texto, acima mencionado, encontramos na literatura técnica o seguinte fragmento de texto: [...] [...] [...] [...] Keynes não cessou de lutar contra a primazia injustamente concedida à liquidez: “De todas as máximas da finança ortodoxa não há nenhuma mais anti-social do que o fetichismo da liquidez. Tal teoria ignora o fato de que para a comunidade como um todo, não há nada que corresponda à liquidez do investimento”. (28) [...] [...] [...] Prosseguindo em nossa abordagem, parece-nos aqui oportuno apresentar nossa resposta a uma importante pergunta formulada pelo economista francês, Frédéric Lordon, a qual se encontra nas partes finais do seguinte fragmento de texto: [...] [...] [...] [...] Aussi faut-il prendre le temps de défaire ce raisonnement trop beau pour être vrai, faux syllogisme et vrai sophisme dont le charme captieux tient pour beaucoup à un certain art de jouer sur les mots – sur celui de « propriété » notamment contre lequel Marx avait pourtant déjà fourni quelques moyens de se défendre en son temps. Et l’on reconnaîtra sans peine les échos d‘un vieux débat – mais il s‘agissait alors de « liberté » – lorsque l‘on aura constaté que la mystification du socialisme des fonds de pension réside presque tout entière dans la confusion savamment entretenue de la propriété formelle et de la propriété réelle. Il est évidemment impossible de contester que l’épargne collective investie em actions remet formellement la propriété du capital entre les mains des détenteurs ultimes des titres, à savoir les salariés. Mais il y a loin de cette évidence juridique au controle concret de l’allocation des fonds, à l’exercice effectif du pouvoir de l’argent, sur les marchés financiers, em assemblée générale, ou par un chuchotement suggestif à l’oreille des dirigeants. Le secret de cette dépossession réelle de la propriété formelle réside évidemment dans sa dilution entre une myriade de petits actionnaires, et dans la captation d’une rente d’intermédiation par quelques spécialistes institutionnels de la gestion qui, seuls en position d’effectuer la reconcentration de l’épargne, sont seuls à pouvoir en utiliser la force de frappé agrégée. Puisqu’il vaut mieux dire les choses clairement et plutôt deux fois qu’une, l’épargne des épargnants n’est rien, elle n’est d’aucun pouvoir, c’est l’épargne concentrée qui est tout. ET CONCENTRÉE PAR QUI ? C’est là toute la question... (4) (maúsculo nosso) (4) [...] [...] [...] Traduzindo: [...] [...] [...] [...] Temos também de dar um tempo para desfazer esse raciocínio demasiado bom para ser verdade, falso silogismo e verdadeiro sofisma cujo encanto dissimulado deve-se em grande medida a certa arte de brincar com as palavras – sobre a "propriedade", em particular, contra a qual Marx já havia previsto alguns meios de se defender, em seu tempo. E vamos reconhecer sem pena os ecos de um antigo debate – que foi então uma questão de “libertação” – quando ficou comprovado que a mistificação do socialismo dos fundos de pensão reside quase que inteiramente na confusão ardilosamente mantida entre a propriedade formal e a propriedade real. Obviamente, é impossível negar que a poupança concentrada coletiva investida em ações entrega formalmente a propriedade do capital nas mãos dos detentores finais dos títulos, ou seja, os trabalhadores. Mas esta evidência jurídica está longe do controle concreto da alocação dos fundos, no efetivo controle do poder do dinheiro, nos mercados financeiros, em assembléia geral, ou num sussurro sugestivo no ouvido dos dirigentes. O segredo desta despossessão real da propriedade formal, obviamente, é sua diluição real entre uma miríade de pequenos acionistas e da captura de uma renda de intermediação por alguns poucos especialistas da gestão institucional, os únicos em uma posição para levar a cabo a reorientação da poupança, pois só eles podem usar a força exitosa da agregação. Uma vez que é melhor dizer as coisas claramente e, às vezes duas vezes por dia: a poupança dos investidores não é nada, e não tem nenhum poder, é a poupança concentrada que é tudo. E CONCENTRADA PARA QUE? Esta é toda a questão... (4) (maiúsculo nosso) [...] [...] [...] Apresentar nossa resposta ao questionamento acima mencionado, será o próximo passo do presente trabalho. Neste sentido, encontramos em recente trabalho de nossa lavra os seguintes fragmentos de texto: [...] [...] [...] [...] Os dois primeiros fragmentos de texto, abaixo mencionados, foram extraídos de duas obras do economista francês André Orléan. O primeiro (28) consta de obra que teve sua divulgação inicial, respectivamente, no ano de 2004, ao passo que o segundo (18) teve sua primeira apresentação ao público no ano de 2011, conforme se segue: [...] [...] [...]  [...] Conseqüentemente, a liquidez financeira deve ser interpretada, não como estando ao serviço da produção, mas como constituindo uma transgressão da economia produtiva, transgressão concebida no INTERESSE DOS ACIONISTAS. (28) [...] [...] [...]  [...] Conseqüentemente, a liquidez financeira deve ser interpretada, não como estando ao serviço da produção, mas como constituindo pela sua própria natureza, uma transgressão da economia produtiva, transgressão concebida no INTERESSE DOS DETENTORES DOS TÍTULOS. (18) (maiúsculo nosso) [...] [...] [...] Parece-nos oportuno aqui ressaltarmos a singular diferença que existe entre os dois fragmentos de texto, acima mencionados. Assim, a simples leitura destes dois fragmentos de texto, permite-nos concluir que a única diferença entre os dois fragmentos de texto acima está nas expressões em maiúsculo encontradas nestes. Assim, no primeiro fragmento encontramos em maiúsculo a expressão "[...] concebida no interesse dos acionistas [...]". Por outro lado, no segundo fragmento temos em maiúsculo a expressão "[...] concebida no interesse dos detentores dos títulos [...]". [...] [...] [...] Entretanto, tal sutil distinção entre os dois fragmentos de texto mostra-nos a evolução do pensamento do economista francês, André Orléan, de 2004 (28) para 2011. (18) [...] [...] [...] Em síntese, não nos parece equivocado sustentarmos que a hipótese de uma transgressão da economia produtiva inicialmente “concebida no interesse dos acionistas” (2004) (28), passa alguns anos depois a ser “concebida no interesse dos detentores de ações” (2011), pelo mesmo autor. (18) Por seu turno, doravante iremos sustentar que a partir de certo lapso temporal às extravagantes e desproporcionais valorizações alcançadas por certos títulos bursáteis são um fator de conhecimento objetivo dos futuros “preços de mercado”. [...] [...] [...] Ademais, como conseqüência de termos equiparado o “hodierno capitalismo bursátil” a uma “pirâmide financeira”, sustentamos que este tem um tempo de vida limitado. Neste sentido, é do conhecimento comum que as "pirâmides financeiras" têm um tempo de vida limitado. Igualmente, as conspirações são ligadas ao tempo, pois toda conspiração depois de revelada tende a deixar de existir. [...] [...] [...] Ademais, doravante iremos sustentar que uma “mais-valia” passou a ser obtida de forma sistemática e recorrente por determinados participantes do mercado por meio de uma “dinâmica que leva o preço a viver sua própria vida, a evoluir independentemente de seu valor”. Entretanto, tal obtenção de uma “mais-valia” de forma sistemática e recorrente viabiliza uma transferência de riquezas igualmente de forma sistemática e recorrente para alguns poucos participantes do mercado, como iremos demonstrar ao longo do presente trabalho. Por seu turno, doravante iremos sustentar que a obtenção de uma “mais-valia” de forma sistemática e recorrente, por alguns poucos participantes do mercado, é mais um indício de que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “conspiração”. [...] [...] [...] Adicionalmente, antes vimos que o economista francês, André Orléan, sustenta que “[...] o poder do mercado de ações tem outras fontes além do financiamento da acumulação.” (28) [...] [...] [...] Entretanto, antes dissemos que a “mais-valia” é uma dessas outras fontes do poder do mercado de ações. Doravante, iremos sustentar que a “mais-valia” é não apenas uma destas “outras fontes de poder do mercado de ações”, mas indiscutivelmente é a mais importante destas fontes. [...] [...] [...]

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