terça-feira, 23 de novembro de 2021

Anexo “5” [...] [...] [...] A “preferência pela liquidez” do “moderno capitalismo bursátil”, equipara tal instituição social a uma "pirâmide financeira" [...] [...] [...] Encontramos na literatura técnica o seguinte fragmento de texto: [...] [...] [...] [...] Liquidity, in other words, furnishes the basis for market sociability, for without it isolated individuals would not be able to make a common life for themselves. Its power to create close bonds among economic actors derives, in the first instance, from the fact that the VALUE of a liquid asset held by an investor depends on the behavior of others who hold the same asset. If for one reason or another they no longer wish to hold it, its VALUE will fall to zero, and the last one left holding it risks being ruined even though he has done nothing. (18) (maiúsculo nosso) [...] [...] [...] Traduzindo: [...] [...] [...] [...] A liquidez, em outras palavras, fornece a base para a sociabilidade do mercado, pois sem ela os indivíduos isolados não seriam capazes de construir uma vida em comum para si. Seu poder de criar vínculos estreitos entre os atores econômicos decorre, em primeira instância, do fato de que o VALOR de um ativo líquido detido por um investidor depende do comportamento dos outros investidores que detêm o mesmo ativo. Se por um motivo ou outro não quiserem mais mantê-lo, seu VALOR cairá para zero, e o último detentor corre o risco de ser arruinado, embora não tenha feito nada. (18) (maiúsculo nosso) [...] [...] [...] Vamos aqui fazer uma pausa em nossa tratativa para propormos a substituição da palavra “valor” pela palavra “preço”, no fragmento de texto acima. [...] [...] [...] Entretanto, antes de demonstrarmos a necessidade e conveniência de tal substituição precisamos conhecer os conceitos de “valor intrínseco” e “mercado eficiente”. Neste sentido, respectivamente, encontramos na literatura técnica os seguintes fragmentos de texto: [...] [...] [...] [...] By definition, the intrinsic value of a share expresses the amount of money that comes back to its owner as a result of having put capital into circulation through the production and sale of commodities. (18) [...] [...] [...] [...] A financial market is efficient, in other words, if the effect of competition is to assure that the price of an asset will always reflect its inherent worth. "In an efficient market," as Fama puts it, "at any point in time the actual price of a security will be a good estimate of its intrinsic value." (18) [...] [...] [...] Traduzindo: [...] [...] [...] [...] Por definição, o valor intrínseco de uma ação expressa à quantidade de dinheiro que retorna ao seu dono como resultado de ter colocado capital em circulação através da produção e venda de commodities. (18) [...] [...] [...] [...] Em outras palavras, um mercado financeiro é eficiente se o efeito da concorrência for que o preço de um ativo sempre refletirá seu valor inerente. “Em um mercado eficiente”, como diz Fama, “em qualquer momento, o preço real de um título será uma boa estimativa de seu valor intrínseco.” (18) [...] [...] [...] Após a leitura e interpretação dos dois conceitos acima iremos observar que o “preço de mercado” equipara-se ao “valor intrínseco” tão somente nos “mercados eficientes”. Não obstante, raramente tais mercados são encontrados na realidade, pois como vimos no Anexo “1” o “moderno capitalismo bursátil” obedece a uma oferta não-concorrencial. Entretanto, tal tipo de oferta inviabiliza um mercado eficiente, como antes vimos. Não por acaso, os economistas referem-se a tais mercados por meio da expressão: “capital fictício”. Adicionalmente, permitenos ilustrar esta última afirmação o seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica: [...] [...] [...] [...] "a instabilidade da avaliação financeira se revela endêmica porque é totalmente ancorada nas estruturas das finanças." (7) [...] [...] [...] Em síntese, por meio da leitura do conceito de valor intrínseco antes vimos que “[...] o valor intrínseco de uma ação expressa à quantidade de dinheiro que retorna ao seu dono como resultado de ter colocado capital em circulação por meio da produção e venda de commodities.” Assim, o “valor intrínseco” é conhecido apenas “a posteriori”, o que comprova a adequação da expressão usada pelos economistas: “capital fictício”. Adicionalmente, apenas nos “mercados eficientes” o “preço de mercado” se equipara ao “valor intrínseco”. Entretanto, raramente encontramos tais “mercados eficientes”, como antes vimos. Logo, não nos parece equivocado sustentarmos que a palavra “PREÇO” mostra-se adequada e conveniente para substituir a palavra “VALOR” no fragmento de texto em comento. [...] [...] [...] Consequentemente o fragmento de texto em comento pode agora ser reescrito como: “[...] o PREÇO de um ativo líquido detido por um investidor depende do comportamento dos outros investidores que detêm o mesmo ativo. Se por um motivo ou outro não quiserem mais mantê-lo, seu PREÇO cairá para zero, e o último detentor corre o risco de ser arruinado, embora não tenha feito nada.” (18) A seguir iremos fazer uma pausa em nossa tratativa para fazermos dois questionamentos: (1) por que o PREÇO de um ativo líquido detido por um investidor depende do comportamento dos outros investidores que detêm o mesmo ativo? (2) Por que existe um compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo? - Encontramos a resposta para o primeiro questionamento acima no “paradoxo da liquidez”. Neste sentido, a seguir relembramos o seguinte fragmento de texto encontrado no anexo anterior: [...] [...] [...] “[...] O mercado, considerado como um todo, não pode dispor de um título. [...] Isso é o que chamei de “paradoxo da liquidez”, ou seja, a liberdade individual de vender um título sempre que quiser existe apenas em virtude de um compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo. (18) [...] [...] [...] Consequentemente, caso deixe de existir tal “[...] compromisso implícito por parte da comunidade financeira”, não nos parece equivocado dizermos que tende a ocorrer àquilo previsto no fragmento de texto em comento: [...] [...] [...] “[...] Se por um motivo ou outro não quiserem mais mantê-lo, seu PREÇO cairá para zero, e o último detentor corre o risco de ser arruinado, embora não tenha feito nada.” (18) [...] [...] [...] Entretanto, os efeitos de tal “[...] compromisso implícito por parte da comunidade financeira” não encontra correspondência na inteligência contida nos conceitos de “mercado eficiente” e/ou “valor intrínseco”, conforme podemos comprovar por meio da leitura de tais conceitos. A observação acima é um primeiro indício de que o "moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma "pirâmide financeira". [...] [...] [...] A resposta ao segundo questionamento encontramos no fato de parte da comunidade financeira ter interesse em manter a totalidade dos títulos em longo prazo, como veremos na segunda parte do presente trabalho. Prosseguindo em nossa abordagem, encontramos na literatura técnica o seguinte fragmento de texto: [...] [...] [...] [...] La spéculation est la conséquence directe de la négociabilité des titres, encore appelée « liquidité ». Cette proposition relève de l'évidence puisque, sans liquidité, il n'y aurait pas de cotation permanente des prix, les actifs seraient totalement immobilisés et la seule variable qui importerait aux yeux de l'investisseur serait le flux des revenus que la détention du titre permet d'obtenir. L'investisseur n'aurait alors d'autre choix que de considérer la valeur fondamentale du titre. Seule l'émergence de la liquidité modifie cette configuration. Elle introduit de nouvelles opportunités. Comment est-ce possible? Et d'abord, d'où vient la liquidité? (18) [...] [...] [...] [...] Pour surmonter cette difficulté et rendre plus facile l'investissement, il convient de rendre liquides les investissements, c'est-àdire négociables. Il s'agit de transformer ce qui n'est qu'un pari personnel sur des dividendes futurs en une richesse immédiate hic et nunc. (18) [...] [...] [...] Traduzindo: [...] [...] [...] [...] A especulação é a conseqüência direta da negociabilidade dos títulos, também chamada de “liquidez”. Essa proposição é óbvia, pois, sem liquidez, não haveria cotação permanente, os ativos estariam totalmente imobilizados e a única variável importante aos olhos do investidor seria o fluxo de receitas que a posse do título permite obter. O investidor, então, não teria outra escolha senão considerar o valor fundamental do título. Apenas o surgimento da liquidez altera esta configuração. Ela introduz novas oportunidades. Como isto é possível? E, em primeiro lugar, de onde vem a liquidez? [...] [...] [...] [...] Para superar essa dificuldade e facilitar o investimento, é preciso tornar líquidos os investimentos, ou seja, negociáveis. Trata-se de transformar o que é apenas uma aposta pessoal nos dividendos futuros em uma riqueza imediata aqui e agora (18) [...] [...] [...] Iremos realçar no fragmento de texto acima a seguinte expressão: [...] [...] [...] “[...] Trata-se de transformar o que é apenas uma aposta pessoal em dividendos futuros em uma riqueza imediata aqui e agora.” [...] [...] [...] Neste sentido, gostaríamos aqui de enfatizar que a obtenção de uma “riqueza imediata aqui e agora”, equivale tão somente à obtenção de um ganho financeiro. Entretanto, parece-nos oportuno aqui observarmos que a obtenção de um ganho financeiro (“mais-valia aqui e agora”), embora se equipare a algo semelhante à obtenção de uma riqueza não guarda nenhuma correspondência com a obtenção de futuros dividendos. Em outros termos, a obtenção de uma “mais-valia aqui e agora” é mais um contraste com os conceitos de “mercado eficiente” e “valor intrínseco”, como podemos comprovar por meio da simples leitura de tais conceitos. Tal constatação é um segundo indício de que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “pirâmide financeira”. [...] [...] [...] Um terceiro indício para equipararmos o “moderno capitalismo bursátil” a uma “pirâmide financeira” encontramos no relacionamento de causa / efeito da inteligência contida nos seguintes fragmentos de texto: [...] [...] [...] “[...] o fato de um indivíduo ter a liberdade para vender um título sempre que desejar existe apenas em virtude de um compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo.” (18) “[...] Trata-se de transformar o que é apenas uma aposta pessoal nos dividendos futuros em uma riqueza imediata aqui e agora.” (18) [...] [...] [...] Assim, o “[...] compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo [...]” encontrado no primeiro fragmento de texto acima, permite a transformação do que seria apenas uma aposta pessoal em dividendos futuros em uma "riqueza imediata aqui e agora”. Entretanto, tal transformação artificial revela a falta de fundamentação da obtida “riqueza imediata aqui e agora”. Assim, tal observação permite-nos equiparar o "moderno capitalismo bursátil" a uma “transgressão da economia produtiva”. Em outros termos, tal transformação equipara o "moderno capitalismo bursátil" a uma “pirâmide financeira”. [...] [...] [...] Prosseguindo em nossa abordagem, mencionamos no Anexo “3” que uma “mais-valia” passou a ser obtida por meio de uma “dinâmica que leva o preço a viver sua própria vida, a evoluir independentemente de seu valor”. [...] [...] [...] Entretanto, tal dinâmica que ocorre no “moderno capitalismo bursátil” se assemelha a uma espécie de favoritismo. Neste sentido, as raízes de tal favoritismo localizam-se no fato de que tal “mais-valia” é obtida por apenas alguns poucos participantes do mercado bursátil, como a seguir veremos. [...] [...] [...] Permite-nos conhecer de que forma tal “mais-valia” é obtida, a leitura e interpretação do seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica: [...] [...] [...] [...] Desde o ressurgimento dos mercados bursáteis com toda sua força, o Departamento do Tesouro e o FED fizeram o que era necessário em cada ocasião – 1987, 1995, 1998, 2001 – para criar liquidez e outros meios necessários para conter as crises. Continuarão a fazê-lo ainda que isso contrarie formalmente as teorias professadas.* (19) [...] [...] [...] * Em particular a do “risco moral” (moral hasard), que condena as operações de socorro financeiro porque elas reforçam o sentimento de impunidade daqueles que participam dos mercados financeiros. (19) [...] [...] [...] Antes vimos no conceito de “mais-valia” que “os ganhos e perdas se dão, essencialmente, nos diferenciais das oscilações”. Por outro lado, acima vimos que “[...] o Departamento do Tesouro e o FED fizeram o que era necessário em cada ocasião [...] para criar liquidez e outros meios necessários para conter as crises”. Entretanto, não nos parece equivocado sustentarmos que a criação de tal liquidez permite a apenas alguns poucos participantes do mercado obter tal “mais-valia”. [...] [...] [...] Deste modo, tal “mais-valia” é obtida de forma sistemática e recorrente, como podemos conhecer por meio da leitura do fragmento de texto acima: "[...] Continuarão a fazê-lo ainda que isso contrarie formalmente as teorias professadas." Adicionalmente, encontramos no conceito de “mais-valia” apresentado no Anexo “3”, a seguinte expressão: “[...] diferença entre o preço da ação no dia da venda e no dia da aquisição anterior.” Assim, uma continuada criação de liquidez significa uma melhora continuada nos preços de mercado. Por sua vez, uma melhora continuada nos preços de mercado possibilita uma obtenção de uma "mais-valia" de forma sistemática e recorrente. [...] [...] [...] Em síntese, a obtenção de uma “mais-valia” se equipara, essencialmente, a um ganho financeiro. Assim, permitem-nos sustentar um quarto indício de que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “pirâmide financeira” as expressões “[...] o Departamento do Tesouro e o FED fizeram o que era necessário em cada ocasião” e “[...] Continuarão a fazê-lo ainda que isso contrarie formalmente as teorias professadas.” [...] [...] [...] Compreendemos o favoritismo presente em tal dinâmica no fato de que “os ganhos e perdas se dão, essencialmente, nos diferenciais das oscilações”. Entretanto, devido à continuada criação de liquidez um equivalente e continuado ganho financeiro fica viabilizado. E, tal ganho financeiro é conseqüência dos diferenciais quase sempre positivos de tais oscilações associados a uma informação privilegiada. Deste modo, tal “ganho financeiro” é obtido por somente alguns poucos participantes do mercado bursátil. Neste sentido, parece-nos oportuno a leitura do seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica: [...] [...] [...] [...] Trata-se de mais um mercado, no qual a transação se faz essencialmente na compra e venda do novo produto, os títulos de rendimento. OS GANHOS E PERDAS SE DÃO, ESSENCIALMENTE, NOS DIFERENCIAIS DAS OSCILAÇÕES. (VACCARO, 2009, p. 24). (9) (maiúsculo nosso) [...] [...] [...] Adicionalmente, permite-nos ilustrar tal conclusão a comparação da inteligência contida no fragmento de texto acima com a inteligência contida em certo fragmento de texto mencionado no anexo anterior: [...] [...] [...] [...] Próximas à fraude, todas as bolhas especulativas baseiam-se num mecanismo bastante semelhante. Elas requerem uma entrada constante de investimentos, para manter o mercado em alta e a ilusão de que, assim, todo mundo ganha. O segredo da bolha é a adesão especulativa. [...] [...] [...] Deste modo, a inteligência contida na expressão “[...] entrada constante de investimentos, para manter o mercado em alta [...]” encontrada no fragmento de texto em comento se equipara a inteligência contida em certas expressões antes encontradas no presente anexo, qual sejam: [...] [...] [...] “[...] fizeram o que era necessário em cada ocasião [...] para criar liquidez e outros meios necessários para conter as crises” e "[...] Continuarão a fazêlo ainda que isso contrarie formalmente as teorias professadas." [...] [...] [...] Entretanto, a inteligência contida nos dois fragmentos de texto acima não encontra seus fundamentos no conceito de “valor intrínseco”. Portanto, não nos parece equivocado dizermos que o “moderno capitalismo bursátil” equivale a uma “pirâmide financeira”. Em síntese, podemos dizer que todos os indícios de que o moderno capitalismo bursátil se equipara a uma “pirâmide financeira” são fundamentados na matemática. Entretanto, a matemática é uma ciência exata. Em síntese, uma “pirâmide financeira” tem duas características essenciais: transferência de riquezas e tempo de vida limitado. Consequentemente, o “moderno capitalismo bursátil” serve APENAS para transferir riquezas. Adicionalmente, não nos parece equivocado dizermos que tal instituição social tende a deixar de existir. Por fim, mas não menos importante, não nos parece equivocado sustentarmos que algo que tende a deixar de existir está em tendência irreversível de baixa. [...] [...] [...]

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