segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Anexo "7" O "moderno capitalismo bursátil" tem um tempo de vida limitado e objetiva transferir riquezas dos trabalhadores e pequenos acionistas para "determinado capital financeiro" Prosseguindo em nossa abordagem, parece-nos oportuno relembrarmos que antes encontramos certo fragmento de texto no qual é dito que a “Bolsa de Valores” tende a deixar de existir. Sustentar tal afirmação é o próximo passo do presente trabalho. Neste sentido, iremos sustentar tal afirmação tendo como suporte para nossa linha de argumentação dois fragmentos de texto de autoria de dois renomados economistas. Entretanto, antes de apresentarmos tais textos parece- nos oportuno lermos e interpretarmos uma afirmação genérica relacionada ao tema, conforme se segue: [...] E eu acho que há um último elemento, que retiramos de Prigogine, que é o seguinte: Todos os sistemas, do universo ao menor sistema possível, têm vidas que não duram para sempre! Portanto, é preciso descobrir como elas surgiram, quais eram suas regras durante o que eu chamo de “vida normal”. E como elas sempre se afastam do equilíbrio, elas entram em crise estrutural... e isso... [...] o sistema se bifurca, toma uma direção ou outra, mas não continua como era antes. E eu alego que a economia mundial capitalista hoje passa por uma crise estrutural e não vai sobreviver por muito tempo. Aí você tem que analisar os processos pelos quais o sistema entra em colapso. Em primeiro lugar, temos que falar como os capitalistas ganham dinheiro. Os capitalistas não conseguem mais ganhar muito dinheiro com a produção [...] e isso mina o valor do capitalismo para o capitalista, certo? Isso é um aspecto... [...] e temos um sistema em que os capitalistas não fazem mais dinheiro, a única coisa que conseguem fazer é especular e a especulação tem limite, e estamos chegando a ele, neste momento em toda parte. * * (fragmento de texto extraído de entrevista do sociólogo Immanuel Wallerstein ao canal Globo News - programa Milênio, de 13.02.2012, sobre o tema “Otimismo e caos na crise do capitalismo”) No fragmento de texto acima o ponto que gostaríamos de enfatizar é o seguinte: “[...] Todos os sistemas, do universo ao menor sistema possível, têm vidas que não duram para sempre!” Um dos sistemas que tende a deixar de existir é o “moderno capitalismo bursátil”. Neste sentido, vamos continuar nossa sustentação de que o “moderno capitalismo bursátil” tende a deixar de existir. Assim, vamos apresentar em primeiro lugar certo fragmento de texto, de autoria do economista norte- americano, Paul Krugman. Tal fragmento de texto foi extraído do artigo "A instabilidade da moderação" ("O Estado de S. Paulo", edição de 26/11/2010): “[...] Mas, depois de assistir ao fracasso das medidas econômicas durante os últimos três anos, vejo-me acreditando cada vez mais que este fracasso tem raízes profundas - que estávamos de alguma maneira, condenados a passar por tudo isto. Mais especificamente, suspeito agora que o tipo de regime de medidas econômicas moderadas que Brad e eu apoiamos – um regime que, em grande medida, permite que os mercados trabalhem, mas no qual o governo está pronto tanto para conter os excessos quanto para combater os declínios – seja inerentemente instável. Trata-se de algo que se pode sustentar durante aproximadamente uma geração, mas não por um período muito mais longo do que isto.” Para nos permitir compreender o extraordinário alcance do fragmento de texto acima vamos nos deter em nossa abordagem para realizarmos um importante questionamento: onde se encontra na teoria econômica a explicação do por que o “tipo de regime de medidas econômicas moderadas”, pode se sustentar durante aproximadamente uma geração, mas não por um período muito mais longo do que isto? - Por razões práticas vamos deixar de apontar inicialmente onde se encontra na teoria econômica a explicação acima. Ao invés, vamos sustentar algo por analogia. Neste sentido, vamos sustentar que as fundamentações do “tipo de regime de medidas econômicas moderadas” se equiparam as fundamentações do “moderno capitalismo bursátil”. Assim, vamos sustentar que a expressão – “O GOVERNO ESTÁ PRONTO TANTO PARA CONTER OS EXCESSOS QUANTO PARA COMBATER OS DECLÍNIOS” –, que ocorre no “tipo de regime de medidas econômicas moderadas” se equipara a expressão – “[...] O OBJETIVO DOS FORMADORES DE MERCADO É [...] A OBRIGAÇÃO DE COMPRAR E VENDER OS PAPÉIS EM DETERMINADA FAIXA DE PREÇO” –, que vamos encontrar na parte do presente trabalho consagrada a manipulação. Assim, doravante iremos demonstrar que se equipara a uma forma de manipulação, “a obrigação de comprar e vender os papéis em determinada faixa de preço”, acima mencionada. Assim, não nos parece equivocado concluirmos que ambos os fragmentos de texto em maiúsculo, acima mencionados, se equiparam a uma espécie de manipulação. Logo, afrontam “a lei do valor”. Ademais, tais manipulações permitem-nos equiparar o "moderno capitalismo bursátil" a uma “pirâmide financeira”. Neste sentido, acima sustentamos que o “tipo de regime de medidas econômicas moderadas” afronta “a lei do valor”. Em outros termos, quer nos parecer que é uma consequência da existência da “lei do valor”, àquilo que Krugman antes observou: “[...] que estávamos de alguma maneira, condenados a passar por tudo isto [...]”. Do mesmo modo, não nos parece equivocado sustentarmos que algo semelhante tende a ocorrer no “moderno capitalismo bursátil”. Assim, no Anexo "6" sustentamos que os proprietários de títulos que são apenas matéria prima para transações se encaixam em situação semelhante. Por outro lado, a evolução dos preços das ações deve ser determinada por esta mesma “lei”: “a lei do valor”. Entretanto, embora a “lei do valor” ainda seja uma lei, no “moderno capitalismo bursátil” tal lei tem características bem mais elásticas e complexas do que àquelas das leis da física, como doravante veremos. Adicionalmente, no fragmento de texto antes mencionado Krugman observou: “[...] Mais especificamente, suspeito agora que o tipo de regime de medidas econômicas moderadas que [...] permite que os mercados trabalhem [...] seja inerentemente instável. Trata-se de algo que se pode sustentar durante aproximadamente uma geração, mas não por um período muito mais longo do que isto.” Assim, a limitação temporal, acima mencionada, é uma característica do “tipo de regime de medidas econômicas moderadas”, conforme Krugman sustenta. Igualmente, é do conhecimento comum que uma das características essenciais das “pirâmides financeiras” é a limitação temporal de tais fenômenos. Não obstante, como antes equiparamos o “moderno capitalismo bursátil” ao “tipo de regime de medidas econômicas moderadas”, não nos parece equivocado mais uma vez equipararmos o “moderno capitalismo financeiro” a uma “pirâmide financeira”. Em síntese, chegamos às seguintes conclusões: (1) tanto o “regime de medidas econômicas moderadas”, quanto o “moderno capitalismo bursátil” se equiparam a uma "pirâmide financeira"; (2) tanto o “regime de medidas econômicas moderadas”, quanto o “moderno capitalismo bursátil” “[...] se pode sustentar durante aproximadamente uma geração, mas não por um período muito mais longo do que isto”. Assim, o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma "pirâmide financeira". Entretanto, como antes vimos às "pirâmides financeiras" têm um prazo de existência limitado. Consequentemente, o “moderno capitalismo bursátil” tem um prazo de existência limitado. Prosseguindo em nossa abordagem, vamos apresentar a seguir determinado fragmento de texto de autoria do economista britânico, John Kay. Neste sentido, a literatura técnica sustenta que os extravagantes preços alcançados pelos títulos bursáteis são conseqüência da formação de “bolhas especulativas”. Entretanto, as “bolhas especulativas” igualmente podem ocorrer como conseqüência do “QE”*, como adiante veremos. * Quantitative Expansion Assim, por meio de certo fragmento de texto de autoria do economista britânico, John Kay, vamos continuar nossa sustentação de que o “moderno capitalismo bursátil” tende a deixar de existir. Neste sentido, o seguinte fragmento de texto de autoria do economista britânico: [...] Now there is far more liquidity in the system, most of it supporting the short-term trading of financial institutions. Or at least there is the appearance of liquidity: when confidence dried up towards the end of 2008, so did liquidity. The primary intention and effect of central bank interventions since 2008 has been to restore such liquidity. [...] In the modern financial economy, the main effect of “QE” is to boost asset prices, as market gyrations of recent weeks have clearly illustrated. But is the pursuit of higher asset prices an effective or desirable means of promoting economic growth? The distributional impact of the policy demands attention; the one certain consequence of boosting asset prices is that those with assets benefit relative to those without. [...] The public also holds financial assets indirectly, largely through pension funds. But here there has been a paradoxical effect: because the way pension funds are valued, “QE” has generally increased pension funds' liabilities more than their assets. (49) Traduzindo: 
[...] Agora há muito mais liquidez no sistema, a maior parte dela suportando as negociações de curto prazo das instituições financeiras. Ou pelo menos há a aparência de liquidez: quando a confiança secou no final de 2008, o mesmo aconteceu com a liquidez. A principal intenção e efeito das intervenções do banco central desde 2008 tem sido restaurar essa liquidez. [...] Na economia financeira moderna, o principal efeito do “QE” é impulsionar os preços dos ativos, como as oscilações de mercado das últimas semanas têm claramente ilustrado. Mas é a busca por preços mais elevados para os ativos um meio eficaz ou desejável de se promover o crescimento econômico? O impacto distributivo desta política exige atenção; a conseqüência certa de impulsionar os preços dos ativos é que aqueles com ativos se beneficiam mais em relação àqueles sem. [...] O público também detém ativos financeiros indiretamente, em grande parte por meio dos fundos de pensão. Mas, aqui tem ocorrido um efeito paradoxal: devido à maneira por meio do qual os fundos de pensão são avaliados, o “QE” geralmente tem aumentado mais as obrigações dos fundos de pensão do que dos seus ativos. (49) Entretanto, parece-nos oportuno realçar algo acima mencionado: o paradoxo de o “QE” geralmente aumentar mais as obrigações dos fundos de pensão do que dos seus ativos. Neste sentido, a seguir vamos fazer uma pausa em nossa abordagem para fazermos o seguinte questionamento: a busca por preços mais elevados para os títulos bursáteis seria um meio mais eficaz ou desejável de promover o crescimento econômico? - O estímulo conhecido por “QE” é a espécie mais recente do gênero incremento de “liquidez”. Entretanto, pretendemos aqui chamar a atenção do leitor para duas observações acima apontadas pelo economista britânico, John Kay, sobre o “QE”. Neste sentido, o economista britânico observou: Assim, inequivocamente a conseqüência certa de impulsionar os preços dos ativos é que aqueles com ativos se beneficiam mais em relação àqueles sem, conforme John Kay observou. Entretanto, quer-nos parecer que tal impulso nos preços não teria sido possível sem a ajuda dos bancos centrais. Iremos a seguir tentar demonstrar ambas as afirmações, acima mencionadas por meio da seguinte interpretação que faremos do fragmento de texto de autoria do economista britânico, John Kay. É do conhecimento comum que realiza prejuízo certo investidor que comprou determinada ação e na eventual posterior baixa de tal título venda o referido título por preço inferior ao da compra anterior em moeda constante. Por outro lado, realiza lucro certo investidor que esteja igualmente comprado em determinado título e numa posterior alta de tal título venda o referido título por preço superior em moeda constante ao de uma compra anterior. Entretanto, parece-nos um paradoxo certo investidor que anteriormente tenha comprado determinado título, venha a ter prejuízo quando este mesmo título eventualmente alcançar preço superior ao da anterior aquisição do mesmo título em moeda constante. Não obstante, é isto o que nos parece acontecer nos fundos de pensão do Reino Unido. Neste sentido, podemos ler no texto antes mencionado que como conseqüência da alta das ações ocorre nos fundos de pensão do Reino Unido certo paradoxo. Assim, devido ao modo como os fundos de pensão são avaliados o “QE” geralmente tem aumentado mais as obrigações destas instituições sociais. Em apertada síntese, a observação acima nos permite chegar a mais uma conclusão: no “hodierno capitalismo bursátil” sempre existe um beneficiário e um perdedor. O beneficiário é usualmente “determinado capital financeiro”; o perdedor é geralmente o “trabalhador”. Chegamos à conclusão de que o beneficiário do “hodierno capitalismo bursátil” é “determinado capital financeiro”, pois como antes vimos o estímulo proporcionado pelo “QE” só foi possível devido à ajuda dos bancos centrais. No caso dos EUA a ajuda veio do FED e do Departamento do Tesouro, como antes vimos. Entretanto, o FED é uma empresa privada. Não obstante, é do conhecimento comum que toda empresa privada procura obter os interesses de seus donos. Logo, o simples fato de o FED ser uma empresa privada é um indício de que o “moderno capitalismo bursátil” pode ser equiparado a uma “conspiração”. Encontramos a explicação para nossa observação acima no fato de que embora o estímulo conhecido por “QE” venha a conter crises, igualmente viabiliza que determinado capital financeiro obtenha uma “mais- valia” de forma sistemática e recorrente. Neste sentido, antes sustentamos que uma das fontes do poder do mercado de ações, além do financiamento da acumulação, é a obtenção de uma “mais-valia”. Ademais, doravante vamos sustentar que a obtenção de uma “mais-valia” é a principal destas outras fontes. Por fim, mas não menos importante, antes sustentamos que a obtenção de “mais-valia” de forma sistemática e recorrente por apenas alguns poucos participantes do mercado é um indício de que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “conspiração”. Por outro lado, não nos parece equivocado sustentar que existem indícios de que o trabalhador é o principal “perdedor” do hodierno capitalismo bursátil, pois como antes vimos devido ao modo como os fundos de pensão são avaliados no Reino Unido o “QE” geralmente tem aumentado mais as obrigações de tais instituições sociais. Assim, nos fundos de pensão do Reino Unido o aumento a maior das obrigações com toda certeza é um prejuízo para os associados de tais instituições sociais: os trabalhadores. Ademais, a obtenção de uma “mais-valia” por “determinado capital financeiro” de forma sistemática e recorrente significa que uma transferência de riquezas dos trabalhadores e pequenos acionistas é viabilizada para “determinado capital financeiro”, como adiante veremos. Entretanto, tal “transferência de riquezas” é um sinal enviado pelo próprio mercado que vai-nos permitir reforçar duas conclusões a que chegamos anteriormente: (1) o “moderno capitalismo bursátil” pode ser equiparado a uma “conspiração”; (2) e que o mesmo tende a deixar de existir. Chegamos a estas duas conclusões com fundamentos no simples fato de que como o “moderno capitalismo bursátil” se resume ao ganho de uns poucos em detrimento da perda de dois grupos específicos, conforme doravante iremos demonstrar. Assim, podemos dizer que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a algo como uma “conspiração”. Entretanto, é do conhecimento comum que toda “conspiração” depois de descoberta tende a deixar de existir. Logo, o “moderno capitalismo bursátil” tende a deixar de existir. Permite-nos reforçar a sustentação acima, a comparação entre a inteligência contida nos seguintes fragmentos de texto: [...] Próximas à fraude, todas as bolhas especulativas baseiam-se num mecanismo bastante semelhante. Elas requerem uma entrada constante de investimentos, para manter o mercado em alta e a ilusão de que, assim, todo mundo ganha. O segredo da bolha é a adesão especulativa. (14) [...] Agora há muito mais liquidez no sistema, a maior parte dela suportando as negociações de curto prazo das instituições financeiras. (49) O primeiro fragmento de texto acima mencionado é parte do conceito de “pirâmide financeira”, antes apresentado. Por outro lado, o segundo fragmento de texto acima é parte essencial do texto que faz referência ao “QE” igualmente antes apresentado. Entretanto, “[...] uma entrada constante de investimentos, para manter o mercado em alta [...]”, expressão encontrada no primeiro fragmento de texto se assemelha a seguinte expressão encontrada no segundo fragmento de texto acima: “agora há muito mais liquidez no sistema, a maior parte dela suportando as negociações de curto prazo das instituições financeiras.” Deste modo, não nos parece equivocado concluirmos que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “pirâmide financeira”. Por seu turno, somos levados a relembrar algo que sustentamos anteriormente: a principal fonte do poder do “moderno capitalismo bursátil” é a obtenção de uma “mais-valia” por alguns poucos participantes do mercado bursátil, em detrimento dos trabalhadores e pequenos acionistas, como veremos. Igualmente, chegamos a tal conclusão de forma excludente, pois como sustentamos anteriormente o “moderno capitalismo bursátil” não serve tanto para avaliar os títulos bursáteis quanto para financiar a acumulação. Parece-nos oportuno sustentar que certa prática com efeito semelhante a do “QE” tem ocorrido nos fundos de pensão brasileiros: a manutenção em carteira de forma quase que permanente de determinados títulos que são apenas a matéria prima para transações. Neste sentido, sustentamos no Anexo “6” que os títulos de Petrobras e Vale se encaixam nesta categoria de títulos. Adicionalmente, parece-nos oportuno aqui perguntarmos: qual é o benefício da melhora no preço dos títulos de Vale e de Petrobras para os associados de um fundo de pensão que mantém em carteira de forma contínua títulos de Vale e de Petrobras? - A resposta está condicionada a futura evolução dos preços de tais títulos. Assim, se os títulos de Vale são alienados aproveitando a alta no preço destes parece-nos uma estratégia correta. Por outro lado, a continuidade da manutenção em carteira de tais títulos parece-nos uma estratégia bastante arriscada, que é interessante apenas para os proprietários materiais da poupança concentrada coletiva. Inicialmente, no presente trabalho apresentamos sustentação no sentido de que: a Bolsa de Valores não serve para avaliar os títulos negociados. Igualmente, antes apresentamos o seguinte fragmento de texto: “[...] o que define a propriedade é o poder de alocação e, principalmente, o destino das riquezas produzidas que, cada vez mais, se concentram em poucas mãos.” (9) Neste sentido, doravante iremos apresentar na parte do trabalho consagrada à manipulação fragmento de texto que denominamos de: Como um misto do uso de “derivativos” e de “informações privilegiadas” viabiliza uma transferência de riquezas entre distintos participantes do mercado? As características de “manipulação” e “oligopólio” serão apresentadas em seguida. Após a apresentação das características acima mencionadas acreditamos que estaremos preparados para responder os seguintes questionamentos: (1) Por que o “moderno capitalismo bursátil” é uma conspiração? (2) Por que o “moderno capitalismo bursátil” é uma “pirâmide financeira”? 
(3) Por que os preços dos títulos bursáteis são extravagantes? (4) Por que o “moderno capitalismo bursátil” tem um tempo limite para durar? (5) Por que o “moderno capitalismo bursátil” é prejudicial para os trabalhadores e pequenos acionistas? (6) Por que a cada dia que passa os trabalhadores e pequenos acionistas transferem cada vez mais riquezas para “determinado capital financeiro”? (7) Por que os títulos de Petrobras e Vale tem atualmente “valor intrínseco” de 0 (zero)? (8) Quais são os sinais de que o “moderno capitalismo bursátil” chegou ao seu fim?

domingo, 15 de agosto de 2021

Anexo “5”

A “preferência pela liquidez” do “moderno capitalismo bursátil”, equipara esta instituição social a uma "pirâmide financeira" e/ou a uma "conspiração" Prosseguindo em nossa abordagem encontramos na literatura técnica o seguinte fragmento de texto:

[...] Liquidity, in other words, furnishes the basis for market sociability, for without it isolated individuals would not be able to make a common life for themselves. Its power to create close bonds among economic actors derives, in the first instance, from the fact that the value of a liquid asset held by an investor depends on the behavior of others who hold the same asset. If for one reason or another they no longer wish to hold it, its value will fall to zero, and the last one left holding it risks being ruined even though he has done nothing. (18)

Traduzindo:

[...] A liquidez, em outras palavras, fornece a base para a sociabilidade do mercado, pois sem ela os indivíduos isolados não seriam capazes de construir uma vida em comum para si. Seu poder de criar vínculos estreitos entre os atores econômicos decorre, em primeira instância, do fato de que o valor de um ativo líquido detido por um investidor depende do comportamento de outros que detêm o mesmo ativo. Se por um motivo ou outro não quiserem mais mantê-lo, seu valor cairá para zero, e o último a ficar com ele corre o risco de ser arruinado, embora não tenha feito nada. (18)

Parece-nos aqui oportuno fazermos uma pausa em nossa tratativa para propormos a substituição da palavra “valor” pela palavra “preço” no fragmento de texto acima.

Entretanto, antes de demonstrarmos a necessidade e conveniência de tal substituição precisamos apresentar os conceitos de “valor intrínseco” e “mercados eficientes”. Neste sentido, encontramos na literatura técnica os seguintes fragmentos de texto, respectivamente:


[...] By definition, the intrinsic value of a share expresses the amount of money that comes back to its owner as a result of having put capital into circulation through the production and sale of commodities. (18)

[...] A financial market is efficient, in other words, if the effect of competition is to assure that the price of an asset will always reflect its inherent worth. "In an efficient market," as Fama puts it, "at any point in time the actual price of a security will be a good estimate of its intrinsic value." (18)

Traduzindo:

[...] Por definição, o valor intrínseco de uma ação expressa à quantidade de dinheiro que retorna ao seu dono como resultado de ter colocado capital em circulação através da produção e venda de commodities. (18)

[...] Em outras palavras, um mercado financeiro é eficiente se o efeito da concorrência for que o preço de um ativo sempre refletirá seu valor inerente. “Em um mercado eficiente”, como diz Fama, “em qualquer momento, o preço real de um título será uma boa estimativa de seu valor intrínseco.” (18)

Após a leitura e interpretação dos dois fragmentos de texto acima somos levados a concluir que o “preço de mercado” equipara-se ao “valor intrínseco” tão somente nos “mercados eficientes”. Não obstante, raramente tal situação é encontrada na realidade. Entretanto, não seria esperada outra situação. Neste sentido, recordamos que os mercados bursáteis obedecem a uma oferta “não-concorrencial”. Em outros termos, "a instabilidade da avaliação financeira se revela endêmica porque é totalmente ancorada nas estruturas das finanças." (7)

Consequentemente estamos sustentando que a palavra “preço” mostra-se adequada e conveniente para substituir a palavra “valor” no fragmento de texto em comento. Adicionalmente, o “[...] compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo”, antes apresentado na Introdução "4", contrasta radicalmente com a inteligência contida nos conceitos de “valor intrínseco” e/ou “mercados eficientes”, antes mencionados. As observações acima reforçam a sustentação que temos feito ao longo do presente trabalho: o "moderno capitalismo bursátil equipara-se a uma "pirâmide financeira". Ademais, encontramos na literatura técnica o seguinte fragmento de texto:

[...] La spéculation est la conséquence directe de la négociabilité des titres, encore appelée « liquidité ». Cette proposition relève de l'évidence puisque, sans liquidité, il n'y aurait pas de cotation permanente des prix, les actifs seraient totalement immobilisés et la seule variable qui importerait aux yeux de l'investisseur serait le flux des revenus que la détention du titre permet d'obtenir. L'investisseur n'aurait alors d'autre choix que de considérer la valeur fondamentale du titre. Seule l'émergence de la liquidité modifie cette configuration. Elle introduit de nouvelles opportunités. Comment est-ce possible? Et d'abord, d'où vient la liquidité? (18)

[...] Pour surmonter cette difficulté et rendre plus facile l'investissement, il convient de rendre liquides les investissements, c'est-àdire négociables. Il s'agit de transformer ce qui n'est qu'un pari personnel sur des dividendes futurs en
une richesse immédiate hic et nunc. (18)

Traduzindo:

[...] A especulação é a conseqüência direta da negociabilidade dos títulos, também chamada de “liquidez”. Essa proposição é óbvia, pois, sem liquidez, não haveria cotação permanente, os ativos estariam totalmente imobilizados e a única variável importante aos olhos do investidor seria o fluxo de receitas que a posse do título permite obter. O investidor, então, não teria outra escolha senão considerar o valor fundamental do título. Apenas o surgimento da liquidez altera esta configuração. Ela introduz novas oportunidades. Como isto é possível? E, em primeiro lugar, de onde vem a liquidez?

[...] Para superar essa dificuldade e facilitar o investimento, é preciso tornar os investimentos líquidos, ou seja, negociáveis. Trata-se de transformar o que é apenas uma aposta pessoal nos dividendos futuros em uma riqueza imediata aqui e agora (18)

Gostaríamos de enfatizar no fragmento de texto acima as seguintes palavras:

“[...] Trata-se de transformar o que é apenas uma aposta pessoal em dividendos futuros em uma riqueza imediata aqui e agora.”

Entretanto, a obtenção de uma “riqueza imediata aqui e agora”, se equipara tão somente a obtenção de uma “mais-valia” (ganho financeiro). Assim, parece-nos oportuno aqui observarmos que a obtenção de uma “mais-valia aqui e agora” embora se equipare a algo semelhante à obtenção de uma riqueza não guarda nenhuma relação com a obtenção de futuros dividendos. Neste sentido, antes vimos que: "A instabilidade da avaliação financeira se revela endêmica porque é totalmente ancorada nas estruturas das finanças." (7) Consequentemente, a obtenção de uma “mais-valia aqui e agora” contrasta radicalmente tanto com o conceito de “valor intrínseco” quanto com o conceito de “mercados eficientes”, antes apresentados. Em outros termos, tal constatação é mais uma robusta evidência de que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “pirâmide financeira”.

Adicionalmente, encontramos mais um fundamento para equipararmos o “moderno capitalismo bursátil” a uma “pirâmide financeira” no contraste entre a inteligência contida nos seguintes fragmentos de texto:

“[...] o fato de um indivíduo ter a liberdade para vender um título sempre que desejar existe apenas em virtude de um compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo.” (18)

“[...] Trata-se de transformar o que é apenas uma aposta pessoal nos dividendos futuros em uma riqueza imediata aqui e agora.” (18)

Em síntese, o “[...] compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo [...]” encontrado no "moderno capitalismo bursátil" transforma o que é apenas uma aposta pessoal em dividendos futuros em uma "riqueza imediata aqui e agora”. Entretanto, tal transformação artificial revela a falta de fundamentação da correspondente riqueza obtida, o que inequivocamente permite-nos equiparar o "moderno capitalismo bursátil" a uma “transgressão da economia produtiva”. Do mesmo modo tal transformação equipara o "moderno capitalismo bursátil" a uma “pirâmide financeira”.

Prosseguindo em nossa abordagem, iremos a seguir sustentar que a expressão, agora reescrita como “[...] o PREÇO de um ativo líquido detido por um investidor depende do comportamento de outros que detêm o mesmo ativo” (18), tem seus fundamentos na expressão:

“[...] um compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo.” (18)

Consequentemente, o “[...] compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo”, nada tem a ver com a inteligência contida nos conceitos de “valor intrínseco” e/ou “mercados eficientes”, antes mencionados. Assim, a conclusão acima é mais um indício que permite-nos equiparar o “moderno capitalismo bursátil” a uma “pirâmide financeira”.

Prosseguindo em nossa abordagem, antes dissemos que uma “mais-valia” passou a ser obtida de forma sistemática e recorrente por determinados participantes do mercado por meio de uma “dinâmica que leva o preço a viver sua própria vida, a evoluir independentemente de seu valor”.

Entretanto, tal dinâmica se assemelha a uma espécie de favoritismo, como a seguir iremos sustentar. A nosso ver, as raízes de tal favoritismo localizam-se na “mais-valia” obtida por apenas alguns poucos participantes do mercado bursátil. Neste sentido, parece-nos oportuno relermos o seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica:

[...] Trata-se de mais um mercado, no qual a transação se faz essencialmente na compra e venda do novo produto, os títulos de rendimento. Os ganhos e perdas se dão, essencialmente, nos diferenciais das oscilações. (VACCARO, 2009, p. 24). (9)

Permite-nos ainda, conhecer o modo por meio do qual tal “mais- valia” é obtida a leitura e interpretação do seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica:

[...] Desde o ressurgimento dos mercados bursáteis com toda sua força, o Departamento do Tesouro e o FED fizeram o que era necessário em cada ocasião – 1987, 1995, 1998, 2001 – para criar liquidez e outros meios necessários para conter as crises. Continuarão a fazê-lo ainda que isso contrarie formalmente as teorias professadas.* (19)

* Em particular a do “risco moral” (moral hasard), que condena as operações de socorro financeiro porque elas reforçam o sentimento de impunidade daqueles que participam dos mercados financeiros. (19)

Podemos compreender o favoritismo presente na dinâmica, antes mencionada, no fato de que “os ganhos e perdas se dão, essencialmente, nos diferenciais das oscilações”. Entretanto, devido à continuada criação de liquidez um equivalente e continuado ganho financeiro fica viabilizado para alguns poucos participantes do mercado bursátil como conseqüência dos diferenciais positivos de tais oscilações, como veremos na parte do presente trabalho consagrada à "manipulação" e ao "oligopólio".

Antes vimos que “os ganhos e perdas se dão, essencialmente, nos diferenciais das oscilações”. Por outro lado, igualmente antes vimos que “[...] o Departamento do Tesouro e o FED fizeram o que era necessário em cada ocasião [...] para criar liquidez e outros meios necessários para conter as crises”. Entretanto, não nos parece equivocado sustentarmos que tal criação de liquidez permite a apenas a alguns poucos participantes do mercado obter uma “mais-valia”. Ademais, tal “mais-valia” é obtida de forma sistemática e recorrente, pois como podemos ler no fragmento de texto acima: "[...] Continuarão a fazê-lo ainda que isso contrarie formalmente as teorias professadas." Neste sentido, encontramos no conceito de “mais-valia” a seguinte expressão: “[...] diferença entre o preço da ação no dia da venda e do dia da aquisição anterior.” Assim, a continuada criação de liquidez significa que uma continuada obtenção de uma "mais-valia" de forma sistemática e recorrente fica viabilizada. Em síntese, a obtenção de uma “mais-valia” se equipara, essencialmente, a um ganho financeiro. Por seu turno, as expressões “[...] o Departamento do Tesouro e o FED fizeram o que era necessário em cada ocasião” e “[...] Continuarão a fazê-lo ainda que isso contrarie formalmente as teorias professadas.”, conduz-nos a concluir uma vez mais que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “pirâmide financeira”.

Permite-nos reforçar a conclusão acima a comparação da inteligência contida no fragmento de texto acima com a inteligência contida no seguinte multicitado fragmento de texto:

[...] Próximas à fraude, todas as bolhas especulativas baseiam-se num mecanismo bastante semelhante. Elas requerem uma entrada constante de investimentos, para manter o mercado em alta e a ilusão de que, assim, todo mundo ganha. O segredo da bolha é a adesão especulativa. (14)

Em outros termos, a inteligência contida na expressão “[...] entrada constante de investimentos, para manter o mercado em alta [...]” encontrada no fragmento de texto acima pode ser equipara a inteligência contida em duas expressões encontradas no fragmento de texto antes mencionado, qual sejam:

“[...] fizeram o que era necessário em cada ocasião [...] para criar liquidez e outros meios necessários para conter as crises” e "[...] Continuarão a fazê- lo ainda que isso contrarie formalmente as teorias professadas."

Prosseguindo em nossa abordagem, parece-nos oportuno aqui alertarmos que a multimencionada expressão “[...] compromisso implícito”, pode vir a deixar de existir.
Neste sentido, a seguir iremos observar que a partir de certo lapso temporal o futuro embora ainda continue a ser incerto passa a ser probabilístico, conforme nos permite compreender a leitura do seguinte fragmento de texto:

[...] Cette hypothèse est ellemême fondée sur une conception particulière du temps humain selon laquelle il n'y a pas de rupture qualitative entre passé, présent et avenir. Certes, dans cette conception, l'avenir est incertain, mais il est probabilisable. L'acteur économique automate calcule donc au futur comme il calcule au présent. Simplement les variables, certaines dans le passé et au présent, sont probabilisées dans l'avenir. Un même calcul englobe donc passé, présent et avenir. La même rationalité des acteurs automates y est à l'œuvre. C'est pourquoi l'avenir est « prévisible ». Certes, la prévision est entachée d'incertitude (calculable), mais CETTE INCERTITUDE EST TOUJOURS RÉDUCTIBLE PAR ACCUMULATION D'INFORMATIONS, ET DIMINUE DONC À MESURE QUE L'HORIZON DE LA PRÉVISION SE RAPPROCHE. (34) (maiúsculo nosso)

Traduzindo:

[...] Essa hipótese é baseada em uma concepção particular do tempo humano, segundo a qual não há uma ruptura qualitativa entre o passado, o presente e o futuro. É certo que, nesta concepção, o futuro ainda é incerto, mas começa a ser probabilizável. O ator econômico autômato calcula assim o futuro tal como calcula o presente. Simplesmente as variáveis, certeiras do passado e do presente, são probabilísticas no futuro. O mesmo cálculo, portanto, engloba passado, presente e futuro. A mesma racionalidade dos atores autômatos está em ação. É por isso que o futuro é "previsível". Certamente esta previsão está sujeita a incertezas (previsíveis), entretanto TAL INCERTEZA É SEMPRE REDUZIDA PELO ACÚMULO DE INFORMAÇÕES E, PORTANTO, DIMINUI À MEDIDA QUE O HORIZONTE DA PREVISÃO SE APROXIMA. (34) (maiúsculo nosso)

O ponto importante que podemos extrair da leitura do fragmento de texto acima mencionado é o seguinte:

“[...] tal incerteza é sempre reduzida pelo acúmulo de informações e, portanto, diminui à medida que o horizonte da previsão se aproxima. (34)

Neste sentido, encontramos na literatura técnica dois fragmentos de texto que quando associados entre si alertam-nos que a probabilidade de um colapso do mercado, mormente de certos títulos bursateis é algo esperado, conforme a leitura dos seguintes fragmentos de texto nos permite compreender:

[...] O crescimento do setor financeiro e dos ganhos que este proporciona só é possível na proporção exata do aumento da mais-valia não acumulada, e um, como o outro, admitem limites que foram atingidos. (22)

[...] Se por um motivo ou outro não quiserem mais mantê-lo, seu valor cairá para zero, e o último que ficar com ele corre o risco de ser arruinado, embora não tenha feito nada. (18)

Ademais, encontramos no Anexo "4" o seguinte fragmento de texto:

"[...] Adicionalmente, no fragmento de texto antes mencionado Krugman observou: “[...] Mais especificamente, suspeito agora que o tipo de regime de medidas econômicas moderadas que [...] permite que os mercados trabalhem [...] seja inerentemente instável. “Trata-se de algo que se pode sustentar durante aproximadamente uma geração, mas não por um período muito mais longo do que isto.”

Assim, a limitação temporal, acima mencionada, é uma característica do “tipo de regime de medidas econômicas moderadas”, conforme Krugman sustenta. Igualmente, é do conhecimento comum que uma das características essenciais das “pirâmides financeiras” é a limitação temporal de tais fenômenos. Não obstante, como antes equiparamos o “moderno capitalismo bursátil” ao “tipo de regime de medidas econômicas moderadas”, conforme antes sustentamos neste Anexo "5", não nos parece equivocado mais uma vez equipararmos o “moderno capitalismo financeiro” a uma “pirâmide financeira”. Em síntese, chegamos às seguintes conclusões:

(1) tanto o “regime de medidas econômicas moderadas”, quanto o “moderno capitalismo bursátil” se equiparam a uma "pirâmide financeira";

(2) tanto o “regime de medidas econômicas moderadas”, quanto o “moderno capitalismo bursátil” “[...] se pode sustentar durante aproximadamente uma geração, mas não por um período muito mais longo do que isto”. Assim, o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma "pirâmide financeira". Entretanto, como antes vimos às "pirâmides financeiras" têm um prazo de existência limitado.
Consequentemente, o “moderno capitalismo bursátil” tem um prazo de existência limitado.

Entretanto, os economistas apresentam uma alternativa ao colapso: a purga do “mico”, por meio da aceleração da inflação, conforme a leitura do seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica nos permite compreender:

[...] Depuis l'après-guerre, dans tous les pays, une politique monétaire très favorable à la croissance a donc engendré une dissymétrie dans la création monétaire et par conséquent un gonflement périodique du volume des droits financiers en excès sur la richesse future. Dès lors, la purge de ce mistigri fut nécessaire, quel que fût le système financier. On a vu quelles en étaient les deux formes pures : l'accélération de l'inflation et les krachs. Les formes concrètes que prit cette purge furent en revanche très dépendantes du type de système. (34)

[...] Dans le système internationalement cloisonné et principalement d'intermédiaires qui était celui des pays riches avant la libéralisation des années 1980, la forme principale d'élimination du mistigri était progressive et apparemment indolore. C'est l'accélération de l'inflation, qui a réalisé le programme de Keynes : l'euthanasie des rentiers au profit de ceux qui consomment et de ceux qui investissent. L'accélération de l'inflation perturbe l'évaluation des prix relatifs, donc leur extrapolation et la prise de décision pour les investissements à venir. (34)

Traduzindo:

[...] Desde o período pós-guerra, em todos os países, uma política monetária muito favorável ao crescimento levou, portanto, a uma assimetria na criação monetária e, conseqüentemente, a uma inflação periódica do volume de direitos financeiros em excesso sobre a riqueza futura. A partir daí, a purga deste mico foi necessária, independentemente do sistema financeiro. Vimos às duas formas purgas: a aceleração da inflação e os colapsos. As formas concretas que este expurgo tomou foram, por outro lado, muito dependentes do tipo de sistema. (34)

[...] No sistema internacionalmente particionado e principalmente de intermediários que foi o dos países ricos antes da liberalização da década de 1980, a forma de eliminação primária do “mico” foi progressiva e aparentemente indolor. É a aceleração da inflação, que realizou o programa de Keynes: a eutanásia dos rentistas em benefício daqueles que consomem e daqueles que investem. A aceleração da inflação perturba avaliação dos preços relativos, portanto, a extrapolação e a tomada de decisão para os investimentos por vir. (34)

Parece-nos oportuno observarmos algo acima mencionado: a forma de eliminação primária do “mico” pode ser progressiva e aparentemente indolor.

Entretanto, igualmente devemos observar que tal forma “progressiva e aparentemente indolor” inequivocamente está diretamente ligada ao tempo. Por seu turno, "a eutanásia dos rentistas em benefício daqueles que consomem e daqueles que investem" igualmente está ligada ao tempo. Neste sentido, antes vimos que as “pirâmides financeiras” têm seu tempo de vida ligado ao tempo. O relacionamento entre as observações acima é mais um indício de que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “pirâmide financeira”. Voltaremos ao tema na parte do presente trabalho consagrada à “manipulação” e ao "oligopólio".

Prosseguindo em nossa abordagem e no intuito de ilustrar que o “tempo é o fator vital da criação do preço” selecionamos na Internet dois fragmentos de texto:
Em primeiro lugar, apresentamos certo fragmento de texto extraído de comentários sobre o artigo “Ora, bolhas”, de José Paulo Kupfer, publicado pelo jornal “Estado de S. Paulo – digital” (06/10/2011) **, conforme se segue:

** 6 de outubro de 2011 - Enviado por João Flávio Olá, J. P.:

Convém botar as barbas de molho com esse “paper”. Essa “cunversinha” de que “é grande demais para quebrar” ou “dessa vez é diferente” não funciona bem em crises.

Lembra do Lehmann Brothers?

As agências de rating davam grau TTA (topo triple A) para as suas ações e TA (triple A) para os títulos emitidos e negociados por eles.

E o Lehmann Brothers já estava “MORTINHO DA SILVA”.

Quanto ao fato de que o mercado brasileiro não é tão sofisticado, vamos com calma. O México, a Argentina, a Rússia também não tinham mercados sofisticados. Na verdade, a Rússia nem tinha mercado. E todos eles quebraram feio. Talvez não tenhamos uma “bolha”. Mas, certamente, temos uma CRISE. O que é bem pior!!!
Quanto ao artigo do Ricardo Loureiro, ele me lembrou de uma frase de um grande operador de mercado de Wall Street que relatou em seu depoimento aos controladores da SEC que

“[...] A NOSSA FUNÇÃO PRINCIPAL ERA MANTER OS INVESTIDORES CALMOS ATÉ O ÚLTIMO MOMENTO [...] PARA ENTÃO FODÊ-LOS AO MÁXIMO” (maiúsculo nosso).

Em segundo lugar, encontramos o seguinte fragmento de texto na Internet:

[...] “Wall Street está contra a América”. Texto extraído do jornal “Estado de S. Paulo” (17/10/2008). *

* Entre as pessoas que pararam para assistir ao comício de Nader, predominava a resignação. “O governo não tem mais nada a fazer”, disse Robert Kavaliauskas, de 51 anos, formado em administração de empresas e funcionário do Estado de Nova York. “O COLAPSO DO CAPITALISMO PODE SER LENTO OU RÁPIDO. O GOVERNO ESTÁ TENTANDO FAZER COM QUE SEJA LENTO”. (maiúsculo nosso)

Entretanto, aqui nos parece oportuno questionar: por que os governos querem que o colapso do capitalismo seja lento?

- Simplesmente para que o preço bursátil criado, naturalmente de forma necessariamente passageira, (30) seja maximizado. Assim, quanto maior for o tempo de permanência dos preços bursateis nas proximidades das suas respectivas máximas, maior será a respectiva criação de preço bursátil, como iremos demonstrar na parte do presente trabalho consagrada à “manipulação”; conseqüentemente, maior será a transferência de riquezas, conforme temos sustentado.

Em resumo, encontramos neste Anexo "5" os seguintes fragmentos de texto que sugerem-nos que "moderno capitalismo bursátil" se equipara a uma "pirâmide financeira":

(1) [...] Consequentemente, a palavra “preço” mostra-se adequada e conveniente para substituir a palavra “valor” no fragmento de texto em comento. Adicionalmente, o “[...] compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo”, antes apresentado na Introdução "4", contrasta radicalmente com a inteligência contida nos conceitos de “valor intrínseco” e/ou “mercados eficientes”, antes mencionados. As observações acima reforçam a sustentação que temos feito ao longo do presente trabalho: o "moderno capitalismo bursátil equipara-se a uma "pirâmide financeira".

(2) [...] Consequentemente, a obtenção de uma “mais-valia aqui e agora” contrasta radicalmente tanto com o conceito de “valor intrínseco” quanto com o conceito de “mercados eficientes”, antes apresentados. Em outros termos, tal constatação é mais uma robusta evidência de que o “moderno capitalismo bursátil” pode ser equiparado a uma “pirâmide financeira”. [...]

(3) [...] Em síntese, o “[...] compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo” encontrado no "moderno capitalismo bursátil" transforma o que é apenas uma aposta pessoal em dividendos futuros em uma "riqueza imediata aqui e agora”. Entretanto, tal transformação artificial revela a falta de fundamentação da correspondente riqueza obtida, o que inequivocamente permite-nos equiparamos o "moderno capitalismo bursátil" a uma “transgressão da economia produtiva”. Do mesmo modo tal transformação equipara o "moderno capitalismo bursátil" a uma “pirâmide financeira”.

(4) [...] Consequentemente, o “[...] compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo”, nada tem a ver com a inteligência contida nos conceitos de “valor intrínseco” e/ou “mercados eficientes”, antes mencionados. Assim, a conclusão acima é mais um indício que permite-nos equiparar o “moderno capitalismo bursátil” a uma “pirâmide financeira”.

(5) [...] Em síntese, a obtenção de uma “mais-valia” se equipara, essencialmente, a um ganho financeiro. Por seu turno, as expressões “[...] o Departamento do Tesouro e o FED fizeram o que era necessário em cada ocasião” e “[...] Continuarão a fazê-lo ainda que isso contrarie formalmente as teorias professadas.”, conduz-nos a concluir uma vez mais que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “pirâmide financeira”.

[...] Em outros termos, a inteligência contida na expressão “[...] entrada constante de investimentos, para manter o mercado em alta [...]” encontrada no fragmento de texto acima pode ser equiparada a inteligência contida em certa expressão encontrada no fragmento de texto antes mencionado, qual seja:

“[...] fizeram o que era necessário em cada ocasião [...] para criar liquidez e outros meios necessários para conter as crises”.

(6) [...] Parece-nos oportuno observarmos algo acima mencionado: a forma de eliminação primária do “mico” pode ser progressiva e aparentemente indolor. Entretanto, igualmente devemos observar que tal forma “progressiva e aparentemente indolor” inequivocamente está diretamente ligada ao tempo. Por seu turno, "a eutanásia dos rentistas em benefício daqueles que consomem e daqueles que investem" igualmente está ligada ao tempo. Neste sentido, antes vimos que as “pirâmides financeiras” têm seu tempo de vida ligado ao tempo. O relacionamento entre as observações acima é mais um indício de que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “pirâmide financeira”. Voltaremos ao tema na parte do presente trabalho consagrada à “manipulação” e ao "oligopólio".




















 

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

Anexo “7”

Análise da evolução dos “preços de mercado” e dos “valores intrínsecos” dos títulos de Vale e Petrobras nos últimos 10 (dez) anos.

Para ilustrarmos o resumo de observações encontradas no final do Anexo "6" vamos a seguir  analisar tanto a evolução do “preço de mercado” quanto do “valor intrínseco” dos títulos de Vale e de Petrobras nos últimos dez anos. Entretanto, antes de tal análise parece-nos oportuno à leitura do seguinte fragmento de texto:

[...] Há pessoas que se adaptam mais rapidamente às mudanças, pois tem um faro mais apurado para perceber a virada dos ventos. Elas se antecipam ao mercado, ajustam suas velas e tiram proveito inteligente da alteração das correntes. Como elas conseguem? Ora, o próprio mercado manda sinais. Outras, entretanto, demoram mais tempo para compreender o que está acontecendo e continuam suas operações utilizando as mesmas estratégias como se o mercado fosse uma coisa estática. Esta lentidão no processo decisório, que resulta em demora nas tomadas de decisão, vai ser responsável pelo prejuízo indesejável.


Tanto a lentidão quanto a pressa, são prejudiciais quando administradas em porção mal calculada. Entra aí a importância do timing, que em outras palavras significa a noção da hora certa em que se deve entrar ou sair de um negócio, qualquer que seja. De igual importância, é o cuidado para com a dose de rapidez ou cautela que se deve imprimir numa determinada operação. Desse modo, sairá bem de qualquer situação, aquele que melhor ajustar suas velas e mais rápido se adaptar aos diferentes cenários.

Os traders, operadores do mercado de ações, nos dão um exemplo perfeito de como navegar em tempos de crise. Depois de muitos naufrágios, um trader aprende a respeitar o “mar”, e após o aprendizado colhido de suas experiências, estará pronto para se beneficiar do benefício dos ventos. Todos eles seguem estratégias cuidadosamente elaboradas e têm uma disciplina rígida na condução de suas operações. Para um trader, não faz muita diferença se o mercado está em alta ou em baixa. Ele simplesmente opera segundo a tendência. Se subir, ganha na alta, se descer ganha na baixa. É óbvio que não é simples assim, mas esse é o princípio. (53) 

Podemos extrair do fragmento de texto acima uma importante observação: “o próprio mercado manda sinais”. Entretanto, "o tempo para percepção dos sinais emitidos pelo próprio mercado são diretamente proporcionais ao nível de conhecimento e informação do próprio observador.” Adicionalmente, iremos doravante sustentar que para a obtenção de um melhor prognóstico sobre a futura evolução dos “preços de mercado” devemos adicionar ao nível de conhecimento do observador e ao nível de informação detido pelo observador
uma terceira variável: a imaginação.
 
Como demonstração prática da inteligência contida no fragmento de texto acima vamos sustentar que tanto o “preço de mercado” quanto o “valor intrínseco” dos títulos bursáteis de Vale estiveram bem próximos de 0 (zero) em passado recente.

Em primeiro lugar, iremos sustentar que o “preço de mercado” dos títulos de Vale esteve próximo de 0 (zero) nos últimos anos. Podemos facilmente comprovar tal afirmação por meio da visualização do Gráfico “1”, abaixo disponibilizado:




Gráfico 1 – ADRs de Vale na Bolsa Nasdaq (acesso em 15/09/2016)
www.nasdaq.com/symbol/vale/ interactive-chart (opção: Max.) 
 
Em segundo lugar, vai-nos permitir chegar à conclusão de que o “valor intrínseco” dos títulos de Vale esteve próximo de 0 (zero) em passado recente duas análises fundamentalistas encontradas na Internet:

Neste sentido, vamos apresentar as análises fundamentalistas que denominamos de “Análise Vale 1” e “Análise Vale 2”.

“Análise Vale 1”

“[...] During the last three years, Vale has failed to grow revenues or improve margins. Even worse, the company has paid out almost $8B in dividends since 2009, while it has incurred Free Cash Flows of less than $1.2B at the same time. In conjunction with that, Net Debt has increased from less than $10B in 2009 to whoping $24b+ as of the end of 2014. In addition to that, interest expense has almost doubled from $594M in 2009 to $1.1B last year. Capital expenditures totaling $56B over the past 6 years, which were largely financed by the debt, have failed to produce any meaningful returns. [...] Dividends are unsustainable and largely paid by money raised from asset sales and debt.

Traduzindo:

“[...] Durante os últimos três anos, a Vale não conseguiu aumentar as receitas ou melhorar as margens. Pior ainda, a empresa pagou quase US $ 8 Bi em dividendos desde 2009, embora tenha incorrido em fluxo de caixa livre de menos de US $ 1,2 Bi, no mesmo período. Em conjunto com isso, a dívida líquida aumentou de menos de US $ 10 Bi em 2009 para impressionantes números superiores a US $ 24 Bi no final de 2014. Além disso, a despesa de juros quase dobrou de US $ 594 Mi em 2009 para US $ 1,1Bi no ano de 2014. As despesas de capital totalizaram US $ 56 Bi ao longo dos últimos 6 anos, que foram em grande parte financiados pela dívida, e falharam em produzir quaisquer retornos significativos. [...] Os dividendos são insustentáveis e grandemente pagos com dinheiro levantado da venda de ativos e aumento de dívida.

Reasons Why Vale Is A Fail? (NYSE:VALE) Seeking Alpha

http://seekingalpha.com/article/2992216-reasons-why-vale-is-a-fail?auth_param=14eeqk: 1ag3deq:f580f47d8ee466 982567d59998e749d6&d r=1

A leitura da análise acima apresentada indica-nos, que os dividendos pagos pela empresa Vale de 2009 a 2014 foram superiores ao “fluxo de caixa livre” desta empresa neste mesmo período de tempo. Em outros termos, os dividendos pagos pela Vale no mencionado período de tempo foram obtidos em muito pouco do “fluxo de caixa livre” da empresa. Assim, os dividendos pagos pela Vale de 2009 a 2014 foram obtidos em grande parte dos recursos provenientes da venda de ativos e aumento de dívida, conforme mencionado na análise acima. Neste sentido, US $ 8 Bi - US $ 1,2 Bi= - US $ 6,8 Bi. Assim, tal diferença a menor de US $ 6,8 Bi sugere-nos, no mínimo, que a Vale ficou após 2014 com a obrigação de “recuperar” tais dividendos pagos com insuficiente contrapartida de “fluxo de caixa livre”. Entretanto, tal prática contraria radicalmente o conceito de “valor intrínseco”, apresentado no Anexo "6". Em outros termos, o fato da empresa Vale ter pagado de 2009 a 2014 em US$ 6,8 Bi além do “fluxo de caixa livre” sugere-nos que o “valor intrínseco” desta empresa neste período de 6 (seis) anos esteve próximo de 0 (zero), ou mesmo era negativo.
 
Igualmente, permite-nos continuar nossa sustentação de que o “valor intrínseco” da empresa Vale era próximo de 0 (zero) em recentes anos o fragmento de texto que denominamos de “Análise Vale 2”:
 
“Análise Vale 2”
 
« Fugir da Bolsa por juros nos EUA e corte de rating é não conhecer o passado do mercado »
 
(25/11/2015 - Infomoney)
 
Dilema da Vale

Mesmo sem citar a tragédia envolvendo a Samarco na cidade de Mariana (MG), o cenário da Vale é bem complicado por causa da enorme sensibilidade da empresa ao preço do minério de ferro o que ficou mais evidente no momento atual de forte queda que a commodity acumula nos últimos meses. Só para se ter uma ideia: se o minério de ferro cair de US$ 50 para US 45 (algo que vem ocorrendo com frequência), a geração de caixa da Vale zera, ou seja, a empresa será obrigada a fazer uma chamada de capital caso esse cenário se mantenha.
 
Por outro lado, a Vale tem Carajás, que é um projeto espetacular e colocará a Vale em um outro patamar. O problema é que ele só ficará pronto daqui 3 anos. Esse é o dilema da Vale: ela tem um verdadeiro paraíso a frente, mas para chegar até ele é preciso atravessar um longo e escaldante deserto. Se ela conseguir sobreviver a tudo isso, será maravilhoso. Eu prefiro esperar um pouco até se aproximar do prazo para então tomar alguma decisão.

Pretendemos aqui realçar a seguinte expressão encontrada no fragmento de texto acima:
 
“[...] Só para se ter uma ideia: se o minério de ferro cair de US$ 50 para US 45 (algo que vem ocorrendo com frequência), ou seja, a empresa será obrigada a fazer uma chamada de capital caso esse cenário se mantenha.”
 
Deste modo, ao lermos e interpretarmos o fragmento de texto acima, mormente a expressão “a geração de caixa da Vale zera”, não nos parece equivocado dizermos que: em “Novembro de 2015” o “valor intrínseco” da empresa Vale era algum número nas proximidades de zero, ou mesmo zero. No Gráfico “1”, antes visualizado, verificamos que o “preço de mercado” dos títulos de Vale encolheu aproximadamente 92% em dólares norte-americanos no período de Janeiro / 2011 à Fevereiro / 2016. Entretanto, após Fevereiro / 2016 iniciou-se uma
aparentemente vigorosa recuperação dos preços de mercado dos títulos de Vale, exceto em alguns poucos meses após o acidente ocorrido em Brumadinho. Em síntese, os títulos de Vale3 que eram cotados em Fevereiro / 2016 por R$ 9 / ação são cotados atualmente (13/08/2021) em R$ 108 / ação, como podemos constatar por meio da simples visualização do Gráfico “2”, abaixo disponibilizado.

https://www.advfn.com/p.php?pid=staticchart&s=BOV%5EVALE3&t=37&p=5&dm=0&vol=0&width=670&height=600&min_pre=0&min_after=0
Gráfico “2”


https://www.advfn.com/stock-market/bovespa/VALE3/chart (acesso em 13/08/2021)

Entretanto, como vimos anteriormente na “Análise Vale 2”, existe uma “enorme sensibilidade da empresa Vale ao preço do minério de ferro”. Consequentemente, devido à alta dos preços do minério de ferro nos últimos anos, os preços dos títulos de Vale igualmente apresentaram uma melhoria acentuada no mesmo período de tempo, como podemos visualizar no Gráfico “2”. Entretanto, encontramos na Internet menção de que tal alta nos preços do minério de ferro é atribuída à baixa dos estoques do referido minério. Assim, embora a alta nos “preços de mercado” dos títulos de Vale3 tenha sido aparentemente acentuada de Fevereiro / 2016 a Agosto / 2021, iremos doravante sustentar que tal melhoria dos “preços de mercado” nos títulos de Vale3 não guarda uma correspondente melhoria nos “valores intrínsecos” da empresa Vale. Em síntese, iremos sustentar que tal sensibilidade equipara-se simplesmente a um misto de "manipulação" e "oligopólio", como veremos  na parte do presente trabalho consagrada ao estudo destes dois fenômenos. Explicando: tal manipulação ocorre inicialmente na evolução dos preços de uma commodity “concorrencial”: o minério de ferro. Em seguida, tal manipulação passa a ocorrer nos preços de uma commodity “não-concorrencial”: os títulos bursáteis de Vale. Entretanto,  sustentamos que uma eventual recuperação dos estoques do minério de ferro muito provavelmente reconduzirão os preços do referido minério para menores preços. Por seu turno, não nos parece equivocado sustentarmos que os preços dos títulos de Vale igualmente vão tender para menores preços. Adicionalmente, permite-nos sustentar a manipulação dos preços do minério de ferro o seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica:
 

[...] Em resumo, o custo de produção das unidades marginais é, em uma situação de oferta concorrencial, o preço fundamental em torno do qual o preço de mercado oscila, porque existem forças de compensação que conduzem os preços aos fundamentos. Essas forças resultam do fato de que a mercadoria pode ser produzida em uma quantidade que é a priori ilimitada. Se o preço de mercado exceder os custos de produção, a produção, após um período mais longo ou mais curto, eventualmente aumenta, o que diminui o preço. Se o preço de mercado for menor que o custo de produção das unidades marginais, a produção acaba sendo reduzida porque essas unidades fecham e o preço aumenta novamente.


[...] Mas o preço de mercado continua sujeito a uma inegável ancoragem "real". Isto é o que leva os profissionais do mercado e os analistas de "commodities" a dizer, "com toda razão", que "a física sempre acaba por impor sua lei". (34)

A leitura e interpretação do fragmento de texto acima é suficiente para compreendermos o mecanismo conhecido como “regulação”. Em apertada síntese, a queda dos preços do minério de ferro para até US $45 / tonelada métrica, como vimos na “Análise Vale 2”, levou ao fechamento de minas produtoras do minério de ferro. Por seu turno, isto causou um aumento dos preços do minério de ferro.
 

Prosseguindo em nossa abordagem, observamos no Gráfico "1" que o período de baixa dos títulos de Vale em comento ocorreu de Janeiro / 2011 a Fevereiro / 2016, ou seja, cinco anos e um mês. Entretanto, o último período de alta destes mesmos títulos que ocorreu a partir de Fevereiro / 2016 até o presente (Agosto / 2021) já atinge aproximadamente cinco anos e cinco meses, como podemos constatar pela visualização do Gráfico “2”. A observação deste período de tempo é muito importante, como temos sustentado. Neste sentido, o fato do tempo de duração do mais recente ciclo de alta dos títulos de Vale já ter ultrapassado o tempo de duração do anterior ciclo de baixa deste mesmo título em aproximadamente 5 (cinco) meses é um sinal enviado pelo próprio mercado de que tal ciclo de alta pode estar próximo do seu final. Consequentemente, tal observação reforça nossa sustentação anterior de que os preços de mercado dos títulos bursáteis de Vale tendem para menores preços. Adicionalmente, sustentamos que àqueles participantes do mercado que obtiveram o grosso dos lucros devido a esta última tendência de alta, provavelmente serão os mesmos participantes do mercado que irão obter o grosso dos lucros na tendência de baixa que provavelmente se avizinha. Sustentamos tal prognóstico com fundamentos na alternância dos longos ciclos de alta e baixa encontrados tanto nos preços do minério de ferro quanto nos “preços de mercado” dos títulos bursáteis de Vale, como podemos comprovar pela visualização dos gráficos de longo prazo de tais commodities. Voltaremos ao tema na parte do presente trabalho consagrada a manipulação e ao oligopólio.

Permite-nos ilustrar a conclusão acima o seguinte fragmento de texto que retiramos do conceito de “pirâmide financeira", antes mencionado: 

 [...] Na falta de qualquer ativo real capaz de cobrir os rendimentos anunciados, Ponzi oferecia a seus primeiros clientes o capital aportado pelos que vinham depois.” (14) 

Permite-nos complementar a linha de raciocínio que estamos tentando desenvolver o seguinte comentário encontrado em certo blog frequentado por traders: 
 
[...] Se você observar o gráfico de Vale há 6 anos atrás ele mostrava só um lado da MONTANHA ... Eu falava para uns caras na última corretora que eu trabalhei, SE VOCÊ TEM UM LADO DA MONTANHA FATALMENTE NO FUTURO TERÁ O OUTRO LADO. Não deu outra. Mas as pessoas são céticas só acreditam quando acontece. Tenho um amigo que foi meu cliente, e tem já há muito tempo, eu calculo 400.000 Vale5... Falei isso para ele, quase perdi o amigo... (maiúsculo nosso). 

(comentário retirado do blog Investmania em 04/12/2014)

Igualmente, permite-nos ilustrar nosso anterior prognóstico de baixa para os títulos de Vale os seguintes aforismos de autoria do grande trader norte-americano, Warren Buffett:
 

(1) Price is what you pay; value is what you get. (24)


(2) In the short run, the market is a voting machine, but in the long run, it is a weighing machine. (24)

Some-se, ao acúmulo de indícios antes mencionados, o fato de que a Vale será obrigada a pagar pesadas indenizações, como consequência do acidente ocorrido em Brumadinho. Assim, temos razões adicionais para suspeitarmos que os preços de mercado dos títulos de Vale atualmente (Julho / 2021) são insustentáveis. Neste sentido, uma análise isenta do mercado bursátil deve ser feita similarmente àquela análise que os médicos urologistas fazem do PSA.* Assim, não devemos analisar a evolução dos preços das ações como analisamos uma foto; ao invés, devemos analisar a evolução dos preços das ações como analisamos um filme. Em outros termos, devemos analisar os ciclos ou ondas de forma individualizada, como adiante veremos.


*Prostate Specific Antigen 

Em síntese, a leitura e interpretação dos fragmentos de texto, acima mencionados, permitem-nos concluir que o “preço de mercado” dos títulos de Vale tendem a entrar numa tendência primária de baixa, ou mesmo colapsar. Entretanto, outra probabilidade é de não ocorrer tais eventos. Neste sentido encontramos nas partes iniciais do presente anexo a seguinte observação: "o tempo para percepção dos sinais emitidos pelo próprio mercado são diretamente proporcionais ao nível de conhecimento e informação do próprio observador.” Assim, mesmo embora o “moderno capitalismo bursátil se equipare a uma “pirâmide financeira”, a maioria dos participantes do mercado não está preparada para absorver tal conclusão, como temos sustentado ao longo do presente trabalho. Assim, o problema maior é determinar o tempo de funcionamento que resta para o "moderno capitalismo bursátil". pois as "pirâmides financeiras" são fenômenos que tem um prazo limite de duração. Consequentemente, o "moderno capitalismo bursátil" tende a deixar de existir.

Neste sentido, mesmo que o mercado de minério de ferro obedeça a uma oferta “concorrencial”, a literatura técnica sustenta que no “moderno capitalismo bursátil” a oferta é de um tipo diferente: “não-concorrencial”. Ademais, doravante iremos sustentar que o “moderno capitalismo bursátil” equipara-se a um oligopólio. Por seu turno, no “oligopólio” um fundamento existe, mas não é o custo de produção. É o preço que maximiza a receita de longo prazo de tal oligopólio. Em outros termos, podemos dizer que o tempo é o fator vital da “criação de valor”. Entretanto, antes demonstramos que a palavra “valor” deve ser substituída pela palavra “preço” no seguinte fragmento de preço: "[...] Se por um motivo ou outro não quiserem mais mantê-lo, seu valor cairá para zero, e o último a ficar com ele corre o risco de ser arruinado, embora não tenha feito nada." (18) Em outros termos, a receita de longo prazo de um oligopólio é maximizada pela combinação da maximização tanto do “preço” quanto do “tempo”. Permite-nos ilustrar tal observação o seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica:

 
[...] No mundo real, cada mercado é entrelaçado com outras instituições e uma determinada cultura social. Por conseguinte, não existe objetivamente apenas um tipo de mercado, mas muitos mercados diferentes, cada um consoante as suas próprias regras inerentes, normas culturais, institucionais e maquiagem. A diferenciação dos mercados em função da tipologia encontrada nos livros texto - da concorrência perfeita ao oligopólio até o monopólio - está longe de contar toda a história. Instituições, rotinas e cultura têm de ser trazidos para a pintura. Os economistas experimentais descobriram uma verdade equivalente nas configurações de laboratório e aprenderam que os resultados experimentais dependem frequentemente de pressupostos tácitos e configurações culturais dos participantes. Diferentes tipos de instituição de mercado envolvem diferentes rotinas de procedimentos, preços e assim por diante. A noção de um único tipo de mercado universal perdeu credibilidade (McMillan, 2002). (53) Voltaremos ao tema na parte do presente trabalho consagrada a manipulação.

Em seguida, vamos apresentar uma análise fundamentalista dos títulos de “Petrobras” igualmente encontrada na Internet. 

« Fugir da Bolsa por juros nos EUA e corte de rating é não conhecer o passado do mercado » (25/11/2015 - Infomoney) 

[...] Petrobras está barata? 

Imagine um carro que custa R$ 100 mil. Se eu dissesse que estou vendendo esse mesmo carro 0 km por R$ 10 mil, você compraria? Certamente sim. Mas e se o proprietário desse carro tem uma dívida de R$ 110 mil, esses R$ 10 mil ainda seriam uma boa oferta? É exatamente esta a situação da Petrobras. A ação já valeu R$ 40 e hoje está quase R$ 7, será que já não caiu muito? Não tenha dúvida. MAS SE VOCÊ SOMAR O VALOR DE MERCADO COM A DÍVIDA DELA, VERÁ QUE ELA NUNCA ESTEVE TÃO CARA NA BOLSA. (obs.: a Petrobras fechou o terceiro trimestre de 2015 com uma dívida de pouco mais de R$ 500 bilhões, consolidando-se como uma das empresas mais endividadas do mundo). (maiúsculo nosso)

(João Braga, cogestor da XP Gestão) 

- Outra maneira de falar que “Petrobras nunca esteve tão cara na Bolsa” se equipara a dizer que a cotação dos títulos de Petrobras, na época da presente análise acima (Novembro / 2015), já estava próxima de um número infinito. Entretanto, em termos matemáticos, se você vem a adquirir títulos cujos preços já estão nas proximidades de um número infinito, isto equivale a dizer que a probabilidade de você vir a lucrar com a venda de tais títulos, após tal lapso temporal é próxima de zero. Sustentamos a veracidade da afirmação acima, fundamentado no fato de que não é possível a existência de um número maior que um número infinito. Assim, após tal conclusão quer nos parecer que “manter em carteira” títulos de Petrobras, após Novembro / 2015, se equipara a algo que temos sustentado no presente trabalho: o principal objetivo do “hodierno capitalismo bursátil” é transferir riquezas. Em outros termos, se você mantém em carteira após tal lapso temporal títulos que apresentam valor intrínseco próximo de 0 (zero) a probabilidade maior é de você ao alienar tais títulos venha a obter um lucro pequeno, ou mesmo um prejuízo.

Conseqüentemente, cada vez mais a probabilidade de você vir no futuro a comprar títulos de Petrobras no intuito de revender posteriormente com lucro tais mesmos títulos é cada vez menor. Em outros termos, não nos parece equivocado equipararmos as oscilações de preços sofridas pelos títulos de Petrobras a partir de Novembro / 2015 a inteligência de certo fragmento de texto antes encontrado na literatura técnica: 

“[...] as orgias de especulação cada vez têm menos relação com a realidade econômica”. (9) 

Neste sentido, pela lógica, uma diminuição das cotações teria um efeito sinalizador semelhante àquele de tornar cada vez mais baratas as ações de determinada empresa cotada na Bolsa de Valores. Entretanto, freqüentemente tem ocorrido o inverso: os títulos ficam cada vez mais caros, quando as cotações diminuem, como no caso dos títulos de Petrobras, ora em comento. A nosso ver, tal paradoxo só pode ser atribuído ao fato de o “valor intrínseco” de tais títulos terem tido seu valor estimado diminuído ainda mais que a queda das respectivas cotações. 

Reforça nossa conclusão acima algo que temos sustentado ao longo do presente trabalho: o “hodierno capitalismo bursátil” equipara-se a uma “pirâmide financeira administrada e/ou planejada”. Entretanto, as características primordiais das “pirâmides financeiras” são a transferência de riquezas e a limitação temporal de existência de tais fenômenos. 

Parece-nos oportuno aqui recordamos certa conclusão encontrada no presente trabalho: 

“[...] um compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter leva-nos a relembrar algo que antes dissemos: 

“[...] significa que àqueles que mantêm a “[...] totalidade dos títulos no longo prazo” carregam um pesado fardo.” 

Adicionalmente, parece-nos oportuno aqui perguntarmos: qual é o benefício da melhora no preço dos títulos de Vale e de Petrobras para os associados de um fundo de pensão que mantém em carteira de forma contínua títulos de Vale e de Petrobras? 

- A resposta está condicionada a futura evolução dos preços de tais títulos. Assim, se os títulos de Vale são alienados aproveitando a alta no preço destes parece-nos uma estratégia correta. Por outro lado, a continuidade da manutenção em carteira de tais títulos parece- nos uma estratégia bastante arriscada, que é interessante apenas para os proprietários materiais da poupança concentrada coletiva.

Inicialmente, no presente trabalho apresentamos sustentação no sentido de que: a Bolsa de Valores não serve para avaliar os títulos negociados. Igualmente, antes apresentamos o seguinte fragmento de texto: 

“[...] o que define a propriedade é o poder de alocação e, principalmente, o destino das riquezas produzidas que, cada vez mais, se concentram em poucas mãos.” (9) 

Neste sentido, doravante iremos apresentar na parte do trabalho consagrada à manipulação fragmento de texto que denominamos de: 

Como um misto do uso de “derivativos” e de “informações privilegiadas” viabiliza uma transferência de riquezas entre distintos participantes do mercado? 
 
Prosseguindo em nossa abordagem e no intuito de ilustrar que o “tempo é o fator vital da criação do preço” selecionamos na Internet dois fragmentos de texto:

Em primeiro lugar, apresentamos certo fragmento de texto extraído de comentários sobre o artigo “Ora, bolhas”, de José Paulo Kupfer, publicado pelo jornal “Estado de S. Paulo – digital” (06/10/2011) **, conforme se segue: 

** 6 de outubro de 2011 - 

Enviado por João Flávio 

Olá, J. P.: 

Convém botar as barbas de molho com esse “paper”. Essa “cunversinha” de que “é grande demais para quebrar” ou “dessa vez é diferente” não funciona bem em crises. 

Lembra do Lehmann Brothers? 

As agências de rating davam grau TTA (topo triple A) para as suas ações e TA (triple A) para os títulos emitidos e negociados por eles. 

E o Lehmann Brothers já estava “MORTINHO DA SILVA”. 

Quanto ao fato de que o mercado brasileiro não é tão sofisticado, vamos com calma. O México, a Argentina, a Rússia também não tinham mercados sofisticados. Na verdade, a Rússia nem tinha mercado. E todos eles quebraram feio. Talvez não tenhamos uma “bolha”. Mas, certamente, temos uma CRISE. O que é bem pior!!! 

Quanto ao artigo do Ricardo Loureiro, ele me lembrou de uma frase de um grande operador de mercado de Wall Street que relatou em seu depoimento aos controladores da SEC que 

“[...] A NOSSA FUNÇÃO PRINCIPAL ERA MANTER OS INVESTIDORES CALMOS ATÉ O ÚLTIMO MOMENTO [...] PARA ENTÃO FODÊ-LOS AO MÁXIMO” (maiúsculo nosso). 

Em segundo lugar, encontramos o seguinte fragmento de texto na Internet:

[...] “Wall Street está contra a América”. Texto extraído do jornal “Estado de S. Paulo” (17/10/2008). * 

* Entre as pessoas que pararam para assistir ao comício de Nader, predominava a resignação. “O governo não tem mais nada a fazer”, disse Robert Kavaliauskas, de 51 anos, formado em administração de empresas e funcionário do Estado de Nova York. “O COLAPSO DO CAPITALISMO PODE SER LENTO OU RÁPIDO. O GOVERNO ESTÁ TENTANDO FAZER COM QUE SEJA LENTO”. (maiúsculo nosso) 

Entretanto, aqui nos parece oportuno questionar: por que os governos querem que o colapso do capitalismo seja lento? 


- Simplesmente para que o preço bursátil criado, naturalmente de forma (30) necessariamente passageira , seja maximizado. Assim, quanto maior for o tempo de permanência dos preços bursateis nas proximidades das suas respectivas máximas, maior será a respectiva criação de preço bursátil, como iremos demonstrar na parte do presente trabalho consagrada à “manipulação”; consequentemente, maior será a transferência de riquezas, conforme temos sustentado. 

Some-se, ao acúmulo de indícios antes mencionados, o fato de que a Vale será obrigada a pagar pesadas indenizações, como conseqüência do acidente ocorrido em Brumadinho. Assim, temos razões adicionais para suspeitarmos que os preços de mercado dos títulos de Vale atualmente (Julho / 2021) são insustentáveis. Neste sentido, uma análise isenta do mercado bursátil deve ser feita similarmente àquela análise que os médicos urologistas fazem do PSA.* Assim, não devemos analisar a evolução dos preços das ações como analisamos uma foto; ao invés, devemos analisar a evolução dos preços das ações como analisamos um filme. Em outros termos, devemos analisar os ciclos ou ondas de forma individualizada, como adiante veremos. 

*Prostate Specific Antigen 


Em síntese: 

(1) o “hodierno capitalismo bursátil” se equipara a uma “conspiração” e/ou uma “pirâmide financeira”. Entretanto, toda “pirâmide financeira” têm um tempo de vida limitado. Ou seja, a Bolsa de Valores tende a deixar de existir. Igualmente, toda conspiração depois de revelada tende a deixar de existir.

(2) Os indícios de que os títulos de Petrobras e Vale atualmente têm “valor intrínseco” nas proximidades de 0 (zero) são robustos, como antes vimos; 

(3) Um misto do uso informações privilegiadas e do uso de mecanismos endógenos à liquidez permiti a aqueles que detêm o “poder de alocação” obter enormes ganhos, como veremos na parte do presente trabalho consagrada à manipulação. 

Em síntese, não nos parece equivocado sustentarmos que os títulos de Petrobras e Vale são apenas matéria prima para transações. Deste modo, tais títulos são apenas os veículos concebidos com o intuito de converter “liquidez subordinada” (“ações”) em “liquidez principal” (“dinheiro”). 

Assim, tais títulos têm sido usados apenas como um artefato para operações planejadas e oportunistas em Bolsas de Valores, por meio de um misto do uso de mecanismos endógenos à liquidez associados a informações privilegiadas. 

As características de “manipulação” e “oligopólio” serão apresentadas em seguida. 

Após a apresentação das características acima mencionadas acreditamos que estaremos preparados para responder os seguintes questionamentos: 

(1) Por que o “moderno capitalismo bursátil” é uma conspiração? 

(2) Por que o “moderno capitalismo bursátil” é uma “pirâmide financeira”? 

(3) Por que os preços dos títulos bursáteis são extravagantes? 

(4) Por que o “moderno capitalismo bursátil” tem um tempo limite para durar? 

(5) Por que o “moderno capitalismo bursátil” é prejudicial para os trabalhadores e pequenos acionistas? 

(6) Por que a cada dia que passa os trabalhadores e pequenos acionistas transferem cada vez mais riquezas para “determinado capital financeiro”? 

(7) Por que os títulos de Petrobras e Vale tem atualmente “valor intrínseco” de 0 (zero)? 

(8) Quais são os sinais de que o “moderno capitalismo bursátil” chegou ao seu fim?