domingo, 15 de agosto de 2021

Anexo “5”

A “preferência pela liquidez” do “moderno capitalismo bursátil”, equipara esta instituição social a uma "pirâmide financeira" e/ou a uma "conspiração" Prosseguindo em nossa abordagem encontramos na literatura técnica o seguinte fragmento de texto:

[...] Liquidity, in other words, furnishes the basis for market sociability, for without it isolated individuals would not be able to make a common life for themselves. Its power to create close bonds among economic actors derives, in the first instance, from the fact that the value of a liquid asset held by an investor depends on the behavior of others who hold the same asset. If for one reason or another they no longer wish to hold it, its value will fall to zero, and the last one left holding it risks being ruined even though he has done nothing. (18)

Traduzindo:

[...] A liquidez, em outras palavras, fornece a base para a sociabilidade do mercado, pois sem ela os indivíduos isolados não seriam capazes de construir uma vida em comum para si. Seu poder de criar vínculos estreitos entre os atores econômicos decorre, em primeira instância, do fato de que o valor de um ativo líquido detido por um investidor depende do comportamento de outros que detêm o mesmo ativo. Se por um motivo ou outro não quiserem mais mantê-lo, seu valor cairá para zero, e o último a ficar com ele corre o risco de ser arruinado, embora não tenha feito nada. (18)

Parece-nos aqui oportuno fazermos uma pausa em nossa tratativa para propormos a substituição da palavra “valor” pela palavra “preço” no fragmento de texto acima.

Entretanto, antes de demonstrarmos a necessidade e conveniência de tal substituição precisamos apresentar os conceitos de “valor intrínseco” e “mercados eficientes”. Neste sentido, encontramos na literatura técnica os seguintes fragmentos de texto, respectivamente:


[...] By definition, the intrinsic value of a share expresses the amount of money that comes back to its owner as a result of having put capital into circulation through the production and sale of commodities. (18)

[...] A financial market is efficient, in other words, if the effect of competition is to assure that the price of an asset will always reflect its inherent worth. "In an efficient market," as Fama puts it, "at any point in time the actual price of a security will be a good estimate of its intrinsic value." (18)

Traduzindo:

[...] Por definição, o valor intrínseco de uma ação expressa à quantidade de dinheiro que retorna ao seu dono como resultado de ter colocado capital em circulação através da produção e venda de commodities. (18)

[...] Em outras palavras, um mercado financeiro é eficiente se o efeito da concorrência for que o preço de um ativo sempre refletirá seu valor inerente. “Em um mercado eficiente”, como diz Fama, “em qualquer momento, o preço real de um título será uma boa estimativa de seu valor intrínseco.” (18)

Após a leitura e interpretação dos dois fragmentos de texto acima somos levados a concluir que o “preço de mercado” equipara-se ao “valor intrínseco” tão somente nos “mercados eficientes”. Não obstante, raramente tal situação é encontrada na realidade. Entretanto, não seria esperada outra situação. Neste sentido, recordamos que os mercados bursáteis obedecem a uma oferta “não-concorrencial”. Em outros termos, "a instabilidade da avaliação financeira se revela endêmica porque é totalmente ancorada nas estruturas das finanças." (7)

Consequentemente estamos sustentando que a palavra “preço” mostra-se adequada e conveniente para substituir a palavra “valor” no fragmento de texto em comento. Adicionalmente, o “[...] compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo”, antes apresentado na Introdução "4", contrasta radicalmente com a inteligência contida nos conceitos de “valor intrínseco” e/ou “mercados eficientes”, antes mencionados. As observações acima reforçam a sustentação que temos feito ao longo do presente trabalho: o "moderno capitalismo bursátil equipara-se a uma "pirâmide financeira". Ademais, encontramos na literatura técnica o seguinte fragmento de texto:

[...] La spéculation est la conséquence directe de la négociabilité des titres, encore appelée « liquidité ». Cette proposition relève de l'évidence puisque, sans liquidité, il n'y aurait pas de cotation permanente des prix, les actifs seraient totalement immobilisés et la seule variable qui importerait aux yeux de l'investisseur serait le flux des revenus que la détention du titre permet d'obtenir. L'investisseur n'aurait alors d'autre choix que de considérer la valeur fondamentale du titre. Seule l'émergence de la liquidité modifie cette configuration. Elle introduit de nouvelles opportunités. Comment est-ce possible? Et d'abord, d'où vient la liquidité? (18)

[...] Pour surmonter cette difficulté et rendre plus facile l'investissement, il convient de rendre liquides les investissements, c'est-àdire négociables. Il s'agit de transformer ce qui n'est qu'un pari personnel sur des dividendes futurs en
une richesse immédiate hic et nunc. (18)

Traduzindo:

[...] A especulação é a conseqüência direta da negociabilidade dos títulos, também chamada de “liquidez”. Essa proposição é óbvia, pois, sem liquidez, não haveria cotação permanente, os ativos estariam totalmente imobilizados e a única variável importante aos olhos do investidor seria o fluxo de receitas que a posse do título permite obter. O investidor, então, não teria outra escolha senão considerar o valor fundamental do título. Apenas o surgimento da liquidez altera esta configuração. Ela introduz novas oportunidades. Como isto é possível? E, em primeiro lugar, de onde vem a liquidez?

[...] Para superar essa dificuldade e facilitar o investimento, é preciso tornar os investimentos líquidos, ou seja, negociáveis. Trata-se de transformar o que é apenas uma aposta pessoal nos dividendos futuros em uma riqueza imediata aqui e agora (18)

Gostaríamos de enfatizar no fragmento de texto acima as seguintes palavras:

“[...] Trata-se de transformar o que é apenas uma aposta pessoal em dividendos futuros em uma riqueza imediata aqui e agora.”

Entretanto, a obtenção de uma “riqueza imediata aqui e agora”, se equipara tão somente a obtenção de uma “mais-valia” (ganho financeiro). Assim, parece-nos oportuno aqui observarmos que a obtenção de uma “mais-valia aqui e agora” embora se equipare a algo semelhante à obtenção de uma riqueza não guarda nenhuma relação com a obtenção de futuros dividendos. Neste sentido, antes vimos que: "A instabilidade da avaliação financeira se revela endêmica porque é totalmente ancorada nas estruturas das finanças." (7) Consequentemente, a obtenção de uma “mais-valia aqui e agora” contrasta radicalmente tanto com o conceito de “valor intrínseco” quanto com o conceito de “mercados eficientes”, antes apresentados. Em outros termos, tal constatação é mais uma robusta evidência de que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “pirâmide financeira”.

Adicionalmente, encontramos mais um fundamento para equipararmos o “moderno capitalismo bursátil” a uma “pirâmide financeira” no contraste entre a inteligência contida nos seguintes fragmentos de texto:

“[...] o fato de um indivíduo ter a liberdade para vender um título sempre que desejar existe apenas em virtude de um compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo.” (18)

“[...] Trata-se de transformar o que é apenas uma aposta pessoal nos dividendos futuros em uma riqueza imediata aqui e agora.” (18)

Em síntese, o “[...] compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo [...]” encontrado no "moderno capitalismo bursátil" transforma o que é apenas uma aposta pessoal em dividendos futuros em uma "riqueza imediata aqui e agora”. Entretanto, tal transformação artificial revela a falta de fundamentação da correspondente riqueza obtida, o que inequivocamente permite-nos equiparar o "moderno capitalismo bursátil" a uma “transgressão da economia produtiva”. Do mesmo modo tal transformação equipara o "moderno capitalismo bursátil" a uma “pirâmide financeira”.

Prosseguindo em nossa abordagem, iremos a seguir sustentar que a expressão, agora reescrita como “[...] o PREÇO de um ativo líquido detido por um investidor depende do comportamento de outros que detêm o mesmo ativo” (18), tem seus fundamentos na expressão:

“[...] um compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo.” (18)

Consequentemente, o “[...] compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo”, nada tem a ver com a inteligência contida nos conceitos de “valor intrínseco” e/ou “mercados eficientes”, antes mencionados. Assim, a conclusão acima é mais um indício que permite-nos equiparar o “moderno capitalismo bursátil” a uma “pirâmide financeira”.

Prosseguindo em nossa abordagem, antes dissemos que uma “mais-valia” passou a ser obtida de forma sistemática e recorrente por determinados participantes do mercado por meio de uma “dinâmica que leva o preço a viver sua própria vida, a evoluir independentemente de seu valor”.

Entretanto, tal dinâmica se assemelha a uma espécie de favoritismo, como a seguir iremos sustentar. A nosso ver, as raízes de tal favoritismo localizam-se na “mais-valia” obtida por apenas alguns poucos participantes do mercado bursátil. Neste sentido, parece-nos oportuno relermos o seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica:

[...] Trata-se de mais um mercado, no qual a transação se faz essencialmente na compra e venda do novo produto, os títulos de rendimento. Os ganhos e perdas se dão, essencialmente, nos diferenciais das oscilações. (VACCARO, 2009, p. 24). (9)

Permite-nos ainda, conhecer o modo por meio do qual tal “mais- valia” é obtida a leitura e interpretação do seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica:

[...] Desde o ressurgimento dos mercados bursáteis com toda sua força, o Departamento do Tesouro e o FED fizeram o que era necessário em cada ocasião – 1987, 1995, 1998, 2001 – para criar liquidez e outros meios necessários para conter as crises. Continuarão a fazê-lo ainda que isso contrarie formalmente as teorias professadas.* (19)

* Em particular a do “risco moral” (moral hasard), que condena as operações de socorro financeiro porque elas reforçam o sentimento de impunidade daqueles que participam dos mercados financeiros. (19)

Podemos compreender o favoritismo presente na dinâmica, antes mencionada, no fato de que “os ganhos e perdas se dão, essencialmente, nos diferenciais das oscilações”. Entretanto, devido à continuada criação de liquidez um equivalente e continuado ganho financeiro fica viabilizado para alguns poucos participantes do mercado bursátil como conseqüência dos diferenciais positivos de tais oscilações, como veremos na parte do presente trabalho consagrada à "manipulação" e ao "oligopólio".

Antes vimos que “os ganhos e perdas se dão, essencialmente, nos diferenciais das oscilações”. Por outro lado, igualmente antes vimos que “[...] o Departamento do Tesouro e o FED fizeram o que era necessário em cada ocasião [...] para criar liquidez e outros meios necessários para conter as crises”. Entretanto, não nos parece equivocado sustentarmos que tal criação de liquidez permite a apenas a alguns poucos participantes do mercado obter uma “mais-valia”. Ademais, tal “mais-valia” é obtida de forma sistemática e recorrente, pois como podemos ler no fragmento de texto acima: "[...] Continuarão a fazê-lo ainda que isso contrarie formalmente as teorias professadas." Neste sentido, encontramos no conceito de “mais-valia” a seguinte expressão: “[...] diferença entre o preço da ação no dia da venda e do dia da aquisição anterior.” Assim, a continuada criação de liquidez significa que uma continuada obtenção de uma "mais-valia" de forma sistemática e recorrente fica viabilizada. Em síntese, a obtenção de uma “mais-valia” se equipara, essencialmente, a um ganho financeiro. Por seu turno, as expressões “[...] o Departamento do Tesouro e o FED fizeram o que era necessário em cada ocasião” e “[...] Continuarão a fazê-lo ainda que isso contrarie formalmente as teorias professadas.”, conduz-nos a concluir uma vez mais que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “pirâmide financeira”.

Permite-nos reforçar a conclusão acima a comparação da inteligência contida no fragmento de texto acima com a inteligência contida no seguinte multicitado fragmento de texto:

[...] Próximas à fraude, todas as bolhas especulativas baseiam-se num mecanismo bastante semelhante. Elas requerem uma entrada constante de investimentos, para manter o mercado em alta e a ilusão de que, assim, todo mundo ganha. O segredo da bolha é a adesão especulativa. (14)

Em outros termos, a inteligência contida na expressão “[...] entrada constante de investimentos, para manter o mercado em alta [...]” encontrada no fragmento de texto acima pode ser equipara a inteligência contida em duas expressões encontradas no fragmento de texto antes mencionado, qual sejam:

“[...] fizeram o que era necessário em cada ocasião [...] para criar liquidez e outros meios necessários para conter as crises” e "[...] Continuarão a fazê- lo ainda que isso contrarie formalmente as teorias professadas."

Prosseguindo em nossa abordagem, parece-nos oportuno aqui alertarmos que a multimencionada expressão “[...] compromisso implícito”, pode vir a deixar de existir.
Neste sentido, a seguir iremos observar que a partir de certo lapso temporal o futuro embora ainda continue a ser incerto passa a ser probabilístico, conforme nos permite compreender a leitura do seguinte fragmento de texto:

[...] Cette hypothèse est ellemême fondée sur une conception particulière du temps humain selon laquelle il n'y a pas de rupture qualitative entre passé, présent et avenir. Certes, dans cette conception, l'avenir est incertain, mais il est probabilisable. L'acteur économique automate calcule donc au futur comme il calcule au présent. Simplement les variables, certaines dans le passé et au présent, sont probabilisées dans l'avenir. Un même calcul englobe donc passé, présent et avenir. La même rationalité des acteurs automates y est à l'œuvre. C'est pourquoi l'avenir est « prévisible ». Certes, la prévision est entachée d'incertitude (calculable), mais CETTE INCERTITUDE EST TOUJOURS RÉDUCTIBLE PAR ACCUMULATION D'INFORMATIONS, ET DIMINUE DONC À MESURE QUE L'HORIZON DE LA PRÉVISION SE RAPPROCHE. (34) (maiúsculo nosso)

Traduzindo:

[...] Essa hipótese é baseada em uma concepção particular do tempo humano, segundo a qual não há uma ruptura qualitativa entre o passado, o presente e o futuro. É certo que, nesta concepção, o futuro ainda é incerto, mas começa a ser probabilizável. O ator econômico autômato calcula assim o futuro tal como calcula o presente. Simplesmente as variáveis, certeiras do passado e do presente, são probabilísticas no futuro. O mesmo cálculo, portanto, engloba passado, presente e futuro. A mesma racionalidade dos atores autômatos está em ação. É por isso que o futuro é "previsível". Certamente esta previsão está sujeita a incertezas (previsíveis), entretanto TAL INCERTEZA É SEMPRE REDUZIDA PELO ACÚMULO DE INFORMAÇÕES E, PORTANTO, DIMINUI À MEDIDA QUE O HORIZONTE DA PREVISÃO SE APROXIMA. (34) (maiúsculo nosso)

O ponto importante que podemos extrair da leitura do fragmento de texto acima mencionado é o seguinte:

“[...] tal incerteza é sempre reduzida pelo acúmulo de informações e, portanto, diminui à medida que o horizonte da previsão se aproxima. (34)

Neste sentido, encontramos na literatura técnica dois fragmentos de texto que quando associados entre si alertam-nos que a probabilidade de um colapso do mercado, mormente de certos títulos bursateis é algo esperado, conforme a leitura dos seguintes fragmentos de texto nos permite compreender:

[...] O crescimento do setor financeiro e dos ganhos que este proporciona só é possível na proporção exata do aumento da mais-valia não acumulada, e um, como o outro, admitem limites que foram atingidos. (22)

[...] Se por um motivo ou outro não quiserem mais mantê-lo, seu valor cairá para zero, e o último que ficar com ele corre o risco de ser arruinado, embora não tenha feito nada. (18)

Ademais, encontramos no Anexo "4" o seguinte fragmento de texto:

"[...] Adicionalmente, no fragmento de texto antes mencionado Krugman observou: “[...] Mais especificamente, suspeito agora que o tipo de regime de medidas econômicas moderadas que [...] permite que os mercados trabalhem [...] seja inerentemente instável. “Trata-se de algo que se pode sustentar durante aproximadamente uma geração, mas não por um período muito mais longo do que isto.”

Assim, a limitação temporal, acima mencionada, é uma característica do “tipo de regime de medidas econômicas moderadas”, conforme Krugman sustenta. Igualmente, é do conhecimento comum que uma das características essenciais das “pirâmides financeiras” é a limitação temporal de tais fenômenos. Não obstante, como antes equiparamos o “moderno capitalismo bursátil” ao “tipo de regime de medidas econômicas moderadas”, conforme antes sustentamos neste Anexo "5", não nos parece equivocado mais uma vez equipararmos o “moderno capitalismo financeiro” a uma “pirâmide financeira”. Em síntese, chegamos às seguintes conclusões:

(1) tanto o “regime de medidas econômicas moderadas”, quanto o “moderno capitalismo bursátil” se equiparam a uma "pirâmide financeira";

(2) tanto o “regime de medidas econômicas moderadas”, quanto o “moderno capitalismo bursátil” “[...] se pode sustentar durante aproximadamente uma geração, mas não por um período muito mais longo do que isto”. Assim, o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma "pirâmide financeira". Entretanto, como antes vimos às "pirâmides financeiras" têm um prazo de existência limitado.
Consequentemente, o “moderno capitalismo bursátil” tem um prazo de existência limitado.

Entretanto, os economistas apresentam uma alternativa ao colapso: a purga do “mico”, por meio da aceleração da inflação, conforme a leitura do seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica nos permite compreender:

[...] Depuis l'après-guerre, dans tous les pays, une politique monétaire très favorable à la croissance a donc engendré une dissymétrie dans la création monétaire et par conséquent un gonflement périodique du volume des droits financiers en excès sur la richesse future. Dès lors, la purge de ce mistigri fut nécessaire, quel que fût le système financier. On a vu quelles en étaient les deux formes pures : l'accélération de l'inflation et les krachs. Les formes concrètes que prit cette purge furent en revanche très dépendantes du type de système. (34)

[...] Dans le système internationalement cloisonné et principalement d'intermédiaires qui était celui des pays riches avant la libéralisation des années 1980, la forme principale d'élimination du mistigri était progressive et apparemment indolore. C'est l'accélération de l'inflation, qui a réalisé le programme de Keynes : l'euthanasie des rentiers au profit de ceux qui consomment et de ceux qui investissent. L'accélération de l'inflation perturbe l'évaluation des prix relatifs, donc leur extrapolation et la prise de décision pour les investissements à venir. (34)

Traduzindo:

[...] Desde o período pós-guerra, em todos os países, uma política monetária muito favorável ao crescimento levou, portanto, a uma assimetria na criação monetária e, conseqüentemente, a uma inflação periódica do volume de direitos financeiros em excesso sobre a riqueza futura. A partir daí, a purga deste mico foi necessária, independentemente do sistema financeiro. Vimos às duas formas purgas: a aceleração da inflação e os colapsos. As formas concretas que este expurgo tomou foram, por outro lado, muito dependentes do tipo de sistema. (34)

[...] No sistema internacionalmente particionado e principalmente de intermediários que foi o dos países ricos antes da liberalização da década de 1980, a forma de eliminação primária do “mico” foi progressiva e aparentemente indolor. É a aceleração da inflação, que realizou o programa de Keynes: a eutanásia dos rentistas em benefício daqueles que consomem e daqueles que investem. A aceleração da inflação perturba avaliação dos preços relativos, portanto, a extrapolação e a tomada de decisão para os investimentos por vir. (34)

Parece-nos oportuno observarmos algo acima mencionado: a forma de eliminação primária do “mico” pode ser progressiva e aparentemente indolor.

Entretanto, igualmente devemos observar que tal forma “progressiva e aparentemente indolor” inequivocamente está diretamente ligada ao tempo. Por seu turno, "a eutanásia dos rentistas em benefício daqueles que consomem e daqueles que investem" igualmente está ligada ao tempo. Neste sentido, antes vimos que as “pirâmides financeiras” têm seu tempo de vida ligado ao tempo. O relacionamento entre as observações acima é mais um indício de que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “pirâmide financeira”. Voltaremos ao tema na parte do presente trabalho consagrada à “manipulação” e ao "oligopólio".

Prosseguindo em nossa abordagem e no intuito de ilustrar que o “tempo é o fator vital da criação do preço” selecionamos na Internet dois fragmentos de texto:
Em primeiro lugar, apresentamos certo fragmento de texto extraído de comentários sobre o artigo “Ora, bolhas”, de José Paulo Kupfer, publicado pelo jornal “Estado de S. Paulo – digital” (06/10/2011) **, conforme se segue:

** 6 de outubro de 2011 - Enviado por João Flávio Olá, J. P.:

Convém botar as barbas de molho com esse “paper”. Essa “cunversinha” de que “é grande demais para quebrar” ou “dessa vez é diferente” não funciona bem em crises.

Lembra do Lehmann Brothers?

As agências de rating davam grau TTA (topo triple A) para as suas ações e TA (triple A) para os títulos emitidos e negociados por eles.

E o Lehmann Brothers já estava “MORTINHO DA SILVA”.

Quanto ao fato de que o mercado brasileiro não é tão sofisticado, vamos com calma. O México, a Argentina, a Rússia também não tinham mercados sofisticados. Na verdade, a Rússia nem tinha mercado. E todos eles quebraram feio. Talvez não tenhamos uma “bolha”. Mas, certamente, temos uma CRISE. O que é bem pior!!!
Quanto ao artigo do Ricardo Loureiro, ele me lembrou de uma frase de um grande operador de mercado de Wall Street que relatou em seu depoimento aos controladores da SEC que

“[...] A NOSSA FUNÇÃO PRINCIPAL ERA MANTER OS INVESTIDORES CALMOS ATÉ O ÚLTIMO MOMENTO [...] PARA ENTÃO FODÊ-LOS AO MÁXIMO” (maiúsculo nosso).

Em segundo lugar, encontramos o seguinte fragmento de texto na Internet:

[...] “Wall Street está contra a América”. Texto extraído do jornal “Estado de S. Paulo” (17/10/2008). *

* Entre as pessoas que pararam para assistir ao comício de Nader, predominava a resignação. “O governo não tem mais nada a fazer”, disse Robert Kavaliauskas, de 51 anos, formado em administração de empresas e funcionário do Estado de Nova York. “O COLAPSO DO CAPITALISMO PODE SER LENTO OU RÁPIDO. O GOVERNO ESTÁ TENTANDO FAZER COM QUE SEJA LENTO”. (maiúsculo nosso)

Entretanto, aqui nos parece oportuno questionar: por que os governos querem que o colapso do capitalismo seja lento?

- Simplesmente para que o preço bursátil criado, naturalmente de forma necessariamente passageira, (30) seja maximizado. Assim, quanto maior for o tempo de permanência dos preços bursateis nas proximidades das suas respectivas máximas, maior será a respectiva criação de preço bursátil, como iremos demonstrar na parte do presente trabalho consagrada à “manipulação”; conseqüentemente, maior será a transferência de riquezas, conforme temos sustentado.

Em resumo, encontramos neste Anexo "5" os seguintes fragmentos de texto que sugerem-nos que "moderno capitalismo bursátil" se equipara a uma "pirâmide financeira":

(1) [...] Consequentemente, a palavra “preço” mostra-se adequada e conveniente para substituir a palavra “valor” no fragmento de texto em comento. Adicionalmente, o “[...] compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo”, antes apresentado na Introdução "4", contrasta radicalmente com a inteligência contida nos conceitos de “valor intrínseco” e/ou “mercados eficientes”, antes mencionados. As observações acima reforçam a sustentação que temos feito ao longo do presente trabalho: o "moderno capitalismo bursátil equipara-se a uma "pirâmide financeira".

(2) [...] Consequentemente, a obtenção de uma “mais-valia aqui e agora” contrasta radicalmente tanto com o conceito de “valor intrínseco” quanto com o conceito de “mercados eficientes”, antes apresentados. Em outros termos, tal constatação é mais uma robusta evidência de que o “moderno capitalismo bursátil” pode ser equiparado a uma “pirâmide financeira”. [...]

(3) [...] Em síntese, o “[...] compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo” encontrado no "moderno capitalismo bursátil" transforma o que é apenas uma aposta pessoal em dividendos futuros em uma "riqueza imediata aqui e agora”. Entretanto, tal transformação artificial revela a falta de fundamentação da correspondente riqueza obtida, o que inequivocamente permite-nos equiparamos o "moderno capitalismo bursátil" a uma “transgressão da economia produtiva”. Do mesmo modo tal transformação equipara o "moderno capitalismo bursátil" a uma “pirâmide financeira”.

(4) [...] Consequentemente, o “[...] compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo”, nada tem a ver com a inteligência contida nos conceitos de “valor intrínseco” e/ou “mercados eficientes”, antes mencionados. Assim, a conclusão acima é mais um indício que permite-nos equiparar o “moderno capitalismo bursátil” a uma “pirâmide financeira”.

(5) [...] Em síntese, a obtenção de uma “mais-valia” se equipara, essencialmente, a um ganho financeiro. Por seu turno, as expressões “[...] o Departamento do Tesouro e o FED fizeram o que era necessário em cada ocasião” e “[...] Continuarão a fazê-lo ainda que isso contrarie formalmente as teorias professadas.”, conduz-nos a concluir uma vez mais que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “pirâmide financeira”.

[...] Em outros termos, a inteligência contida na expressão “[...] entrada constante de investimentos, para manter o mercado em alta [...]” encontrada no fragmento de texto acima pode ser equiparada a inteligência contida em certa expressão encontrada no fragmento de texto antes mencionado, qual seja:

“[...] fizeram o que era necessário em cada ocasião [...] para criar liquidez e outros meios necessários para conter as crises”.

(6) [...] Parece-nos oportuno observarmos algo acima mencionado: a forma de eliminação primária do “mico” pode ser progressiva e aparentemente indolor. Entretanto, igualmente devemos observar que tal forma “progressiva e aparentemente indolor” inequivocamente está diretamente ligada ao tempo. Por seu turno, "a eutanásia dos rentistas em benefício daqueles que consomem e daqueles que investem" igualmente está ligada ao tempo. Neste sentido, antes vimos que as “pirâmides financeiras” têm seu tempo de vida ligado ao tempo. O relacionamento entre as observações acima é mais um indício de que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “pirâmide financeira”. Voltaremos ao tema na parte do presente trabalho consagrada à “manipulação” e ao "oligopólio".




















 

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