quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Anexo doze Indícios de que a Bolsa de Valores hodierna é apenas um meio de transferência de riquezas (itens IV.1 - IV.3) IV.1. Que a Bolsa como instituição de financiamento, se diferencie da Bolsa de Valores como instituição de especulação, ou se tornou inútil, são as empresas que poderiam falar melhor. O problema simplesmente não surge para as pequenas e médias... Que não são cotadas, mas ainda recordamos que estas são a grande maioria da produção e do emprego - repetimos para chamar atenção: a esmagadora maioria da produção e do emprego está indo perfeitamente bem sem a Bolsa. Mais surpreendentemente, as grandes empresas têm pouco recurso lá também - a menos que estas sejam tomadas pelo desejo de se divertir com o jogo de fusões e ofertas públicas de aquisição (OPA). Porque quando se trata de encontrar financiamento, o paradoxo é que os carros-chefe do CAC 40 e do Dow Jones normalmente vão a outro lugar: aos mercados de obrigações, ou por uma persistência arcaica inconfessável... ao banco! Uma suculenta ironia é que há menos o efeito de uma relutância filosófica do que um efeito de mais constrangimento do acionista em si, que vê em qualquer nova emissão a desvantagem da diluição, portanto, o declínio do lucro por ação. Em suma, o triunfo do poder do acionista é o de impedir as empresas que mais poderiam financiar a si próprias na Bolsa! (55) IV.2. [...] A história recente do capitalismo é (em parte) a história de uma luta de poder entre duas frações do capital: o capital financeiro e o capital industrial, o primeiro tendo recebido uma modificação das estruturas de poder sem precedentes que lhe permitiu desbancar o segundo da sua antiga soberania. E impor tudo e mais alguma coisa. E no final o capital industrial passa o “mico” para o trabalhador... (56) (negrito nosso) IV.3. Nada no seu financiamento, sem dúvida, justifica incontestavelmente manter uma passagem pela Bolsa, exceto o desejo de enriquecer fora de proporção dos empreendedores e de seus anjos de negócios impulsionados tanto quanto possível por meio do projeto de fazer fortuna com a criação de alguma coisa. Em termos de contribuição das finanças para o crescimento, sugiro que você compare a taxa de crescimento médio dos trinta gloriosos, portanto sem desregulamentação das finanças e uma Bolsa de Valores de traseiro (5% ao ano, em média) e do período de desregulamentação-hurra das duas últimas décadas. O caso é visualizado rapidamente. E este não é um apelo ao retrógrado, mas simplesmente a ideia - lógica - que um contraexemplo é suficiente para arruinar uma generalidade. Por isso, devemos deixar de ser prisioneiros (negrito nosso). (56) O que particulariza os itens IV.1 a IV.3 é o fato de que nestes três itens podemos identificar facilmente situações em que existe um ganhador e um perdedor. Logo, tais situações podem ser equiparadas a situações em que ocorrem transferência de riquezas. Assim, no item IV.1. ao dizermos que a Bolsa de Valores hodierna é uma “instituição de especulação”, isto equivale a dizer que “determinado capital financeiro” irá obter na Bolsa alguma riqueza; entretanto, tal riqueza auferida é obtida dos demais participantes deste mercado, pois a Bolsa não cria riquezas; a Bolsa é apenas mais um jogo de SOMA ZERO, como sustentamos na primeira tese. Da mesma maneira, no item IV.2 o capital financeiro ao desbancar o capital industrial indica que esse último transfere riquezas para o primeiro. Não obstante, como antes vimos o capital industrial repassa o “mico” para o “trabalhador”, este passa a ser o perdedor final, o que materializa novamente a hipótese de transferência de riqueza que ora estamos sustentando. No item IV.3. nitidamente podemos identificar o ganhador na pessoa dos empreendedores bem-sucedidos e de seus respectivos “anjos”. Resta aos demais participantes do mercado compartilhar o prejuízo resultante, o que caracteriza novamente a hipótese de transferência de riqueza, que sustentamos na segunda tese.

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