quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Acessórios “26” [...] [...] [...] Nossa contestação à hipótese do “comportamento mimético” no “moderno capitalismo bursátil” [...] [...] [...] 1. Para os defensores do novo capitalismo financeiro, os mercados bursáteis têm uma tripla função: financiamento, avaliação e regulação das empresas. A observação da realidade mostra que não só os mercados não conseguem cumprir essas três funções, como ainda fragilizam os sistemas produtivos. A primeira função da Bolsa é, em princípio, financiar as empresas. Entretanto, se constatou nesses últimos anos que não tem sido esse o caso, pois as emissões líquidas das ações pelas empresas (emissões brutas menos as recompras de ações e os dividendos) eram negativas na Europa e nos Estados Unidos. Isso significa que as empresas pagam mais do que recebem de seus acionistas. A segunda função da Bolsa é avaliar as empresas, supondo que a cotação das ações indica o valor fundamental das empresas a qualquer momento. Aqui também a realidade contradiz a teoria ortodoxa. As flutuações das cotações dos dez últimos anos mostram que os mercados não chegam a dar uma indicação clara do valor das empresas. Sabe-se, com efeito, desde Keynes, que as cotações refletem, em primeiro lugar, a “psicologia do mercado”, não os “fundamentos” da economia. (19) (negrito nosso) Terceira função dos mercados: os diferentes atores dos mercados financeiros, em primeiro lugar os acionistas são considerados controladores das empresas e de seus dirigentes. Entretanto, essa famosa “disciplina do mercado”, versão moderna da “mão invisível”, não funciona. Viu-se que os investidores buscam controlar os dirigentes das empresas levando-os a se adequar às regras de governo das empresas, apresentadas anteriormente. Os escândalos na Bolsa do início dos anos 2000 ilustram o fracasso da corporate governance. Com efeito, os gerentes dessas grandes empresas escaparam ao controle de seus acionistas falsificando suas contas e se lançaram em operações financeiras arriscadas, que conduziram alguns grupos ao desastre. (19) Os escândalos na Bolsa e as numerosas falências de empresas estão diretamente ligados à natureza e às contradições internas do novo capitalismo bursátil. O que está em questão é, primeiramente, a concepção de empresa considerada um ativo financeiro. Portanto, trata-se de aumentar o seu valor na Bolsa por todos os meios: recompra das ações, fusõesaquisições, vendas das unidades menos rentáveis... Por meio da montagem de esquemas financeiros complexos e freqüentemente nada transparentes, os administradores buscam atingir vários objetivos: aumentar a rentabilidade financeira de seus grupos, enriquecer pessoalmente e escapar ao controle dos acionistas. (19) (negrito nosso) [...] Em princípio, ao lado dos acionistas e dos investidores, supõese que certo número de profissões – que constituem a “indústria dos serviços financeiros” – possa controlar as empresas. São os serviços de auditoria, os bancos de negócios, as agências de classificação, os analistas financeiros e as autoridades públicas de regulação. Constata-se que não só essas profissões não desempenham seu papel de contra poder, como foram freqüentemente cúmplices, ativos ou passivos, dos erros de gestão e das fraudes dos dirigentes. Uma das maiores razões das graves e recorrentes disfunções da indústria de serviços financeiros está ligada à presença de “conflitos de interesse”, isto é, alguns atores têm uma dupla função, geralmente incompatível, de controlar e de aconselhar empresas. Isso significa que são remunerados pelas próprias empresas que são encarregados de controlar. (19) (negrito nosso) 2. Que la Bourse comme institution de financement, par là différenciée de la Bourse comme institution de spéculation, soit devenue inutile, ce sont les entreprises qui pourraient en parler le mieux. Le problème ne se pose simplement pas pour les petites et moyennes... qui ne sont pas cotées, mais dont on rappellera tout de même qu’elles font l’écrasante majorité de la production et de l’emploi — on répète pour bien marquer le coup : l’écrasante majorité de la production et de l’emploi se passe parfaitement de la Bourse. Plus étonnamment, les grandes entreprises y ont fort peu recours également — sauf quand leur prend l’envie de s’amuser au jeu des fusions et des offres publiques d’achat (OPA). Car lorsqu’il s’agit de trouver du financement, le paradoxe veut que les fleurons du CAC 40 et du Dow Jones aillent le plus souvent voir ailleurs : dans les marchés obligataires, ou bien, par une inavouable persistance dans l’archaïsme... à la banque ! Une succulente ironie veut qu’il y ait là moins l’effet d’une réticence philosophique qu’un effet de plus de la contrainte actionnariale ellemême, qui voit dans toute nouvelle émission l’inconvénient de la dilution, donc de la baisse du bénéfice par action. En somme, le triomphe du pouvoir actionnarial consiste à dissuader les entreprises qui le pourraient le plus de se financer à la Bourse ! O facto de a bolsa como instituição financeira, tão distinta da bolsa como instituição especulativa, se ter tornado inútil, é algo que as empresas poderiam dizer melhor. O problema simplesmente não se coloca às pequenas e médias empresas... que não estão cotadas, mas que, convém recordar, são responsáveis pela esmagadora maioria da produção e do emprego - repetimos para chamar a atenção para o seguinte: a esmagadora maioria da produção e do emprego está perfeitamente a salvo do mercado bolsista. Mais surpreendentemente, as grandes empresas também fazem muito pouco uso dele - excepto quando lhes apetece jogar o jogo das fusões e ofertas públicas de aquisição. Porque quando se trata de encontrar financiamento, o paradoxo é que as bandeiras do CAC 40 e do Dow Jones procuram mais freqüentemente noutro lugar: nos mercados obrigacionistas, ou, por uma persistência inabalável no arcaísmo... no banco! Uma ironia suculenta é que isto é menos o efeito de uma reticência filosófica do que um efeito adicional do próprio constrangimento do accionista, que vê em qualquer nova questão a desvantagem da diluição, e portanto de uma queda nos ganhos por acção. Em suma, o triunfo do poder accionista consiste em dissuadir as empresas que mais poderiam beneficiar de financiamento na bolsa de valores! 3. Pour ce qui est de la contribution de la finance à la croissance, je vous suggère de comparer le taux de croissance moyen des trente glorieuses, donc sans finance dérégulée et avec une Bourse croupion (5% l’an en moyenne), et celui de la période de hourrah-dérégulation depuis deux décennies. L’affaire est vite vue. Et ceci n’est nullement un plaidoyer passéiste mais simplement l’idée — logique — qu’un contre-exemple suffit à ruiner une généralité. Dont nous ne devrions donc plus être prisonniers. Quanto à contribuição das finanças para o crescimento, sugiro que você compare a taxa média de crescimento dos gloriosos anos 30, portanto sem finanças desregulamentadas e com um mercado de ações em atraso (5% ao ano em média), e aquela do período de desregulamentação horária para Duas décadas. O caso é visto rapidamente. E isso não é de forma alguma um apelo retrógrado, mas simplesmente a idéia - lógica - de que um contraexemplo é suficiente para arruinar uma generalidade. Do qual, portanto, não devemos mais ser prisioneiros. 4. Sur le papier, le plan d’ensemble ne manquait pas d’allure. Des agents (les épargnants) ont des ressources financières en excès et en quête d’emploi, d’autres (les entreprises) sont à la recherche de capitaux : la Bourse est cette forme institutionnelle idoine qui mettrait tout ce beau monde en contact et réaliserait la rencontre mutuellement avantageuse des capacités de financement des uns et des besoins des autres. Elle ferait même mieux encore : en apportant des ressources permanentes (à la différence de l’endettement, les capitaux propres, levés par émission d’actions, ne sont pas remboursables), elle stabiliserait le financement et en minimiserait le coût. Patatras : rien de tout ça ne tient la route. No papel, o plano geral parecia muito bom. Alguns agentes (poupadores) têm recursos financeiros excedentes e procuram emprego, outros (empresas) procuram capital: a Bolsa de Valores é a forma institucional adequada que colocaria todas essas pessoas bonitas em contato e conseguiria o encontro mutuamente vantajoso do financiamento capacidades de alguns e as necessidades de outros. Faria ainda melhor: ao fornecer recursos permanentes (ao contrário da dívida, o patrimônio, levantado pela emissão de ações, não é reembolsável), estabilizaria o financiamento e minimizaria seu custo. Patatras: nada disso se sustenta. 5. Des chroniques débonnaires du regretté Jean-Pierre Gaillard, longtemps journaliste boursier sur France Info, à l’apparition des chaînes boursières, en passant par l’incessante répétition « CAC 40 - Dow Jones - Nikkei », la Bourse aura bientôt quitté le domaine des institutions sociales pour devenir quasiment un fait de nature — une chose dont la suppression est simplement impensable. Il est vrai que deux décennies et demie de matraquage continu ont bien oeuvré à cette sorte de naturalisation, et notamment pour expliquer qu’une économie « moderne » ne saurait concevoir son financement autrement que par des marchés et, parmi eux, des marchés d’actions* (la Bourse au sens strict du terme). Das crônicas joviais do falecido Jean-Pierre Gaillard, antigo jornalista da bolsa de valores da France Info, ao surgimento dos canais da bolsa, através da repetição incessante "CAC 40 - Dow Jones - Nikkei", a Bolsa logo terá partido o domínio das instituições sociais para se tornar quase um fato da natureza - algo cuja abolição é simplesmente impensável. É verdade que duas décadas e meia de espancamentos contínuos funcionaram bem para este tipo de naturalização e, em particular, para explicar que uma economia "moderna" não poderia conceber o seu financiamento a não ser pelos mercados e, entre eles, os mercados de ações. * (a Bolsa de Valores no sentido estrito do termo). 6. Et c’est ici le terminus du discours de la Bourse. La Bourse n’est pas une institution de financement des entreprises — elles n’y vont plus sauf pour s’y faire prendre leur cash-flow* ; elle n’est pas le roc d’une « économie de fonds propres » — pour l’essentiel ceux-ci viennent d’ailleurs : des entreprises ellesmêmes ; elle n’est pas la providence qui sauve les start-up de l’attrition financière — on pourrait très bien agir autrement.Elle est une machine à fabriquer des fortunes. Et c’est tout. Bien sûr, pour ceux qui s’enrichissent, ça n’est pas négligeable. Mais pour tous les autres, ça commence à suffire. E esse é o fim da conversa da Bolsa de Valores. A Bolsa de Valores não é uma instituição para financiar empresas - elas não vão mais lá, exceto para obter seu fluxo de caixa *; não é o alicerce de uma "economia de capital" - na maior parte, isso vem de outro lugar: das próprias empresas; não é a providência que salva as startups do atrito financeiro - poderia muito bem fazer de outra forma.É uma máquina de fazer dinheiro. E isso é tudo. Claro, para quem fica rico, isso não é desprezível. Mas para todos os outros, está começando a ser o suficiente. 7. C’est là typiquement le genre d’énoncé qui offre un concentré pur de l’idéologie néolibérale : la naturalisation des faits sociaux. Alain Minc n’est pas capable de bâtir un « argument » économique sans invoquer la loi de la pesanteur. Or la Bourse est une forme institutionnelle, elle n’est pas sortie du cul d’une poule ni tombée du ciel. Elle a été faite de main d’homme. Par conséquent elle peut être défaite s’il apparaît qu’on y a plus d’avantages que d’inconvénients — ce qui me semble notoirement le cas. Il y a eu un moment où on s’est dit que l’institution « monarchie de droit divin » était pénible. Elle a fini dans le même panier que la tête du roi et depuis ça va mieux. On pourrait dire cependant que c’est bien la loi de la pesanteur qui a fait tomber le couteau de la guillotine… Mutatis mutandis bien sûr — on n’est pas des sauvages — il se pourrait, vu sous cet angle, que MM. Minc & Co découvrent un jour un aspect de la loi de la pesanteur qui ne leur était pas apparu. Esse é tipicamente o tipo de afirmação que oferece um puro concentrado da ideologia neoliberal: a naturalização dos fatos sociais. Alain Minc não é capaz de construir um "argumento" econômico sem invocar a lei da gravidade. Mas a Bolsa é uma forma institucional, não saiu do cuzinho de galinha nem caiu do céu. Foi feito à mão. Portanto, pode ser desfeito se se verificar que existem mais vantagens do que desvantagens - o que para mim parece ser claramente o caso. Houve um tempo em que pensávamos que a instituição da "monarquia do direito divino" era dolorosa. Ela acabou na mesma cesta que a cabeça do rei e desde então está melhor. Pode-se dizer, porém, que foi a lei da gravidade que fez cair a faca da guilhotina ... Mutatis mutandis claro - não somos selvagens - poderia ser, visto por este ângulo, aquele MM. Minc & Co um dia descobriu um aspecto da lei da gravidade que não havia aparecido para eles. 8 [...] La « bulle Internet » a montré à quel point les évaluations boursières pouvaient se déconnecer de la réalité économique. Quant à la fonction de financement, rappelons qu’aux États-Unis, durant cette même période (1995-2000), l’émission nette d’actions est restée négative, principalement en raison des importants programmes de rachats de titres, alors même que le marché financier exerçait une influence dominante sur les firmes et sur tout le développement économique ! A tout le moins, ce fait prouve que la puissance du marché des actions a d’autres sources que le seul financement de l’accumulation. (28) [...] [...] [...] Traduzindo: [...] [...] [...] [...] A "bolha da Internet" mostrou como as avaliações do mercado podem se descolar da realidade econômica. Quanto à função de financiamento, deve-se lembrar que, nos Estados Unidos, durante o mesmo período (1995- 2000), a emissão líquida de ações permaneceu negativa, principalmente devido aos grandes programas de recompra de ações. Mesmo assim, o mercado financeiro exerceu uma influência dominante nas empresas e em todo o desenvolvimento econômico! No mínimo, esse fato prova que o poder do mercado de ações tem outras fontes além do financiamento da acumulação. (28) [...] [...] [...] Entretanto, podemos ler no fragmento de texto acima que André Orléan sustenta que existem outras fontes do poder do mercado de ações, além do financiamento da acumulação. Tentar descobrir quais são estas outras fontes, será o próximo passo do presente trabalho. [...] [...] [...] 9. Neste sentido, iremos apresentar a seguir dois fragmentos de texto encontrados na literatura técnica. Em primeiro lugar, iremos apresentar um fragmento de texto encontrado na literatura técnica sobre o que vem a ser a “mais-valia”. Em segundo lugar, iremos mostrar o surgimento no “moderno capitalismo bursátil” de uma “dinâmica que leva o preço de mercado a viver sua própria vida e a evoluir independentemente do seu valor”: [...] [...] [...]  [....] Le prix de l’action varie et on pourrait considérer que le bénéfice de l’actionnaire (ou sa perte) dépend essentiellement de sa plus–value, c’est–à–dire de la différence entre le prix de l’action au jour où il la vend et au jour où il l’avait préalablement acquise, auquel il faudrait ajouter, de manière accessoire, la valeur des dividendes perçus au fil des années. (52) [...] [...] [...] Traduzindo: [...] [...] [...]  [...] O preço da ação varia e pode-se considerar que o lucro (ou prejuízo) do acionista depende essencialmente de sua mais-valia, ou seja, da diferença entre o preço da ação no dia da venda e no dia da aquisição anterior, ao qual deve ser somado, ainda, o valor dos dividendos recebidos ao longo dos anos. (52) [...] [...] [...]  [...] Une dynamique s’installe ainsi qui conduit le prix à « vivre sa propre vie », à évoluer de manière indépendante de sa « valeur » en fonction de sa tendance lue par les différents acteurs dans son évolution historique récente. L’inclination des intervenants à suivre la tendance qu’indique la tendance explique les phénomènes dits de « bulle financière » où le prix décolle, parfois pour des années, de la « valeur » définie comme valeur actuelle des dividendes futurs, manifestant la persistance d’un excès d’acheteurs par rapport au nombre des vendeurs. Inversement, lorsque la tendance s’amorce à la baisse, le même effet de renforcement peut (52) conduire au krach. [...] [...] [...] Traduzindo: [...] [...] [...] [...] Assim, se estabelece uma dinâmica que leva o preço a "viver sua própria vida", a evoluir independentemente de seu "valor" de acordo com a tendência lida pelos diferentes atores em sua recente evolução histórica. A inclinação dos participantes em seguir a tendência que a tendência indica explica o chamado fenômeno da "bolha financeira" onde o preço se descola, às vezes durante anos, do "valor" definido como o valor presente dos dividendos futuros, mostrando a persistência de um excesso de compradores em relação ao número de vendedores. Inversamente, quando a tendência começa baixar, o mesmo efeito de reforço pode levar a um colapso. (52) [...] [...] [...] Por meio da leitura e interpretação dos dois fragmentos de texto acima não nos parece equivocado sustentarmos que a obtenção de uma “mais-valia” se equipara a uma transgressão da economia produtiva. Neste sentido, tal “mais-valia” é obtida por somente alguns poucos participantes do mercado. Entretanto, tal particularidade é conseqüência da “dinâmica que leva o preço de mercado a viver sua própria vida e a evoluir independentemente de seu valor”. [...] [...] [...] 10. Prosseguindo em nossa abordagem parece-nos oportuno a leitura de dois fragmentos de texto de autoria do economista francês, André Orléan: [...] [...] [...] [...] An individual investor's expectation, in other words, is formed on the basis of what he expects the expectations of his fellow investors to be. An essentially mimetic sort of rationality is at work here, for it seeks to mimic the market in order to anticipate its course, however erratic this may be. If the investor believes that market prices will rise tomorrow, self-interest instructs him to buy shares, even if he also believes that this prospect, from the point of view of fundamentals, makes no sense. [...] [...] [...] [...] As we will see later in connection with financial markets, a propensity to wild swings, both upward and downward, is the direct expression of mimetic behavior. (18) [...] [...] [...] Traduzindo: [...] [...] [...] [...] Em outras palavras, a expectativa de um investidor individual é formada com base no que ele espera que sejam as expectativas de seus colegas investidores. Um tipo essencialmente mimético de racionalidade está em ação aqui, pois busca imitar o mercado para antecipar seu curso, por mais errático que seja. Se o investidor acredita que os preços de mercado vão subir amanhã, o interesse próprio o instrui a comprar ações, mesmo que ele também acredite que essa perspectiva, do ponto de vista dos fundamentos, não faz sentido. [...] Como veremos mais adiante em relação aos mercados financeiros, a propensão a oscilações excessivas, tanto para cima quanto para baixo, é uma expressão direta do comportamento mimético. (18) [...] [...] [...] No primeiro fragmento de texto gostaríamos de ressaltar o seguinte: Se o investidor acredita que os preços de mercado vão subir amanhã, o interesse próprio o instrui a comprar ações, mesmo que ele também acredite que essa perspectiva, do ponto de vista dos fundamentos, não faz sentido. Entretanto, parece-nos que André Orléan se esqueceu de algo que ele próprio disse: [...] [...] [...] “[...] o fato de um indivíduo ter a liberdade para vender um título sempre que desejar existe apenas em virtude de um compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo.” (18) [...] [...] [...] Deste modo, “[...] o compromisso implícito”, encontrado no fragmento de texto acima, contrasta com a expressão “[...] Um tipo essencialmente mimético de racionalidade está em ação aqui”. Logo, tal contraste fortalece nossa sustentação de que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “pirâmide financeira”. Em outros termos, o “[...] compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo” significa que àqueles que mantêm a “[...] totalidade dos títulos no longo prazo” carregam um pesado fardo, pois como estamos sustentando o “moderno capitalismo bursátil” equipara-se a uma “pirâmide financeira”. E, nas “pirâmides financeiras” os últimos a vender são os que mais perdem. Entretanto, doravante veremos que tais títulos são mantidos em carteira de forma quase que permanente devido a interesses. Neste sentido, se encontram àqueles participantes do mercado que “mantêm em carteira” de forma quase que permanente títulos que têm por “valor intrínseco” valores bem inferiores aos do “preço de mercado”. Desta maneira, tais aplicadores financeiros transferem riquezas para “determinado capital financeiro”, como veremos no Anexo “8”. Adicionalmente, iremos sustentar no próximo anexo que prevalece em certos mercados bursáteis além de uma oferta “nãoconcorrencial”, certo poder oligopolístico. Entretanto, uma oferta “não-concorrencial”, mormente quando associada a um poder oligopolístico, contraria totalmente a “hipótese dos mercados eficientes”, como veremos no próximo anexo. [...] [...] [...] Entretanto, igualmente “[...] do ponto de vista dos fundamentos, não faz sentido” encontramos na literatura técnica dois fragmentos de texto:  “[...] Como “pirâmides da felicidade”, as bolhas especulativas apóiam-se numa hipótese impossível: a de que novos investidores sempre entrarão na ciranda, para sustentar os ganhos dos que chegaram antes. Provavelmente, ninguém melhor do que Hyman Minsky evidenciou os encadeamentos da economia de mercado, resumidos por ele na eloqüente expressão “cegueira ao desastre”. Minsky dedicou particular atenção aos distúrbios provocados por Charles Ponzi, especulador dos anos 20, que iludiu pessoas ingênuas, seduzidas por promessas de rendimentos extraordinários. Na falta de qualquer ativo real capaz de cobrir os rendimentos anunciados, Ponzi oferecia a seus primeiros clientes o capital aportado pelos que vinham depois. A sustentabilidade do conjunto supunha, portanto, a manutenção infinita do fluxo de novos clientes. Próximas à fraude, todas as bolhas especulativas baseiam-se num mecanismo bastante semelhante. Elas requerem uma entrada constante de investimentos, para manter o mercado em alta e a ilusão de que, assim, todo mundo ganha. O segredo da bolha é a adesão especulativa. Investimentos de alta rentabilidade atraem aplicadores cada vez mais comuns — portanto, cada vez menos esclarecidos, porém mais numerosos. (14)” [...] [...] [...]Entretanto, sustentamos no anexo anterior que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “pirâmide financeira”. Portanto, estamos contestando a hipótese do “comportamento mimético”. [...] [...] [...] 11. Adicionalmente, reforça tal contestação o seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica: [...] [...] [...] [...] La croissance de la sphère financière et des revenus qu’elle procure n’est possible qu’en proportion exacte de l’augmentation de la plus-value non accumulée, et l’une comme l’autre admettent des limites, qui ont été atteintes.(22) [...] [...] [...] Traduzindo: [...] [...] [...] [...] O crescimento do setor financeiro e dos ganhos que este proporciona só é possível na proporção exata do aumento da mais-valia não acumulada, e um, como o outro, admitem limites que foram atingidos. (22) [...] [...] [...] Assim, a expressão “[...] admitem limites que foram atingidos”, acima mencionada, sugere-nos que o “moderno capitalismo bursátil” se assemelha a uma “pirâmide financeira”. Neste sentido, as “pirâmides financeiras” têm um tempo de vida limitado. E, tal limitação temporal evidencia um nítido contraste com a inteligência contida nos dois fragmentos de texto de autoria do economista francês, André Orléan, antes mencionados no presente anexo: [...] [...] [...]  “[...] Um tipo essencialmente mimético de racionalidade está em ação aqui, pois busca imitar o mercado para antecipar seu curso, por mais errático que seja.Se o investidor acredita que os preços de mercado vão subir amanhã, o interesse próprio o instrui a comprar ações, mesmo que ele também acredite que essa perspectiva, do ponto de vista dos fundamentos, não faz sentido.”  “[...] a propensão a oscilações excessivas [...] é uma expressão direta do comportamento mimético.” (18) [...] [...] [...] 12. Igualmente, permite-nos ilustrar nossa contestação a hipótese do “comportamento mimético” tomando por ponto de apoio o seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica: [...] Tout dépend au fond de ce que l’on fait des revenus des actifs financiers. Tant que ceux-ci sont intégralement réinvestis, lês patrimoines croissent en-dehors de tout lien matériel avec la sphère réelle et l’écart peut potentiellement devenir infini. Mais si une partie des droits de tirage qui correspondent aux revenus financiers cherchent à se porter dans la sphère réelle, autrement dit à s’échanger contre des biens et services, ce transfert doit se plier à la loi de la valeur ou plus prosaïquement à celle de l’offre et de la demande. [...] Ce scénario est typiquement celui d’une crise des fonds de pension, quand toute une génération de retraités passe en même temps de la situation d’épargnant qui achète des titres à celle de retraité. qui vend les titres pour financer sa consommation. (22) [...] [...] [...] Traduzindo: [...] Tudo, no fundo, depende do que fazemos com os ganhos dos ativos financeiros. Enquanto eles forem totalmente reinvestidos, os ativos crescem sem qualquer conexão física com a economia real e a diferença pode tornar-se potencialmente infinita. Mas se uma parte destes direitos de retiradas correspondentes aos ganhos financeiros procurar se transferir para a esfera real – ou seja, procurar se trocar por bens e serviços –, tal transferência deve obedecer à lei do valor ou, mais prosaicamente, àquela lei da oferta e da procura. [...] Este cenário é tipicamente aquele de uma crise nos fundos de pensões, quando toda uma geração de aposentados passa ao mesmo tempo, de uma situação de investidor, que compra títulos para aquela de um aposentado, que vende os títulos para financiar o seu consumo. [...] [...] [...] Em síntese, “[...] este cenário [...] quando toda uma geração de aposentados passa ao mesmo tempo, de uma situação de investidor, que compra títulos para aquela de um aposentado, que vende os títulos para financiar o seu consumo”, equivale a uma “pirâmide financeira”. [...] [...] [...] 13. Permite-nos conhecer um pouco mais sobre o conceito de oligopólio a leitura do seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica: [...] [...] [...] [...] No mundo real, cada mercado é entrelaçado com outras instituições e uma determinada cultura social. Por conseguinte, não existe objetivamente apenas um tipo de mercado, mas muitos mercados diferentes, cada um consoante as suas próprias regras inerentes, normas culturais, institucionais e maquiagem. A diferenciação dos mercados em função da tipologia encontrada nos livros texto - da concorrência perfeita ao oligopólio até o monopólio - está longe de contar toda a história. Instituições, rotinas e cultura têm de ser trazidos para a pintura. Os economistas experimentais descobriram uma verdade equivalente nas configurações de laboratório e aprenderam que os resultados experimentais dependem freqüentemente de pressupostos tácitos e configurações culturais dos participantes. Diferentes tipos de instituição de mercado envolvem diferentes rotinas de procedimentos, preços e assim por diante. A noção de um único tipo de mercado universal perdeu credibilidade (McMillan, 2002). (53) [...] [...] [...] Neste sentido, um exemplo de oferta não-concorrencial onde um poder oligopolista é exercido é o mercado de petróleo. Permite-nos compreender tal afirmativa a leitura do seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica: [...] [...] [...] Em um mercado de “commodities” nãoconcorrenciais, onde um poder oligopolista é exercido, como o do petróleo com a OPEP, o fundamento existe, mas não é o custo de produção. É o preço que maximiza a receita de longo prazo do oligopólio. (34) [...] [...] [...] Entretanto, doravante iremos sustentar que a evolução dos preços de alguns títulos bursateis negociados no “moderno capitalismo bursátil”, adicionalmente ao fato de obedecerem a uma oferta nãoconcorrencial obedece a um poder oligopolista. [...] [...] [...] Um primeiro indício de que a evolução dos preços de alguns títulos do “moderno capitalismo bursátil” se equipara a evolução dos preços de um mercado de “commodities” de oferta nãoconcorrencial no qual um poder oligopolista é exercido, por meio da leitura do seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica: [...] [...] [...] Este é um fato importante, pois mostra que o mercado é uma instituição social hierárquica, não uma mera justaposição de agentes que negociam uns com os outros com base em idéias e desejos formados sem qualquer referência ao que acontece no mercado. (18) [...] [...] [...] Assim, o fato do moderno capitalismo bursátil se equiparar a uma instituição social hierárquica igualmente permite-nos sustentar que a evolução dos preços de alguns títulos do “moderno capitalismo bursátil” se equipara a evolução dos preços de um mercado de “commodities” de oferta não-concorrencial onde um poder oligopolista é exercido. Tal conclusão encontra seu ponto de apoio no fato de o funcionamento de uma entidade social hierárquica se equiparar ao modo de funcionamento de um oligopólio, conforme podemos constatar por meio da leitura e interpretação do conceito de oligopólio antes apresentado. [...] [...] [...]  MANIPULATION – buying or selling a security to create a false appearance of active trading and thus influence other investors to buy or sell shares. This may be done by one person or by a group acting in concert. Those found guilty of manipulation are subject to criminal and civil penalties. (3) Traduzindo: MANIPULAÇÃO - compra ou venda de um valor mobiliário para criar uma falsa aparência de negociação ativa e, assim, influenciar outros investidores a comprar ou vender ações. Isso pode ser feito por uma pessoa ou por um grupo agindo em conjunto. Aqueles considerados culpados de manipulação estão sujeitos a penalidades civis e criminais. (3) 14. Em terceiro lugar, permite-nos sustentar que o moderno capitalismo bursátil brasileiro se equipara a um oligopólio a leitura e interpretação das seguintes notícias encontradas na Internet: [...] [...] [...] Notícia “1” https://www.moneytimes.com.br/camacolhe- pedido-da-petrobras-edissolve- tribunal-de-acao-de-petros-eprevi/ [...] [...] [...] Notícia “2” https://www.cut.org.br/noticias/opreco- do-golpe-petrobras-paga-r-10- bilhoes-a-acionistas-norteamericanos- 151f/*[...] [...] [...] *Contribuição do colega Miro [...] [...] [...] Notícia “1” A Petrobras (PETR4) recebeu nesta quinta-feira (25/03/2021) decisão favorável da Câmara de Arbitragem do Mercado, que acolheu um pedido de impugnação realizado pela empresa e dissolveu o tribunal arbitral que havia proferido sentença parcial em processo instaurado pelos fundos de pensão Petros e Previ, informou a companhia. A decisão, segundo a Petrobras, reconhece a nulidade da sentença parcial na arbitragem, confirmando decisão proferida pela 5ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro em novembro do ano passado. Agora, as partes deverão eleger três novos árbitros para condução do procedimento e novo julgamento da causa, acrescentou a estatal, que não forneceu mais detalhes do processo devido à confidencialidade prevista em regras da CAM. “A Petrobras reitera que continuará a se defender vigorosamente, em respeito a seus acionistas, em todas as arbitragens de que é parte”, afirmou a empresa. Segundo reportagens na imprensa, publicadas pelo Valor Econômico, Petros e Previ teriam pedido no procedimento ressarcimentos à Petrobras em razão de prejuízos relacionados às descobertas da Operação Lava Jato, que apurou propinas envolvendo políticos e empresas estatais e privadas no Brasil. Notícia “2” HOME CUT - CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES NOTÍCIAS O preço do golpe: Petrobras paga R$10 bilhões a acionistas norteamericanos Para coordenador geral da FUP, valor é para pagar o golpe de 2016, já que nem a Justiça dos EUA nem a do Brasil exigiram essa compensação financeira antes do julgamento final da ação movida contra a empresa Publicado: 25 Junho, 2018 - 17h00 | Última modificação: 25 Junho, 2018 - 17h22 Escrito por: Rosely Rocha, especial para Portal CUT TÂNIA RÊGO/AGÊNCIA BRASIL notice Em mais um ato de lesa pátria, a Petrobras divulgou oficialmente, nessa segunda-feira (25), que fez um acordo com investidores americanos, acionistas e detentores de títulos da estatal, para tentar acabar com uma ação coletiva contra a empresa. Apesar do acordo aprovado "de forma definitiva" pela Corte Federal de primeira instância em Nova York, a própria Petrobras reconheceu que a ação coletiva (Class Action), nos Estados Unidos, não está encerrada e que a decisão pode ser objeto de recurso à Corte de Apelações do Segundo Circuito. A “Class Action” foi movida por investidores da estatal em decorrência de perdas provocadas pelo suposto envolvimento da companhia nos supostos desvios investigados pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal. A Federação Única dos Petroleiros (FUP) questiona o valor da indenização de R$ 10 bi, já que é sete vezes maior do que os R$ 1,4 bi, que a Operação Lava Jato recuperou para a companhia Para o coordenador geral da FUP, Simão Zanardi, a decisão da estatal mostra a subserviência da Petrobras frente ao mercado financeiro internacional. “É um absurdo a Petrobras pagar os fundos abutres sem pagar também os acionistas brasileiros. O correto seria pagar a todos os acionistas, não apenas os residentes nos Estados Unidos. Isto é um crime”, declara. Segundo o dirigente, embora tenha anunciado oficialmente o acordo somente nessa segunda-feira, a decisão de pagar os acionistas norteamericanos foi do ex-presidente da estatal Pedro Parente, que já havia dito que queria “ficar bem” no mercado internacional. “Nada justifica pagar uma ação sem julgamento final, sem que tenham se esgotado todos os recursos. A Petrobras tem várias ações já transitadas e julgadas na área trabalhista, tem dívidas de impostos no Brasil e a empresa não paga, mas paga para bancos e acionistas dos Estados Unidos”, denuncia Zanardi. Para ele, os 10 bilhões de reais pagos aos norte-americanos deixam claro que é o pagamento pelo apoio que os Estados Unidos deram à Operação Lava Jato e, conseqüentemente, ao golpe de 2016, que destituiu a presidenta Dilma Rousseff, eleita democraticamente com mais de 54 milhões de votos. - Assim, por meio da leitura e interpretação da inteligência contida nas notícias, acima mencionadas, tomamos conhecimento que distintos aplicadores financeiros obtiveram resultados totalmente diferentes em tribunais do Brasil e dos EUA, respectivamente. Em outros termos, não nos parece equivocado dizer: existem duas castas de aplicadores financeiros na Bolsa de Valores brasileira: os de dentro do oligopólio; e os de fora deste. [...] [...] [...] Neste sentido, encontramos na Introdução os seguintes fragmentos de texto: [...] [...] [...] [...] após estudo profundo de obras do economista francês André Orléan chegamos ao resumo dos principais pontos de tais obras: [...] [...] [...] (1) “[...] Os economistas neoclássicos acreditam que as ações têm um valor intrínseco [...] o qual determina o movimento dos preços. A PLAUSIBILIDADE DESTA AFIRMAÇÃO ESTÁ LONGE DE SER ÓBVIA;” (18) (maiúsculo nosso) [...] [...] [...] (2) “[...] Quanto à função de financiamento, deve-se lembrar que, nos Estados Unidos, durante o mesmo período (1995- 2000), a emissão líquida de ações permaneceu negativa, principalmente devido aos grandes programas de recompra de ações; mesmo assim, o mercado financeiro exerceu uma influência dominante nas empresas e em todo o desenvolvimento econômico! No mínimo, esse fato prova que o poder do mercado de ações tem outras fontes além do financiamento da acumulação.” (28) [...] [...] [...] Adicionalmente, encontramos no Anexo “3” os seguintes fragmentos de texto: [...] [...] [...] Ademais, doravante iremos sustentar que uma “maisvalia” passou a ser obtida de forma sistemática e recorrente por determinados participantes do mercado por meio de uma “dinâmica que leva o preço a viver sua própria vida, a evoluir independentemente de seu valor”. Entretanto, tal obtenção de uma “mais-valia” de forma sistemática e recorrente viabiliza uma transferência de riquezas igualmente de forma sistemática e recorrente para alguns poucos participantes do mercado, como temos sustentado ao longo do presente trabalho. [...] [...] [...] [...] Doravante, iremos sustentar que a “mais-valia” é não apenas uma destas “outras fontes de poder do mercado de ações”, mas indiscutivelmente é a mais importante destas fontes. [...] [...] [...] 15. Prosseguindo em nossa abordagem, vamos apresentar a seguir determinado fragmento de texto de autoria do economista britânico, John Kay. Neste sentido, a literatura técnica sustenta que os extravagantes preços alcançados pelos títulos bursáteis são conseqüência da formação de “bolhas especulativas”. Entretanto, as “bolhas especulativas” igualmente podem ocorrer como conseqüência do “QE” *, como adiante veremos. * Quantitative Expansion Assim, tendo por fundamentos certo fragmento de texto de autoria do economista britânico, John Kay, vamos continuar nossa sustentação de que o “moderno capitalismo bursátil” tende a deixar de existir. Neste sentido, o seguinte fragmento de texto de autoria do economista britânico: [...] Now there is far more liquidity in the system, most of it supporting the short-term trading of financial institutions. Or at least there is the appearance of liquidity: when confidence dried up towards the end of 2008, so did liquidity. The primary intention and effect of central bank interventions since 2008 has been to restore such liquidity. [...] In the modern financial economy, the main effect of “QE” is to boost asset prices, as market gyrations of recent weeks have clearly illustrated. But is the pursuit of higher asset prices an effective or desirable means of promoting economic growth? The distributional impact of the policy demands attention; the one certain consequence of boosting asset prices is that those with assets benefit relative to those without. [...] The public also holds financial assets indirectly, largely through pension funds. But here there has been a paradoxical effect: because the way pension funds are valued, “QE” has generally increased pension funds' liabilities more than their assets. (49) Traduzindo: [...] Agora há muito mais liquidez no sistema, a maior parte dela suportando as negociações de curto prazo das instituições financeiras. Ou pelo menos há a aparência de liquidez: quando a confiança secou no final de 2008, o mesmo aconteceu com a liquidez. A principal intenção e efeito das intervenções do banco central desde 2008 tem sido restaurar essa liquidez. [...] Na economia financeira moderna, o principal efeito do “QE” é impulsionar os preços dos ativos, como as oscilações de mercado das últimas semanas têm claramente ilustrado. Mas é a busca por preços mais elevados para os ativos um meio eficaz ou desejável de se promover o crescimento econômico? O impacto distributivo desta política exige atenção; a conseqüência certa de impulsionar os preços dos ativos é que aqueles com ativos se beneficiam mais em relação àqueles sem. [...] O público também detém ativos financeiros indiretamente, em grande parte por meio dos fundos de pensão. Mas, aqui tem ocorrido um efeito paradoxal: devido à maneira por meio do qual os fundos de pensão são avaliados, o “QE” geralmente tem aumentado mais as obrigações dos fundos de pensão do que dos seus ativos. (49) Entretanto, parece-nos oportuno realçar algo acima mencionado: o paradoxo de o “QE” geralmente aumentar mais as obrigações dos fundos de pensão do que dos seus ativos. Neste sentido, a seguir vamos fazer uma pausa em nossa abordagem para fazermos o seguinte questionamento: a busca por preços mais elevados para os títulos bursáteis seria um meio mais eficaz ou desejável de promover o crescimento econômico? - O estímulo conhecido por “QE” é a espécie mais recente do gênero incremento de “liquidez”. Entretanto, pretendemos aqui chamar a atenção do leitor para duas observações acima apontadas pelo economista britânico, John Kay. Neste sentido, o economista britânico observou: Assim, inequivocamente a conseqüência certa de impulsionar os preços dos ativos é que aqueles com ativos se beneficiam mais em relação àqueles sem, conforme John Kay observou. Entretanto, quer-nos parecer que tal impulso nos preços não teria sido possível sem a ajuda dos bancos centrais. Iremos a seguir tentar demonstrar ambas as afirmações, acima mencionadas por meio da seguinte interpretação que faremos do fragmento de texto de autoria do economista britânico, John Kay. É do conhecimento comum que realiza prejuízo certo investidor que comprou determinada ação e na eventual posterior baixa de tal título venda o referido título por preço inferior ao da compra anterior em moeda constante. Por outro lado, realiza lucro certo investidor que esteja igualmente comprado em determinado título e numa posterior alta de tal título venda o referido título por preço superior em moeda constante ao de uma compra anterior. anteriormente tenha comprado determinado título, venha a ter prejuízo quando este mesmo título eventualmente alcançar preço superior ao da anterior aquisição do mesmo título em moeda constante. Não obstante, é isto o que acontece nos fundos de pensão do Reino Unido. Neste sentido, podemos ler no texto antes mencionado que como conseqüência da alta das ações ocorre nos fundos de pensão do Reino Unido certo paradoxo. Assim, devido ao modo como os fundos de pensão são avaliados o “QE” geralmente tem aumentado mais as obrigações destas instituições sociais. Em apertada síntese, a observação acima nos permite chegar a mais uma conclusão: no “hodierno capitalismo bursátil” sempre existe um beneficiário e um perdedor. O beneficiário é usualmente “determinado capital financeiro”; o perdedor é geralmente o “trabalhador”. Chegamos à conclusão de que o beneficiário do “hodierno capitalismo bursátil” é “determinado capital financeiro”, pois como antes vimos o estímulo proporcionado pelo “QE” só foi possível devido à ajuda dos bancos centrais. No caso dos EUA a ajuda veio do FED e do Departamento do Tesouro, como antes vimos. Entretanto, o FED é uma empresa privada. Não obstante, é do conhecimento comum que toda empresa privada procura obter os interesses de seus donos. Logo, o simples fato de o FED ser uma empresa privada é um indício de que o “moderno capitalismo bursátil” pode ser equiparado a um favoritismo, mesmo uma “conspiração”. Encontramos a explicação para nossa observação acima no fato de que embora o estímulo conhecido por “QE” venha a conter crises, igualmente viabiliza que determinado capital financeiro obtenha uma “maisvalia” de forma sistemática e recorrente. Neste sentido, antes sustentamos que uma das fontes do poder do mercado de ações, além do financiamento da acumulação, é a obtenção de uma “mais-valia”. Ademais, doravante vamos sustentar que a obtenção de uma “mais-valia” é a principal destas outras fontes. Por fim, mas não menos importante, antes sustentamos que a obtenção de uma “mais-valia” de forma sistemática e recorrente por apenas alguns poucos participantes do mercado é um indício de que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “conspiração”. Por outro lado, não nos parece equivocado sustentarmos que existem indícios de que o trabalhador é o principal “perdedor” do hodierno capitalismo bursátil, pois como antes vimos devido ao modo como os fundos de pensão são avaliados no Reino Unido o “QE” geralmente tem aumentado mais as obrigações de tais instituições sociais. Assim, nos fundos de pensão do Reino Unido o aumento a maior das obrigações com toda certeza é um prejuízo para os associados de tais instituições sociais: os trabalhadores. Ademais, a obtenção de uma “mais-valia” por “determinado capital financeiro” de forma sistemática e recorrente equivale a uma transferência de riquezas dos trabalhadores e pequenos acionistas é viabilizada para “determinado capital financeiro”, como adiante veremos. Entretanto, tal “transferência de riquezas” é um sinal enviado pelo próprio mercado que vai-nos permitir reforçar duas conclusões a que chegamos anteriormente: (1) o “moderno capitalismo bursátil” pode ser equiparado a uma “conspiração”; (2) e que o mesmo tende a deixar de existir. Chegamos a estas duas conclusões com fundamentos no simples fato de que como o “moderno capitalismo bursátil” se resume ao ganho de uns poucos em detrimento da perda de dois grupos específicos, conforme demonstramos. Assim, podemos dizer que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “conspiração”. Entretanto, é do conhecimento comum que toda “conspiração” depois de descoberta tende a deixar de existir. Logo, o “moderno capitalismo bursátil” tende a deixar de existir. Permite-nos reforçar a sustentação acima, o contraste entre a inteligência contida nos seguintes fragmentos de texto: [...] Próximas à fraude, todas as bolhas especulativas baseiam-se num mecanismo bastante semelhante. Elas requerem uma entrada constante de investimentos, para manter o mercado em alta e a ilusão de que, assim, todo mundo ganha. O segredo da bolha é a adesão especulativa. (14) [...] Agora há muito mais liquidez no sistema, a maior parte dela suportando as negociações de curto prazo das instituições financeiras. (49) Entretanto, o primeiro fragmento de texto acima mencionado é parte do conceito de “pirâmide financeira”, antes apresentado. Por outro lado, o segundo fragmento de texto acima é parte essencial do texto que faz referência ao “QE” igualmente antes apresentado. Em síntese, “[...] uma entrada constante de investimentos, para manter o mercado em alta [...]”, expressão encontrada no primeiro fragmento de texto tem a mesma inteligência de certa expressão encontrada no segundo fragmento de texto acima: “agora há muito mais liquidez no sistema, a maior parte dela suportando as negociações de curto prazo das instituições financeiras.” Deste modo, não nos parece equivocado concluirmos que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “pirâmide financeira”. Por seu turno, somos levados a relembrar algo que sustentamos anteriormente: a principal fonte do poder do “moderno capitalismo bursátil” é a obtenção de uma “mais-valia” por alguns poucos participantes do mercado bursátil, em detrimento dos trabalhadores e pequenos acionistas. Igualmente, chegamos a tal conclusão de forma excludente, pois como sustentamos anteriormente o “moderno capitalismo bursátil” não serve tanto para avaliar os títulos bursáteis quanto para financiar a acumulação. Parece-nos oportuno sustentar que certa prática com efeito semelhante a do “QE” tem ocorrido nos fundos de pensão brasileiros: a manutenção em carteira de forma quase que permanente de determinados títulos que são apenas a matéria prima para transações, conforme sustentamos no Anexo “8”.

terça-feira, 23 de novembro de 2021

Anexo “5” [...] [...] [...] A “preferência pela liquidez” do “moderno capitalismo bursátil”, equipara tal instituição social a uma "pirâmide financeira" [...] [...] [...] Encontramos na literatura técnica o seguinte fragmento de texto: [...] [...] [...] [...] Liquidity, in other words, furnishes the basis for market sociability, for without it isolated individuals would not be able to make a common life for themselves. Its power to create close bonds among economic actors derives, in the first instance, from the fact that the VALUE of a liquid asset held by an investor depends on the behavior of others who hold the same asset. If for one reason or another they no longer wish to hold it, its VALUE will fall to zero, and the last one left holding it risks being ruined even though he has done nothing. (18) (maiúsculo nosso) [...] [...] [...] Traduzindo: [...] [...] [...] [...] A liquidez, em outras palavras, fornece a base para a sociabilidade do mercado, pois sem ela os indivíduos isolados não seriam capazes de construir uma vida em comum para si. Seu poder de criar vínculos estreitos entre os atores econômicos decorre, em primeira instância, do fato de que o VALOR de um ativo líquido detido por um investidor depende do comportamento dos outros investidores que detêm o mesmo ativo. Se por um motivo ou outro não quiserem mais mantê-lo, seu VALOR cairá para zero, e o último detentor corre o risco de ser arruinado, embora não tenha feito nada. (18) (maiúsculo nosso) [...] [...] [...] Vamos aqui fazer uma pausa em nossa tratativa para propormos a substituição da palavra “valor” pela palavra “preço”, no fragmento de texto acima. [...] [...] [...] Entretanto, antes de demonstrarmos a necessidade e conveniência de tal substituição precisamos conhecer os conceitos de “valor intrínseco” e “mercado eficiente”. Neste sentido, respectivamente, encontramos na literatura técnica os seguintes fragmentos de texto: [...] [...] [...] [...] By definition, the intrinsic value of a share expresses the amount of money that comes back to its owner as a result of having put capital into circulation through the production and sale of commodities. (18) [...] [...] [...] [...] A financial market is efficient, in other words, if the effect of competition is to assure that the price of an asset will always reflect its inherent worth. "In an efficient market," as Fama puts it, "at any point in time the actual price of a security will be a good estimate of its intrinsic value." (18) [...] [...] [...] Traduzindo: [...] [...] [...] [...] Por definição, o valor intrínseco de uma ação expressa à quantidade de dinheiro que retorna ao seu dono como resultado de ter colocado capital em circulação através da produção e venda de commodities. (18) [...] [...] [...] [...] Em outras palavras, um mercado financeiro é eficiente se o efeito da concorrência for que o preço de um ativo sempre refletirá seu valor inerente. “Em um mercado eficiente”, como diz Fama, “em qualquer momento, o preço real de um título será uma boa estimativa de seu valor intrínseco.” (18) [...] [...] [...] Após a leitura e interpretação dos dois conceitos acima iremos observar que o “preço de mercado” equipara-se ao “valor intrínseco” tão somente nos “mercados eficientes”. Não obstante, raramente tais mercados são encontrados na realidade, pois como vimos no Anexo “1” o “moderno capitalismo bursátil” obedece a uma oferta não-concorrencial. Entretanto, tal tipo de oferta inviabiliza um mercado eficiente, como antes vimos. Não por acaso, os economistas referem-se a tais mercados por meio da expressão: “capital fictício”. Adicionalmente, permitenos ilustrar esta última afirmação o seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica: [...] [...] [...] [...] "a instabilidade da avaliação financeira se revela endêmica porque é totalmente ancorada nas estruturas das finanças." (7) [...] [...] [...] Em síntese, por meio da leitura do conceito de valor intrínseco antes vimos que “[...] o valor intrínseco de uma ação expressa à quantidade de dinheiro que retorna ao seu dono como resultado de ter colocado capital em circulação por meio da produção e venda de commodities.” Assim, o “valor intrínseco” é conhecido apenas “a posteriori”, o que comprova a adequação da expressão usada pelos economistas: “capital fictício”. Adicionalmente, apenas nos “mercados eficientes” o “preço de mercado” se equipara ao “valor intrínseco”. Entretanto, raramente encontramos tais “mercados eficientes”, como antes vimos. Logo, não nos parece equivocado sustentarmos que a palavra “PREÇO” mostra-se adequada e conveniente para substituir a palavra “VALOR” no fragmento de texto em comento. [...] [...] [...] Consequentemente o fragmento de texto em comento pode agora ser reescrito como: “[...] o PREÇO de um ativo líquido detido por um investidor depende do comportamento dos outros investidores que detêm o mesmo ativo. Se por um motivo ou outro não quiserem mais mantê-lo, seu PREÇO cairá para zero, e o último detentor corre o risco de ser arruinado, embora não tenha feito nada.” (18) A seguir iremos fazer uma pausa em nossa tratativa para fazermos dois questionamentos: (1) por que o PREÇO de um ativo líquido detido por um investidor depende do comportamento dos outros investidores que detêm o mesmo ativo? (2) Por que existe um compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo? - Encontramos a resposta para o primeiro questionamento acima no “paradoxo da liquidez”. Neste sentido, a seguir relembramos o seguinte fragmento de texto encontrado no anexo anterior: [...] [...] [...] “[...] O mercado, considerado como um todo, não pode dispor de um título. [...] Isso é o que chamei de “paradoxo da liquidez”, ou seja, a liberdade individual de vender um título sempre que quiser existe apenas em virtude de um compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo. (18) [...] [...] [...] Consequentemente, caso deixe de existir tal “[...] compromisso implícito por parte da comunidade financeira”, não nos parece equivocado dizermos que tende a ocorrer àquilo previsto no fragmento de texto em comento: [...] [...] [...] “[...] Se por um motivo ou outro não quiserem mais mantê-lo, seu PREÇO cairá para zero, e o último detentor corre o risco de ser arruinado, embora não tenha feito nada.” (18) [...] [...] [...] Entretanto, os efeitos de tal “[...] compromisso implícito por parte da comunidade financeira” não encontra correspondência na inteligência contida nos conceitos de “mercado eficiente” e/ou “valor intrínseco”, conforme podemos comprovar por meio da leitura de tais conceitos. A observação acima é um primeiro indício de que o "moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma "pirâmide financeira". [...] [...] [...] A resposta ao segundo questionamento encontramos no fato de parte da comunidade financeira ter interesse em manter a totalidade dos títulos em longo prazo, como veremos na segunda parte do presente trabalho. Prosseguindo em nossa abordagem, encontramos na literatura técnica o seguinte fragmento de texto: [...] [...] [...] [...] La spéculation est la conséquence directe de la négociabilité des titres, encore appelée « liquidité ». Cette proposition relève de l'évidence puisque, sans liquidité, il n'y aurait pas de cotation permanente des prix, les actifs seraient totalement immobilisés et la seule variable qui importerait aux yeux de l'investisseur serait le flux des revenus que la détention du titre permet d'obtenir. L'investisseur n'aurait alors d'autre choix que de considérer la valeur fondamentale du titre. Seule l'émergence de la liquidité modifie cette configuration. Elle introduit de nouvelles opportunités. Comment est-ce possible? Et d'abord, d'où vient la liquidité? (18) [...] [...] [...] [...] Pour surmonter cette difficulté et rendre plus facile l'investissement, il convient de rendre liquides les investissements, c'est-àdire négociables. Il s'agit de transformer ce qui n'est qu'un pari personnel sur des dividendes futurs en une richesse immédiate hic et nunc. (18) [...] [...] [...] Traduzindo: [...] [...] [...] [...] A especulação é a conseqüência direta da negociabilidade dos títulos, também chamada de “liquidez”. Essa proposição é óbvia, pois, sem liquidez, não haveria cotação permanente, os ativos estariam totalmente imobilizados e a única variável importante aos olhos do investidor seria o fluxo de receitas que a posse do título permite obter. O investidor, então, não teria outra escolha senão considerar o valor fundamental do título. Apenas o surgimento da liquidez altera esta configuração. Ela introduz novas oportunidades. Como isto é possível? E, em primeiro lugar, de onde vem a liquidez? [...] [...] [...] [...] Para superar essa dificuldade e facilitar o investimento, é preciso tornar líquidos os investimentos, ou seja, negociáveis. Trata-se de transformar o que é apenas uma aposta pessoal nos dividendos futuros em uma riqueza imediata aqui e agora (18) [...] [...] [...] Iremos realçar no fragmento de texto acima a seguinte expressão: [...] [...] [...] “[...] Trata-se de transformar o que é apenas uma aposta pessoal em dividendos futuros em uma riqueza imediata aqui e agora.” [...] [...] [...] Neste sentido, gostaríamos aqui de enfatizar que a obtenção de uma “riqueza imediata aqui e agora”, equivale tão somente à obtenção de um ganho financeiro. Entretanto, parece-nos oportuno aqui observarmos que a obtenção de um ganho financeiro (“mais-valia aqui e agora”), embora se equipare a algo semelhante à obtenção de uma riqueza não guarda nenhuma correspondência com a obtenção de futuros dividendos. Em outros termos, a obtenção de uma “mais-valia aqui e agora” é mais um contraste com os conceitos de “mercado eficiente” e “valor intrínseco”, como podemos comprovar por meio da simples leitura de tais conceitos. Tal constatação é um segundo indício de que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “pirâmide financeira”. [...] [...] [...] Um terceiro indício para equipararmos o “moderno capitalismo bursátil” a uma “pirâmide financeira” encontramos no relacionamento de causa / efeito da inteligência contida nos seguintes fragmentos de texto: [...] [...] [...] “[...] o fato de um indivíduo ter a liberdade para vender um título sempre que desejar existe apenas em virtude de um compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo.” (18) “[...] Trata-se de transformar o que é apenas uma aposta pessoal nos dividendos futuros em uma riqueza imediata aqui e agora.” (18) [...] [...] [...] Assim, o “[...] compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo [...]” encontrado no primeiro fragmento de texto acima, permite a transformação do que seria apenas uma aposta pessoal em dividendos futuros em uma "riqueza imediata aqui e agora”. Entretanto, tal transformação artificial revela a falta de fundamentação da obtida “riqueza imediata aqui e agora”. Assim, tal observação permite-nos equiparar o "moderno capitalismo bursátil" a uma “transgressão da economia produtiva”. Em outros termos, tal transformação equipara o "moderno capitalismo bursátil" a uma “pirâmide financeira”. [...] [...] [...] Prosseguindo em nossa abordagem, mencionamos no Anexo “3” que uma “mais-valia” passou a ser obtida por meio de uma “dinâmica que leva o preço a viver sua própria vida, a evoluir independentemente de seu valor”. [...] [...] [...] Entretanto, tal dinâmica que ocorre no “moderno capitalismo bursátil” se assemelha a uma espécie de favoritismo. Neste sentido, as raízes de tal favoritismo localizam-se no fato de que tal “mais-valia” é obtida por apenas alguns poucos participantes do mercado bursátil, como a seguir veremos. [...] [...] [...] Permite-nos conhecer de que forma tal “mais-valia” é obtida, a leitura e interpretação do seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica: [...] [...] [...] [...] Desde o ressurgimento dos mercados bursáteis com toda sua força, o Departamento do Tesouro e o FED fizeram o que era necessário em cada ocasião – 1987, 1995, 1998, 2001 – para criar liquidez e outros meios necessários para conter as crises. Continuarão a fazê-lo ainda que isso contrarie formalmente as teorias professadas.* (19) [...] [...] [...] * Em particular a do “risco moral” (moral hasard), que condena as operações de socorro financeiro porque elas reforçam o sentimento de impunidade daqueles que participam dos mercados financeiros. (19) [...] [...] [...] Antes vimos no conceito de “mais-valia” que “os ganhos e perdas se dão, essencialmente, nos diferenciais das oscilações”. Por outro lado, acima vimos que “[...] o Departamento do Tesouro e o FED fizeram o que era necessário em cada ocasião [...] para criar liquidez e outros meios necessários para conter as crises”. Entretanto, não nos parece equivocado sustentarmos que a criação de tal liquidez permite a apenas alguns poucos participantes do mercado obter tal “mais-valia”. [...] [...] [...] Deste modo, tal “mais-valia” é obtida de forma sistemática e recorrente, como podemos conhecer por meio da leitura do fragmento de texto acima: "[...] Continuarão a fazê-lo ainda que isso contrarie formalmente as teorias professadas." Adicionalmente, encontramos no conceito de “mais-valia” apresentado no Anexo “3”, a seguinte expressão: “[...] diferença entre o preço da ação no dia da venda e no dia da aquisição anterior.” Assim, uma continuada criação de liquidez significa uma melhora continuada nos preços de mercado. Por sua vez, uma melhora continuada nos preços de mercado possibilita uma obtenção de uma "mais-valia" de forma sistemática e recorrente. [...] [...] [...] Em síntese, a obtenção de uma “mais-valia” se equipara, essencialmente, a um ganho financeiro. Assim, permitem-nos sustentar um quarto indício de que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “pirâmide financeira” as expressões “[...] o Departamento do Tesouro e o FED fizeram o que era necessário em cada ocasião” e “[...] Continuarão a fazê-lo ainda que isso contrarie formalmente as teorias professadas.” [...] [...] [...] Compreendemos o favoritismo presente em tal dinâmica no fato de que “os ganhos e perdas se dão, essencialmente, nos diferenciais das oscilações”. Entretanto, devido à continuada criação de liquidez um equivalente e continuado ganho financeiro fica viabilizado. E, tal ganho financeiro é conseqüência dos diferenciais quase sempre positivos de tais oscilações associados a uma informação privilegiada. Deste modo, tal “ganho financeiro” é obtido por somente alguns poucos participantes do mercado bursátil. Neste sentido, parece-nos oportuno a leitura do seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica: [...] [...] [...] [...] Trata-se de mais um mercado, no qual a transação se faz essencialmente na compra e venda do novo produto, os títulos de rendimento. OS GANHOS E PERDAS SE DÃO, ESSENCIALMENTE, NOS DIFERENCIAIS DAS OSCILAÇÕES. (VACCARO, 2009, p. 24). (9) (maiúsculo nosso) [...] [...] [...] Adicionalmente, permite-nos ilustrar tal conclusão a comparação da inteligência contida no fragmento de texto acima com a inteligência contida em certo fragmento de texto mencionado no anexo anterior: [...] [...] [...] [...] Próximas à fraude, todas as bolhas especulativas baseiam-se num mecanismo bastante semelhante. Elas requerem uma entrada constante de investimentos, para manter o mercado em alta e a ilusão de que, assim, todo mundo ganha. O segredo da bolha é a adesão especulativa. [...] [...] [...] Deste modo, a inteligência contida na expressão “[...] entrada constante de investimentos, para manter o mercado em alta [...]” encontrada no fragmento de texto em comento se equipara a inteligência contida em certas expressões antes encontradas no presente anexo, qual sejam: [...] [...] [...] “[...] fizeram o que era necessário em cada ocasião [...] para criar liquidez e outros meios necessários para conter as crises” e "[...] Continuarão a fazêlo ainda que isso contrarie formalmente as teorias professadas." [...] [...] [...] Entretanto, a inteligência contida nos dois fragmentos de texto acima não encontra seus fundamentos no conceito de “valor intrínseco”. Portanto, não nos parece equivocado dizermos que o “moderno capitalismo bursátil” equivale a uma “pirâmide financeira”. Em síntese, podemos dizer que todos os indícios de que o moderno capitalismo bursátil se equipara a uma “pirâmide financeira” são fundamentados na matemática. Entretanto, a matemática é uma ciência exata. Em síntese, uma “pirâmide financeira” tem duas características essenciais: transferência de riquezas e tempo de vida limitado. Consequentemente, o “moderno capitalismo bursátil” serve APENAS para transferir riquezas. Adicionalmente, não nos parece equivocado dizermos que tal instituição social tende a deixar de existir. Por fim, mas não menos importante, não nos parece equivocado sustentarmos que algo que tende a deixar de existir está em tendência irreversível de baixa. [...] [...] [...]

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Anexo “6” [...] [...] [...] Nossa contestação à hipótese do “comportamento mimético” no “moderno capitalismo bursátil” [...] [...] [...] Prosseguindo em nossa abordagem parece-nos oportuno a leitura de dois fragmentos de texto de autoria do economista francês, André Orléan: [...] [...] [...] [...] An individual investor's expectation, in other words, is formed on the basis of what he expects the expectations of his fellow investors to be. An essentially mimetic sort of rationality is at work here, for it seeks to mimic the market in order to anticipate its course, however erratic this may be. If the investor believes that market prices will rise tomorrow, self-interest instructs him to buy shares, even if he also believes that this prospect, from the point of view of fundamentals, makes no sense. [...] [...] [...] [...] As we will see later in connection with financial markets, a propensity to wild swings, both upward and downward, is the direct expression of mimetic behavior. (18) [...] [...] [...] Traduzindo: [...] [...] [...] [...] Em outras palavras, a expectativa de um investidor individual é formada com base no que ele espera que sejam as expectativas de seus colegas investidores. Um tipo essencialmente mimético de racionalidade está em ação aqui, pois busca imitar o mercado para antecipar seu curso, por mais errático que seja. Se o investidor acredita que os preços de mercado vão subir amanhã, o interesse próprio o instrui a comprar ações, mesmo que ele também acredite que essa perspectiva, do ponto de vista dos fundamentos, não faz sentido. [...] Como veremos mais adiante em relação aos mercados financeiros, a propensão a oscilações excessivas, tanto para cima quanto para baixo, é uma expressão direta do comportamento mimético. (18) [...] [...] [...] Entretanto, sustentamos no anexo anterior que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “pirâmide financeira”. Portanto, estamos contestando a hipótese do “comportamento mimético”. [...] [...] [...] Adicionalmente, tal contestação a o seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica: [...] [...] [...] [...] La croissance de la sphère financière et des revenus qu’elle procure n’est possible qu’en proportion exacte de l’augmentation de la plus-value non accumulée, et l’une comme l’autre admettent des limites, qui ont été atteintes.(22) [...] [...] [...] Traduzindo: [...] [...] [...] [...] O crescimento do setor financeiro e dos ganhos que este proporciona só é possível na proporção exata do aumento da mais-valia não acumulada, e um, como o outro, admitem limites que foram atingidos. (22) [...] [...] [...] Assim, a expressão “[...] admitem limites que foram atingidos”, acima mencionada, sugere-nos que o “moderno capitalismo bursátil” se assemelha a uma “pirâmide financeira”. Neste sentido, as “pirâmides financeiras” têm um tempo de vida limitado. E, tal limitação temporal evidencia um nítido contraste com a inteligência contida nos dois fragmentos de texto de autoria do economista francês, André Orléan, antes mencionados no presente anexo: [...] [...] [...]  “[...] Um tipo essencialmente mimético de racionalidade está em ação aqui, pois busca imitar o mercado para antecipar seu curso, por mais errático que seja.Se o investidor acredita que os preços de mercado vão subir amanhã, o interesse próprio o instrui a comprar ações, mesmo que ele também acredite que essa perspectiva, do ponto de vista dos fundamentos, não faz sentido.”  “[...] a propensão a oscilações excessivas [...] é uma expressão direta do comportamento mimético.” (18) [...] [...] [...] Entretanto, parece-nos que André Orléan se esqueceu de algo que ele próprio disse: [...] [...] [...] “[...] o fato de um indivíduo ter a liberdade para vender um título sempre que desejar existe apenas em virtude de um compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo.” (18) [...] [...] [...] Deste modo, “[...] o compromisso implícito”, encontrado no fragmento de texto acima, contrasta com a expressão “[...] Um tipo essencialmente mimético de racionalidade está em ação aqui”. Logo, tal contraste fortalece nossa sustentação de que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “pirâmide financeira”. Em outros termos, o “[...] compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo” significa que àqueles que mantêm a “[...] totalidade dos títulos no longo prazo” carregam um pesado fardo, pois como estamos sustentando o “moderno capitalismo bursátil” equipara-se a uma “pirâmide financeira”. E, nas “pirâmides financeiras” os últimos a vender são os que mais perdem. Entretanto, doravante veremos que tais títulos são mantidos em carteira de forma quase que permanente devido a interesses. Neste sentido, se encontram àqueles participantes do mercado que “mantêm em carteira” de forma quase que permanente títulos que têm por “valor intrínseco” valores bem inferiores aos do “preço de mercado”. Desta maneira, tais aplicadores financeiros transferem riquezas para “determinado capital financeiro”, como veremos no Anexo “8”. Adicionalmente, iremos sustentar no próximo anexo que prevalece em certos mercados bursáteis além de uma oferta “nãoconcorrencial”, certo poder oligopolístico. Entretanto, uma oferta “não-concorrencial”, mormente quando associada a um poder oligopolístico, contraria totalmente a “hipótese dos mercados eficientes”, como veremos no próximo anexo. [...] [...] [...] Permite-nos ilustrar tal afirmação o contraste entre dois fragmentos de texto encontrados na literatura técnica sobre a maximização dos fluxos dos dividendos. Neste sentido, em primeiro lugar, encontramos na literatura técnica o seguinte fragmento de texto: [...] [...] [...] [...] It stands to reason that the greater the present dividends and their rate of increase, the greater the value the stock; thus, differences in growth rates are a major factor in stock valuation. (48) [...] [...] [...] Traduzindo: [...] [...] [...] [...] É óbvio que quanto maiores forem os dividendos atuais e sua taxa de crescimento, maior será o valor da ação. Assim, as diferenças entre as taxas de crescimento são o principal fator na avaliação de uma ação. (48) [...] [...] [...] Em segundo lugar, encontramos na literatura técnica o seguinte fragmento de texto: [...] [...] [...] [...] eles exigem que a atividade dos grupos nos quais eles detêm ações seja voltada para dois objetivos: manter as cotações das ações no nível mais elevado possível e manter a maximização dos fluxos de dividendos. (30) [...] [...] [...] Embora ambos os fragmentos de texto acima mencionados objetivem a “maximização dos fluxos de dividendos” saltam aos olhos a total diferença da inteligência contida nestes. Em outros termos, é total a incompatibilidade entre a maximização artificial do fluxo de dividendos, mencionada no segundo fragmento de texto acima, com àquilo que seria a verdadeira finalidade dos dividendos, mencionada no primeiro fragmento de texto. [...] [...] [...] Neste sentido, o mercado, segundo o filósofo francês Dany- Robert Dufour, “seria a única verdadeira realidade no mundo de ficção dos homens”. Assim, em seu livro, O Divino Mercado (46), ao se referir ao Mercado, Dufour, aduz: “ELE POSSUI A ONIPOTÊNCIA, CONTANTO QUE O DEIXEM REALMENTE AGIR”. Ou, ainda, quando declara: “NADA DEVE PODER ENTRAVAR O EXERCÍCIO SOBERANO DESSA FORÇA”. [...] [...] [...] Antes vimos que o “moderno capitalismo bursátil” ao ser equiparado a uma “pirâmide financeira” se equipara a algo que tem um tempo de vida limitado; Em contraste, o “comportamento mimético” sugere algo sem limites, mesmo sem comprometimento não apenas com o tempo, mas igualmente com o “valor intrínseco”, como André Orléan observa. Ademais, a afirmação “[...] um compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo” sugere-nos que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma instituição social que eventualmente terá um fim. Tal afirmação parece-nos correta, pois é nítido que tal “compromisso implícito” limita-se ao “preço de mercado”. Assim, embora o mencionado “compromisso implícito” viabilize a obtenção de uma “mais-valia” não tem nenhuma influência na formação do “valor intrínseco”, como antes vimos. Assim, a contínua obtenção de uma “maisvalia” diminui o tempo de vida do mercado, pois como segredo da bolha é a adesão especulativa, quer-nos parecer que tal adesão especulativa tende a diminuir com o passar do tempo. [...] [...] [...] Em síntese, estamos assim demonstrando a insustentabilidade da hipótese do comportamento mimético no “moderno capitalismo bursátil” de autoria do economista francês, André Orléan. Assim, por exclusão iremos doravante sustentar que o “moderno capitalismo bursátil” serve tão somente para transferir riquezas dos trabalhadores e pequenos acionistas para “determinado capital financeiro”. [...] [...] [...] Permite-nos ilustrar nossa contestação a hipótese do “comportamento mimético” tomando por ponto de apoio o seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica: [...] Tout dépend au fond de ce que l’on fait des revenus des actifs financiers. Tant que ceux-ci sont intégralement réinvestis, lês patrimoines croissent en-dehors de tout lien matériel avec la sphère réelle et l’écart peut potentiellement devenir infini. Mais si une partie des droits de tirage qui correspondent aux revenus financiers cherchent à se porter dans la sphère réelle, autrement dit à s’échanger contre des biens et services, ce transfert doit se plier à la loi de la valeur ou plus prosaïquement à celle de l’offre et de la demande. [...] Ce scénario est typiquement celui d’une crise des fonds de pension, quand toute une génération de retraités passe en même temps de la situation d’épargnant qui achète des titres à celle de retraité. qui vend les titres pour financer sa consommation. (22) [...] [...] [...] Traduzindo: [...] Tudo, no fundo, depende do que fazemos com os ganhos dos ativos financeiros. Enquanto eles forem totalmente reinvestidos, os ativos crescem sem qualquer conexão física com a economia real e a diferença pode tornar-se potencialmente infinita. Mas se uma parte destes direitos de retiradas correspondentes aos ganhos financeiros procurar se transferir para a esfera real – ou seja, procurar se trocar por bens e serviços –, tal transferência deve obedecer à lei do valor ou, mais prosaicamente, àquela lei da oferta e da procura. [...] Este cenário é tipicamente aquele de uma crise nos fundos de pensões, quando toda uma geração de aposentados passa ao mesmo tempo, de uma situação de investidor, que compra títulos para aquela de um aposentado, que vende os títulos para financiar o seu consumo. [...] [...] [...] Em síntese, “[...] este cenário [...] quando toda uma geração de aposentados passa ao mesmo tempo, de uma situação de investidor, que compra títulos para aquela de um aposentado, que vende os títulos para financiar o seu consumo”, equivale a uma “pirâmide financeira”. [...] [...] [...]