quinta-feira, 25 de novembro de 2021
Acessórios “26” [...] [...] [...]
Nossa contestação à hipótese
do “comportamento mimético”
no “moderno capitalismo
bursátil” [...] [...] [...]
1. Para os defensores do novo
capitalismo financeiro, os mercados
bursáteis têm uma tripla função:
financiamento, avaliação e regulação
das empresas. A observação da
realidade mostra que não só os
mercados não conseguem cumprir
essas três funções, como ainda
fragilizam os sistemas produtivos. A
primeira função da Bolsa é, em
princípio, financiar as empresas.
Entretanto, se constatou nesses
últimos anos que não tem sido esse o
caso, pois as emissões líquidas das
ações pelas empresas (emissões
brutas menos as recompras de ações e
os dividendos) eram negativas na
Europa e nos Estados Unidos. Isso
significa que as empresas pagam
mais do que recebem de seus
acionistas. A segunda função da
Bolsa é avaliar as empresas, supondo
que a cotação das ações indica o
valor fundamental das empresas a
qualquer momento. Aqui também a
realidade contradiz a teoria ortodoxa.
As flutuações das cotações dos dez
últimos anos mostram que os
mercados não chegam a dar uma
indicação clara do valor das
empresas. Sabe-se, com efeito,
desde Keynes, que as cotações
refletem, em primeiro lugar, a
“psicologia do mercado”, não os
“fundamentos” da economia. (19)
(negrito nosso)
Terceira função dos mercados: os
diferentes atores dos mercados
financeiros, em primeiro lugar os
acionistas são considerados
controladores das empresas e de seus
dirigentes. Entretanto, essa famosa
“disciplina do mercado”, versão
moderna da “mão invisível”, não
funciona. Viu-se que os investidores
buscam controlar os dirigentes das
empresas levando-os a se adequar às
regras de governo das empresas,
apresentadas anteriormente. Os
escândalos na Bolsa do início dos
anos 2000 ilustram o fracasso da
corporate governance. Com efeito, os
gerentes dessas grandes empresas
escaparam ao controle de seus
acionistas falsificando suas contas e
se lançaram em operações financeiras
arriscadas, que conduziram alguns
grupos ao desastre. (19)
Os escândalos na Bolsa e as
numerosas falências de empresas
estão diretamente ligados à
natureza e às contradições internas
do novo capitalismo bursátil. O que
está em questão é, primeiramente,
a concepção de empresa
considerada um ativo financeiro.
Portanto, trata-se de aumentar o seu
valor na Bolsa por todos os meios:
recompra das ações, fusõesaquisições,
vendas das unidades
menos rentáveis... Por meio da
montagem de esquemas financeiros
complexos e freqüentemente nada
transparentes, os administradores
buscam atingir vários objetivos:
aumentar a rentabilidade
financeira de seus grupos,
enriquecer pessoalmente e escapar
ao controle dos acionistas. (19)
(negrito nosso)
[...] Em princípio, ao lado dos
acionistas e dos investidores, supõese
que certo número de profissões –
que constituem a “indústria dos
serviços financeiros” – possa
controlar as empresas. São os
serviços de auditoria, os bancos de
negócios, as agências de
classificação, os analistas
financeiros e as autoridades
públicas de regulação. Constata-se
que não só essas profissões não
desempenham seu papel de contra
poder, como foram freqüentemente
cúmplices, ativos ou passivos, dos
erros de gestão e das fraudes dos
dirigentes. Uma das maiores razões
das graves e recorrentes disfunções
da indústria de serviços financeiros
está ligada à presença de “conflitos
de interesse”, isto é, alguns atores
têm uma dupla função, geralmente
incompatível, de controlar e de
aconselhar empresas. Isso significa
que são remunerados pelas próprias
empresas que são encarregados de
controlar. (19) (negrito nosso)
2. Que la Bourse comme
institution de financement, par là
différenciée de la Bourse comme
institution de spéculation, soit
devenue inutile, ce sont les
entreprises qui pourraient en
parler le mieux. Le problème ne
se pose simplement pas pour les
petites et moyennes... qui ne sont
pas cotées, mais dont on
rappellera tout de même qu’elles
font l’écrasante majorité de la
production et de l’emploi — on
répète pour bien marquer le coup
: l’écrasante majorité de la
production et de l’emploi se passe
parfaitement de la Bourse. Plus
étonnamment, les grandes
entreprises y ont fort peu recours
également — sauf quand leur
prend l’envie de s’amuser au jeu
des fusions et des offres
publiques d’achat (OPA). Car
lorsqu’il s’agit de trouver du
financement, le paradoxe veut
que les fleurons du CAC 40 et du
Dow Jones aillent le plus souvent
voir ailleurs : dans les marchés
obligataires, ou bien, par une
inavouable persistance dans
l’archaïsme... à la banque ! Une
succulente ironie veut qu’il y ait là
moins l’effet d’une réticence
philosophique qu’un effet de plus
de la contrainte actionnariale ellemême,
qui voit dans toute
nouvelle émission l’inconvénient
de la dilution, donc de la baisse
du bénéfice par action. En
somme, le triomphe du pouvoir
actionnarial consiste à dissuader
les entreprises qui le pourraient le
plus de se financer à la Bourse !
O facto de a bolsa como
instituição financeira, tão distinta
da bolsa como instituição
especulativa, se ter tornado inútil,
é algo que as empresas poderiam
dizer melhor. O problema
simplesmente não se coloca às
pequenas e médias empresas...
que não estão cotadas, mas que,
convém recordar, são
responsáveis pela esmagadora
maioria da produção e do
emprego - repetimos para chamar
a atenção para o seguinte: a
esmagadora maioria da produção
e do emprego está perfeitamente
a salvo do mercado bolsista. Mais
surpreendentemente, as grandes
empresas também fazem muito
pouco uso dele - excepto quando
lhes apetece jogar o jogo das
fusões e ofertas públicas de
aquisição. Porque quando se
trata de encontrar financiamento,
o paradoxo é que as bandeiras do
CAC 40 e do Dow Jones
procuram mais freqüentemente
noutro lugar: nos mercados
obrigacionistas, ou, por uma
persistência inabalável no
arcaísmo... no banco! Uma ironia
suculenta é que isto é menos o
efeito de uma reticência filosófica
do que um efeito adicional do
próprio constrangimento do
accionista, que vê em qualquer
nova questão a desvantagem da
diluição, e portanto de uma queda
nos ganhos por acção. Em suma,
o triunfo do poder accionista
consiste em dissuadir as
empresas que mais poderiam
beneficiar de financiamento na
bolsa de valores!
3. Pour ce qui est de la
contribution de la finance à la
croissance, je vous suggère de
comparer le taux de croissance
moyen des trente glorieuses,
donc sans finance dérégulée et
avec une Bourse croupion (5%
l’an en moyenne), et celui de la
période de hourrah-dérégulation
depuis deux décennies. L’affaire
est vite vue. Et ceci n’est
nullement un plaidoyer passéiste
mais simplement l’idée — logique
— qu’un contre-exemple suffit à
ruiner une généralité. Dont nous
ne devrions donc plus être
prisonniers.
Quanto à contribuição das
finanças para o crescimento,
sugiro que você compare a taxa
média de crescimento dos
gloriosos anos 30, portanto sem
finanças desregulamentadas e
com um mercado de ações em
atraso (5% ao ano em média), e
aquela do período de
desregulamentação horária para
Duas décadas. O caso é visto
rapidamente. E isso não é de
forma alguma um apelo
retrógrado, mas simplesmente a
idéia - lógica - de que um contraexemplo
é suficiente para arruinar
uma generalidade. Do qual,
portanto, não devemos mais ser
prisioneiros.
4. Sur le papier, le plan
d’ensemble ne manquait pas
d’allure. Des agents (les
épargnants) ont des ressources
financières en excès et en quête
d’emploi, d’autres (les
entreprises) sont à la recherche
de capitaux : la Bourse est cette
forme institutionnelle idoine qui
mettrait tout ce beau monde en
contact et réaliserait la rencontre
mutuellement avantageuse des
capacités de financement des uns
et des besoins des autres. Elle
ferait même mieux encore : en
apportant des ressources
permanentes (à la différence de
l’endettement, les capitaux
propres, levés par émission
d’actions, ne sont pas
remboursables), elle stabiliserait
le financement et en minimiserait
le coût. Patatras : rien de tout ça
ne tient la route.
No papel, o plano geral parecia
muito bom. Alguns agentes
(poupadores) têm recursos
financeiros excedentes e
procuram emprego, outros
(empresas) procuram capital: a
Bolsa de Valores é a forma
institucional adequada que
colocaria todas essas pessoas
bonitas em contato e conseguiria
o encontro mutuamente vantajoso
do financiamento capacidades de
alguns e as necessidades de
outros. Faria ainda melhor: ao
fornecer recursos permanentes
(ao contrário da dívida, o
patrimônio, levantado pela
emissão de ações, não é
reembolsável), estabilizaria o
financiamento e minimizaria seu
custo. Patatras: nada disso se
sustenta.
5. Des chroniques débonnaires
du regretté Jean-Pierre Gaillard,
longtemps journaliste boursier sur
France Info, à l’apparition des
chaînes boursières, en passant
par l’incessante répétition « CAC
40 - Dow Jones - Nikkei », la
Bourse aura bientôt quitté le
domaine des institutions sociales
pour devenir quasiment un fait de
nature — une chose dont la
suppression est simplement
impensable. Il est vrai que deux
décennies et demie de
matraquage continu ont bien
oeuvré à cette sorte de
naturalisation, et notamment pour
expliquer qu’une économie «
moderne » ne saurait concevoir
son financement autrement que
par des marchés et, parmi eux,
des marchés d’actions* (la Bourse
au sens strict du terme).
Das crônicas joviais do falecido
Jean-Pierre Gaillard, antigo
jornalista da bolsa de valores da
France Info, ao surgimento dos
canais da bolsa, através da
repetição incessante "CAC 40 -
Dow Jones - Nikkei", a Bolsa logo
terá partido o domínio das
instituições sociais para se tornar
quase um fato da natureza - algo
cuja abolição é simplesmente
impensável. É verdade que duas
décadas e meia de
espancamentos contínuos
funcionaram bem para este tipo
de naturalização e, em particular,
para explicar que uma economia
"moderna" não poderia conceber
o seu financiamento a não ser
pelos mercados e, entre eles, os
mercados de ações. * (a Bolsa de
Valores no sentido estrito do
termo).
6. Et c’est ici le terminus du
discours de la Bourse. La Bourse
n’est pas une institution de
financement des entreprises —
elles n’y vont plus sauf pour s’y
faire prendre leur cash-flow* ; elle
n’est pas le roc d’une « économie
de fonds propres » — pour
l’essentiel ceux-ci viennent
d’ailleurs : des entreprises ellesmêmes
; elle n’est pas la
providence qui sauve les start-up
de l’attrition financière — on
pourrait très bien agir
autrement.Elle est une machine à
fabriquer des fortunes. Et c’est
tout. Bien sûr, pour ceux qui
s’enrichissent, ça n’est pas
négligeable. Mais pour tous les
autres, ça commence à suffire.
E esse é o fim da conversa da
Bolsa de Valores. A Bolsa de
Valores não é uma instituição
para financiar empresas - elas
não vão mais lá, exceto para
obter seu fluxo de caixa *; não
é o alicerce de uma "economia
de capital" - na maior parte,
isso vem de outro lugar: das
próprias empresas; não é a
providência que salva as startups
do atrito financeiro -
poderia muito bem fazer de
outra forma.É uma máquina de
fazer dinheiro. E isso é tudo.
Claro, para quem fica rico, isso
não é desprezível. Mas para
todos os outros, está
começando a ser o suficiente.
7. C’est là typiquement le genre
d’énoncé qui offre un concentré
pur de l’idéologie néolibérale : la
naturalisation des faits sociaux.
Alain Minc n’est pas capable de
bâtir un « argument »
économique sans invoquer la loi
de la pesanteur. Or la Bourse est
une forme institutionnelle, elle
n’est pas sortie du cul d’une poule
ni tombée du ciel. Elle a été faite
de main d’homme. Par
conséquent elle peut être défaite
s’il apparaît qu’on y a plus
d’avantages que d’inconvénients
— ce qui me semble notoirement
le cas. Il y a eu un moment où on
s’est dit que l’institution «
monarchie de droit divin » était
pénible. Elle a fini dans le même
panier que la tête du roi et depuis
ça va mieux. On pourrait dire
cependant que c’est bien la loi de
la pesanteur qui a fait tomber le
couteau de la guillotine… Mutatis
mutandis bien sûr — on n’est pas
des sauvages — il se pourrait, vu
sous cet angle, que MM. Minc &
Co découvrent un jour un aspect
de la loi de la pesanteur qui ne
leur était pas apparu.
Esse é tipicamente o tipo de
afirmação que oferece um puro
concentrado da ideologia
neoliberal: a naturalização dos
fatos sociais. Alain Minc não é
capaz de construir um
"argumento" econômico sem
invocar a lei da gravidade. Mas a
Bolsa é uma forma institucional,
não saiu do cuzinho de galinha
nem caiu do céu. Foi feito à mão.
Portanto, pode ser desfeito se se
verificar que existem mais
vantagens do que desvantagens -
o que para mim parece ser
claramente o caso. Houve um
tempo em que pensávamos que a
instituição da "monarquia do
direito divino" era dolorosa. Ela
acabou na mesma cesta que a
cabeça do rei e desde então está
melhor. Pode-se dizer, porém,
que foi a lei da gravidade que fez
cair a faca da guilhotina ... Mutatis
mutandis claro - não somos
selvagens - poderia ser, visto por
este ângulo, aquele MM. Minc &
Co um dia descobriu um aspecto
da lei da gravidade que não havia
aparecido para eles.
8 [...] La « bulle Internet » a
montré à quel point les
évaluations boursières pouvaient
se déconnecer de la réalité
économique. Quant à la fonction
de financement, rappelons qu’aux
États-Unis, durant cette même
période (1995-2000), l’émission
nette d’actions est restée
négative, principalement en
raison des importants
programmes de rachats de titres,
alors même que le marché
financier exerçait une influence
dominante sur les firmes et sur
tout le développement
économique ! A tout le moins, ce
fait prouve que la puissance du
marché des actions a d’autres
sources que le seul financement
de l’accumulation. (28) [...] [...] [...]
Traduzindo: [...] [...] [...]
[...] A "bolha da Internet" mostrou
como as avaliações do mercado
podem se descolar da realidade
econômica. Quanto à função de
financiamento, deve-se lembrar
que, nos Estados Unidos, durante
o mesmo período (1995- 2000), a
emissão líquida de ações
permaneceu negativa,
principalmente devido aos
grandes programas de recompra
de ações. Mesmo assim, o
mercado financeiro exerceu uma
influência dominante nas
empresas e em todo o
desenvolvimento econômico! No
mínimo, esse fato prova que o
poder do mercado de ações tem
outras fontes além do
financiamento da acumulação.
(28) [...] [...] [...]
Entretanto, podemos ler no
fragmento de texto acima que
André Orléan sustenta que
existem outras fontes do poder do
mercado de ações, além do
financiamento da acumulação.
Tentar descobrir quais são estas
outras fontes, será o próximo
passo do presente trabalho. [...]
[...] [...]
9. Neste sentido, iremos
apresentar a seguir dois
fragmentos de texto encontrados
na literatura técnica. Em primeiro
lugar, iremos apresentar um
fragmento de texto encontrado na
literatura técnica sobre o que vem
a ser a “mais-valia”. Em segundo
lugar, iremos mostrar o
surgimento no “moderno
capitalismo bursátil” de uma
“dinâmica que leva o preço de
mercado a viver sua própria vida
e a evoluir independentemente do
seu valor”: [...] [...] [...]
[....] Le prix de l’action varie et
on pourrait considérer que le
bénéfice de l’actionnaire (ou sa
perte) dépend essentiellement de
sa plus–value, c’est–à–dire de la
différence entre le prix de l’action
au jour où il la vend et au jour où
il l’avait préalablement acquise,
auquel il faudrait ajouter, de
manière accessoire, la valeur des
dividendes perçus au fil des
années. (52) [...] [...] [...]
Traduzindo: [...] [...] [...]
[...] O preço da ação varia e
pode-se considerar que o lucro
(ou prejuízo) do acionista
depende essencialmente de sua
mais-valia, ou seja, da diferença
entre o preço da ação no dia da
venda e no dia da aquisição
anterior, ao qual deve ser
somado, ainda, o valor dos
dividendos recebidos ao longo
dos anos. (52) [...] [...] [...]
[...] Une dynamique s’installe
ainsi qui conduit le prix à « vivre
sa propre vie », à évoluer de
manière indépendante de sa «
valeur » en fonction de sa
tendance lue par les différents
acteurs dans son évolution
historique récente. L’inclination
des intervenants à suivre la
tendance qu’indique la tendance
explique les phénomènes dits de
« bulle financière » où le prix
décolle, parfois pour des années,
de la « valeur » définie comme
valeur actuelle des dividendes
futurs, manifestant la persistance
d’un excès d’acheteurs par
rapport au nombre des vendeurs.
Inversement, lorsque la tendance
s’amorce à la baisse, le même
effet de renforcement peut (52)
conduire au krach. [...] [...] [...]
Traduzindo: [...] [...] [...]
[...] Assim, se estabelece uma
dinâmica que leva o preço a
"viver sua própria vida", a evoluir
independentemente de seu
"valor" de acordo com a
tendência lida pelos diferentes
atores em sua recente evolução
histórica. A inclinação dos
participantes em seguir a
tendência que a tendência indica
explica o chamado fenômeno da
"bolha financeira" onde o preço
se descola, às vezes durante
anos, do "valor" definido como o
valor presente dos dividendos
futuros, mostrando a persistência
de um excesso de compradores
em relação ao número de
vendedores. Inversamente,
quando a tendência começa
baixar, o mesmo efeito de reforço
pode levar a um colapso. (52) [...]
[...] [...]
Por meio da leitura e
interpretação dos dois fragmentos
de texto acima não nos parece
equivocado sustentarmos que a
obtenção de uma “mais-valia” se
equipara a uma transgressão da
economia produtiva. Neste
sentido, tal
“mais-valia” é obtida por somente
alguns poucos participantes do
mercado. Entretanto, tal
particularidade é conseqüência
da “dinâmica que leva o preço de
mercado a viver sua própria vida
e a evoluir independentemente de
seu valor”. [...] [...] [...]
10. Prosseguindo em nossa
abordagem parece-nos oportuno
a leitura de dois fragmentos de
texto de autoria do economista
francês, André Orléan: [...] [...] [...]
[...] An individual investor's
expectation, in other words, is
formed on the basis of what he
expects the expectations of his
fellow investors to be. An
essentially mimetic sort of
rationality is at work here, for it
seeks to mimic the market in
order to anticipate its course,
however erratic this may be. If
the investor believes that
market prices will rise
tomorrow, self-interest instructs
him to buy shares, even if he
also believes that this
prospect, from the point of view
of fundamentals, makes no
sense. [...] [...] [...]
[...] As we will see later in
connection with financial
markets, a propensity to wild
swings, both upward and
downward, is the direct
expression of mimetic
behavior. (18) [...] [...] [...]
Traduzindo: [...] [...] [...]
[...] Em outras palavras, a
expectativa de um investidor
individual é formada com base
no que ele espera que sejam
as expectativas de seus
colegas investidores. Um tipo
essencialmente mimético de
racionalidade está em ação
aqui, pois busca imitar o
mercado para antecipar seu
curso, por mais errático que
seja. Se o investidor acredita
que os preços de mercado vão
subir amanhã, o interesse
próprio o instrui a comprar
ações, mesmo que ele
também acredite que essa
perspectiva, do ponto de vista
dos fundamentos, não faz
sentido.
[...] Como veremos mais
adiante em relação aos
mercados financeiros, a
propensão a oscilações
excessivas, tanto para cima
quanto para baixo, é uma
expressão direta do
comportamento mimético. (18)
[...] [...] [...]
No primeiro fragmento de texto
gostaríamos de ressaltar o
seguinte:
Se o investidor acredita que os
preços de mercado vão subir
amanhã, o interesse próprio o
instrui a comprar ações,
mesmo que ele também
acredite que essa perspectiva,
do ponto de vista dos
fundamentos, não faz sentido.
Entretanto, parece-nos que André
Orléan se esqueceu de algo que
ele próprio disse: [...] [...] [...]
“[...] o fato de um indivíduo ter a
liberdade para vender um título
sempre que desejar existe
apenas em virtude de um
compromisso implícito por parte
da comunidade financeira como
um todo de manter a totalidade
dos títulos no longo prazo.” (18)
[...] [...] [...]
Deste modo, “[...] o compromisso
implícito”, encontrado no
fragmento de texto acima,
contrasta com a expressão “[...]
Um tipo essencialmente mimético
de racionalidade está em ação
aqui”. Logo, tal contraste
fortalece nossa sustentação de
que o “moderno capitalismo
bursátil” se equipara a uma
“pirâmide financeira”. Em outros
termos, o “[...] compromisso
implícito por parte da comunidade
financeira como um todo de
manter a totalidade dos títulos no
longo prazo” significa que àqueles
que mantêm a “[...] totalidade dos
títulos no longo prazo” carregam
um pesado fardo, pois como
estamos sustentando o “moderno
capitalismo bursátil” equipara-se
a uma “pirâmide financeira”. E,
nas “pirâmides financeiras” os
últimos a vender são os que mais
perdem. Entretanto, doravante
veremos que tais títulos são
mantidos em carteira de forma
quase que permanente devido a
interesses. Neste sentido, se
encontram àqueles participantes
do mercado que “mantêm em
carteira” de forma quase que
permanente títulos que têm por
“valor intrínseco” valores bem
inferiores aos do “preço de
mercado”. Desta maneira, tais
aplicadores financeiros
transferem riquezas para
“determinado capital financeiro”,
como veremos no Anexo “8”.
Adicionalmente, iremos sustentar
no próximo anexo que prevalece
em certos mercados bursáteis
além de uma oferta “nãoconcorrencial”,
certo poder
oligopolístico. Entretanto, uma
oferta “não-concorrencial”,
mormente quando associada a
um poder oligopolístico, contraria
totalmente a “hipótese dos
mercados eficientes”, como
veremos no próximo anexo. [...]
[...] [...]
Entretanto, igualmente “[...] do
ponto de vista dos
fundamentos, não faz sentido”
encontramos na literatura
técnica dois fragmentos de
texto:
“[...] Como “pirâmides da
felicidade”, as bolhas
especulativas apóiam-se numa
hipótese impossível: a de que
novos investidores sempre
entrarão na ciranda, para
sustentar os ganhos dos que
chegaram antes.
Provavelmente, ninguém
melhor do que Hyman Minsky
evidenciou os encadeamentos
da economia de mercado,
resumidos por ele na
eloqüente expressão “cegueira
ao desastre”. Minsky dedicou
particular atenção aos
distúrbios provocados por
Charles Ponzi, especulador
dos anos 20, que iludiu
pessoas ingênuas, seduzidas
por promessas de rendimentos
extraordinários. Na falta de
qualquer ativo real capaz de
cobrir os rendimentos
anunciados, Ponzi oferecia a
seus primeiros clientes o
capital aportado pelos que
vinham depois. A
sustentabilidade do conjunto
supunha, portanto, a
manutenção infinita do fluxo de
novos clientes. Próximas à
fraude, todas as bolhas
especulativas baseiam-se num
mecanismo bastante
semelhante. Elas requerem
uma entrada constante de
investimentos, para manter o
mercado em alta e a ilusão de
que, assim, todo mundo
ganha. O segredo da bolha é a
adesão especulativa.
Investimentos de alta
rentabilidade atraem
aplicadores cada vez mais
comuns — portanto, cada vez
menos esclarecidos, porém
mais numerosos. (14)” [...] [...]
[...]Entretanto, sustentamos no
anexo anterior que o “moderno
capitalismo bursátil” se
equipara a uma “pirâmide
financeira”. Portanto, estamos
contestando a hipótese do
“comportamento mimético”. [...]
[...] [...]
11. Adicionalmente, reforça tal
contestação o seguinte fragmento
de texto encontrado na literatura
técnica: [...] [...] [...]
[...] La croissance de la sphère
financière et des revenus qu’elle
procure n’est possible qu’en
proportion exacte de
l’augmentation de la plus-value
non accumulée, et l’une comme
l’autre admettent des limites, qui
ont été atteintes.(22) [...] [...] [...]
Traduzindo:
[...] [...] [...]
[...] O crescimento do setor
financeiro e dos ganhos que este
proporciona só é possível na
proporção exata do aumento da
mais-valia não acumulada, e um,
como o outro, admitem limites
que foram atingidos. (22) [...] [...]
[...]
Assim, a expressão “[...] admitem
limites que foram atingidos”,
acima mencionada, sugere-nos
que o “moderno capitalismo
bursátil” se assemelha a uma
“pirâmide financeira”. Neste
sentido, as “pirâmides
financeiras” têm um tempo de
vida limitado. E, tal limitação
temporal evidencia um nítido
contraste com a inteligência
contida nos dois fragmentos de
texto de autoria do economista
francês, André Orléan, antes
mencionados no presente anexo:
[...] [...] [...]
“[...] Um tipo
essencialmente mimético
de racionalidade está em
ação aqui, pois busca imitar
o mercado para antecipar
seu curso, por mais errático
que seja.Se o investidor
acredita que os preços de
mercado vão subir amanhã,
o interesse próprio o instrui
a comprar ações, mesmo
que ele também acredite
que essa perspectiva, do
ponto de vista dos
fundamentos, não faz
sentido.”
“[...] a propensão a
oscilações excessivas [...] é
uma expressão direta do
comportamento mimético.”
(18) [...] [...] [...]
12. Igualmente, permite-nos
ilustrar nossa contestação a
hipótese do “comportamento
mimético” tomando por ponto de
apoio o seguinte fragmento de
texto encontrado na literatura
técnica:
[...] Tout dépend au fond de ce
que l’on fait des revenus des
actifs financiers. Tant que ceux-ci
sont intégralement réinvestis, lês
patrimoines croissent en-dehors
de tout lien matériel avec la
sphère réelle et l’écart peut
potentiellement devenir infini.
Mais si une partie des droits de
tirage qui correspondent aux
revenus financiers cherchent à se
porter dans la sphère réelle,
autrement dit à s’échanger contre
des biens et services, ce transfert
doit se plier à la loi de la valeur ou
plus prosaïquement à celle de
l’offre et de la demande. [...] Ce
scénario est typiquement celui
d’une crise des fonds de pension,
quand toute une génération de
retraités passe en même temps
de la situation d’épargnant qui
achète des titres à celle de
retraité. qui vend les titres pour
financer sa consommation. (22)
[...] [...] [...]
Traduzindo:
[...] Tudo, no fundo, depende do
que fazemos com os ganhos dos
ativos financeiros. Enquanto eles
forem totalmente reinvestidos, os
ativos crescem sem qualquer
conexão física com a economia
real e a diferença pode tornar-se
potencialmente infinita. Mas se
uma parte destes direitos de
retiradas correspondentes aos
ganhos financeiros procurar se
transferir para a esfera real – ou
seja, procurar se trocar por bens
e serviços –, tal transferência
deve obedecer à lei do valor ou,
mais prosaicamente, àquela lei da
oferta e da procura. [...] Este
cenário é tipicamente aquele de
uma crise nos fundos de
pensões, quando toda uma
geração de aposentados passa
ao mesmo tempo, de uma
situação de investidor, que
compra títulos para aquela de um
aposentado, que vende os títulos
para financiar o seu consumo. [...]
[...] [...]
Em síntese, “[...] este cenário [...]
quando toda uma geração de
aposentados passa ao mesmo
tempo, de uma situação de
investidor, que compra títulos
para aquela de um aposentado,
que vende os títulos para
financiar o seu consumo”,
equivale a uma “pirâmide
financeira”. [...] [...] [...]
13. Permite-nos conhecer um
pouco mais sobre o conceito de
oligopólio a leitura do seguinte
fragmento de texto encontrado na
literatura técnica: [...] [...] [...]
[...] No mundo real, cada mercado
é entrelaçado com outras
instituições e uma determinada
cultura social. Por conseguinte,
não existe objetivamente apenas
um tipo de mercado, mas muitos
mercados diferentes, cada um
consoante as suas próprias
regras inerentes, normas
culturais, institucionais e
maquiagem. A diferenciação dos
mercados em função da tipologia
encontrada nos livros texto - da
concorrência perfeita ao
oligopólio até o monopólio - está
longe de contar toda a história.
Instituições, rotinas e cultura têm
de ser trazidos para a pintura. Os
economistas experimentais
descobriram uma verdade
equivalente nas configurações de
laboratório e aprenderam que os
resultados experimentais
dependem freqüentemente de
pressupostos tácitos e
configurações culturais dos
participantes. Diferentes tipos de
instituição de mercado envolvem
diferentes rotinas de
procedimentos, preços e assim
por diante. A noção de um único
tipo de mercado universal perdeu
credibilidade (McMillan, 2002).
(53) [...] [...] [...]
Neste sentido, um exemplo de
oferta não-concorrencial onde um
poder oligopolista é exercido é o
mercado de petróleo. Permite-nos
compreender tal afirmativa a
leitura do seguinte fragmento de
texto encontrado na literatura
técnica: [...] [...] [...]
Em um mercado de
“commodities” nãoconcorrenciais,
onde um poder
oligopolista é exercido, como o do
petróleo com a OPEP, o
fundamento existe, mas não é o
custo de produção. É o preço que
maximiza a receita de longo
prazo do oligopólio. (34)
[...] [...] [...]
Entretanto, doravante iremos
sustentar que a evolução dos
preços de alguns títulos bursateis
negociados no “moderno
capitalismo bursátil”,
adicionalmente ao fato de
obedecerem a uma oferta nãoconcorrencial
obedece a um
poder oligopolista. [...] [...] [...]
Um primeiro indício de que a
evolução dos preços de alguns
títulos do “moderno capitalismo
bursátil” se equipara a evolução
dos preços de um mercado de
“commodities” de oferta nãoconcorrencial
no qual um poder
oligopolista é exercido, por meio
da leitura do seguinte fragmento
de texto encontrado na literatura
técnica: [...] [...] [...]
Este é um fato importante, pois
mostra que o mercado é uma
instituição social hierárquica, não
uma mera justaposição de
agentes que negociam uns com
os outros com base em idéias e
desejos formados sem qualquer
referência ao que acontece no
mercado. (18)
[...] [...] [...]
Assim, o fato do moderno
capitalismo bursátil se equiparar a
uma instituição social hierárquica
igualmente permite-nos sustentar
que a evolução dos preços de
alguns títulos do “moderno
capitalismo bursátil” se equipara a
evolução dos preços de um
mercado de “commodities” de
oferta não-concorrencial onde um
poder oligopolista é exercido. Tal
conclusão encontra seu ponto de
apoio no fato de o funcionamento
de uma entidade social
hierárquica se equiparar ao modo
de funcionamento de um
oligopólio, conforme podemos
constatar por meio da leitura e
interpretação do conceito de
oligopólio antes apresentado. [...]
[...] [...]
MANIPULATION – buying or
selling a security to create a false
appearance of active trading and
thus influence other investors to
buy or sell shares. This may be
done by one person or by a group
acting in concert. Those found
guilty of manipulation are subject
to criminal and civil penalties. (3)
Traduzindo:
MANIPULAÇÃO - compra ou venda
de um valor mobiliário para criar
uma falsa aparência de negociação
ativa e, assim, influenciar outros
investidores a comprar ou vender
ações. Isso pode ser feito por uma
pessoa ou por um grupo agindo em
conjunto. Aqueles considerados
culpados de manipulação estão
sujeitos a penalidades civis e
criminais. (3)
14. Em terceiro lugar, permite-nos
sustentar que o moderno capitalismo
bursátil brasileiro se equipara a um
oligopólio a leitura e interpretação das
seguintes notícias encontradas na
Internet: [...] [...] [...]
Notícia “1”
https://www.moneytimes.com.br/camacolhe-
pedido-da-petrobras-edissolve-
tribunal-de-acao-de-petros-eprevi/
[...] [...] [...]
Notícia “2”
https://www.cut.org.br/noticias/opreco-
do-golpe-petrobras-paga-r-10-
bilhoes-a-acionistas-norteamericanos-
151f/*[...] [...] [...]
*Contribuição do colega Miro [...] [...]
[...]
Notícia “1”
A Petrobras (PETR4) recebeu nesta
quinta-feira (25/03/2021) decisão
favorável da Câmara de Arbitragem
do Mercado, que acolheu um pedido
de impugnação realizado pela
empresa e dissolveu o tribunal arbitral
que havia proferido sentença parcial
em processo instaurado pelos fundos
de pensão Petros e Previ, informou a
companhia.
A decisão, segundo a Petrobras,
reconhece a nulidade da sentença
parcial na arbitragem, confirmando
decisão proferida pela 5ª Vara
Empresarial do Rio de Janeiro em
novembro do ano passado.
Agora, as partes deverão eleger três
novos árbitros para condução do
procedimento e novo julgamento da
causa, acrescentou a estatal, que não
forneceu mais detalhes do processo
devido à confidencialidade prevista
em regras da CAM.
“A Petrobras reitera que continuará a
se defender vigorosamente, em
respeito a seus acionistas, em todas
as arbitragens de que é parte”,
afirmou a empresa.
Segundo reportagens na imprensa,
publicadas pelo Valor Econômico,
Petros e Previ teriam pedido no
procedimento ressarcimentos à
Petrobras em razão de prejuízos
relacionados às descobertas da
Operação Lava Jato, que apurou
propinas envolvendo políticos e
empresas estatais e privadas no
Brasil.
Notícia “2”
HOME CUT - CENTRAL ÚNICA DOS
TRABALHADORES NOTÍCIAS
O preço do golpe: Petrobras paga
R$10 bilhões a acionistas norteamericanos
Para coordenador geral da FUP, valor
é para pagar o golpe de 2016, já que
nem a Justiça dos EUA nem a do
Brasil exigiram essa compensação
financeira antes do julgamento final da
ação movida contra a empresa
Publicado: 25 Junho, 2018 - 17h00 |
Última modificação: 25 Junho, 2018 -
17h22
Escrito por: Rosely Rocha, especial
para Portal CUT
TÂNIA RÊGO/AGÊNCIA BRASIL
notice
Em mais um ato de lesa pátria, a
Petrobras divulgou oficialmente, nessa
segunda-feira (25), que fez um acordo
com investidores americanos,
acionistas e detentores de títulos da
estatal, para tentar acabar com uma
ação coletiva contra a empresa.
Apesar do acordo aprovado "de forma
definitiva" pela Corte Federal de
primeira instância em Nova York, a
própria Petrobras reconheceu que a
ação coletiva (Class Action), nos
Estados Unidos, não está encerrada e
que a decisão pode ser objeto de
recurso à Corte de Apelações do
Segundo Circuito.
A “Class Action” foi movida por
investidores da estatal em decorrência
de perdas provocadas pelo suposto
envolvimento da companhia nos
supostos desvios investigados pela
Operação Lava Jato, da Polícia
Federal.
A Federação Única dos Petroleiros
(FUP) questiona o valor da
indenização de R$ 10 bi, já que é sete
vezes maior do que os R$ 1,4 bi, que
a Operação Lava Jato recuperou para
a companhia
Para o coordenador geral da FUP,
Simão Zanardi, a decisão da estatal
mostra a subserviência da Petrobras
frente ao mercado financeiro
internacional.
“É um absurdo a Petrobras pagar os
fundos abutres sem pagar também os
acionistas brasileiros. O correto seria
pagar a todos os acionistas, não
apenas os residentes nos Estados
Unidos. Isto é um crime”, declara.
Segundo o dirigente, embora tenha
anunciado oficialmente o acordo
somente nessa segunda-feira, a
decisão de pagar os acionistas norteamericanos
foi do ex-presidente da
estatal Pedro Parente, que já havia
dito que queria “ficar bem” no
mercado internacional.
“Nada justifica pagar uma ação sem
julgamento final, sem que tenham se
esgotado todos os recursos. A
Petrobras tem várias ações já
transitadas e julgadas na área
trabalhista, tem dívidas de impostos
no Brasil e a empresa não paga, mas
paga para bancos e acionistas dos
Estados Unidos”, denuncia Zanardi.
Para ele, os 10 bilhões de reais pagos
aos norte-americanos deixam claro
que é o pagamento pelo apoio que os
Estados Unidos deram à Operação
Lava Jato e, conseqüentemente, ao
golpe de 2016, que destituiu a
presidenta Dilma Rousseff, eleita
democraticamente com mais de 54
milhões de votos.
- Assim, por meio da leitura e
interpretação da inteligência contida
nas notícias, acima mencionadas,
tomamos conhecimento que distintos
aplicadores financeiros obtiveram
resultados totalmente diferentes em
tribunais do Brasil e dos EUA,
respectivamente. Em outros termos,
não nos parece equivocado dizer:
existem duas castas de aplicadores
financeiros na Bolsa de Valores
brasileira: os de dentro do oligopólio; e
os de fora deste. [...] [...] [...]
Neste sentido, encontramos na
Introdução os seguintes fragmentos
de texto: [...] [...] [...]
[...] após estudo profundo de
obras do economista francês
André Orléan chegamos ao
resumo dos principais pontos de
tais obras: [...] [...] [...]
(1) “[...] Os economistas
neoclássicos acreditam que as
ações têm um valor intrínseco [...]
o qual determina o movimento
dos preços. A PLAUSIBILIDADE
DESTA AFIRMAÇÃO ESTÁ
LONGE DE SER ÓBVIA;” (18)
(maiúsculo nosso) [...] [...] [...]
(2) “[...] Quanto à função de
financiamento, deve-se lembrar
que, nos Estados Unidos, durante
o mesmo período (1995- 2000), a
emissão líquida de ações
permaneceu negativa,
principalmente devido aos
grandes programas de recompra
de ações; mesmo assim, o
mercado financeiro exerceu uma
influência dominante nas
empresas e em todo o
desenvolvimento econômico! No
mínimo, esse fato prova que o
poder do mercado de ações tem
outras fontes além do
financiamento da acumulação.”
(28) [...] [...] [...]
Adicionalmente, encontramos no
Anexo “3” os seguintes fragmentos de
texto:
[...] [...] [...] Ademais, doravante
iremos sustentar que uma “maisvalia”
passou a ser obtida de
forma sistemática e recorrente
por determinados participantes do
mercado por meio de uma
“dinâmica que leva o preço a
viver sua própria vida, a evoluir
independentemente de seu valor”.
Entretanto, tal obtenção de uma
“mais-valia” de forma sistemática
e recorrente viabiliza uma
transferência de riquezas
igualmente de forma sistemática
e recorrente para alguns poucos
participantes do mercado, como
temos sustentado ao longo do
presente trabalho. [...] [...] [...]
[...] Doravante, iremos sustentar
que a “mais-valia” é não apenas
uma destas “outras fontes de
poder do mercado de ações”,
mas indiscutivelmente é a mais
importante destas fontes. [...] [...]
[...]
15. Prosseguindo em nossa
abordagem, vamos apresentar a
seguir determinado fragmento de
texto de autoria do economista
britânico, John Kay. Neste
sentido, a literatura técnica
sustenta que os extravagantes
preços alcançados pelos títulos
bursáteis são conseqüência da
formação de “bolhas
especulativas”. Entretanto, as
“bolhas especulativas” igualmente
podem ocorrer como
conseqüência do “QE” *, como
adiante veremos.
* Quantitative Expansion
Assim, tendo por fundamentos
certo fragmento de texto de
autoria do economista britânico,
John Kay, vamos continuar nossa
sustentação de que o “moderno
capitalismo bursátil” tende a
deixar de existir. Neste sentido, o
seguinte fragmento de texto de
autoria do economista britânico:
[...] Now there is far more liquidity
in the system, most of it
supporting the short-term trading
of financial institutions. Or at least
there is the appearance of
liquidity: when confidence dried
up towards the end of 2008, so
did liquidity. The primary intention
and effect of central bank
interventions since 2008 has been
to restore such liquidity. [...] In the
modern financial economy, the
main effect of “QE” is to boost
asset prices, as market gyrations
of recent weeks have clearly
illustrated. But is the pursuit of
higher asset prices an effective or
desirable means of promoting
economic growth? The
distributional impact of the policy
demands attention; the one
certain consequence of boosting
asset prices is that those with
assets benefit relative to those
without. [...] The public also holds
financial assets indirectly, largely
through pension funds. But here
there has been a paradoxical
effect: because the way pension
funds are valued, “QE” has
generally increased pension
funds' liabilities more than their
assets. (49)
Traduzindo:
[...] Agora há muito mais liquidez
no sistema, a maior parte dela
suportando as negociações de
curto prazo das instituições
financeiras. Ou pelo menos há a
aparência de liquidez: quando a
confiança secou no final de 2008,
o mesmo aconteceu com a
liquidez. A principal intenção e
efeito das intervenções do banco
central desde 2008 tem sido
restaurar essa liquidez. [...] Na
economia financeira moderna, o
principal efeito do “QE” é
impulsionar os preços dos ativos,
como as oscilações de mercado
das últimas semanas têm
claramente ilustrado. Mas é a
busca por preços mais elevados
para os ativos um meio eficaz ou
desejável de se promover o
crescimento econômico? O
impacto distributivo desta política
exige atenção; a conseqüência
certa de impulsionar os preços
dos ativos é que aqueles com
ativos se beneficiam mais em
relação àqueles sem. [...] O
público também detém ativos
financeiros indiretamente, em
grande parte por meio dos fundos
de pensão. Mas, aqui tem
ocorrido um efeito paradoxal:
devido à maneira por meio do
qual os fundos de pensão são
avaliados, o “QE” geralmente tem
aumentado mais as obrigações
dos fundos de pensão do que dos
seus ativos. (49)
Entretanto, parece-nos oportuno
realçar algo acima mencionado: o
paradoxo de o “QE” geralmente
aumentar mais as obrigações dos
fundos de pensão do que dos
seus ativos.
Neste sentido, a seguir vamos
fazer uma pausa em nossa
abordagem para fazermos o
seguinte questionamento: a
busca por preços mais elevados
para os títulos bursáteis seria um
meio mais eficaz ou desejável de
promover o crescimento
econômico?
- O estímulo conhecido por “QE”
é a espécie mais recente do
gênero incremento de “liquidez”.
Entretanto, pretendemos aqui
chamar a atenção do leitor para
duas observações acima
apontadas pelo economista
britânico, John Kay. Neste
sentido, o economista britânico
observou:
Assim, inequivocamente a
conseqüência certa de
impulsionar os preços dos ativos
é que aqueles com ativos se
beneficiam mais em relação
àqueles sem, conforme John Kay
observou. Entretanto, quer-nos
parecer que tal impulso nos
preços não teria sido possível
sem a ajuda dos bancos centrais.
Iremos a seguir tentar demonstrar
ambas as afirmações, acima
mencionadas por meio da
seguinte interpretação que
faremos do fragmento de texto de
autoria do economista britânico,
John Kay.
É do conhecimento comum que
realiza prejuízo certo investidor
que comprou determinada ação e
na eventual posterior baixa de tal
título venda o referido título por
preço inferior ao da compra
anterior em moeda constante. Por
outro lado, realiza lucro certo
investidor que esteja igualmente
comprado em determinado título
e numa posterior alta de tal título
venda o referido título por preço
superior em moeda constante ao
de uma compra anterior.
anteriormente tenha comprado
determinado título, venha a ter
prejuízo quando este mesmo
título eventualmente alcançar
preço superior ao da anterior
aquisição do mesmo título em
moeda constante. Não obstante,
é isto o que acontece nos fundos
de pensão do Reino Unido. Neste
sentido, podemos ler no texto
antes mencionado que como
conseqüência da alta das ações
ocorre nos fundos de pensão do
Reino Unido certo paradoxo.
Assim, devido ao modo como os
fundos de pensão são avaliados o
“QE” geralmente tem aumentado
mais as obrigações destas
instituições sociais.
Em apertada síntese, a
observação acima nos permite
chegar a mais uma conclusão: no
“hodierno capitalismo bursátil”
sempre existe um beneficiário e
um perdedor. O beneficiário é
usualmente “determinado capital
financeiro”; o perdedor é
geralmente o “trabalhador”.
Chegamos à conclusão de que o
beneficiário do “hodierno
capitalismo bursátil” é
“determinado capital financeiro”,
pois como antes vimos o estímulo
proporcionado pelo “QE” só foi
possível devido à ajuda dos
bancos centrais. No caso dos
EUA a ajuda veio do FED e do
Departamento do Tesouro, como
antes vimos. Entretanto, o FED é
uma empresa privada. Não
obstante, é do conhecimento
comum que toda empresa privada
procura obter os interesses de
seus donos. Logo, o simples fato
de o FED ser uma empresa
privada é um indício de que o
“moderno capitalismo bursátil”
pode ser equiparado a um
favoritismo, mesmo uma
“conspiração”.
Encontramos a explicação para
nossa observação acima no fato
de que embora o estímulo
conhecido por “QE” venha a
conter crises, igualmente viabiliza
que determinado capital
financeiro obtenha uma “maisvalia”
de forma sistemática e
recorrente. Neste sentido, antes
sustentamos que uma das fontes
do poder do mercado de ações,
além do financiamento da
acumulação, é a obtenção de
uma “mais-valia”. Ademais,
doravante vamos sustentar que a
obtenção de uma “mais-valia” é a
principal destas outras fontes. Por
fim, mas não menos importante,
antes sustentamos que a
obtenção de uma “mais-valia” de
forma sistemática e recorrente
por apenas alguns poucos
participantes do mercado é um
indício de que o “moderno
capitalismo bursátil” se equipara a
uma “conspiração”.
Por outro lado, não nos parece
equivocado sustentarmos que
existem indícios de que o
trabalhador é o principal
“perdedor” do hodierno
capitalismo bursátil, pois como
antes vimos devido ao modo
como os fundos de pensão são
avaliados no Reino Unido o “QE”
geralmente tem aumentado mais
as obrigações de tais instituições
sociais. Assim, nos fundos de
pensão do Reino Unido o
aumento a maior das obrigações
com toda certeza é um prejuízo
para os associados de tais
instituições sociais: os
trabalhadores.
Ademais, a obtenção de uma
“mais-valia” por “determinado
capital financeiro” de forma
sistemática e recorrente equivale
a uma transferência de riquezas
dos trabalhadores e pequenos
acionistas é viabilizada para
“determinado capital financeiro”,
como adiante veremos.
Entretanto, tal “transferência de
riquezas” é um sinal enviado pelo
próprio mercado que vai-nos
permitir reforçar duas conclusões
a que chegamos anteriormente:
(1) o “moderno capitalismo
bursátil” pode ser equiparado a
uma “conspiração”; (2) e que o
mesmo tende a deixar de existir.
Chegamos a estas duas
conclusões com fundamentos no
simples fato de que como o
“moderno capitalismo bursátil” se
resume ao ganho de uns poucos
em detrimento da perda de dois
grupos específicos, conforme
demonstramos. Assim, podemos
dizer que o “moderno capitalismo
bursátil” se equipara a uma
“conspiração”. Entretanto, é do
conhecimento comum que toda
“conspiração” depois de
descoberta tende a deixar de
existir. Logo, o “moderno
capitalismo bursátil” tende a
deixar de existir.
Permite-nos reforçar a
sustentação acima, o contraste
entre a inteligência contida nos
seguintes fragmentos de texto:
[...] Próximas à fraude, todas as
bolhas especulativas baseiam-se
num mecanismo bastante
semelhante. Elas requerem uma
entrada constante de
investimentos, para manter o
mercado em alta e a ilusão de
que, assim, todo mundo ganha. O
segredo da bolha é a adesão
especulativa. (14)
[...] Agora há muito mais liquidez
no sistema, a maior parte dela
suportando as negociações de
curto prazo das instituições
financeiras. (49)
Entretanto, o primeiro fragmento
de texto acima mencionado é
parte do conceito de “pirâmide
financeira”, antes apresentado.
Por outro lado, o segundo
fragmento de texto acima é parte
essencial do texto que faz
referência ao “QE” igualmente
antes apresentado.
Em síntese, “[...] uma entrada
constante de investimentos, para
manter o mercado em alta [...]”,
expressão encontrada no primeiro
fragmento de texto tem a mesma
inteligência de certa expressão
encontrada no segundo
fragmento de texto acima: “agora
há muito mais liquidez no
sistema, a maior parte dela
suportando as negociações de
curto prazo das instituições
financeiras.”
Deste modo, não nos parece
equivocado concluirmos que o
“moderno capitalismo bursátil” se
equipara a uma “pirâmide
financeira”. Por seu turno, somos
levados a relembrar algo que
sustentamos anteriormente: a
principal fonte do poder do
“moderno capitalismo bursátil” é a
obtenção de uma “mais-valia” por
alguns poucos participantes do
mercado bursátil, em detrimento
dos trabalhadores e pequenos
acionistas. Igualmente, chegamos
a tal conclusão de forma
excludente, pois como
sustentamos anteriormente o
“moderno capitalismo bursátil”
não serve tanto para avaliar os
títulos bursáteis quanto para
financiar a acumulação.
Parece-nos oportuno sustentar
que certa prática com efeito
semelhante a do “QE” tem
ocorrido nos fundos de pensão
brasileiros: a manutenção em
carteira de forma quase que
permanente de determinados
títulos que são apenas a matéria
prima para transações, conforme
sustentamos no Anexo “8”.
terça-feira, 23 de novembro de 2021
Anexo “5” [...] [...] [...]
A “preferência pela liquidez” do
“moderno capitalismo
bursátil”, equipara tal
instituição social a uma
"pirâmide financeira" [...] [...]
[...]
Encontramos na literatura técnica
o seguinte fragmento de texto: [...]
[...] [...]
[...] Liquidity, in other words,
furnishes the basis for market
sociability, for without it isolated
individuals would not be able to
make a common life for
themselves. Its power to create
close bonds among economic
actors derives, in the first
instance, from the fact that the
VALUE of a liquid asset held by
an investor depends on the
behavior of others who hold the
same asset. If for one reason or
another they no longer wish to
hold it, its VALUE will fall to zero,
and the last one left holding it
risks being ruined even though he
has done nothing. (18)
(maiúsculo nosso) [...] [...] [...]
Traduzindo: [...] [...] [...]
[...] A liquidez, em outras
palavras, fornece a base para a
sociabilidade do mercado, pois
sem ela os indivíduos isolados
não seriam capazes de construir
uma vida em comum para si. Seu
poder de criar vínculos estreitos
entre os atores econômicos
decorre, em primeira instância, do
fato de que o VALOR de um ativo
líquido detido por um investidor
depende do comportamento dos
outros investidores que detêm o
mesmo ativo. Se por um motivo
ou outro não quiserem mais
mantê-lo, seu VALOR cairá para
zero, e o último detentor corre o
risco de ser arruinado, embora
não tenha feito nada. (18)
(maiúsculo nosso) [...] [...] [...]
Vamos aqui fazer uma pausa em
nossa tratativa para propormos a
substituição da palavra “valor”
pela palavra “preço”, no
fragmento de texto acima. [...] [...]
[...]
Entretanto, antes de
demonstrarmos a necessidade e
conveniência de tal substituição
precisamos conhecer os
conceitos de “valor intrínseco” e
“mercado eficiente”. Neste
sentido, respectivamente,
encontramos na literatura técnica
os seguintes fragmentos de texto:
[...] [...] [...]
[...] By definition, the intrinsic
value of a share expresses the
amount of money that comes
back to its owner as a result of
having put capital into circulation
through the production and sale of
commodities. (18) [...] [...] [...]
[...] A financial market is efficient,
in other words, if the effect of
competition is to assure that the
price of an asset will always
reflect its inherent worth. "In an
efficient market," as Fama puts it,
"at any point in time the actual
price of a security will be a good
estimate of its intrinsic value."
(18) [...] [...] [...]
Traduzindo: [...] [...] [...]
[...] Por definição, o valor
intrínseco de uma ação expressa
à quantidade de dinheiro que
retorna ao seu dono como
resultado de ter colocado capital
em circulação através da
produção e venda de
commodities. (18) [...] [...] [...]
[...] Em outras palavras, um
mercado financeiro é eficiente se
o efeito da concorrência for que o
preço de um ativo sempre refletirá
seu valor inerente. “Em um
mercado eficiente”, como diz
Fama, “em qualquer momento, o
preço real de um título será uma
boa estimativa de seu valor
intrínseco.” (18) [...] [...] [...]
Após a leitura e interpretação dos
dois conceitos acima iremos
observar que o “preço de
mercado” equipara-se ao “valor
intrínseco” tão somente nos
“mercados eficientes”. Não
obstante, raramente tais
mercados são encontrados na
realidade, pois como vimos no
Anexo “1” o “moderno capitalismo
bursátil” obedece a uma
oferta não-concorrencial.
Entretanto, tal tipo de oferta
inviabiliza um mercado eficiente,
como antes vimos. Não por
acaso, os economistas
referem-se a tais mercados por
meio da expressão: “capital
fictício”. Adicionalmente, permitenos
ilustrar esta última afirmação o
seguinte fragmento de texto
encontrado na literatura técnica:
[...] [...] [...] [...] "a instabilidade da
avaliação financeira se revela
endêmica porque é totalmente
ancorada nas estruturas das
finanças." (7) [...] [...] [...]
Em síntese, por meio da leitura
do conceito de valor intrínseco
antes vimos que “[...] o valor
intrínseco de uma ação expressa
à quantidade de dinheiro que
retorna ao seu dono como
resultado de ter colocado capital
em circulação por meio da
produção e venda de
commodities.” Assim, o “valor
intrínseco” é conhecido apenas “a
posteriori”, o que comprova a
adequação da expressão usada
pelos economistas: “capital
fictício”. Adicionalmente, apenas
nos “mercados eficientes” o
“preço de mercado” se equipara
ao “valor intrínseco”. Entretanto,
raramente encontramos tais
“mercados eficientes”, como
antes vimos. Logo, não nos
parece equivocado sustentarmos
que a palavra “PREÇO”
mostra-se adequada e
conveniente para substituir a
palavra “VALOR” no fragmento de
texto em comento. [...] [...] [...]
Consequentemente o fragmento
de texto em comento pode agora
ser reescrito como: “[...] o PREÇO
de um ativo líquido detido por um
investidor depende do
comportamento dos outros
investidores que detêm o mesmo
ativo. Se por um motivo ou outro
não quiserem mais mantê-lo, seu
PREÇO cairá para zero, e o
último detentor corre o risco de
ser arruinado, embora não tenha
feito nada.” (18)
A seguir iremos fazer uma pausa
em nossa tratativa para fazermos
dois questionamentos: (1) por que
o PREÇO de um ativo líquido
detido por um investidor depende
do comportamento dos outros
investidores que detêm o mesmo
ativo? (2) Por que existe um
compromisso implícito por parte
da comunidade financeira como
um todo de manter a totalidade
dos títulos no longo prazo?
- Encontramos a resposta para o
primeiro questionamento acima
no “paradoxo da liquidez”. Neste
sentido, a seguir relembramos o
seguinte fragmento de texto
encontrado no anexo anterior: [...]
[...] [...]
“[...] O mercado, considerado
como um todo, não pode dispor
de um título. [...] Isso é o que
chamei de “paradoxo da liquidez”,
ou seja, a liberdade individual de
vender um título sempre que
quiser existe apenas em virtude
de um compromisso implícito por
parte da comunidade financeira
como um todo de manter a
totalidade dos títulos no longo
prazo. (18) [...] [...] [...]
Consequentemente, caso deixe
de existir tal “[...] compromisso
implícito por parte da comunidade
financeira”, não nos parece
equivocado dizermos que tende a
ocorrer àquilo previsto no
fragmento de texto em comento:
[...] [...] [...]
“[...] Se por um motivo ou outro
não quiserem mais mantê-lo, seu
PREÇO cairá para zero, e o
último detentor corre o risco de
ser arruinado, embora não tenha
feito nada.” (18)
[...] [...] [...]
Entretanto, os efeitos de tal “[...]
compromisso implícito por parte
da comunidade financeira” não
encontra correspondência na
inteligência contida nos conceitos
de “mercado eficiente” e/ou “valor
intrínseco”, conforme podemos
comprovar por meio da leitura de
tais conceitos. A observação
acima é um primeiro indício de
que o "moderno capitalismo
bursátil” se equipara a uma
"pirâmide financeira". [...] [...] [...]
A resposta ao segundo
questionamento encontramos no
fato de parte da comunidade
financeira ter interesse em manter
a totalidade dos títulos em longo
prazo, como veremos na segunda
parte do presente trabalho.
Prosseguindo em nossa
abordagem, encontramos na
literatura técnica o seguinte
fragmento de texto: [...] [...] [...]
[...] La spéculation est la
conséquence directe de la
négociabilité des titres, encore
appelée « liquidité ». Cette
proposition relève de l'évidence
puisque, sans liquidité, il n'y aurait
pas de cotation permanente des
prix, les actifs seraient totalement
immobilisés et la seule variable
qui importerait aux yeux de
l'investisseur serait le flux des
revenus que la détention du titre
permet d'obtenir. L'investisseur
n'aurait alors d'autre choix que de
considérer la valeur fondamentale
du titre. Seule l'émergence de la
liquidité modifie cette
configuration. Elle introduit de
nouvelles opportunités. Comment
est-ce possible? Et d'abord, d'où
vient la liquidité? (18) [...] [...] [...]
[...] Pour surmonter cette difficulté
et rendre plus facile
l'investissement, il convient de
rendre liquides les
investissements, c'est-àdire
négociables. Il s'agit de
transformer ce qui n'est qu'un pari
personnel sur des dividendes
futurs en une richesse immédiate
hic et nunc. (18) [...] [...] [...]
Traduzindo: [...] [...] [...]
[...] A especulação é a
conseqüência direta da
negociabilidade dos títulos,
também chamada de “liquidez”.
Essa proposição é óbvia, pois,
sem liquidez, não haveria cotação
permanente, os ativos estariam
totalmente imobilizados e a única
variável importante aos olhos do
investidor seria o fluxo de receitas
que a posse do título permite
obter. O investidor, então, não
teria outra escolha senão
considerar o valor fundamental do
título. Apenas o surgimento da
liquidez altera esta configuração.
Ela introduz novas oportunidades.
Como isto é possível? E, em
primeiro lugar, de onde vem a
liquidez? [...] [...] [...]
[...] Para superar essa dificuldade
e facilitar o investimento, é
preciso tornar líquidos os
investimentos, ou seja,
negociáveis. Trata-se de
transformar o que é apenas uma
aposta pessoal nos dividendos
futuros em uma riqueza imediata
aqui e agora (18) [...] [...] [...]
Iremos realçar no fragmento de
texto acima a seguinte expressão:
[...] [...] [...]
“[...] Trata-se de transformar o
que é apenas uma aposta
pessoal em dividendos futuros em
uma riqueza imediata aqui e
agora.” [...] [...] [...]
Neste sentido, gostaríamos aqui
de enfatizar que a obtenção de
uma “riqueza imediata aqui e
agora”, equivale tão somente à
obtenção de um ganho financeiro.
Entretanto, parece-nos oportuno
aqui observarmos que a obtenção
de um ganho financeiro
(“mais-valia aqui e agora”),
embora se equipare a algo
semelhante à obtenção de uma
riqueza não guarda nenhuma
correspondência com a obtenção
de futuros dividendos. Em outros
termos, a obtenção de uma
“mais-valia aqui e agora” é mais
um contraste com os conceitos de
“mercado eficiente” e “valor
intrínseco”, como podemos
comprovar por meio da simples
leitura de tais conceitos. Tal
constatação é um segundo
indício de que o “moderno
capitalismo bursátil” se equipara a
uma “pirâmide financeira”. [...]
[...] [...]
Um terceiro indício para
equipararmos o “moderno
capitalismo bursátil” a uma
“pirâmide financeira” encontramos
no relacionamento de causa /
efeito da inteligência contida nos
seguintes fragmentos de texto:
[...] [...] [...]
“[...] o fato de um indivíduo ter a
liberdade para vender um título
sempre que desejar existe
apenas em virtude de um
compromisso implícito por parte
da comunidade financeira como
um todo de manter a totalidade
dos títulos no longo prazo.” (18)
“[...] Trata-se de transformar o
que é apenas uma aposta
pessoal nos dividendos futuros
em uma riqueza imediata aqui e
agora.” (18) [...] [...] [...]
Assim, o “[...] compromisso
implícito por parte da comunidade
financeira como um todo de
manter a totalidade dos títulos no
longo prazo [...]” encontrado no
primeiro fragmento de texto
acima, permite a transformação
do que seria apenas uma aposta
pessoal em dividendos futuros em
uma "riqueza imediata aqui e
agora”. Entretanto, tal
transformação artificial revela a
falta de fundamentação da obtida
“riqueza imediata aqui e agora”.
Assim, tal observação
permite-nos equiparar o
"moderno capitalismo bursátil" a
uma “transgressão da economia
produtiva”. Em outros termos, tal
transformação equipara o
"moderno capitalismo bursátil" a
uma “pirâmide financeira”. [...] [...]
[...]
Prosseguindo em nossa
abordagem, mencionamos no
Anexo “3” que uma
“mais-valia” passou a ser obtida
por meio de uma “dinâmica que
leva o preço a viver sua própria
vida, a evoluir
independentemente de seu valor”.
[...] [...] [...]
Entretanto, tal dinâmica que
ocorre no “moderno capitalismo
bursátil” se assemelha a uma
espécie de favoritismo. Neste
sentido, as raízes de tal
favoritismo localizam-se no fato
de que tal “mais-valia” é obtida
por apenas alguns poucos
participantes do mercado bursátil,
como a seguir veremos. [...] [...]
[...]
Permite-nos conhecer de que
forma tal “mais-valia” é obtida, a
leitura e interpretação do seguinte
fragmento de texto encontrado na
literatura técnica: [...] [...] [...]
[...] Desde o ressurgimento dos
mercados bursáteis com toda sua
força, o Departamento do
Tesouro e o FED fizeram o que
era necessário em cada ocasião
– 1987, 1995, 1998, 2001 – para
criar liquidez e outros meios
necessários para conter as crises.
Continuarão a fazê-lo ainda que
isso contrarie formalmente as
teorias professadas.* (19) [...] [...]
[...]
* Em particular a do “risco moral”
(moral hasard), que condena as
operações de socorro financeiro
porque elas reforçam o
sentimento de impunidade
daqueles que participam dos
mercados financeiros. (19) [...] [...]
[...]
Antes vimos no conceito de
“mais-valia” que “os ganhos e
perdas se dão, essencialmente,
nos diferenciais das oscilações”.
Por outro lado, acima vimos que
“[...] o Departamento do Tesouro
e o FED fizeram o que era
necessário em cada ocasião [...]
para criar liquidez e outros meios
necessários para conter as
crises”. Entretanto, não nos
parece equivocado sustentarmos
que a criação de tal liquidez
permite a apenas alguns poucos
participantes do mercado obter tal
“mais-valia”. [...] [...] [...] Deste
modo, tal “mais-valia” é obtida de
forma sistemática e recorrente,
como podemos conhecer por
meio da leitura do fragmento de
texto acima: "[...] Continuarão a
fazê-lo ainda que isso contrarie
formalmente as teorias
professadas." Adicionalmente,
encontramos no conceito de
“mais-valia” apresentado no
Anexo “3”, a seguinte expressão:
“[...] diferença entre o preço da
ação no dia da venda e no dia da
aquisição anterior.” Assim, uma
continuada criação de liquidez
significa uma melhora continuada
nos preços de mercado. Por sua
vez, uma melhora continuada nos
preços de mercado possibilita
uma obtenção de uma
"mais-valia" de forma sistemática
e recorrente. [...] [...] [...]
Em síntese, a obtenção de uma
“mais-valia” se equipara,
essencialmente, a um ganho
financeiro. Assim, permitem-nos
sustentar um quarto indício de
que o “moderno capitalismo
bursátil” se equipara a uma
“pirâmide financeira” as
expressões “[...] o Departamento
do Tesouro e o FED fizeram o
que era necessário em cada
ocasião” e “[...] Continuarão a
fazê-lo ainda que isso contrarie
formalmente as teorias
professadas.” [...] [...] [...]
Compreendemos o favoritismo
presente em tal dinâmica no fato
de que “os ganhos e perdas se
dão, essencialmente, nos
diferenciais das oscilações”.
Entretanto, devido à continuada
criação de liquidez um
equivalente e continuado ganho
financeiro fica viabilizado. E, tal
ganho financeiro é conseqüência
dos diferenciais quase sempre
positivos de tais oscilações
associados a uma informação
privilegiada. Deste modo, tal
“ganho financeiro” é obtido por
somente alguns poucos
participantes do mercado bursátil.
Neste sentido, parece-nos
oportuno a leitura do seguinte
fragmento de texto encontrado na
literatura técnica: [...] [...] [...]
[...] Trata-se de mais um
mercado, no qual a transação se
faz essencialmente na compra e
venda do novo produto, os títulos
de rendimento. OS GANHOS E
PERDAS SE DÃO,
ESSENCIALMENTE, NOS
DIFERENCIAIS DAS
OSCILAÇÕES. (VACCARO,
2009, p. 24). (9) (maiúsculo
nosso) [...] [...] [...]
Adicionalmente, permite-nos
ilustrar tal conclusão a
comparação da inteligência
contida no fragmento de texto
acima com a inteligência contida
em certo fragmento de texto
mencionado no anexo anterior:
[...] [...] [...]
[...] Próximas à fraude, todas as
bolhas especulativas baseiam-se
num mecanismo bastante
semelhante. Elas requerem uma
entrada constante de
investimentos, para manter o
mercado em alta e a ilusão de
que, assim, todo mundo ganha. O
segredo da bolha é a adesão
especulativa. [...] [...] [...]
Deste modo, a inteligência
contida na expressão “[...] entrada
constante de investimentos, para
manter o mercado em alta [...]”
encontrada no fragmento de texto
em comento se equipara a
inteligência contida em certas
expressões antes encontradas no
presente anexo, qual sejam: [...]
[...] [...]
“[...] fizeram o que era necessário
em cada ocasião [...] para criar
liquidez e outros meios
necessários para conter as
crises” e "[...] Continuarão a fazêlo
ainda que isso contrarie
formalmente as teorias
professadas." [...] [...] [...]
Entretanto, a inteligência contida
nos dois fragmentos de texto
acima não encontra seus
fundamentos no conceito de
“valor intrínseco”. Portanto, não
nos parece equivocado dizermos
que o “moderno capitalismo
bursátil” equivale a uma “pirâmide
financeira”. Em síntese, podemos
dizer que todos os indícios de que
o moderno capitalismo bursátil se
equipara a uma “pirâmide
financeira” são fundamentados na
matemática. Entretanto, a
matemática é uma ciência exata.
Em síntese, uma “pirâmide
financeira” tem duas
características essenciais:
transferência de riquezas e tempo
de vida limitado.
Consequentemente, o “moderno
capitalismo bursátil” serve
APENAS para transferir riquezas.
Adicionalmente, não nos parece
equivocado dizermos que tal
instituição social tende a deixar
de existir. Por fim, mas não
menos importante, não nos
parece equivocado sustentarmos
que algo que tende a deixar de
existir está em tendência
irreversível de baixa. [...] [...] [...]
segunda-feira, 22 de novembro de 2021
Anexo “6” [...] [...] [...]
Nossa contestação à hipótese
do “comportamento mimético”
no “moderno capitalismo
bursátil” [...] [...] [...]
Prosseguindo em nossa
abordagem parece-nos oportuno
a leitura de dois fragmentos de
texto de autoria do economista
francês, André Orléan: [...] [...] [...]
[...] An individual investor's
expectation, in other words, is
formed on the basis of what he
expects the expectations of his
fellow investors to be. An
essentially mimetic sort of
rationality is at work here, for it
seeks to mimic the market in
order to anticipate its course,
however erratic this may be. If
the investor believes that
market prices will rise
tomorrow, self-interest instructs
him to buy shares, even if he
also believes that this
prospect, from the point of view
of fundamentals, makes no
sense. [...] [...] [...]
[...] As we will see later in
connection with financial
markets, a propensity to wild
swings, both upward and
downward, is the direct
expression of mimetic
behavior. (18) [...] [...] [...]
Traduzindo: [...] [...] [...]
[...] Em outras palavras, a
expectativa de um investidor
individual é formada com base
no que ele espera que sejam
as expectativas de seus
colegas investidores. Um tipo
essencialmente mimético de
racionalidade está em ação
aqui, pois busca imitar o
mercado para antecipar seu
curso, por mais errático que
seja. Se o investidor acredita
que os preços de mercado vão
subir amanhã, o interesse
próprio o instrui a comprar
ações, mesmo que ele
também acredite que essa
perspectiva, do ponto de vista
dos fundamentos, não faz
sentido.
[...] Como veremos mais
adiante em relação aos
mercados financeiros, a
propensão a oscilações
excessivas, tanto para cima
quanto para baixo, é uma
expressão direta do
comportamento mimético. (18)
[...] [...] [...]
Entretanto, sustentamos no
anexo anterior que o “moderno
capitalismo bursátil” se equipara a
uma “pirâmide financeira”.
Portanto, estamos contestando a
hipótese do “comportamento
mimético”. [...] [...] [...]
Adicionalmente, tal contestação a
o seguinte fragmento de texto
encontrado na literatura técnica:
[...] [...] [...]
[...] La croissance de la sphère
financière et des revenus qu’elle
procure n’est possible qu’en
proportion exacte de
l’augmentation de la plus-value
non accumulée, et l’une comme
l’autre admettent des limites, qui
ont été atteintes.(22) [...] [...] [...]
Traduzindo:
[...] [...] [...]
[...] O crescimento do setor
financeiro e dos ganhos que este
proporciona só é possível na
proporção exata do aumento da
mais-valia não acumulada, e um,
como o outro, admitem limites
que foram atingidos. (22) [...] [...]
[...]
Assim, a expressão “[...] admitem
limites que foram atingidos”,
acima mencionada, sugere-nos
que o “moderno capitalismo
bursátil” se assemelha a uma
“pirâmide financeira”. Neste
sentido, as “pirâmides
financeiras” têm um tempo de
vida limitado. E, tal limitação
temporal evidencia um nítido
contraste com a inteligência
contida nos dois fragmentos de
texto de autoria do economista
francês, André Orléan, antes
mencionados no presente anexo:
[...] [...] [...]
“[...] Um tipo
essencialmente mimético
de racionalidade está em
ação aqui, pois busca imitar
o mercado para antecipar
seu curso, por mais errático
que seja.Se o investidor
acredita que os preços de
mercado vão subir amanhã,
o interesse próprio o instrui
a comprar ações, mesmo
que ele também acredite
que essa perspectiva, do
ponto de vista dos
fundamentos, não faz
sentido.”
“[...] a propensão a
oscilações excessivas [...] é
uma expressão direta do
comportamento mimético.”
(18) [...] [...] [...]
Entretanto, parece-nos que André
Orléan se esqueceu de algo que
ele próprio disse: [...] [...] [...]
“[...] o fato de um indivíduo ter a
liberdade para vender um título
sempre que desejar existe
apenas em virtude de um
compromisso implícito por parte
da comunidade financeira como
um todo de manter a totalidade
dos títulos no longo prazo.” (18)
[...] [...] [...]
Deste modo, “[...] o compromisso
implícito”, encontrado no
fragmento de texto acima,
contrasta com a expressão “[...]
Um tipo essencialmente mimético
de racionalidade está em ação
aqui”. Logo, tal contraste
fortalece nossa sustentação de
que o “moderno capitalismo
bursátil” se equipara a uma
“pirâmide financeira”. Em outros
termos, o “[...] compromisso
implícito por parte da comunidade
financeira como um todo de
manter a totalidade dos títulos no
longo prazo” significa que àqueles
que mantêm a “[...] totalidade dos
títulos no longo prazo” carregam
um pesado fardo, pois como
estamos sustentando o “moderno
capitalismo bursátil” equipara-se
a uma “pirâmide financeira”. E,
nas “pirâmides financeiras” os
últimos a vender são os que mais
perdem. Entretanto, doravante
veremos que tais títulos são
mantidos em carteira de forma
quase que permanente devido a
interesses. Neste sentido, se
encontram àqueles participantes
do mercado que “mantêm em
carteira” de forma quase que
permanente títulos que têm por
“valor intrínseco” valores bem
inferiores aos do “preço de
mercado”. Desta maneira, tais
aplicadores financeiros
transferem riquezas para
“determinado capital financeiro”,
como veremos no Anexo “8”.
Adicionalmente, iremos sustentar
no próximo anexo que prevalece
em certos mercados bursáteis
além de uma oferta “nãoconcorrencial”,
certo poder
oligopolístico. Entretanto, uma
oferta “não-concorrencial”,
mormente quando associada a
um poder oligopolístico, contraria
totalmente a “hipótese dos
mercados eficientes”, como
veremos no próximo anexo. [...]
[...] [...]
Permite-nos ilustrar tal afirmação
o contraste entre dois fragmentos
de texto encontrados na literatura
técnica sobre a maximização dos
fluxos dos dividendos. Neste
sentido, em primeiro lugar,
encontramos na literatura técnica
o seguinte fragmento de texto: [...]
[...] [...]
[...] It stands to reason that the
greater the present dividends and
their rate of increase, the greater
the value the stock; thus,
differences in growth rates are a
major factor in stock valuation.
(48) [...] [...] [...]
Traduzindo: [...] [...] [...]
[...] É óbvio que quanto maiores
forem os dividendos atuais e sua
taxa de crescimento, maior será o
valor da ação. Assim, as
diferenças entre as taxas de
crescimento são o principal fator
na avaliação de uma ação. (48)
[...] [...] [...]
Em segundo lugar, encontramos
na literatura técnica o seguinte
fragmento de texto: [...] [...] [...]
[...] eles exigem que a atividade
dos grupos nos quais eles detêm
ações seja voltada para dois
objetivos: manter as cotações das
ações no nível mais elevado
possível e manter a maximização
dos fluxos de dividendos. (30) [...]
[...] [...]
Embora ambos os fragmentos de
texto acima mencionados
objetivem a “maximização dos
fluxos de dividendos” saltam aos
olhos a total diferença da
inteligência contida nestes. Em
outros termos, é total a
incompatibilidade entre a
maximização artificial do fluxo de
dividendos, mencionada no
segundo fragmento de texto
acima, com àquilo que seria a
verdadeira finalidade dos
dividendos, mencionada no
primeiro fragmento de texto. [...]
[...] [...]
Neste sentido, o mercado,
segundo o filósofo francês Dany-
Robert Dufour, “seria a única
verdadeira realidade no mundo
de ficção dos homens”. Assim,
em seu livro, O Divino Mercado
(46), ao se referir ao Mercado,
Dufour, aduz: “ELE POSSUI A
ONIPOTÊNCIA, CONTANTO
QUE O DEIXEM REALMENTE
AGIR”. Ou, ainda, quando
declara: “NADA DEVE PODER
ENTRAVAR O EXERCÍCIO
SOBERANO DESSA FORÇA”.
[...] [...] [...]
Antes vimos que o “moderno
capitalismo bursátil” ao ser
equiparado a uma “pirâmide
financeira” se equipara a algo que
tem um tempo de vida limitado;
Em contraste, o “comportamento
mimético” sugere algo sem
limites, mesmo sem
comprometimento não apenas
com o tempo, mas igualmente
com o “valor intrínseco”, como
André Orléan observa. Ademais,
a afirmação “[...] um compromisso
implícito por parte da comunidade
financeira como um todo de
manter a totalidade dos títulos no
longo prazo” sugere-nos que o
“moderno capitalismo bursátil” se
equipara a uma instituição social
que eventualmente terá um fim.
Tal afirmação parece-nos correta,
pois é nítido que tal
“compromisso implícito” limita-se
ao “preço de mercado”. Assim,
embora o mencionado
“compromisso implícito” viabilize
a obtenção de uma “mais-valia”
não tem nenhuma influência na
formação do “valor intrínseco”,
como antes vimos. Assim, a
contínua obtenção de uma “maisvalia”
diminui o tempo de vida do
mercado, pois como segredo da
bolha é a adesão especulativa,
quer-nos parecer que tal adesão
especulativa tende a diminuir com
o passar do tempo. [...] [...] [...]
Em síntese, estamos assim
demonstrando a
insustentabilidade da hipótese do
comportamento mimético no
“moderno capitalismo bursátil” de
autoria do economista francês,
André Orléan. Assim, por
exclusão iremos doravante
sustentar que o “moderno
capitalismo bursátil” serve tão
somente para transferir riquezas
dos trabalhadores e pequenos
acionistas para “determinado
capital financeiro”. [...] [...] [...]
Permite-nos ilustrar nossa
contestação a hipótese do
“comportamento mimético”
tomando por ponto de apoio o
seguinte fragmento de texto
encontrado na literatura técnica:
[...] Tout dépend au fond de ce
que l’on fait des revenus des
actifs financiers. Tant que ceux-ci
sont intégralement réinvestis, lês
patrimoines croissent en-dehors
de tout lien matériel avec la
sphère réelle et l’écart peut
potentiellement devenir infini.
Mais si une partie des droits de
tirage qui correspondent aux
revenus financiers cherchent à se
porter dans la sphère réelle,
autrement dit à s’échanger contre
des biens et services, ce transfert
doit se plier à la loi de la valeur ou
plus prosaïquement à celle de
l’offre et de la demande. [...] Ce
scénario est typiquement celui
d’une crise des fonds de pension,
quand toute une génération de
retraités passe en même temps
de la situation d’épargnant qui
achète des titres à celle de
retraité. qui vend les titres pour
financer sa consommation. (22)
[...] [...] [...]
Traduzindo:
[...] Tudo, no fundo, depende do
que fazemos com os ganhos dos
ativos financeiros. Enquanto eles
forem totalmente reinvestidos, os
ativos crescem sem qualquer
conexão física com a economia
real e a diferença pode tornar-se
potencialmente infinita. Mas se
uma parte destes direitos de
retiradas correspondentes aos
ganhos financeiros procurar se
transferir para a esfera real – ou
seja, procurar se trocar por bens
e serviços –, tal transferência
deve obedecer à lei do valor ou,
mais prosaicamente, àquela lei da
oferta e da procura. [...] Este
cenário é tipicamente aquele de
uma crise nos fundos de
pensões, quando toda uma
geração de aposentados passa
ao mesmo tempo, de uma
situação de investidor, que
compra títulos para aquela de um
aposentado, que vende os títulos
para financiar o seu consumo. [...]
[...] [...]
Em síntese, “[...] este cenário [...]
quando toda uma geração de
aposentados passa ao mesmo
tempo, de uma situação de
investidor, que compra títulos
para aquela de um aposentado,
que vende os títulos para
financiar o seu consumo”,
equivale a uma “pirâmide
financeira”. [...] [...] [...]
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