quarta-feira, 8 de dezembro de 2021
O “moderno capitalismo
bursátil” serve APENAS para
transferir riquezas [...] [...] [...]
Resumo:
No item “1”, o economista
francês, François Chesnais,
sustenta que a Bolsa de Valores
não serve para financiar, avaliar e
regular, respectivamente.
1. Para os defensores do novo
capitalismo financeiro, os mercados
bursáteis têm uma tripla função:
financiamento, avaliação e regulação
das empresas. A observação da
realidade mostra que não só os
mercados não conseguem cumprir
essas três funções, como ainda
fragilizam os sistemas produtivos. A
primeira função da Bolsa é, em
princípio, financiar as empresas.
Entretanto, se constatou nesses
últimos anos que não tem sido esse o
caso, pois as emissões líquidas das
ações pelas empresas (emissões
brutas menos as recompras de ações e
os dividendos) eram negativas na
Europa e nos Estados Unidos. Isso
significa que as empresas pagam
mais do que recebem de seus
acionistas. A segunda função da
Bolsa é avaliar as empresas, supondo
que a cotação das ações indica o
valor fundamental das empresas a
qualquer momento. Aqui também a
realidade contradiz a teoria ortodoxa.
As flutuações das cotações dos dez
últimos anos mostram que os
mercados não chegam a dar uma
indicação clara do valor das
empresas. Sabe-se, com efeito,
desde Keynes, que as cotações
refletem, em primeiro lugar, a
“psicologia do mercado”, não os
“fundamentos” da economia. (19)
(negrito nosso)
Terceira função dos mercados: os
diferentes atores dos mercados
financeiros, em primeiro lugar os
acionistas são considerados
controladores das empresas e de seus
dirigentes. Entretanto, essa famosa
“disciplina do mercado”, versão
moderna da “mão invisível”, não
funciona. Viu-se que os investidores
buscam controlar os dirigentes das
empresas levando-os a se adequar às
regras de governo das empresas,
apresentadas anteriormente. Os
escândalos na Bolsa do início dos
anos 2000 ilustram o fracasso da
corporate governance. Com efeito, os
gerentes dessas grandes empresas
escaparam ao controle de seus
acionistas falsificando suas contas e
se lançaram em operações financeiras
arriscadas, que conduziram alguns
grupos ao desastre. (19)
Os escândalos na Bolsa e as
numerosas falências de empresas
estão diretamente ligados à
natureza e às contradições internas
do novo capitalismo bursátil. O que
está em questão é, primeiramente,
a concepção de empresa
considerada um ativo financeiro.
Portanto, trata-se de aumentar o seu
valor na Bolsa por todos os meios:
recompra das ações, fusõesaquisições,
vendas das unidades
menos rentáveis... Por meio da
montagem de esquemas financeiros
complexos e freqüentemente nada
transparentes, os administradores
buscam atingir vários objetivos:
aumentar a rentabilidade
financeira de seus grupos,
enriquecer pessoalmente e escapar
ao controle dos acionistas. (19)
(negrito nosso)
[...] Em princípio, ao lado dos
acionistas e dos investidores, supõese
que certo número de profissões –
que constituem a “indústria dos
serviços financeiros” – possa
controlar as empresas. São os
serviços de auditoria, os bancos de
negócios, as agências de
classificação, os analistas
financeiros e as autoridades
públicas de regulação. Constata-se
que não só essas profissões não
desempenham seu papel de contra
poder, como foram freqüentemente
cúmplices, ativos ou passivos, dos
erros de gestão e das fraudes dos
dirigentes. Uma das maiores razões
das graves e recorrentes disfunções
da indústria de serviços financeiros
está ligada à presença de “conflitos
de interesse”, isto é, alguns atores
têm uma dupla função, geralmente
incompatível, de controlar e de
aconselhar empresas. Isso significa
que são remunerados pelas próprias
empresas que são encarregados de
controlar. (19) (negrito nosso)
No item “2”, o economista
francês, André Orléan, nesta
mesma linha de François
Chesnais, confirma que a Bolsa
de Valores não serve para
avaliar: “[...] A plausibilidade
desta afirmação está longe de ser
óbvia.” Ainda no item ‘2”, André
Orléan, do mesmo modo que
François Chesnais, sustenta que
a Bolsa de Valores não se presta
para financiar: “[...] No mínimo,
esse fato prova que o poder do
mercado de ações tem outras
fontes além do financiamento da
acumulação.”
2. Conforme podemos ler no item
acima, “a segunda função da Bolsa é
avaliar as empresas, supondo que a
cotação das ações indica o valor
fundamental das empresas a qualquer
momento”. Igualmente, permite-nos
ilustrar tal observação o seguinte
fragmento de texto de autoria do
economista francês, André Orléan:
[...] Neoclassical economists
believe that shares have an
intrinsic (or, as it is more
commonly said, fundamental)
value that determines the
movement of prices. The
plausibility of this claim is far from
obvious. Share prices exhibit
chronically erratic movements,
both upward and downward. How
can this state of affairs be
reconciled with the assumption of
stable intrinsic value? Most
economists, if they speak frankly,
will acknowledge that variations in
price cannot be explained in this
way, at least not without arbitrarily
introducing some additional
number of equally implausible
assumptions. Inevitably one
thinks of the crash of October 19,
1987, when the Dow Jones
Industrial Average lost 22.6
percent of its value, the largest
drop ever recorded in the United
States-and yet nothing even
remotely comparable was
observed in the real economy,
before or after. (18)
Traduzindo:
[...] Os economistas neoclássicos
acreditam que as ações têm um
valor intrínseco (ou, como é mais
freqüentemente dito,
fundamental) o qual determina o
movimento dos preços. A
plausibilidade desta afirmação
está longe de ser óbvia. Os
preços das ações exibem
movimentos cronicamente
erráticos, tanto para cima quanto
para baixo. Como se pode
conciliar este estado de coisas
com a hipótese de um valor
intrínseco estável? A maioria dos
economistas, se falarem
francamente, reconhecerá que as
oscilações dos preços não podem
ser explicadas desta forma, pelo
menos não sem introduzir
arbitrariamente um número
adicional de suposições.
Inevitavelmente se pensa no
crash de 19 de outubro de 1987,
quando o índice Industrial Dow
Jones perdeu 22,6% de seu valor,
a maior queda já registrada nos
Estados Unidos - e, no entanto,
nada mesmo remotamente
comparável foi observado na
economia real, antes ou depois.
(18)
Gostaríamos aqui de realçar algo
escrito no fragmento de texto
acima: “[...] os economistas
neoclássicos acreditam que as
ações têm um valor intrínseco [...]
o qual determina o movimento
dos preços. A plausibilidade desta
afirmação está longe de ser
óbvia.”
3. Neste sentido, a evolução dos
preços de alguns títulos bursateis
negociados no “moderno
capitalismo bursátil”,
adicionalmente ao fato de
obedecer a uma oferta nãoconcorrencial
obedece a um
poder oligopolista. [...] [...] [...]
Um primeiro indício de que a
evolução dos preços de alguns
títulos do “moderno capitalismo
bursátil” se equipara a evolução
dos preços de um mercado de
“commodities” de oferta nãoconcorrencial
no qual um poder
oligopolista é exercido, por meio
da leitura do seguinte fragmento
de texto encontrado na literatura
técnica: [...] [...] [...]
“[...] Este é um fato importante,
pois mostra que o mercado é uma
instituição social hierárquica, não
uma mera justaposição de
agentes que negociam uns com
os outros com base em idéias e
desejos formados sem qualquer
referência ao que acontece no
mercado. (18)
[...] [...] [...]
Assim, o fato do moderno
capitalismo bursátil se equiparar a
uma instituição social hierárquica
igualmente permite-nos sustentar
que a evolução dos preços de
alguns títulos do “moderno
capitalismo bursátil” se equipara a
evolução dos preços de um
mercado de “commodities” de
oferta não-concorrencial onde um
poder oligopolista é exercido. Tal
conclusão encontra seu ponto de
apoio no fato de o funcionamento
de uma entidade social
hierárquica se equiparar ao modo
de funcionamento de um
oligopólio, conforme podemos
constatar por meio da leitura e
interpretação do conceito de
oligopólio que a seguir
apresentamos.” [...] [...] [...]
OLIGOPOLY market situation in
which a small number of selling
firms control the market supply of
a particular good or service and
are therefore able to control the
market price. [...] Because each
firm in a oligopoly knows its share
of the total market for the product
or service it produces, and
because any change in price or
change in market share by one
firm is reflected in the sales of the
others, there tends to be a high
degree of interdependence
among firms; each firm must
make its price and output
decisions with regard to the
responses of the other firms in the
oligopoly, so that oligopoly prices,
once established, are rigid. This
encourages non price
competition, through advertising,
packaging, and service – a
generally nonproductive form of
resource allocation. [...] [...] [...]
Traduzindo:
OLIGOPOLY Situação do
mercado em que um pequeno
número de empresas vendedoras
controla a oferta de mercado de
um determinado bem ou serviço e
são, portanto, capazes de
controlar o preço de mercado. [...]
Porque cada empresa em um
oligopólio conhece sua
participação no mercado total
para o produto ou serviço que
produz, e porque qualquer
mudança no preço ou mudança
na participação de mercado por
uma empresa é refletido nas
vendas dos outros, tende a haver
um alto grau de interdependência
entre empresas; cada empresa
deve fazer seu preço e decisões
de saída em relação às respostas
das outras empresas no
oligopólio, de modo que os
preços do oligopólio, uma vez
estabelecidos, são rígidos. Esse
incentiva a competição sem
preços, por meio de publicidade,
embalagem, e serviço –
geralmente uma forma não
produtiva de alocação de recurso.
Veja também OLIGOPSÔNIO. [...]
[...] [...]
Permite-nos conhecer um pouco
mais sobre o conceito de
oligopólio a leitura do seguinte
fragmento de texto encontrado na
literatura técnica: [...] [...] [...]
[...] No mundo real, cada mercado
é entrelaçado com outras
instituições e uma determinada
cultura social. Por conseguinte,
não existe objetivamente apenas
um tipo de mercado, mas muitos
mercados diferentes, cada um
consoante as suas próprias
regras inerentes, normas
culturais, institucionais e
maquiagem. A diferenciação dos
mercados em função da tipologia
encontrada nos livros texto - da
concorrência perfeita ao
oligopólio até o monopólio - está
longe de contar toda a história.
Instituições, rotinas e cultura têm
de ser trazidos para a pintura. Os
economistas experimentais
descobriram uma verdade
equivalente nas configurações de
laboratório e aprenderam que os
resultados experimentais
dependem freqüentemente de
pressupostos tácitos e
configurações culturais dos
participantes. Diferentes tipos de
instituição de mercado envolvem
diferentes rotinas de
procedimentos, preços e assim
por diante. A noção de um único
tipo de mercado universal perdeu
credibilidade (McMillan, 2002).
(53) [...] [...] [...]
Neste sentido, um exemplo de
oferta não-concorrencial onde um
poder oligopolista é exercido é o
mercado de petróleo. Permite-nos
compreender tal afirmativa a
leitura do seguinte fragmento de
texto encontrado na literatura
técnica: [...] [...] [...]
Em um mercado de
“commodities” nãoconcorrenciais,
onde um poder
oligopolista é exercido, como o do
petróleo com a OPEP, o
fundamento existe, mas não é o
custo de produção. É o preço que
maximiza a receita de longo
prazo do oligopólio. (34)
[...] [...] [...]
Entretanto, doravante iremos
sustentar que a evolução dos
preços de alguns títulos bursateis
negociados no “moderno
capitalismo bursátil”,
adicionalmente ao fato de
obedecerem a uma oferta nãoconcorrencial
obedece a um
poder oligopolista. [...] [...] [...]
Prosseguindo em nossa
abordagem, uma importante
recuperação secundária teve por
seu momento inicial o mês de
Fevereiro / 2016, tanto para os
títulos de Petrobras quanto para
os títulos de Vale. Coincidência,
ou não, tal recuperação sugerenos
que o “moderno capitalismo
bursátil brasileiro”, mormente a
evolução dos preços dos títulos
de Petrobras e Vale se equipara a
um oligopólio, como a seguir
iremos sustentar.
4. Adicionalmente, vai-nos
permitir aprofundar um pouco
mais na compreensão da
inteligência contida no item “2”, o
seguinte fragmento de texto
igualmente de autoria do
economista francês, André
Orléan:
[...] Quant à la fonction de
financement, rappelons qu’aux
États-Unis, durant cette même
période (1995-2000), l’émission
nette d’actions est restée
négative, principalement en
raison des importants
programmes de rachats de titres,
alors même que le marché
financier exerçait une influence
dominante sur les firmes et sur
tout le développement
économique ! A tout le moins, ce
fait prouve que la puissance du
marché des actions a d’autres
sources que le seul financement
de (28) l’accumulation.
Traduzindo:
[...] Quanto à função de
financiamento, deve-se lembrar
que, nos Estados Unidos, durante
o mesmo período (1995- 2000), a
emissão líquida de ações
permaneceu negativa,
principalmente devido aos
grandes programas de recompra
de ações. Mesmo assim, o
mercado financeiro exerceu uma
influência dominante nas
empresas e em todo o
desenvolvimento econômico! No
mínimo, esse fato prova que o
poder do mercado de ações tem
outras fontes além do
financiamento da acumulação.
(28)
O fragmento de texto,
mencionado no presente item, é
de autoria do economista francês,
André Orléan. Concordamos
integralmente com a inteligência
contida nestes dois fragmentos
de texto, mormente com
importante afirmação feita por
André Orléan no primeiro destes
fragmentos, qual seja: “[...] a
plausibilidade das ações terem
um valor intrínseco está longe de
ser óbvia.”
Entretanto, podemos ler no
segundo fragmento de texto
acima, que André Orléan sustenta
que existem outras fontes do
poder do mercado de ações, além
do financiamento da acumulação.
Tentar descobrir quais são estas
outras fontes do poder do
mercado de ações, além do
financiamento da acumulação,
deve ser o próximo passo do
presente trabalho.
5. Que la Bourse comme
institution de financement, par là
différenciée de la Bourse comme
institution de spéculation, soit
devenue inutile, ce sont les
entreprises qui pourraient en
parler le mieux. Le problème ne
se pose simplement pas pour les
petites et moyennes... qui ne sont
pas cotées, mais dont on
rappellera tout de même qu’elles
font l’écrasante majorité de la
production et de l’emploi — on
répète pour bien marquer le coup
: l’écrasante majorité de la
production et de l’emploi se passe
parfaitement de la Bourse. Plus
étonnamment, les grandes
entreprises y ont fort peu recours
également — sauf quand leur
prend l’envie de s’amuser au jeu
des fusions et des offres
publiques d’achat (OPA). Car
lorsqu’il s’agit de trouver du
financement, le paradoxe veut
que les fleurons du CAC 40 et du
Dow Jones aillent le plus souvent
voir ailleurs : dans les marchés
obligataires, ou bien, par une
inavouable persistance dans
l’archaïsme... à la banque ! Une
succulente ironie veut qu’il y ait là
moins l’effet d’une réticence
philosophique qu’un effet de plus
de la contrainte actionnariale ellemême,
qui voit dans toute
nouvelle émission l’inconvénient
de la dilution, donc de la baisse
du bénéfice par action. En
somme, le triomphe du pouvoir
actionnarial consiste à dissuader
les entreprises qui le pourraient le
plus de se financer à la Bourse !
Traduzindo:
[...] O fato de a Bolsa como
instituição financeira, tão distinta
da bolsa como instituição
especulativa, se ter tornado inútil,
é algo que as empresas poderiam
dizer melhor. O problema
simplesmente não se coloca às
pequenas e médias empresas...
que não são cotadas, mas que,
convém recordar, são
responsáveis pela esmagadora
maioria da produção e do
emprego - repetimos para chamar
a atenção para o seguinte: a
esmagadora maioria da produção
e do emprego está perfeitamente
a salvo do mercado bolsista. Mais
surpreendentemente, as grandes
empresas também fazem muito
pouco uso dele - exceto quando
lhes apetece jogar o jogo das
fusões e ofertas públicas de
aquisição. Porque quando se
trata de encontrar financiamento,
o paradoxo é que as bandeiras do
CAC 40 e do Dow Jones
procuram mais freqüentemente
noutro lugar: nos mercados
obrigacionistas, ou, por uma
persistência inabalável no
arcaísmo... no banco! Uma ironia
suculenta é que isto é menos o
efeito de uma reticência filosófica
do que um efeito adicional do
próprio constrangimento do
acionista, que vê em qualquer
nova questão a desvantagem da
diluição, e portanto de uma queda
nos ganhos por ação. Em suma,
o triunfo do poder acionista
consiste em dissuadir as
empresas que mais poderiam
beneficiar de financiamento na
bolsa de valores!
Prosseguindo em nossa
abordagem, no item “6”
apresentamos os conceitos de
“mais-valia” e da “dinâmica que
leva o preço de mercado a viver
sua própria vida e a evoluir
independentemente do seu valor”.
Em seguida, no item “6”,
sustentamos que a obtenção de
uma “mais-valia” é a
conseqüência da “dinâmica que
leva o preço de mercado a viver
sua própria vida e a evoluir
independentemente de seu valor”.
6. Neste sentido, iremos
apresentar a seguir dois
fragmentos de texto encontrados
na literatura técnica. Em primeiro
lugar, iremos apresentar um
fragmento de texto encontrado na
literatura técnica sobre o que vem
a ser a “mais-valia”. Em segundo
lugar, iremos mostrar o
surgimento no “moderno
capitalismo bursátil” de uma
“dinâmica que leva o preço de
mercado a viver sua própria vida
e a evoluir independentemente do
seu valor”: [...] [...] [...]
[....] Le prix de l’action varie et
on pourrait considérer que le
bénéfice de l’actionnaire (ou sa
perte) dépend essentiellement de
sa plus–value, c’est–à–dire de la
différence entre le prix de l’action
au jour où il la vend et au jour où
il l’avait préalablement acquise,
auquel il faudrait ajouter, de
manière accessoire, la valeur des
dividendes perçus au fil des
années. (52) [...] [...] [...]
Traduzindo: [...] [...] [...]
[...] O preço da ação varia e
pode-se considerar que o lucro
(ou prejuízo) do acionista
depende essencialmente de sua
mais-valia, ou seja, da diferença
entre o preço da ação no dia da
venda e no dia da aquisição
anterior, ao qual deve ser
somado, ainda, o valor dos
dividendos recebidos ao longo
dos anos. (52) [...] [...] [...]
[...] Une dynamique s’installe
ainsi qui conduit le prix à « vivre
sa propre vie », à évoluer de
manière indépendante de sa «
valeur » en fonction de sa
tendance lue par les différents
acteurs dans son évolution
historique récente. L’inclination
des intervenants à suivre la
tendance qu’indique la tendance
explique les phénomènes dits de
« bulle financière » où le prix
décolle, parfois pour des années,
de la « valeur » définie comme
valeur actuelle des dividendes
futurs, manifestant la persistance
d’un excès d’acheteurs par
rapport au nombre des vendeurs.
Inversement, lorsque la tendance
s’amorce à la baisse, le même
effet de renforcement peut (52)
conduire au krach. [...] [...] [...]
Traduzindo: [...] [...] [...]
[...] Assim, se estabelece uma
dinâmica que leva o preço a
"viver sua própria vida", a evoluir
independentemente de seu
"valor" de acordo com a
tendência lida pelos diferentes
atores em sua recente evolução
histórica. A inclinação dos
participantes em seguir a
tendência que a tendência indica
explica o chamado fenômeno da
"bolha financeira" onde o preço
se descola, às vezes durante
anos, do "valor" definido como o
valor presente dos dividendos
futuros, mostrando a persistência
de um excesso de compradores
em relação ao número de
vendedores. Inversamente,
quando a tendência começa
baixar, o mesmo efeito de reforço
pode levar a um colapso. (52) [...]
[...] [...]
Por meio da leitura e
interpretação dos dois fragmentos
de texto acima não nos parece
equivocado sustentarmos que a
obtenção de uma “mais-valia” se
equipara a uma transgressão da
economia produtiva. Ademais, tal
“mais-valia” é obtida por somente
alguns poucos participantes do
mercado, como adiante veremos.
Quer nos parecer que a obtenção
de tal “mais-valia” é apenas uma
conseqüência da “dinâmica que
leva o preço de mercado a viver
sua própria vida e a evoluir
independentemente de seu valor”.
[...] [...] [...]
Neste sentido, encontramos no Anexo
“3” os seguintes fragmentos de texto:
[...] [...] [...] Ademais, doravante
iremos sustentar que uma “maisvalia”
passou a ser obtida de
forma sistemática e recorrente
por determinados participantes do
mercado por meio de uma
“dinâmica que leva o preço a
viver sua própria vida, a evoluir
independentemente de seu valor”.
Entretanto, tal obtenção de uma
“mais-valia” de forma sistemática
e recorrente viabiliza uma
transferência de riquezas
igualmente de forma sistemática
e recorrente para alguns poucos
participantes do mercado, como
temos sustentado ao longo do
presente trabalho. [...] [...] [...]
Entretanto, antes dissemos que a
“mais-valia” é uma dessas outras
fontes do poder do mercado de
ações. Doravante, iremos
sustentar que a “mais-valia” é não
apenas uma destas “outras fontes
de poder do mercado de ações”,
mas indiscutivelmente é a mais
importante destas fontes. [...] [...]
[...]
Prosseguindo em nossa
abordagem, no item “7”,
sustentamos que a “dinâmica que
leva o preço de mercado a viver
sua própria vida e a evoluir
independentemente de seu valor”
é a conseqüência “[...] do
compromisso implícito por parte
da comunidade financeira como
um todo de manter a totalidade
dos títulos no longo prazo.” Em
outros termos, tal “[...] dinâmica” é
a conseqüência do “paradoxo da
liquidez”.
7. Por seu turno, a “dinâmica que
leva o preço de mercado a viver
sua própria vida e a evoluir
independentemente de seu valor”,
acima mencionada, parece-nos
ser a conseqüência da
inteligência contida no seguinte
fragmento de texto encontrado na
literatura técnica:
[...] The market, considered as a
whole, cannot dispose of a
security. [...] This is what I have
called “the liquidity paradox”,
namely, that the individual liberty
to sell a security whenever one
pleases exists only by virtue of an
implicit commitment on the part of
the financial community as a
whole to hold on to the totality of
securities over the long term. Yet
this mutual dependence, which
clearly sets financial markets
apart from ordinary markets, is
concealed from view by the
effects of competition. Ordinary
markets bring together two groups
with clearly divergent interests:
producers and consumers. Prices
are formed as a result of the
tension between these two
opposed forces, the one pushing
prices upward, the other
downward. This is the basis for
the law of supply and demand,
which prevents either party from
gaining too great an advantage
over the other. In financial
markets, by contrast, nothing of
the sort occurs. There is no group
of buyers that negotiates with a
group of sellers; instead there is a
group of individuals, each of
whom acts as a buyer and a
seller. Structurally, then, above
and beyond whatever local
reasons there may be for buying
or selling, their interests
converge. (18)
Traduzindo:
[...] O mercado, considerado
como um todo, não pode dispor
de um título. [...] Isso é o que
chamei de “paradoxo da liquidez”,
ou seja, a liberdade individual de
vender um título sempre que
quiser existe apenas em virtude
de um compromisso implícito por
parte da comunidade financeira
como um todo de manter a
totalidade dos títulos no longo
prazo. No entanto, esta
dependência mútua, que
distingue claramente os
mercados financeiros dos
mercados normais, é ocultada de
vista pelos efeitos da
concorrência. Os mercados
normais reúnem dois grupos com
interesses claramente
divergentes: produtores e
consumidores. Os preços são
formados como resultado da
tensão entre essas duas forças
opostas, uma empurrando os
preços para cima e a outra para
baixo. Esta é a base para a lei da
oferta e da demanda, que impede
que uma das partes obtenha uma
vantagem muito grande sobre a
outra. Nos mercados financeiros,
ao contrário, nada disso ocorre.
Não há um grupo de
compradores que negocia com
um grupo de vendedores; em vez
disso, há um grupo de indivíduos,
cada um dos quais age como um
comprador e vendedor.
Estruturalmente, então, acima e
além de quaisquer razões locais
que possam existir para comprar
ou vender, seus interesses
convergem. (18)
Prosseguindo em nossa
abordagem, no item “8”,
sustentamos que a “dinâmica que
leva o preço de mercado a viver
sua própria vida e a evoluir
independentemente de seu valor”
é a conseqüência “[...] do
compromisso implícito por parte
da comunidade financeira como
um todo de manter a totalidade
dos títulos no longo prazo.” Em
outros termos, tal “[...] dinâmica” é
a conseqüência do “paradoxo da
liquidez”.
No item “8”, sustentamos que o
“[...] compromisso implícito por
parte da comunidade financeira
como um todo de manter a
totalidade dos títulos no longo
prazo” significa que àqueles que
mantêm a “[...] totalidade dos
títulos no longo prazo” podem
estar carregando um pesado
fardo. Neste sentido, doravante
iremos sustentar que o “moderno
capitalismo bursátil” se equipara a
uma “pirâmide financeira”.
8. Prosseguindo em nossa
abordagem parece-nos oportuno
a leitura do seguinte fragmento de
texto de autoria do economista
francês, André Orléan: [...] [...] [...]
[...] An individual investor's
expectation, in other words, is
formed on the basis of what he
expects the expectations of his
fellow investors to be. An
essentially mimetic sort of
rationality is at work here, for it
seeks to mimic the market in
order to anticipate its course,
however erratic this may be. If
the investor believes that
market prices will rise
tomorrow, self-interest instructs
him to buy shares, even if he
also believes that this
prospect, FROM THE POINT
OF VIEW OF
FUNDAMENTALS, MAKES
NO SENSE. (maiúsculo nosso)
[...] [...] [...]
Traduzindo: [...] [...] [...]
[...] Em outras palavras, a
expectativa de um investidor
individual é formada com base
no que ele espera que sejam
as expectativas de seus
colegas investidores. Um tipo
essencialmente mimético de
racionalidade está em ação
aqui, pois busca imitar o
mercado para antecipar seu
curso, por mais errático que
seja. Se o investidor acredita
que os preços de mercado vão
subir amanhã, o interesse
próprio o instrui a comprar
ações, mesmo que ele
também acredite que essa
perspectiva, DO PONTO DE
VISTA DOS FUNDAMENTOS,
NÃO FAZ SENTIDO.
(maiúsculo nosso)
Entretanto, parece-nos que por
ocasião da redação do fragmento
de texto, por André Orléan, o
economista francês se esqueceu
de algo que ele próprio disse: [...]
[...] [...]
“[...] o fato de um indivíduo ter a
liberdade para vender um título
sempre que desejar existe
apenas em virtude de um
compromisso implícito por parte
da comunidade financeira como
um todo de manter a totalidade
dos títulos no longo prazo.” (18)
[...] [...] [...]
Deste modo, “[...] o compromisso
implícito [...]”, encontrado no
fragmento de texto acima,
nitidamente contrasta com a
expressão “[...] Um tipo
essencialmente mimético de
racionalidade está em ação aqui
[...]”. No entanto, tal contraste
permite-nos sustentar que a
evolução dos preços no “moderno
capitalismo bursátil” pode ser
diferente de um simples
“comportamento mimético”.
Assim, devido ao “[...]
compromisso implícito por parte
da comunidade financeira como
um todo de manter a totalidade
dos títulos no longo prazo”
significa que àqueles que mantêm
a “[...] totalidade dos títulos no
longo prazo” podem estar
carregando um pesado fardo.
Neste sentido, doravante iremos
sustentar que o “moderno
capitalismo bursátil” se equipara a
uma “pirâmide financeira”. E, nas
“pirâmides financeiras” os últimos
a vender são os que mais
perdem. Neste sentido, antes
vimos que tais títulos são
adquiridos devido a
INTERESSES que
CONVERGEM. Igualmente,
doravante iremos sustentar que
tais títulos são mantidos em
carteira de forma quase que
permanente devido à
convergência de INTERESSES.
Consequentemente, àqueles
participantes do mercado que
“mantêm em carteira” de forma
quase que permanente títulos que
têm por “valor intrínseco” valores
bem inferiores aos do respectivo
“preço de mercado”, estão
transferindo riquezas para
“determinado capital financeiro”,
como doravante veremos.
Adicionalmente, doravante iremos
sustentar que prevalece em
certos mercados bursáteis, além
de uma oferta “nãoconcorrencial”,
certo poder
oligopolístico. Entretanto, uma
oferta “não-concorrencial”,
mormente quando associada a
um poder oligopolístico, contraria
totalmente a “hipótese dos
mercados eficientes”, como
doravante veremos. [...] [...] [...]
Assim, no mesmo sentido “[...]
DO PONTO DE VISTA DOS
FUNDAMENTOS, NÃO FAZ
SENTIDO [...]” encontramos na
literatura técnica o seguinte
fragmento de texto:
“[...] Como “pirâmides da
felicidade”, as bolhas
especulativas apóiam-se numa
hipótese impossível: a de que
novos investidores sempre
entrarão na ciranda, para
sustentar os ganhos dos que
chegaram antes.
Provavelmente, ninguém
melhor do que Hyman Minsky
evidenciou os encadeamentos
da economia de mercado,
resumidos por ele na
eloqüente expressão “cegueira
ao desastre”. Minsky dedicou
particular atenção aos
distúrbios provocados por
Charles Ponzi, especulador
dos anos 20, que iludiu
pessoas ingênuas, seduzidas
por promessas de rendimentos
extraordinários. Na falta de
qualquer ativo real capaz de
cobrir os rendimentos
anunciados, Ponzi oferecia a
seus primeiros clientes o
capital aportado pelos que
vinham depois. A
sustentabilidade do conjunto
supunha, portanto, a
manutenção infinita do fluxo de
novos clientes. Próximas à
fraude, todas as bolhas
especulativas baseiam-se num
mecanismo bastante
semelhante. Elas requerem
uma entrada constante de
investimentos, para manter o
mercado em alta e a ilusão de
que, assim, todo mundo
ganha. O segredo da bolha é a
adesão especulativa.
Investimentos de alta
rentabilidade atraem
aplicadores cada vez mais
comuns — portanto, cada vez
menos esclarecidos, porém
mais numerosos. (14)”
[...] [...] [...] Consequentemente,
estamos aqui sustentando que o
“moderno capitalismo bursátil” se
equipara a uma “pirâmide
financeira”. Por seu turno, tal
sustentação permite-nos
contestar a hipótese do
“comportamento mimético”. [...]
[...] [...]
Prosseguindo em nossa
abordagem, encontramos,
respectivamente, nos itens “9” e
“10”, os seguintes fragmentos de
texto que reforçam nossa
sustentação de que o “moderno
capitalismo bursátil” equipara-se
a uma “pirâmide financeira”:
[...] O crescimento do setor
financeiro e dos ganhos que
este proporciona só é possível
na proporção exata do
aumento da mais-valia não
acumulada, e um, como o
outro, admitem limites que
foram atingidos. (22) [...] [...]
[...]
[...] Este cenário é tipicamente
àquele de uma crise nos fundos
de pensões, quando toda uma
geração de aposentados passa
ao mesmo tempo, de uma
situação de investidor, que
compra títulos para aquela de um
aposentado, que vende os títulos
para financiar o seu consumo. Em
síntese, “[...] este cenário [...]
quando toda uma geração de
aposentados passa ao mesmo
tempo, de uma situação de
investidor, que compra títulos
para aquela de um aposentado,
que vende os títulos para
financiar o seu consumo”,
equivale a uma “pirâmide
financeira”. [...] [...] [...]
9. Prosseguindo em nossa
abordagem, reforça nossa
sustentação de que o “moderno
capitalismo bursátil” equipara-se
a uma “pirâmide financeira” o
seguinte fragmento de texto
encontrado na literatura técnica:
[...] [...] [...]
[...] La croissance de la sphère
financière et des revenus qu’elle
procure n’est possible qu’en
proportion exacte de
l’augmentation de la plus-value
non accumulée, et l’une comme
l’autre admettent des limites, qui
ont été atteintes.(22) [...] [...] [...]
Traduzindo:
[...] [...] [...]
[...] O crescimento do setor
financeiro e dos ganhos que este
proporciona só é possível na
proporção exata do aumento da
mais-valia não acumulada, e um,
como o outro, admitem limites
que foram atingidos. (22) [...] [...]
[...]
Assim, a expressão “[...] admitem
limites que foram atingidos”
reforça nossa sustentação de que
o “moderno capitalismo bursátil”
se assemelha a uma “pirâmide
financeira”. Neste sentido,
igualmente as “pirâmides
financeiras” têm um tempo de
vida limitado. E, tal limitação
temporal põe em evidencia mais
um nítido contraste com a
inteligência contida em certo
fragmento de texto de autoria do
economista francês, André
Orléan, antes mencionado: [...]
[...] [...]
“[...] Um tipo
essencialmente mimético
de racionalidade está em
ação aqui, pois busca imitar
o mercado para antecipar
seu curso, por mais errático
que seja. Se o investidor
acredita que os preços de
mercado vão subir amanhã,
o interesse próprio o instrui
a comprar ações, mesmo
que ele também acredite
que essa perspectiva, do
ponto de vista dos
fundamentos, não faz
sentido.”
10. Igualmente, permite-nos
ilustrar nossa contestação a
hipótese do “comportamento
mimético” o seguinte fragmento
de texto encontrado na literatura
técnica:
[...] Tout dépend au fond de ce
que l’on fait des revenus des
actifs financiers. Tant que ceux-ci
sont intégralement réinvestis, lês
patrimoines croissent en-dehors
de tout lien matériel avec la
sphère réelle et l’écart peut
potentiellement devenir infini.
Mais si une partie des droits de
tirage qui correspondent aux
revenus financiers cherchent à se
porter dans la sphère réelle,
autrement dit à s’échanger contre
des biens et services, ce transfert
doit se plier à la loi de la valeur ou
plus prosaïquement à celle de
l’offre et de la demande. [...] Ce
scénario est typiquement celui
d’une crise des fonds de pension,
quand toute une génération de
retraités passe en même temps
de la situation d’épargnant qui
achète des titres à celle de
retraité. qui vend les titres pour
financer sa consommation. (22)
[...] [...] [...]
Traduzindo:
[...] Tudo, no fundo, depende do
que fazemos com os ganhos dos
ativos financeiros. Enquanto eles
forem totalmente reinvestidos, os
ativos crescem sem qualquer
conexão física com a economia
real e a diferença pode tornar-se
potencialmente infinita. Mas se
uma parte destes direitos de
retiradas correspondentes aos
ganhos financeiros procurar se
transferir para a esfera real – ou
seja, procurar se trocar por bens
e serviços –, tal transferência
deve obedecer à lei do valor ou,
mais prosaicamente, àquela lei da
oferta e da procura. [...] Este
cenário é tipicamente aquele de
uma crise nos fundos de
pensões, quando toda uma
geração de aposentados passa
ao mesmo tempo, de uma
situação de investidor, que
compra títulos para aquela de um
aposentado, que vende os títulos
para financiar o seu consumo. [...]
[...] [...]
Em síntese, “[...] este cenário [...]
quando toda uma geração de
aposentados passa ao mesmo
tempo, de uma situação de
investidor, que compra títulos
para aquela de um aposentado,
que vende os títulos para
financiar o seu consumo”, pode
ser equiparado a uma “pirâmide
financeira”. [...] [...] [...]
No item “11”, ilustramos que o
“moderno capitalismo bursátil” se
equipara a uma “pirâmide
financeira”. Entretanto, ainda
neste item procuramos uma
maneira de quantificar que o
“moderno capitalismo bursátil” se
equipara a uma “pirâmide
financeira” (“cerne do problema”).
11. Adicionalmente, vai-nos
permitir ilustrar que o “moderno
capitalismo bursátil” se equipara a
uma “pirâmide financeira” a leitura
do seguinte fragmento de texto
encontrado na literatura técnica:
[...] But, financial assets represent
the right to a share of the surplus
value that is produced. As long as
this right is not exercised, it
remains virtual. But as soon as
anyone exercises it, they discover
that it is subject to the law of
value, which means one cannot
distribute more real wealth than is
produced. THE DISCREPANCY
BETWEEN THE EXUBERANT
INFLATION OF THE FINANCIAL
SPHERE AND THE MORE
MODERATE GROWTH OF THE
REAL ECONOMY IS THE CRUX
OF THE PROBLEM. (44)
(maiúsculo nosso) [...] [...] [...]
Traduzindo: [...] [...] [...]
[...] Mas, os ativos financeiros
representam uma parcela da
mais-valia que é produzida.
Enquanto esse direito não for
exercido, ele permanecerá virtual.
Mas logo que alguém o exerce,
ele descobre que esse está
sujeito à lei do valor, o que
significa que não se pode
distribuir mais riqueza real do que
a produzida. A DISCREPÂNCIA
ENTRE A INFLAÇÃO
EXUBERANTE DA ESFERA
FINANCEIRA E O
CRESCIMENTO MAIS
MODERADO DA ECONOMIA
REAL É O CERNE DO
PROBLEMA. (44) (maiúsculo
nosso) [...] [...] [...]
Como conseqüência do “moderno
capitalismo bursátil” se equiparar
a uma “pirâmide financeira”
encontramos no item “12” o
seguinte fragmento de texto:
[...] Quanto à contribuição das
finanças para o crescimento,
sugiro que você compare a taxa
média de crescimento dos
gloriosos anos 30, portanto sem
finanças desregulamentadas e
com um mercado de ações
insignificante (5% ao ano em
média), e aquela do período de
desregulamentação-viva de duas
décadas. O caso é visto
rapidamente. E isso não é de
forma alguma um apelo
retrógrado, mas simplesmente a
idéia - lógica - de que um contraexemplo
é suficiente para arruinar
uma generalidade. Do qual,
portanto, não devemos mais ser
prisioneiros.
12. “[...] O benefício não
está assegurado, depende
do mercado. Assim,
esses sistemas favorecem
igualmente a insegurança
social: sabe-se o que se
paga, mas não o que se
vai receber. Os gestores
dos fundos aludidos
agitam os estudos,
mostrando que, num
longo período, as ações
sempre rendem. Um
destes gestores explica
ao jornal econômico Les
Echos: “A queda da
Bolsa? Este risco não diz
respeito ao poupador,
pois ele tem a seu favor a
duração. A natureza das
Bolsas faz bem as
coisas!”. O problema é
que a natureza humana
não faz as coisas tão
bem. Tudo depende do
início da aposentadoria.
Se ele se situa em um
momento de alta da
Bolsa, o cálculo da renda
ou do capital investido
será feito no Zênite. Em
período de derrocada, ele
será o mais baixo
possível. O economista
norte-americano
Christian E. Weller
calculou que tendo
investido a mesma
quantia durante 40 anos,
um aposentado a partir
de 1966 teria dobrado
seu investimento. Dez
anos mais tarde, um
aposentado iniciando nas
mesmas condições não
ganharia mais que 40%
do que tivesse investido.
E a situação das bolsas
piorou muito de 1976
para cá.” (36)
No item “13” encontramos o
seguinte fragmento de texto:
[...] O público também detém
ativos financeiros indiretamente,
em grande parte por meio dos
fundos de pensão. Mas, aqui tem
ocorrido um efeito paradoxal:
devido à maneira por meio do
qual os fundos de pensão são
avaliados, o “QE” geralmente tem
aumentado mais as obrigações
dos fundos de pensão do que dos
seus ativos. (49)
É do conhecimento comum que
realiza prejuízo certo investidor
que comprou determinada ação e
numa posterior baixa de tal título
venda o referido título por preço
em moeda constante inferior ao
da compra anterior. Por outro
lado, realiza lucro certo investidor
que esteja igualmente comprado
em determinado título e numa
eventual e posterior alta de tal
título venda o referido título por
preço superior em moeda
constante ao de uma compra
anterior. Entretanto, parece-nos
incompreensível que venha a ter
prejuízo determinado investidor
que na eventualidade de
determinado título alcançar preço
superior em moeda constante ao
de uma anterior aquisição do
mesmo título venha a vendê-lo.
Não obstante, parece-nos que é
isto o que ocorre nos fundos de
pensão do Reino Unido. Neste
sentido, podemos ler no texto
antes mencionado que como
conseqüência da alta das ações
ocorre nos fundos de pensão do
Reino Unido certo paradoxo.
Assim, devido ao modo como os
fundos de pensão são avaliados o
“QE” geralmente tem aumentado
mais as obrigações destas
instituições sociais.
Em apertada síntese, a
observação acima nos permite
chegar a mais uma conclusão: no
“hodierno capitalismo bursátil”
sempre existe um beneficiário e
um perdedor. O beneficiário é
usualmente “determinado capital
financeiro”; o perdedor é
geralmente o “trabalhador”.
Chegamos à conclusão de que o
beneficiário do “hodierno
capitalismo bursátil” é
“determinado capital financeiro”,
pois como antes vimos o estímulo
proporcionado pelo “QE” só foi
possível devido à ajuda dos
bancos centrais.
13. Como conseqüência do
“moderno capitalismo bursátil” se
equiparar a uma “pirâmide
financeira” encontramos na
literatura técnica o seguinte
fragmento de texto:
[...] Pour ce qui est de la
contribution de la finance à la
croissance, je vous suggère de
comparer le taux de croissance
moyen des trente glorieuses,
donc sans finance dérégulée et
avec une Bourse croupion (5%
l’an en moyenne), et celui de la
période de hourrah-dérégulation
depuis deux décennies. L’affaire
est vite vue. Et ceci n’est
nullement un plaidoyer passéiste
mais simplement l’idée — logique
— qu’un contre-exemple suffit à
ruiner une généralité. Dont nous
ne devrions donc plus être
prisonniers. (55)
Traduzindo:
[...] Quanto à contribuição das
finanças para o crescimento,
sugiro que você compare a taxa
média de crescimento dos
gloriosos anos 30, portanto sem
finanças desregulamentadas e
com um mercado de ações
insignificante (5% ao ano em
média), e àquela do período de
desregulamentação-hurra de
duas décadas. O caso é visto
rapidamente. E isso não é de
forma alguma um apelo
retrógrado, mas simplesmente a
idéia - lógica - de que um contraexemplo
é suficiente para arruinar
uma generalidade. Do qual,
portanto, não devemos mais ser
prisioneiros.
14. A literatura técnica sustenta
que os extravagantes preços
alcançados pelos títulos bursáteis
são conseqüência da formação
de “bolhas especulativas”.
Entretanto, as “bolhas
especulativas” igualmente podem
surgir como conseqüência do
“QE” *, como veremos, por meio
da leitura do seguinte fragmento
de texto do economista britânico,
John Kay:
[...] Now there is far more liquidity
in the system, most of it
supporting the short-term trading
of financial institutions. Or at least
there is the appearance of
liquidity: when confidence dried
up towards the end of 2008, so
did liquidity. The primary intention
and effect of central bank
interventions since 2008 has been
to restore such liquidity. [...] In the
modern financial economy, the
main effect of “QE” is to boost
asset prices, as market gyrations
of recent weeks have clearly
illustrated. But is the pursuit of
higher asset prices an effective or
desirable means of promoting
economic growth? The
distributional impact of the policy
demands attention; the one
certain consequence of boosting
asset prices is that those with
assets benefit relative to those
without. [...] The public also holds
financial assets indirectly, largely
through pension funds. But here
there has been a paradoxical
effect: because the way pension
funds are valued, “QE” has
generally increased pension
funds' liabilities more than their
assets. (49)
* Quantitative Expansion
Traduzindo:
[...] Agora há muito mais liquidez
no sistema, a maior parte dela
suportando as negociações de
curto prazo das instituições
financeiras. Ou pelo menos há a
aparência de liquidez: quando a
confiança secou no final de 2008,
o mesmo aconteceu com a
liquidez. A principal intenção e
efeito das intervenções do banco
central desde 2008 tem sido
restaurar essa liquidez. [...] Na
economia financeira moderna, o
principal efeito do “QE” é
impulsionar os preços dos ativos,
como as oscilações de mercado
das últimas semanas têm
claramente ilustrado. Mas é a
busca por preços mais elevados
para os ativos um meio eficaz ou
desejável de se promover o
crescimento econômico? O
impacto distributivo desta política
exige atenção; a conseqüência
certa de impulsionar os preços
dos ativos é que aqueles com
ativos se beneficiam mais em
relação àqueles sem. [...] O
público também detém ativos
financeiros indiretamente, em
grande parte por meio dos fundos
de pensão. Mas, aqui tem
ocorrido um efeito paradoxal:
devido à maneira por meio do
qual os fundos de pensão são
avaliados, o “QE” geralmente tem
aumentado mais as obrigações
dos fundos de pensão do que dos
seus ativos. (49)
*Expansão Quantitativa
Neste sentido, parece-nos
oportuno realçar algo acima
mencionado: o paradoxo de o
“QE” geralmente aumentar mais
as obrigações dos fundos de
pensão do que dos seus ativos.
O estímulo conhecido por “QE” é
a espécie mais recente do gênero
incremento de “liquidez”.
Entretanto, pretendemos aqui
chamar a atenção do leitor para
respectivamente, uma
observação e um questionamento
do economista britânico, John
Kay. Neste sentido, o economista
britânico observou:
[...] Na economia financeira
moderna, o principal efeito do
“QE” é impulsionar os preços dos
ativos, como as oscilações de
mercado das últimas semanas
têm claramente ilustrado. Mas é a
busca por preços mais elevados
para os ativos um meio eficaz ou
desejável de se promover o
crescimento econômico?
Iremos a seguir discutir a
afirmação e o questionamento
encontrado no antes mencionado
fragmento de texto de autoria do
economista britânico, John Kay.
É do conhecimento comum que
realiza prejuízo certo investidor
que comprou determinada ação e
numa posterior baixa de tal título
venda o referido título por preço
em moeda constante inferior ao
da compra anterior. Por outro
lado, realiza lucro certo investidor
que esteja igualmente comprado
em determinado título e numa
eventual e posterior alta de tal
título venda o referido título por
preço superior em moeda
constante ao de uma compra
anterior. Entretanto, parece-nos
incompreensível que venha a ter
prejuízo determinado investidor
que na eventualidade de
determinado título alcançar preço
superior em moeda constante ao
de uma anterior aquisição do
mesmo título venha a vendê-lo.
Não obstante, parece-nos que é
isto o que ocorre nos fundos de
pensão do Reino Unido. Neste
sentido, podemos ler no texto
antes mencionado que como
conseqüência da alta das ações
ocorre nos fundos de pensão do
Reino Unido certo paradoxo.
Assim, devido ao modo como os
fundos de pensão são avaliados o
“QE” geralmente tem aumentado
mais as obrigações destas
instituições sociais.
Em apertada síntese, a
observação acima nos permite
chegar a mais uma conclusão: no
“hodierno capitalismo bursátil”
sempre existe um beneficiário e
um perdedor. O beneficiário é
usualmente “determinado capital
financeiro”; o perdedor é
geralmente o “trabalhador”.
Chegamos à conclusão de que o
beneficiário do “hodierno
capitalismo bursátil” é
“determinado capital financeiro”,
pois como antes vimos o estímulo
proporcionado pelo “QE” só foi
possível devido à ajuda dos
bancos centrais. No caso dos
EUA a ajuda veio do FED e do
Departamento do Tesouro, como
antes vimos. Entretanto, o FED é
uma empresa privada. Não
obstante, é do conhecimento
comum que toda empresa privada
procura obter os interesses de
seus donos. Logo, o simples fato
de o FED ser uma empresa
privada é um indício de que o
“moderno capitalismo bursátil”
pode ser equiparado a um
favoritismo, mesmo uma
“conspiração”.
Encontramos a explicação para
nossa observação acima no fato
de que embora o estímulo
conhecido por “QE” venha a
conter crises, igualmente viabiliza
que determinado capital
financeiro obtenha uma “maisvalia”
de forma sistemática e
recorrente. Neste sentido, antes
sustentamos que uma das fontes
do poder do mercado de ações,
além do financiamento da
acumulação, é a obtenção de
uma “mais-valia”. Ademais,
doravante vamos sustentar que a
obtenção de uma “mais-valia” é a
principal destas outras fontes. Por
fim, mas não menos importante,
antes sustentamos que a
obtenção de uma “mais-valia” de
forma sistemática e recorrente
por apenas alguns poucos
participantes do mercado é um
indício de que o “moderno
capitalismo bursátil” se equipara a
uma “conspiração”.
Por outro lado, não nos parece
equivocado sustentarmos que
existem indícios de que o
trabalhador é o principal
“perdedor” do hodierno
capitalismo bursátil, pois como
antes vimos devido ao modo
como os fundos de pensão são
avaliados no Reino Unido o “QE”
geralmente tem aumentado mais
as obrigações de tais instituições
sociais. Assim, nos fundos de
pensão do Reino Unido o
aumento a maior das obrigações
com toda certeza é um prejuízo
para os associados de tais
instituições sociais: os
trabalhadores.
Ademais, a obtenção de uma
“mais-valia” por “determinado
capital financeiro” de forma
sistemática e recorrente equivale
a uma transferência de riquezas
dos trabalhadores e pequenos
acionistas para “determinado
capital financeiro”, como adiante
veremos. Entretanto, tal
“transferência de riquezas” é um
sinal enviado pelo próprio
mercado que vai-nos permitir
reforçar duas conclusões: (1) o
“moderno capitalismo bursátil”
pode ser equiparado a uma
“conspiração”; (2) e que o mesmo
tende a deixar de existir.
Chegamos a estas duas
conclusões com fundamentos no
simples fato de que como o
“moderno capitalismo bursátil” se
resume ao ganho de uns poucos
em detrimento da perda de dois
grupos específicos, conforme
demonstramos. Assim, podemos
dizer que o “moderno capitalismo
bursátil” se equipara a uma
“conspiração”. Entretanto, é do
conhecimento comum que toda
“conspiração” depois de
descoberta tende a deixar de
existir. Logo, o “moderno
capitalismo bursátil” tende a
deixar de existir.
Permite-nos reforçar a
sustentação acima, o contraste
entre a inteligência contida nos
seguintes fragmentos de texto:
[...] Próximas à fraude, todas as
bolhas especulativas baseiam-se
num mecanismo bastante
semelhante. Elas requerem uma
entrada constante de
investimentos, para manter o
mercado em alta e a ilusão de
que, assim, todo mundo ganha. O
segredo da bolha é a adesão
especulativa. (14)
[...] Agora há muito mais liquidez
no sistema, a maior parte dela
suportando as negociações de
curto prazo das instituições
financeiras. (49)
Assim, o primeiro fragmento de
texto acima mencionado é parte
do conceito de “pirâmide
financeira”, antes apresentado.
Por outro lado, o segundo
fragmento de texto acima é parte
essencial do texto que faz
referência ao “QE” igualmente
antes apresentado.
Em síntese, “[...] uma entrada
constante de investimentos, para
manter o mercado em alta [...]”,
expressão encontrada no primeiro
fragmento de texto tem a mesma
inteligência de certa expressão
encontrada no segundo
fragmento de texto acima: “agora
há muito mais liquidez no
sistema, a maior parte dela
suportando as negociações de
curto prazo das instituições
financeiras.”
Deste modo, não nos parece
equivocado concluirmos que o
“moderno capitalismo bursátil” se
equipara a uma “pirâmide
financeira”. Por seu turno, somos
levados a relembrar algo que
sustentamos anteriormente: a
principal fonte do poder do
“moderno capitalismo bursátil” é a
obtenção de uma “mais-valia” por
alguns poucos participantes do
mercado bursátil, em detrimento
dos trabalhadores e pequenos
acionistas. Igualmente, chegamos
a tal conclusão de forma
excludente, pois como
sustentamos anteriormente o
“moderno capitalismo bursátil”
não serve tanto para avaliar os
títulos bursáteis quanto para
financiar a acumulação.
Parece-nos oportuno sustentar
que certa prática com efeito
semelhante a do “QE” tem
ocorrido nos fundos de pensão
brasileiros: a manutenção em
carteira de forma quase que
permanente de determinados
títulos que são apenas a matéria
prima para transações, conforme
a seguir iremos sustentar.
15. Prosseguindo em nossa
abordagem, a seguir vamos
apresentar três indícios de que o
“moderno capitalismo bursátil
brasileiro” se equipara a um
oligopólio: [...] [...] [...]
Em primeiro lugar, sugere-nos que o
“moderno capitalismo bursátil
brasileiro” se equipara a um oligopólio
certa constatação a que chegamos
anteriormente no presente anexo: o
fato dos títulos de Petrobras e Vale
terem tido valorizações
desproporcionais, que ultrapassaram
em mais de 12 (doze) vezes a
valorização média dos demais títulos
da composição do índice Ibovespa,
num período de pelo menos 16
(dezesseis) anos. Assim,
pretendemos demonstrar que tais
valorizações desproporcionais
beneficiam os detentores das ações
por meio de um misto do uso de
derivativos e informações
privilegiadas. [...] [...] [...]
Em segundo lugar, sugere-nos que o
“moderno capitalismo bursátil
brasileiro” se equipara a um oligopólio
o surgimento de longos períodos de
alta e baixa, os quais podem ser
visualizados nos gráficos de certos
títulos bursateis listados na Bolsa de
Valores brasileira. O surgimento de
longos períodos de baixa e alta
sugere-nos que uma manipulação de
longo prazo esteve por trás da
evolução dos preços dos
mencionados títulos bursateis. Neste
sentido, antes registramos no
presente anexo que os títulos de
Petrobras e Vale tiveram valorizações
desproporcionais, pois ultrapassaram
em mais de 12 (doze) vezes a
valorização média dos demais títulos
da composição do índice Ibovespa,
num período de pelo menos 16
(dezesseis) anos. Do mesmo modo,
igualmente longos períodos de baixa
podem ser observados nos gráficos
de tais títulos. Neste sentido, a
simples visualização dos gráficos “9” e
“10”, permite-nos comprovar tal
afirmação. Neste sentido, vimos no
Gráfico “10” que o preço de mercado
dos títulos de Vale encolheu 92% em
dólares norte-americanos no período
compreendido entre Jan / 2011 a Fev /
2016. [...] [...] [...]
Similarmente, podemos ver no Gráfico
“9” que o preço de mercado dos títulos
de Petrobras encolheu
aproximadamente 90% em dólares
norte-americanos no período
compreendido entre Jan / 2010 a Fev /
2016. [...] [...] [...]
Em terceiro lugar, permite-nos
sustentar que o moderno capitalismo
bursátil brasileiro se equipara a um
oligopólio a leitura e interpretação das
seguintes notícias encontradas na
Internet: [...] [...] [...]
Notícia “1”
https://www.moneytimes.com.br/camacolhe-
pedido-da-petrobras-edissolve-
tribunal-de-acao-de-petros-eprevi/
[...] [...] [...]
Notícia “2”
https://www.cut.org.br/noticias/opreco-
do-golpe-petrobras-paga-r-10-
bilhoes-a-acionistas-norteamericanos-
151f/*[...] [...] [...]
*Contribuição do colega Miro [...] [...]
[...]
Notícia “1”
A Petrobras (PETR4) recebeu nesta
quinta-feira (25/03/2021) decisão
favorável da Câmara de Arbitragem
do Mercado, que acolheu um pedido
de impugnação realizado pela
empresa e dissolveu o tribunal arbitral
que havia proferido sentença parcial
em processo instaurado pelos fundos
de pensão Petros e Previ, informou a
companhia.
A decisão, segundo a Petrobras,
reconhece a nulidade da sentença
parcial na arbitragem, confirmando
decisão proferida pela 5ª Vara
Empresarial do Rio de Janeiro em
novembro do ano passado.
Agora, as partes deverão eleger três
novos árbitros para condução do
procedimento e novo julgamento da
causa, acrescentou a estatal, que não
forneceu mais detalhes do processo
devido à confidencialidade prevista
em regras da CAM.
“A Petrobras reitera que continuará a
se defender vigorosamente, em
respeito a seus acionistas, em todas
as arbitragens de que é parte”,
afirmou a empresa.
Segundo reportagens na imprensa,
publicadas pelo Valor Econômico,
Petros e Previ teriam pedido no
procedimento ressarcimentos à
Petrobras em razão de prejuízos
relacionados às descobertas da
Operação Lava Jato, que apurou
propinas envolvendo políticos e
empresas estatais e privadas no
Brasil.
Notícia “2”
HOME CUT - CENTRAL ÚNICA DOS
TRABALHADORES NOTÍCIAS
O preço do golpe: Petrobras paga
R$10 bilhões a acionistas norteamericanos
Para coordenador geral da FUP, valor
é para pagar o golpe de 2016, já que
nem a Justiça dos EUA nem a do
Brasil exigiram essa compensação
financeira antes do julgamento final da
ação movida contra a empresa
Publicado: 25 Junho, 2018 - 17h00 |
Última modificação: 25 Junho, 2018 -
17h22
Escrito por: Rosely Rocha, especial
para Portal CUT
TÂNIA RÊGO/AGÊNCIA BRASIL
notice
Em mais um ato de lesa pátria, a
Petrobras divulgou oficialmente, nessa
segunda-feira (25), que fez um acordo
com investidores americanos,
acionistas e detentores de títulos da
estatal, para tentar acabar com uma
ação coletiva contra a empresa.
Apesar do acordo aprovado "de forma
definitiva" pela Corte Federal de
primeira instância em Nova York, a
própria Petrobras reconheceu que a
ação coletiva (Class Action), nos
Estados Unidos, não está encerrada e
que a decisão pode ser objeto de
recurso à Corte de Apelações do
Segundo Circuito.
A “Class Action” foi movida por
investidores da estatal em decorrência
de perdas provocadas pelo suposto
envolvimento da companhia nos
supostos desvios investigados pela
Operação Lava Jato, da Polícia
Federal.
A Federação Única dos Petroleiros
(FUP) questiona o valor da
indenização de R$ 10 bi, já que é sete
vezes maior do que os R$ 1,4 bi, que
a Operação Lava Jato recuperou para
a companhia
Para o coordenador geral da FUP,
Simão Zanardi, a decisão da estatal
mostra a subserviência da Petrobras
frente ao mercado financeiro
internacional.
“É um absurdo a Petrobras pagar os
fundos abutres sem pagar também os
acionistas brasileiros. O correto seria
pagar a todos os acionistas, não
apenas os residentes nos Estados
Unidos. Isto é um crime”, declara.
Segundo o dirigente, embora tenha
anunciado oficialmente o acordo
somente nessa segunda-feira, a
decisão de pagar os acionistas norteamericanos
foi do ex-presidente da
estatal Pedro Parente, que já havia
dito que queria “ficar bem” no
mercado internacional.
“Nada justifica pagar uma ação sem
julgamento final, sem que tenham se
esgotado todos os recursos. A
Petrobras tem várias ações já
transitadas e julgadas na área
trabalhista, tem dívidas de impostos
no Brasil e a empresa não paga, mas
paga para bancos e acionistas dos
Estados Unidos”, denuncia Zanardi.
Para ele, os 10 bilhões de reais pagos
aos norte-americanos deixam claro
que é o pagamento pelo apoio que os
Estados Unidos deram à Operação
Lava Jato e, conseqüentemente, ao
golpe de 2016, que destituiu a
presidenta Dilma Rousseff, eleita
democraticamente com mais de 54
milhões de votos.
- Assim, por meio da leitura e
interpretação da inteligência contida
nas notícias, acima mencionadas,
tomamos conhecimento que distintos
aplicadores financeiros obtiveram
resultados totalmente diferentes em
tribunais do Brasil e dos EUA,
respectivamente. Em outros termos,
não nos parece equivocado dizer:
existem duas castas de aplicadores
financeiros na Bolsa de Valores
brasileira: os de dentro do oligopólio; e
os de fora deste. [...] [...] [...]
16. Selecionamos da literatura
técnica acima os seguintes
fragmentos de texto:
“[...] Portanto, é possível
descrever essa incerteza,
distinguindo as conseqüências de
cada ação com referência a um
estado correspondente do
mundo.”
“[...] dois tipos de probabilidade
são habitualmente distinguidos:
probabilidades objetivas, que são
calculáveis à priori, e
probabilidades subjetivas, que
devem ser calculadas com base
nas crenças individuais.”
“[...] Essa perspectiva analítica
pode ser transposta diretamente
para as decisões de
investimento.”
“[...] Quando um investidor
compra um bem de capital
(normalmente uma parte do
capital, ou ações, de uma
empresa), adquire o fluxo de
receitas que este bem irá produzir
durante toda a sua vida útil.”
Com fundamentos nos fragmentos
de texto acima selecionados,
iremos sustentar que o “valor
intrínseco” da empresa Vale em
Dezembro / 2020 era 0 (zero). [...]
[...] [...]
Como demonstração inicial da
observação acima iremos
sustentar que tanto o “preço de
mercado” quanto o “valor
intrínseco” dos títulos bursáteis
de Vale estiveram próximos de 0
(zero) em passado recente. [...]
[...] [...]
Neste sentido, iremos sustentar
em primeiro lugar que o “preço de
mercado” dos títulos de Vale
esteve próximo de 0 (zero) em
passado recente. Em segundo
lugar, iremos sustentar que o
“valor intrínseco” dos títulos de
Vale esteve próximo de 0 (zero),
igualmente em passado recente.
Podemos facilmente comprovar a
primeira afirmação por meio da
simples visualização do Gráfico
“1”, abaixo disponibilizado: [...] [...]
[...]
Gráfico 1 – ADRs de Vale na
Bolsa Nasdaq (acesso em
15/09/2016) [...] [...] [...]
www.nasdaq.com/symbol/vale/int
er active-chart (opção: Max.) [...]
[...] [...]
Assim, podemos visualizar no
Gráfico “1”, acima apresentado,
que o “preço de mercado” dos
títulos ADRs de Vale encolheu
aproximadamente 92% em
dólares norte-americanos no
período de Janeiro / 2011 à
Fevereiro / 2016. Portanto, não
nos parece equivocado
concluirmos que uma queda
adicional de apenas 8% no preço
de mercado dos títulos de Vale
levaria o preço de mercado de
Vale para 0 (zero)[...] [...] [...]
Por outro lado, vamos sustentar a
segunda afirmação, por meio da
análise de duas notícias
encontradas na Internet. Neste
sentido, vamos a seguir
apresentar as notícias que
denominaremos de “Análise Vale
1” e “Análise Vale 2”. [...] [...] [...]
“Análise Vale 1” [...] [...] [...]
“[...] During the last three years,
Vale has failed to grow revenues
or improve margins. Even worse,
the company has paid out almost
$8B in dividends since 2009,
while it has incurred Free Cash
Flows of less than $1.2B at the
same time. In conjunction with
that, Net Debt has increased from
less than $10B in 2009 to
whoping $24b+ as of the end of
2014. In addition to that, interest
expense has almost doubled from
$594M in 2009 to $1.1B last year.
Capital expenditures totaling
$56B over the past 6 years, which
were largely financed by the debt,
have failed to produce any
meaningful returns. [...] Dividends
are unsustainable and largely
paid by money raised from asset
sales and debt. [...] [...] [...]
Traduzindo: [...] [...] [...]
“[...] Durante os últimos três anos,
a Vale não conseguiu aumentar
as receitas ou melhorar as
margens. Pior ainda, a empresa
pagou quase US $ 8 Bi em
dividendos desde 2009, embora
tenha incorrido em fluxos de caixa
livre de menos de US $ 1,2 Bi, no
mesmo período. Em conjunto
com isso, a dívida líquida
aumentou de menos de US $ 10
Bi em 2009 para impressionantes
números superiores a US $ 24 Bi
no final de 2014. Além disso, a
despesa de juros quase dobrou
de US $ 594 Mi em 2009 para US
$ 1,1Bi no ano de 2014. As
despesas de capital totalizaram
US $ 56 Bi ao longo dos últimos 6
anos, que foram em grande parte
financiadas pela dívida, e
falharam em produzir quaisquer
retornos significativos.
[...] Os dividendos são
insustentáveis e foram
grandemente pagos com dinheiro
levantado da venda de ativos e
aumento de dívida. [...] [...] [...]
A leitura da notícia acima
indica-nos que os dividendos
pagos pela Vale de 2009 a 2014
foram bastante superiores aos
“fluxos de caixa livre” desta
mesma empresa neste mesmo
período de tempo. Neste sentido,
os dividendos pagos pela Vale de
2009 a 2014 foram retirados em
grande parte de recursos
provenientes da venda de ativos
e aumento de dívida, conforme
mencionado na notícia acima.
Assim, US $ 8 Bi - US $ 1,2 Bi= -
US $ 6,8 Bi. Ou seja, o fato da
Vale ter pago US$ 6,8 Bi em
dividendos além dos “fluxos de
caixa livre” sugere-nos que o
“valor intrínseco” desta empresa
neste período de 6 (seis) anos
esteve próximo de 0 (zero).
Assim, tal diferença a menor de
US $ 6,8 Bi sugere-nos, no
mínimo, que a Vale ficou após
2014 com a obrigação “moral” de
“recuperar” tais dividendos pagos
com insuficiente contrapartida de
“fluxos de caixa livre”. [...] [...] [...]
Reasons Why Vale Is A Fail?
(NYSE:VALE) [...] [...] [...]
Seeking Alpha
http://seekingalpha.com/article/29
9 2216-reasons-why-vale-is-afail?
auth_param=14eeqk:1ag3de
q:f580f47d8ee466982567d59998
e749d6&d r=1 [...] [...] [...]
Encontramos a fundamentação
para a nossa observação acima
na leitura e interpretação do
seguinte fragmento de texto
encontrado na literatura técnica:
[...] [...] [...]
[...] Le retournement boursier doit
donc être interprété comme une
forme de rappel à l’ordre de la loi
de la valeur qui se fraie la voie,
sans se soucier des modes
économiques. Que dit cette loi ?
Deux choses assez simples : qu’il
n’y a de valeur que celle créée
par le travail, et qu’on ne peut
distribuer plus de valeur que celle
qui a été créée. Cette loi n’exclut
pas les phases d’envol boursier,
PARCE QU’ELLE INTRODUIT
UNE DISTINCTION
ÉLÉMENTAIRE ENTRE LES
FLUX DE REVENUS ET LES
PLUS-VALUES
CORRESPONDANT À LA
VALORISATION DES
PATRIMOINES. La richesse
virtuelle peut évoluer de manière
parfaitement extravagante tant
qu’elle ne prétend pas être
convertie en pouvoir d’achat et
donner lieu à des revendications
de revenus incompatibles avec la
création de valeur réelle. (45)
(maiúsculo nosso)
[...] [...] [...]
Traduzindo: [...] [...] [...]
[...] A reversão bursátil, portanto,
deve ser interpretada como uma
forma de um lembrete da
existência da lei do valor, que
segue sua trilha
independentemente das
tendências econômicas. O que
diz esta lei? Duas coisas bem
simples: que há um valor que é
apenas aquele criado pelo
trabalho e que não se pode
distribuir mais valor do que
aquele criado. Esta lei não exclui
as fases de alta bursátil,
PORQUE INTRODUZ UMA
DISTINÇÃO BÁSICA ENTRE OS
FLUXOS DE RECEITAS E OS
GANHOS CORRESPONDENTES
À VALORIZAÇÃO DOS
PATRIMÔNIOS. A riqueza virtual
pode evoluir de forma
perfeitamente extravagante,
desde que não reivindique ser
convertida em poder de compra e
dar origem a reivindicações de
renda incompatíveis com a
criação de valor real. (45)
(maiúsculo nosso)
[...] [...] [...]
Assim, o pagamento de US$ 8 bi
em dividendos de 2009-2014 pela
Vale, ao passo que os “fluxos de
caixa livre” deste mesmo período
foram de apenas o equivalente a
US $ 1,2 bi expõe a fragilidade do
valor intrínseco de Vale naquele
período de tempo.
Uma segunda notícia vai
igualmente nos permitir continuar
nossa sustentação de que em
passado recente o “valor
intrínseco” da empresa Vale
esteve próximo de 0 (zero). Neste
sentido, a seguir iremos ler o
fragmento de texto que
denominamos de “Análise Vale
2”, igualmente encontrado na
Internet: [...] [...] [...]
“Análise Vale 2” [...] [...] [...]
« Fugir da Bolsa por juros nos
EUA e corte de rating é não
conhecer o passado do mercado
» [...] [...] [...]
(25/11/2015 - Infomoney) [...] [...]
[...]
Dilema da Vale [...] [...] [...]
Mesmo sem citar a tragédia
envolvendo a Samarco na cidade
de Mariana (MG), o cenário da
Vale é bem complicado por causa
da enorme sensibilidade da
empresa ao preço do minério de
ferro o que ficou mais evidente no
momento atual de forte queda
que a commodity acumula nos
últimos meses. Só para se ter
uma idéia: se o minério de ferro
cair de US$ 50 para US 45 (algo
que vem ocorrendo com
freqüência), a geração de caixa
da Vale zera, ou seja, a empresa
será obrigada a fazer uma
chamada de capital caso esse
cenário se mantenha. [...] [...] [...]
- Pretendemos aqui realçar a
seguinte expressão encontrada
no fragmento de texto acima: [...]
[...] [...]
“[...] Só para se ter uma ideia: se
o minério de ferro cair de US$ 50
para US $ 45 (algo que vem
ocorrendo com freqüência), a
geração de caixa da Vale zera, ou
seja, a empresa será obrigada a
fazer uma chamada de capital
caso esse cenário se mantenha.”
[...] [...] [...]
Entretanto, ao lermos e
interpretarmos o fragmento de
texto acima, mormente a
expressão “a geração de caixa da
Vale zera, ou seja, a empresa
será obrigada a fazer uma
chamada de capital caso esse
cenário se mantenha”,
compreendemos porque a Vale
não deveria ter pago US$ 8 Bi em
dividendos de 2009 a 2014. Neste
sentido, a Vale não deveria ter
pago US $ 8 BI de dividendos de
2009 a 2014, porque os “fluxos de
caixa livre” da Vale neste período
de tempo foram de apenas US $
1,2 BI, o que contraria o
especificado pela literatura
técnica como antes vimos. Em
outros termos, uma empresa que
não pode pagar dividendos em
determinado período de tempo,
aproxima-se de uma empresa
que nada vale, conforme os
dizeres do conceito de “valor
intrínseco”, apresentado no
Anexo “5”. [...] [...] [...]
Consequentemente, não nos
parece equivocado dizermos que
na época da notícia acima
(“Novembro de 2015”) o “valor
intrínseco” da empresa Vale era
algum número nas proximidades
de zero, ou mesmo zero. [...] [...]
[...]
Parece-nos oportuno aqui
observarmos que a conclusão a
que chegamos na “Análise Vale2”
coincide com a mesma conclusão
a que chegamos na “Análise Vale
1”. [...] [...] [...]
Adicionalmente, as duas
conclusões acima nos permitem
uma terceira conclusão: no fundo
do poço dos “preços de mercado”
de Fevereiro / 2016 dos títulos
bursáteis de Vale igualmente o
“valor intrínseco” dos títulos
bursáteis de Vale esteve próximo
de 0 (zero). [...] [...] [...]
Prosseguindo em nossa
abordagem, visualizamos no
Gráfico “1” que o “preço de
mercado” dos títulos ADRs de
Vale encolheu aproximadamente
92% em dólares
norte-americanos no período de
Janeiro / 2011 à Fevereiro / 2016.
Entretanto, após Fevereiro / 2016
iniciou-se uma aparentemente
vigorosa recuperação dos “preços
de mercado” dos títulos de Vale,
exceto em alguns poucos meses
após o acidente ocorrido em
Brumadinho. Assim, os títulos de
Vale3 que eram cotados em
Fevereiro / 2016 por R$ 9 / ação
são cotados atualmente (13/08
/2021) em R$ 108 / ação, como
podemos constatar por meio da
simples visualização do Gráfico
“2”, abaixo disponibilizado. [...] [...]
[...]
https://www.advfn.com/p.php?pid
=staticchart&s=BOV%5EVALE3&t
=37&p=5&dm=0&vol=0&width=67
0&height=600&min_pre=0&min_a
fter=0 [...] [...] [...]
Gráfico “2” [...] [...] [...]
https://www.advfn.com/stockmarket/
bovespa/VALE3/chart
(acesso em 13/08/2021) [...] [...]
[...]
Entretanto, a seguir iremos
sustentar que esta última alta de
aproximadamente 5 (cinco) anos
(Fevereiro 2016 / Agosto 2021)
dos “preços de mercado” dos
títulos bursáteis de Vale foi
artificial, pois não guarda nenhuma
correspondência com uma melhora
do “valor intrínseco” da empresa
Vale. Permite-nos sustentar tal
afirmação a apresentação de duas
notícias com impacto negativo nos
balanços contábeis de Vale.
A primeira notícia é a de que a
Vale será obrigada a pagar
pesadas indenizações, como
conseqüência do acidente ocorrido
em Brumadinho. Assim,
encontramos na Internet o
seguinte fragmento de texto: [...]
[...] [...]
“[...] A Vale informou que o
impacto, para a empresa, com o
acordo global de Brumadinho, foi
R$ 19,9 bilhões (US$ 3,872
bilhões), dos quais R$ 5,4 bilhões
(US$ 1 bilhão) serão liquidados
com a liberação de depósitos
judiciais feitos pela mineradora.”
[...] [...] [...]
(“Preços do minério garantem
bom resultado à Vale mesmo com
provisão para Brumadinho” /
Empresas / Valor Econômico - 25
de fev. de 2021) [...] [...] [...]
Uma segunda notícia é a enorme
dívida líquida apresentada pela
empresa Vale em Dezembro /
2020. Neste sentido,
encontramos na Internet o
seguinte fragmento de texto: [...]
[...] [...]
“[...] A dívida líquida da Vale no
final do ano passado era de US$
25,075 bilhões.” [...] [...] [...]
(https://www.jornaldocomercio.co
m/_conteudo/2017/02/economia/5
48 600-vale-diz-ser-possivelatingir-
di vida-liquida-de-us-15-binos-
proxim os-12-meses.html - 8
de ago. de 2021) [...] [...] [...]
Ao tomarmos por fundamentos as
duas notícias acima, não nos
parece equivocado sustentarmos
que o “valor intrínseco” dos títulos
bursáteis de Vale em Dezembro /
2020 não apenas equipara-se ao
“valor intrínseco” de Vale que
encontramos tanto na “Análise
Vale 1”, quanto na “Análise Vale
2”, mas é ainda pior do que o
“valor intrínseco” encontrado
nestas duas análises.
Assim, a Vale apresentava uma
dívida líquida de US $ 24 Bi no
final de 2014, conforme
mencionado na “Análise Vale 1”.
Por outro lado, a dívida líquida da
Vale em Dezembro / 2020 era de
US$ 25,075 bilhões, como
igualmente antes vimos.
Entretanto, a Vale informou que o
impacto, para a empresa, com o
acordo global de Brumadinho, foi
de US$ 3,872 bilhões. Assim,
podemos dizer, que a dívida
líquida da Vale em Dezembro /
2020 era de US$ 28,947 Bi = US$
25,075 Bi + US$ 3,872 Bi. Em
síntese, não nos parece
equivocado dizermos que a dívida
líquida da Vale evoluiu de US $
24 Bi no final de 2014 para US$
28,947 Bi no final de 2020. Por
outro lado, os “preços de
mercado” de Vale evoluíram de
US$ 9/ ação em Fevereiro / 2016
para US $ 108 / ação em
13/08/2021. [...] [...] [...]
Consequentemente, a
comparação entre estas duas
últimas observações permite-nos
concluir que a valorização dos
títulos de Vale após Fevereiro /
2016 até Agosto / 2021 não
encontra correspondente apoio
nos fundamentos da empresa
Vale, pelo menos até Dezembro /
2020. [...] [...] [...]
Em síntese, é cristalino que tanto
a conclusão acima, quanto a
conclusão da “Análise Vale1”,
bem como a conclusão da
“Análise Vale2”, ajustam-se ao
conceito de probabilidades
objetivas, apresentado no início
do presente anexo. Assim, estas
três análises se ajustam ao
conceito de probabilidades
conhecidas “a priori”, conforme
podemos constatar por meio da
leitura e interpretação dos
fragmentos de texto que
antecedem tal conclusão. Logo,
após tal conclusão parece-nos
que a manutenção em carteira de
títulos de Vale, mormente de
forma contínua, é uma prática
arriscada e que pode trazer
conseqüências bem negativas
para os titulares de tais títulos.
[...] [...] [...]
Adicionalmente, podemos ler na
“Análise Vale 2” que “[...] o
cenário da Vale é bem
complicado por causa da enorme
sensibilidade da empresa ao
preço do minério de ferro.” Neste
sentido, o preço do minério de
ferro é de aproximadamente US$
168 / tonelada métrica atualmente
(13/08/2021). Não obstante,
encontramos na Internet menção
de que estas altas dos últimos
pouco mais de 5 (cinco) anos
(Fevereiro 2016 / Agosto 2021)
dos preços do minério de ferro
são atribuídas à baixa dos
estoques do referido minério.
Deste modo, a “enorme
sensibilidade da empresa ao
preço do minério de ferro”,
mencionada na “Análise Vale 2”,
Vale teria ocasionado uma
melhora acentuada nos preços
dos títulos de Vale. Entretanto,
embora a alta nos “preços de
mercado” dos títulos de Vale3
tenha sido acentuada de
Fevereiro / 2016 a Agosto / 2021,
estamos sustentando que tal
melhora nos “preços de mercado”
dos títulos de Vale3 não guarda
nenhuma correspondência com
os “valores intrínsecos” da
empresa Vale, como antes vimos
no presente anexo. Em outros
termos, estamos sustentando que
tal “enorme sensibilidade da
empresa Vale ao preço do
minério de ferro” não passa de
um misto de "manipulação" e
"oligopólio". Em apertada síntese,
a manipulação dos títulos
bursáteis de Vale de Fevereiro
2016 a Agosto 2021 teve por
suporte inicial a evolução dos
preços de uma commodity de
oferta “concorrencial”: o minério
de ferro. Neste sentido, iremos
sustentar que a evolução dos
preços dos títulos de Vale que
passou a ocorrer
simultaneamente à valorização
dos preços do minério de ferro
após Fevereiro de 2016, foi
apenas um misto de
“manipulação” e “oligopólio” como
doravante veremos. [...]
Consequentemente, não nos
parece equivocado sustentarmos
que uma eventual recuperação
dos estoques do minério de ferro
muito provavelmente reconduzirá
os preços do minério de ferro
para menores preços. Assim,
como o mercado não é uma coisa
estática os preços dos títulos
bursáteis de Vale vão tender
igualmente para menores preços.
[...] [...] [...] Assim, esta última
conclusão igualmente equiparase
as três outras conclusões que
chegamos no presente anexo. Ou
seja, esta nossa última conclusão
enquadra-se no conceito de
probabilidades objetivas.
Entretanto, como antes vimos às
probabilidades objetivas são
probabilidades conhecidas à
“priori”.
Permite-nos ilustrar a conclusão
acima o seguinte fragmento de
texto encontrado na literatura
técnica: “[...] Ora, o próprio
mercado manda sinais. Outras,
entretanto, demoram mais tempo
para compreender o que está
acontecendo e continuam suas
operações utilizando as mesmas
estratégias como se o mercado
fosse uma coisa estática.”
[...] [...] [...] Vai-nos permitir
compreender a antes mencionada
acentuada evolução dos preços
do minério de ferro o comentário
que faremos após a leitura e
interpretação do seguinte
fragmento de texto encontrado na
literatura técnica: [...] [...] [...]
[...] Em resumo, o custo de
produção das unidades marginais
é, em uma situação de oferta
concorrencial, o preço
fundamental em torno do qual o
preço de mercado oscila, porque
existem forças de compensação
que conduzem os preços aos
fundamentos. Essas forças
resultam do fato de que uma
commodity pode ser produzida
em uma quantidade que é a priori
ilimitada. Se o preço de mercado
exceder os custos de produção, a
produção, após um período mais
longo ou mais curto,
eventualmente aumenta, o que
diminui o preço. Se o preço de
mercado for menor que o custo
de produção das unidades
marginais, a produção acaba
sendo reduzida porque essas
unidades fecham e o preço
aumenta novamente. [...] Mas o
preço de mercado continua
sujeito a uma inegável
ancoragem "real". Isto é o que
leva os profissionais do mercado
e os analistas de "commodities" a
dizer, "com toda razão", que "a
física sempre acaba por impor
sua lei". (34) [...] [...] [...]
A leitura e interpretação do
fragmento de texto acima são
suficientes para compreendermos
o mecanismo conhecido por
“regulação”. Em apertada síntese,
no caso concreto da queda dos
preços do minério de ferro para
até US $45 / tonelada métrica,
mencionado na Análise Vale “1”,
causou o fechamento de algumas
minas produtoras do minério de
ferro, o que causou a diminuição
dos estoques do referido minério
noticiado na Internet. Em seguida,
tal diminuição dos estoques do
mencionado minério, ocasionou
um conseqüente aumento dos
preços do minério de ferro, devido
aos efeitos do mecanismo de
“regulação”, acima mencionado.
Por outro lado, os preços dos
títulos bursateis de Vale teriam
tido uma acentuada valorização
devido à mencionada “[...] enorme
sensibilidade da empresa Vale ao
preço do minério de ferro”.
Entretanto, estamos sustentando
que esta mencionada “enorme
sensibilidade da empresa Vale ao
preço do minério de ferro” não
passa de um misto de
“manipulação” e “oligopólio”. [...]
[...] [...]
Em síntese, estamos sustentando
que uma análise isenta do
mercado bursátil deve ser feita
similarmente àquela análise que
os médicos urologistas fazem do
PSA.* Desta maneira, não
devemos analisar a evolução do
“valor intrínseco” das ações como
analisamos uma foto; ao invés,
devemos analisar a evolução do
“valor intrínseco” das ações como
analisamos um filme. Neste
sentido, a seguir iremos fazer
uma comparação entre a dívida
líquida da Vale de Dezembro /
2014 e Dezembro / 2020. [...] [...]
[...]
*Prostate Specific Antigen [...] [...]
[...]
Assim, a dívida líquida da Vale
era superior a US $ 24 Bi no final
de 2014, conforme podemos ler
na “Análise Vale 1”. Entretanto,
mesmo com a enorme melhoria
nos preços do minério de ferro
nos últimos pouco mais de 5
(cinco) anos (Fevereiro 2016 /
Agosto 2016) não houve uma
correspondente diminuição da
dívida líquida da empresa, como
seria o esperado. Ao invés, houve
um aumento da dívida líquida da
empresa, como antes vimos.
Lamentavelmente, grande parte
do aumento da dívida líquida da
Vale é conseqüência de
indenizações que a Vale será
obrigada a fazer, como
conseqüência do acidente de
Brumadinho. Em síntese, temos
razões para suspeitarmos que os
“preços de mercado” dos títulos
de Vale atualmente (Agosto /
2021) são insustentáveis. Neste
sentido, parece-nos oportuno
relembrarmos que o mercado do
minério de ferro obedece a uma
oferta “concorrencial”. Logo, a
esperada queda dos preços do
minério de ferro, como antes
sustentamos, provavelmente
reconduzirá os “preços de
mercado” dos títulos de bursáteis
de Vale para menores preços. [...]
[...] [...]
Parece-nos oportuno fazermos
uma pausa em nossa abordagem
para a leitura e interpretação do
seguinte fragmento de texto
encontrado na literatura técnica:
[...] [...] [...]
[...] Essa hipótese é baseada em
uma concepção particular do
tempo humano, segundo a qual
não há uma ruptura qualitativa
entre o passado, o presente e o
futuro. É certo que, nesta
concepção, o futuro ainda é
incerto, mas começa a ser
probabilizável. O ator econômico
autômato calcula assim o futuro
tal como calcula o presente.
Simplesmente as variáveis,
certeiras do passado e do
presente, são probabilísticas no
futuro. O mesmo cálculo,
portanto, engloba passado,
presente e futuro. A mesma
racionalidade dos atores
autômatos está em ação. É por
isso que o futuro é "previsível".
Certamente esta previsão está
sujeita a incertezas (previsíveis),
entretanto TAL INCERTEZA É
SEMPRE REDUZIDA PELO
ACÚMULO DE INFORMAÇÕES
E, PORTANTO, DIMINUI À
MEDIDA QUE O HORIZONTE
DA PREVISÃO SE APROXIMA.
(34) (maiúsculo nosso) [...] [...] [...]
A leitura e interpretação do
fragmento de texto acima
permite-nos compreender por que
partir de certo lapso temporal o
futuro embora ainda continue a
incerto, passa a ser probabilístico.
[...] [...] [...]
Antes sustentamos que o “valor
intrínseco” dos títulos bursáteis
de Vale em Dezembro / 2020
equipara-se ao “valor intrínseco”
de Vale que encontramos tanto
na “Análise Vale 1” quanto na
“Análise Vale 2”, qual seja, 0
(zero). [...] [...] [...]
Permite-nos ilustrar a conclusão
acima o seguinte fragmento de
texto que retiramos do conceito
de “pirâmide financeira", antes
mencionado: [...] [...] [...]
“[...] Na falta de qualquer ativo
real capaz de cobrir os
rendimentos anunciados, Ponzi
oferecia a seus primeiros clientes
o capital aportado pelos que
vinham depois.” (14) [...] [...] [...]
Em síntese, a evolução dos
preços de mercado dos títulos de
Vale de Fevereiro 2016 a Agosto
2021 pode ser equiparada a
seguinte expressão: “[...] falta de
qualquer ativo real capaz de
cobrir os rendimentos
anunciados.”
Igualmente, vai-nos permitir
ilustrar nossa sustentação de que
em Dezembro / 2020 o “valor
intrínseco” dos títulos de
bursáteis de Vale é 0 (zero) os
seguintes aforismos de autoria do
grande trader norte-americano,
Warren Buffett: [...] [...] [...]
(1) Price is what you pay; value is
what you get. (24) [...] [...] [...]
(2) In the short run, the market is
a voting machine, but in the long
run, it is a weighing machine. (24)
[...] [...] [...]
[...] [...] [...] Neste sentido,
gostaríamos aqui observar que
nossa conclusão antes
mencionada significa que os
últimos titulares de ações que
nada valem, como os titulares de
títulos de Vale, correm o risco de
receber pouco, ou nada. [...] [...]
[...]
[...] [...] [...] Igualmente, permitenos
ilustrar nossa última
conclusão o seguinte comentário
encontrado em certo blog
freqüentado por traders: [...] [...]
[...]
“[...] Se você observar o gráfico
de Vale há 6 anos atrás ele
mostrava só um lado da
MONTANHA ... Eu falava para
uns caras na última corretora que
eu trabalhei, SE VOCÊ TEM UM
LADO DA MONTANHA
FATALMENTE NO FUTURO
TERÁ O OUTRO LADO. Não deu
outra. Mas as pessoas são
céticas só acreditam quando
acontece. Tenho um amigo que
foi meu cliente, e tem já há muito
tempo, eu calculo 400.000
Vale5... Falei isso para ele, quase
perdi o amigo...” (maiúsculo
nosso). [...] [...] [...]
(comentário retirado do blog
Investmania em 04/12/2014) [...]
[...] [...]
Neste sentido, doravante iremos
sustentar que os aposentados e
pensionistas participantes de um
fundo de pensão podem estar
transferindo riquezas para alguns
poucos executivos de tais
instituições sociais. Desta forma,
principalmente por meio de um
misto do uso de mecanismos
endógenos à liquidez associados
a informações privilegiadas é
viabilizada uma transferência de
riquezas de titularidade dos
aposentados e pensionistas de
um fundo de pensão, como nos
permite compreender o seguinte
fragmento de texto encontrado na
literatura técnica:
“[...] a teoria da agência
enfatiza a tendência natural
de os dirigentes (de
cooperativas), em função da
posição que ocupam,
deterem mais informações
que os associados, cujo
poder de controle se
apresenta fraco. Desse
modo, a assimetria de
informação abre espaço para
informações oportunistas,
pois pressupõe que o agente
pode utilizar informações em
seu benefício próprio. Assim,
resta como alternativa a
observação dos resultados
alcançados pelo agente.” (54)
Assim, do mesmo modo que os
dirigentes de cooperativas detêm mais
informações que os associados de
uma cooperativa, não nos parece
equivocado sustentarmos que os
“pMdpcc”* detêm mais informações
que os “pFdpcc”*.
*proprietários MATERIAIS da
poupança concentrada coletiva
** proprietários FORMAIS da
poupança concentrada coletiva
Por fim, mas não menos
importante, observamos no
Gráfico "1" que o último longo
período de baixa dos títulos
bursáteis ADRs de Vale ocorreu
de Janeiro / 2011 a Fevereiro /
2016, ou seja, cinco anos e um
mês. Entretanto, o último período
de alta destes mesmos títulos
teve por início Fevereiro / 2016 e
dura até o presente (Agosto /
2021). Deste modo, já atinge
aproximadamente cinco anos e
cinco meses este último período
de alta, como podemos constatar
pela visualização do Gráfico “2”.
A comparação dos tempos destes
períodos significa uma importante
informação enviada pelo próprio
mercado. Neste sentido, o fato do
tempo de duração deste mais
recente ciclo de alta dos títulos
bursáteis de Vale já ter
ultrapassado o tempo de duração
do anterior ciclo de baixa deste
mesmo título em
aproximadamente 5 (cinco)
meses é um sinal enviado pelo
próprio mercado de que tal ciclo
de alta pode estar próximo ao seu
final. Consequentemente, tal
observação reforça nossa
sustentação anterior de que os
“preços de mercado” dos títulos
bursáteis de Vale tendem para
menores preços. Adicionalmente,
nos parece que àqueles
participantes do mercado que
obtiveram o grosso dos lucros
devido a esta última tendência de
alta (Fevereiro 2016 a Agosto
2021), provavelmente serão os
mesmos participantes do
mercado que irão obter o grosso
dos lucros na tendência de baixa
que provavelmente se avizinha.
[...] [...] [...] Inicialmente, iremos
sustentar tal prognóstico com
fundamentos na alternância dos
longos ciclos de alta e baixa dos
preços encontrados tanto nos
preços do minério de ferro quanto
nos “preços de mercado” dos
títulos bursáteis de Vale, como
podemos comprovar pela simples
visualização dos gráficos de
longo prazo de tais commodities.
Voltaremos ao tema na parte do
presente trabalho consagrado à
“manipulação” e ao “oligopólio”.
[...] [...] [...]
17. Sur le papier, le plan
d’ensemble ne manquait pas
d’allure. Des agents (les
épargnants) ont des ressources
financières en excès et en quête
d’emploi, d’autres (les
entreprises) sont à la recherche
de capitaux : la Bourse est cette
forme institutionnelle idoine qui
mettrait tout ce beau monde en
contact et réaliserait la rencontre
mutuellement avantageuse des
capacités de financement des uns
et des besoins des autres. Elle
ferait même mieux encore : en
apportant des ressources
permanentes (à la différence de
l’endettement, les capitaux
propres, levés par émission
d’actions, ne sont pas
remboursables), elle stabiliserait
le financement et en minimiserait
le coût. Patatras : rien de tout ça
ne tient la route.
Traduzindo:
No papel, o plano geral parecia
muito bom. Alguns agentes
(poupadores) têm recursos
financeiros excedentes e
procuram emprego, outros
(empresas) procuram capital: a
Bolsa de Valores é a forma
institucional adequada que
colocaria todas essas pessoas
bonitas em contato e conseguiria
o encontro mutuamente vantajoso
das capacidades de
financiamento de alguns e das
necessidades de outros. Faria
melhor ainda: ao fornecer
recursos permanentes (ao
contrário da dívida, o patrimônio,
levantado pela emissão de ações,
não é reembolsável), estabilizaria
o financiamento e minimizaria seu
custo. Falácia: nada disso se
sustenta.
18. Des chroniques débonnaires
du regretté Jean-Pierre Gaillard,
longtemps journaliste boursier sur
France Info, à l’apparition des
chaînes boursières, en passant
par l’incessante répétition « CAC
40 - Dow Jones - Nikkei », la
Bourse aura bientôt quitté le
domaine des institutions sociales
pour devenir quasiment un fait de
nature — une chose dont la
suppression est simplement
impensable. Il est vrai que deux
décennies et demie de
matraquage continu ont bien
oeuvré à cette sorte de
naturalisation, et notamment pour
expliquer qu’une économie «
moderne » ne saurait concevoir
son financement autrement que
par des marchés et, parmi eux,
des marchés d’actions* (la Bourse
au sens strict du terme).
Traduzindo:
Das crônicas joviais do falecido
Jean-Pierre Gaillard, antigo
jornalista de Bolsa de Valores da
France Info, ao surgimento dos
canais de Bolsa, através da
repetição incessante "CAC 40 -
Dow Jones - Nikkei", a Bolsa logo
terá partido do domínio das
instituições sociais para se tornar
quase um fato da natureza - algo
cuja abolição é simplesmente
impensável. É verdade que duas
décadas e meia de
espancamentos contínuos
funcionaram bem para este tipo
de naturalização e, em particular,
para explicar que uma economia
"moderna" não poderia conceber
o seu financiamento a não ser
pelos mercados e, entre eles, os
mercados de ações. * (a Bolsa de
Valores no sentido estrito do
termo).
19. Et c’est ici le terminus du
discours de la Bourse. La Bourse
n’est pas une institution de
financement des entreprises —
elles n’y vont plus sauf pour s’y
faire prendre leur cash-flow* ; elle
n’est pas le roc d’une « économie
de fonds propres » — pour
l’essentiel ceux-ci viennent
d’ailleurs : des entreprises ellesmêmes
; elle n’est pas la
providence qui sauve les start-up
de l’attrition financière — on
pourrait très bien agir
autrement.Elle est une machine à
fabriquer des fortunes. Et c’est
tout. Bien sûr, pour ceux qui
s’enrichissent, ça n’est pas
négligeable. Mais pour tous les
autres, ça commence à suffire.
Traduzindo:
E esse é o fim da conversa da
Bolsa de Valores. A Bolsa de
Valores não é uma instituição
para financiar empresas - elas
não vão mais lá, exceto para
obter seu fluxo de caixa *; não é o
alicerce de uma "economia de
capital" - na maior parte, isso vem
de outro lugar: das próprias
empresas; não é a providência
que salva as start-ups do atrito
financeiro - poderia muito bem
fazer de outra forma. É uma
máquina de fazer dinheiro. E isso
é tudo. Claro, para quem fica rico,
isso não é desprezível. Mas para
todos os outros, está começando
a ser o suficiente.
20. C’est là typiquement le genre
d’énoncé qui offre un concentré
pur de l’idéologie néolibérale : la
naturalisation des faits sociaux.
Alain Minc n’est pas capable de
bâtir un « argument »
économique sans invoquer la loi
de la pesanteur. Or la Bourse est
une forme institutionnelle, elle
n’est pas sortie du cul d’une poule
ni tombée du ciel. Elle a été faite
de main d’homme. Par
conséquent elle peut être défaite
s’il apparaît qu’on y a plus
d’avantages que d’inconvénients
— ce qui me semble notoirement
le cas. Il y a eu un moment où on
s’est dit que l’institution «
monarchie de droit divin » était
pénible. Elle a fini dans le même
panier que la tête du roi et depuis
ça va mieux. On pourrait dire
cependant que c’est bien la loi de
la pesanteur qui a fait tomber le
couteau de la guillotine… Mutatis
mutandis bien sûr — on n’est pas
des sauvages — il se pourrait, vu
sous cet angle, que MM. Minc &
Co découvrent un jour un aspect
de la loi de la pesanteur qui ne
leur était pas apparu.
Traduzindo:
Esse é tipicamente o tipo de
afirmação que oferece um puro
concentrado da ideologia
neoliberal: a naturalização dos
fatos sociais. Alain Minc não é
capaz de construir um
"argumento" econômico sem
invocar a lei da gravidade. Mas a
Bolsa é uma forma institucional,
não saiu do cuzinho de galinha
nem caiu do céu. Foi feito à mão.
Portanto, pode ser desfeito se se
verificar que existem mais
vantagens do que desvantagens -
o que para mim parece ser
claramente o caso. Houve um
tempo em que pensávamos que a
instituição da "monarquia do
direito divino" era dolorosa. Ela
acabou na mesma cesta que a
cabeça do rei e desde então está
melhor. Pode-se dizer, porém,
que foi a lei da gravidade que fez
cair a faca da guilhotina ... Mutatis
mutandis claro - não somos
selvagens - poderia ser, visto por
este ângulo, aquele MM. Minc &
Co um dia descobriu um aspecto
da lei da gravidade que não havia
aparecido para eles.
21. Prosseguindo em nossa
abordagem, parece-nos oportuno
aqui alertarmos que a
multimencionada expressão “[...]
compromisso implícito”, pode vir a
deixar de existir.
Neste sentido, a seguir iremos
observar que a partir de certo
lapso temporal o futuro embora
ainda continue a incerto passa a
ser probabilístico, conforme nos
permite compreender a leitura do
seguinte fragmento de texto:
[...] Cette hypothèse est ellemême
fondée sur une conception
particulière du temps humain
selon laquelle il n'y a pas de
rupture qualitative entre passé,
présent et avenir. Certes, dans
cette conception, l'avenir est
incertain, mais il est
probabilisable. L'acteur
économique automate calcule
donc au futur comme il calcule au
présent. Simplement les
variables, certaines dans le passé
et au présent, sont probabilisées
dans l'avenir. Un même calcul
englobe donc passé, présent et
avenir. La même rationalité des
acteurs automates y est à
l'oeuvre. C'est pourquoi l'avenir
est « prévisible ». Certes, la
prévision est entachée
d'incertitude (calculable), mais
CETTE INCERTITUDE EST
TOUJOURS RÉDUCTIBLE PAR
ACCUMULATION
D'INFORMATIONS, ET DIMINUE
DONC À MESURE QUE
L'HORIZON DE LA PRÉVISION
SE RAPPROCHE. (34)
(maiúsculo nosso)
Traduzindo:
[...] Essa hipótese é baseada em
uma concepção particular do
tempo humano, segundo a qual
não há uma ruptura qualitativa
entre o passado, o presente e o
futuro. É certo que, nesta
concepção, o futuro ainda é
incerto, mas começa a ser
probabilizável. O ator econômico
autômato calcula assim o futuro
tal como calcula o presente.
Simplesmente as variáveis,
certeiras do passado e do
presente, são probabilísticas no
futuro. O mesmo cálculo,
portanto, engloba passado,
presente e futuro. A mesma
racionalidade dos atores
autômatos está em ação. É por
isso que o futuro é "previsível".
Certamente esta previsão está
sujeita a incertezas (previsíveis),
entretanto TAL INCERTEZA É
SEMPRE REDUZIDA PELO
ACÚMULO DE INFORMAÇÕES
E, PORTANTO, DIMINUI À
MEDIDA QUE O HORIZONTE
DA PREVISÃO SE APROXIMA.
(34) (maiúsculo nosso)
O ponto importante que podemos
extrair da leitura do fragmento de
texto acima mencionado é o
seguinte:
“[...] tal incerteza é sempre
reduzida pelo acúmulo de
informações e, portanto, diminui à
medida que o horizonte da
previsão se aproxima. (34)
Neste sentido, encontramos na
literatura técnica dois fragmentos
de texto que quando associados
entre si alertam-nos que a
probabilidade de um colapso do
mercado, mormente de certos
títulos bursateis é algo esperado,
conforme a leitura dos seguintes
fragmentos de texto nos permite
compreender:
[...] O crescimento do setor
financeiro e dos ganhos que este
proporciona só é possível na
proporção exata do aumento da
mais-valia não acumulada, e um,
como o outro, admitem limites
que foram atingidos. (22)
[...] Se por um motivo ou outro
não quiserem mais mantê-lo, seu
valor cairá para zero, e o último
que ficar com ele corre o risco de
ser arruinado, embora não tenha
feito nada. (18)
Ademais, encontramos no Anexo
"5.1" o seguinte fragmento de
texto:
"[...] Adicionalmente, no
fragmento de texto antes
mencionado Krugman observou:
“[...] Mais especificamente,
suspeito agora que o tipo de
regime de medidas econômicas
moderadas que [...] permite que
os mercados trabalhem [...] seja
inerentemente instável. Trata-se
de algo que se pode sustentar
durante aproximadamente uma
geração, mas não por um período
muito mais longo do que isto.”
Assim, a limitação temporal,
acima mencionada, é uma
característica do “tipo de regime
de medidas econômicas
moderadas”, conforme Krugman
sustenta. Igualmente, é do
conhecimento comum que uma
das características essenciais das
“pirâmides financeiras” é a
limitação temporal de tais
fenômenos. Não obstante, como
antes equiparamos o “moderno
capitalismo bursátil” ao “tipo de
regime de medidas econômicas
moderadas”, conforme antes
sustentamos neste Anexo "5.1",
não nos parece equivocado mais
uma vez equipararmos o
“moderno capitalismo financeiro”
a uma “pirâmide financeira”. Em
síntese, chegamos às seguintes
conclusões:
(1) tanto o “regime de medidas
econômicas moderadas”, quanto
o “moderno capitalismo bursátil”
se equiparam a uma "pirâmide
financeira";
(2) tanto o “regime de medidas
econômicas moderadas”, quanto
o “moderno capitalismo bursátil”
“[...] se pode sustentar durante
aproximadamente uma geração,
mas não por um período muito
mais longo do que isto”. Assim, o
“moderno capitalismo bursátil” se
equipara a uma "pirâmide
financeira". Entretanto, como
antes vimos às "pirâmides
financeiras" têm um prazo de
existência limitado.
Consequentemente, o “moderno
capitalismo bursátil” tem um
prazo de existência limitado. [...]"
Entretanto, os economistas
apresentam uma alternativa ao
colapso: a purga do “mico”, por
meio da aceleração da inflação,
conforme a leitura do seguinte
fragmento de texto encontrado na
literatura técnica nos permite
compreender:
[…] Depuis l'après-guerre, dans
tous les pays, une politique
monétaire très favorable à la
croissance a donc engendré une
dissymétrie dans la création
monétaire et par conséquent un
gonflement périodique du volume
des droits financiers en excès sur
la richesse future. Dès lors, la
purge de ce mistigri fut
nécessaire, quel que fût le
système financier. On a vu
quelles en étaient les deux formes
pures : l'accélération de l'inflation
et les krachs. Les formes
concrètes que prit cette purge
furent en revanche très
dépendantes du type de système
[...]. (34)
[...] Dans le système
internationalement cloisonné et
principalement d'intermédiaires
qui était celui des pays riches
avant la libéralisation des années
1980, la forme principale
d'élimination du mistigri était
progressive et apparemment
indolore. C'est l'accélération de
l'inflation, qui a réalisé le
programme de Keynes :
l'euthanasie des rentiers au profit
de ceux qui consomment et de
ceux qui investissent.
L'accélération de l'inflation
perturbe l'évaluation des prix
relatifs, donc leur extrapolation et
la prise de décision pour les
investissements à venir. (34)
Traduzindo:
[...] Desde o período pós- guerra,
em todos os países, uma política
monetária muito favorável ao
crescimento levou, portanto, a
uma assimetria na criação
monetária e, conseqüentemente,
a uma inflação periódica do
volume de direitos financeiros em
excesso sobre a riqueza futura. A
partir daí, a purga deste mico foi
necessária, independentemente
do sistema financeiro. Vimos às
duas formas purgas: a aceleração
da inflação e os colapsos. As
formas concretas que este
expurgo tomou foram, por outro
lado, muito dependentes do tipo
de sistema [...]. (34)
[...] No sistema
internacionalmente particionado e
principalmente de intermediários
que foi o dos países ricos antes
da liberalização da década de
1980, a forma de eliminação
primária do “mico” foi progressiva
e aparentemente indolor. É a
aceleração da inflação, que
realizou o programa de Keynes: a
eutanásia dos rentistas em
benefício daqueles que
consomem e daqueles que
investem. A aceleração da
inflação perturba avaliação dos
preços relativos, portanto, a
extrapolação e a tomada de
decisão para os investimentos por
vir. (34)
Parece-nos oportuno
observarmos algo acima
mencionado: a forma de
eliminação primária do “mico”
pode ser progressiva e
aparentemente indolor.
Entretanto, igualmente devemos
observar que tal forma
“progressiva e aparentemente
indolor” inequivocamente está
diretamente ligada ao tempo. Por
seu turno, "a eutanásia dos
rentistas em benefício daqueles
que consomem e daqueles que
investem" igualmente está ligada
ao tempo. Neste sentido, antes
vimos que as “pirâmides
financeiras” têm seu tempo de
vida ligado ao tempo. O
relacionamento entre as
observações acima é mais um
indício de que o “moderno
capitalismo bursátil” se equipara a
uma “pirâmide financeira”.
Voltaremos ao tema na parte do
presente trabalho consagrada à
“manipulação” e ao "oligopólio".
Em resumo, encontramos neste
Anexo "6" os seguintes
fragmentos de texto que
sugerem-nos que "moderno
capitalismo bursátil" se equipara
a uma "pirâmide financeira":
(1) [...] Consequentemente, a
palavra “preço” mostra-se
adequada e conveniente para
substituir a palavra “valor” no
fragmento de texto em comento.
Adicionalmente, o “[...]
compromisso implícito por parte
da comunidade financeira como
um todo de manter a totalidade
dos títulos no longo prazo”, antes
apresentado na Introdução "4",
contrasta radicalmente com a
inteligência contida nos conceitos
de “valor intrínseco” e/ou
“mercados eficientes”, antes
mencionados. As observações
acima reforçam a sustentação
que temos feito ao longo do
presente trabalho: o "moderno
capitalismo bursátil equipara-se a
uma "pirâmide financeira".
(2) [...] Consequentemente, a
obtenção de uma “mais-valia aqui
e agora” contrasta radicalmente
tanto com o conceito de “valor
intrínseco” quanto com o conceito
de “mercados eficientes”, antes
apresentados. Em outros termos,
tal constatação é mais uma
robusta evidência de que o
“moderno capitalismo bursátil”
pode ser equiparado a uma
“pirâmide financeira”. [...]
(3) [...] Em síntese, o “[...]
compromisso implícito por parte
da comunidade financeira como
um todo de manter a totalidade
dos títulos no longo prazo”
encontrado no "moderno
capitalismo bursátil" transforma o
que é apenas uma aposta
pessoal em dividendos futuros em
uma "riqueza imediata aqui e
agora”. Entretanto, tal
transformação artificial revela a
falta de fundamentação da
correspondente riqueza obtida, o
que inequivocamente permite-nos
equiparamos o "moderno
capitalismo bursátil" a uma
“transgressão da economia
produtiva”. Do mesmo modo tal
transformação equipara o
"moderno capitalismo bursátil" a
uma “pirâmide financeira”.
(4) [...] Consequentemente, o
“[...] compromisso implícito por
parte da comunidade financeira
como um todo de manter a
totalidade dos títulos no longo
prazo”, nada tem a ver com a
inteligência contida nos conceitos
de “valor intrínseco” e/ou
“mercados eficientes”, antes
mencionados. Assim, a conclusão
acima é mais um indício que
permite-nos equiparar o “moderno
capitalismo bursátil” a uma
“pirâmide financeira”.
(5) [...] Em síntese, a obtenção de
uma “mais-valia” se equipara,
essencialmente, a um ganho
financeiro. Por seu turno, as
expressões “[...] o Departamento
do Tesouro e o FED fizeram o
que era necessário em cada
ocasião” e “[...] Continuarão a
fazê-lo ainda que isso contrarie
formalmente as teorias
professadas.”, conduz-nos a
concluir uma vez mais que o
“moderno capitalismo bursátil” se
equipara a uma “pirâmide
financeira”.
[...] Em outros termos, a
inteligência contida na expressão
“[...] entrada constante de
investimentos, para manter o
mercado em alta [...]” encontrada
no fragmento de texto acima pode
ser equiparada a inteligencia
contida em certa expressão
encontrada no fragmento de texto
antes mencionado, qual seja:
“[...] fizeram o que era necessário
em cada ocasião [...] para criar
liquidez e outros meios
necessários para conter as
crises”.
(6) [...] Parece-nos oportuno
observarmos algo acima
mencionado: a forma de
eliminação primária do “mico”
pode ser progressiva e
aparentemente indolor.
Entretanto, igualmente devemos
observar que tal forma
“progressiva e aparentemente
indolor” inequivocamente está
diretamente ligada ao tempo. Por
seu turno, "a eutanásia dos
rentistas em benefício daqueles
que consomem e daqueles que
investem" igualmente está ligada
ao tempo. Neste sentido, antes
vimos que as “pirâmides
financeiras” têm seu tempo de
vida ligado ao tempo. O
relacionamento entre as
observações acima é mais um
indício de que o “moderno
capitalismo bursátil” se equipara a
uma “pirâmide financeira”.
Voltaremos ao tema na parte do
presente trabalho consagrada à
“manipulação” e ao "oligopólio".
Conclusão:
[...] [...] [...]
Em síntese, podemos dizer que
todos os indícios de que o
moderno capitalismo bursátil se
equipara a uma “pirâmide
financeira” são fundamentados na
matemática. Entretanto, a
matemática é uma ciência exata.
Adicionalmente, uma “pirâmide
financeira” tem duas
características essenciais:
transferência de riquezas e tempo
de vida limitado.
Consequentemente, o “moderno
capitalismo bursátil” serve
APENAS para transferir riquezas.
Adicionalmente, não nos parece
equivocado dizermos que tal
instituição social tende a deixar
de existir. Por fim, mas não
menos importante, não nos
parece equivocado sustentarmos
que algo que tende a deixar de
existir está em tendência
irreversível de baixa. [...] [...] [...]
Dizem que na era da informação
a ignorância é uma escolha.
Neste sentido, uma instituição
social que tende a deixar de
existir é a Bolsa de Valores.
Entretanto, são do conhecimento
comum que os últimos a vender
são os que mais perdem. Assim,
devemos alertar o leitor que
atualmente existem milhares de
moedas conhecidas por Criptos.
Por exemplo, Bitcoin, Shiba, etc.
Não obstante, é do conhecimento
comum que a evolução dos
preços de tais Criptos
equipara-se a evolução dos
preços das pirâmides financeiras.
Assim, iremos sustentar no Anexo
“8” que a evolução dos preços
dos títulos de Petrobras e Vale
equipara-se ao das “pirâmides
financeiras”. Deste modo, o
problema básico passa a ser a
concorrência entre os Criptos e
os títulos de Petrobras e Vale.
Logo, não nos parece equivocado
sustentarmos que a evolução dos
preços dos títulos de Petrobras e
Vale está em tendência
irreversível de baixa.
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