quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

O “moderno capitalismo bursátil” serve APENAS para transferir riquezas [...] [...] [...] Resumo: No item “1”, o economista francês, François Chesnais, sustenta que a Bolsa de Valores não serve para financiar, avaliar e regular, respectivamente. 1. Para os defensores do novo capitalismo financeiro, os mercados bursáteis têm uma tripla função: financiamento, avaliação e regulação das empresas. A observação da realidade mostra que não só os mercados não conseguem cumprir essas três funções, como ainda fragilizam os sistemas produtivos. A primeira função da Bolsa é, em princípio, financiar as empresas. Entretanto, se constatou nesses últimos anos que não tem sido esse o caso, pois as emissões líquidas das ações pelas empresas (emissões brutas menos as recompras de ações e os dividendos) eram negativas na Europa e nos Estados Unidos. Isso significa que as empresas pagam mais do que recebem de seus acionistas. A segunda função da Bolsa é avaliar as empresas, supondo que a cotação das ações indica o valor fundamental das empresas a qualquer momento. Aqui também a realidade contradiz a teoria ortodoxa. As flutuações das cotações dos dez últimos anos mostram que os mercados não chegam a dar uma indicação clara do valor das empresas. Sabe-se, com efeito, desde Keynes, que as cotações refletem, em primeiro lugar, a “psicologia do mercado”, não os “fundamentos” da economia. (19) (negrito nosso) Terceira função dos mercados: os diferentes atores dos mercados financeiros, em primeiro lugar os acionistas são considerados controladores das empresas e de seus dirigentes. Entretanto, essa famosa “disciplina do mercado”, versão moderna da “mão invisível”, não funciona. Viu-se que os investidores buscam controlar os dirigentes das empresas levando-os a se adequar às regras de governo das empresas, apresentadas anteriormente. Os escândalos na Bolsa do início dos anos 2000 ilustram o fracasso da corporate governance. Com efeito, os gerentes dessas grandes empresas escaparam ao controle de seus acionistas falsificando suas contas e se lançaram em operações financeiras arriscadas, que conduziram alguns grupos ao desastre. (19) Os escândalos na Bolsa e as numerosas falências de empresas estão diretamente ligados à natureza e às contradições internas do novo capitalismo bursátil. O que está em questão é, primeiramente, a concepção de empresa considerada um ativo financeiro. Portanto, trata-se de aumentar o seu valor na Bolsa por todos os meios: recompra das ações, fusõesaquisições, vendas das unidades menos rentáveis... Por meio da montagem de esquemas financeiros complexos e freqüentemente nada transparentes, os administradores buscam atingir vários objetivos: aumentar a rentabilidade financeira de seus grupos, enriquecer pessoalmente e escapar ao controle dos acionistas. (19) (negrito nosso) [...] Em princípio, ao lado dos acionistas e dos investidores, supõese que certo número de profissões – que constituem a “indústria dos serviços financeiros” – possa controlar as empresas. São os serviços de auditoria, os bancos de negócios, as agências de classificação, os analistas financeiros e as autoridades públicas de regulação. Constata-se que não só essas profissões não desempenham seu papel de contra poder, como foram freqüentemente cúmplices, ativos ou passivos, dos erros de gestão e das fraudes dos dirigentes. Uma das maiores razões das graves e recorrentes disfunções da indústria de serviços financeiros está ligada à presença de “conflitos de interesse”, isto é, alguns atores têm uma dupla função, geralmente incompatível, de controlar e de aconselhar empresas. Isso significa que são remunerados pelas próprias empresas que são encarregados de controlar. (19) (negrito nosso) No item “2”, o economista francês, André Orléan, nesta mesma linha de François Chesnais, confirma que a Bolsa de Valores não serve para avaliar: “[...] A plausibilidade desta afirmação está longe de ser óbvia.” Ainda no item ‘2”, André Orléan, do mesmo modo que François Chesnais, sustenta que a Bolsa de Valores não se presta para financiar: “[...] No mínimo, esse fato prova que o poder do mercado de ações tem outras fontes além do financiamento da acumulação.” 2. Conforme podemos ler no item acima, “a segunda função da Bolsa é avaliar as empresas, supondo que a cotação das ações indica o valor fundamental das empresas a qualquer momento”. Igualmente, permite-nos ilustrar tal observação o seguinte fragmento de texto de autoria do economista francês, André Orléan: [...] Neoclassical economists believe that shares have an intrinsic (or, as it is more commonly said, fundamental) value that determines the movement of prices. The plausibility of this claim is far from obvious. Share prices exhibit chronically erratic movements, both upward and downward. How can this state of affairs be reconciled with the assumption of stable intrinsic value? Most economists, if they speak frankly, will acknowledge that variations in price cannot be explained in this way, at least not without arbitrarily introducing some additional number of equally implausible assumptions. Inevitably one thinks of the crash of October 19, 1987, when the Dow Jones Industrial Average lost 22.6 percent of its value, the largest drop ever recorded in the United States-and yet nothing even remotely comparable was observed in the real economy, before or after. (18) Traduzindo: [...] Os economistas neoclássicos acreditam que as ações têm um valor intrínseco (ou, como é mais freqüentemente dito, fundamental) o qual determina o movimento dos preços. A plausibilidade desta afirmação está longe de ser óbvia. Os preços das ações exibem movimentos cronicamente erráticos, tanto para cima quanto para baixo. Como se pode conciliar este estado de coisas com a hipótese de um valor intrínseco estável? A maioria dos economistas, se falarem francamente, reconhecerá que as oscilações dos preços não podem ser explicadas desta forma, pelo menos não sem introduzir arbitrariamente um número adicional de suposições. Inevitavelmente se pensa no crash de 19 de outubro de 1987, quando o índice Industrial Dow Jones perdeu 22,6% de seu valor, a maior queda já registrada nos Estados Unidos - e, no entanto, nada mesmo remotamente comparável foi observado na economia real, antes ou depois. (18) Gostaríamos aqui de realçar algo escrito no fragmento de texto acima: “[...] os economistas neoclássicos acreditam que as ações têm um valor intrínseco [...] o qual determina o movimento dos preços. A plausibilidade desta afirmação está longe de ser óbvia.” 3. Neste sentido, a evolução dos preços de alguns títulos bursateis negociados no “moderno capitalismo bursátil”, adicionalmente ao fato de obedecer a uma oferta nãoconcorrencial obedece a um poder oligopolista. [...] [...] [...] Um primeiro indício de que a evolução dos preços de alguns títulos do “moderno capitalismo bursátil” se equipara a evolução dos preços de um mercado de “commodities” de oferta nãoconcorrencial no qual um poder oligopolista é exercido, por meio da leitura do seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica: [...] [...] [...] “[...] Este é um fato importante, pois mostra que o mercado é uma instituição social hierárquica, não uma mera justaposição de agentes que negociam uns com os outros com base em idéias e desejos formados sem qualquer referência ao que acontece no mercado. (18) [...] [...] [...] Assim, o fato do moderno capitalismo bursátil se equiparar a uma instituição social hierárquica igualmente permite-nos sustentar que a evolução dos preços de alguns títulos do “moderno capitalismo bursátil” se equipara a evolução dos preços de um mercado de “commodities” de oferta não-concorrencial onde um poder oligopolista é exercido. Tal conclusão encontra seu ponto de apoio no fato de o funcionamento de uma entidade social hierárquica se equiparar ao modo de funcionamento de um oligopólio, conforme podemos constatar por meio da leitura e interpretação do conceito de oligopólio que a seguir apresentamos.” [...] [...] [...] OLIGOPOLY market situation in which a small number of selling firms control the market supply of a particular good or service and are therefore able to control the market price. [...] Because each firm in a oligopoly knows its share of the total market for the product or service it produces, and because any change in price or change in market share by one firm is reflected in the sales of the others, there tends to be a high degree of interdependence among firms; each firm must make its price and output decisions with regard to the responses of the other firms in the oligopoly, so that oligopoly prices, once established, are rigid. This encourages non price competition, through advertising, packaging, and service – a generally nonproductive form of resource allocation. [...] [...] [...] Traduzindo: OLIGOPOLY Situação do mercado em que um pequeno número de empresas vendedoras controla a oferta de mercado de um determinado bem ou serviço e são, portanto, capazes de controlar o preço de mercado. [...] Porque cada empresa em um oligopólio conhece sua participação no mercado total para o produto ou serviço que produz, e porque qualquer mudança no preço ou mudança na participação de mercado por uma empresa é refletido nas vendas dos outros, tende a haver um alto grau de interdependência entre empresas; cada empresa deve fazer seu preço e decisões de saída em relação às respostas das outras empresas no oligopólio, de modo que os preços do oligopólio, uma vez estabelecidos, são rígidos. Esse incentiva a competição sem preços, por meio de publicidade, embalagem, e serviço – geralmente uma forma não produtiva de alocação de recurso. Veja também OLIGOPSÔNIO. [...] [...] [...] Permite-nos conhecer um pouco mais sobre o conceito de oligopólio a leitura do seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica: [...] [...] [...] [...] No mundo real, cada mercado é entrelaçado com outras instituições e uma determinada cultura social. Por conseguinte, não existe objetivamente apenas um tipo de mercado, mas muitos mercados diferentes, cada um consoante as suas próprias regras inerentes, normas culturais, institucionais e maquiagem. A diferenciação dos mercados em função da tipologia encontrada nos livros texto - da concorrência perfeita ao oligopólio até o monopólio - está longe de contar toda a história. Instituições, rotinas e cultura têm de ser trazidos para a pintura. Os economistas experimentais descobriram uma verdade equivalente nas configurações de laboratório e aprenderam que os resultados experimentais dependem freqüentemente de pressupostos tácitos e configurações culturais dos participantes. Diferentes tipos de instituição de mercado envolvem diferentes rotinas de procedimentos, preços e assim por diante. A noção de um único tipo de mercado universal perdeu credibilidade (McMillan, 2002). (53) [...] [...] [...] Neste sentido, um exemplo de oferta não-concorrencial onde um poder oligopolista é exercido é o mercado de petróleo. Permite-nos compreender tal afirmativa a leitura do seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica: [...] [...] [...] Em um mercado de “commodities” nãoconcorrenciais, onde um poder oligopolista é exercido, como o do petróleo com a OPEP, o fundamento existe, mas não é o custo de produção. É o preço que maximiza a receita de longo prazo do oligopólio. (34) [...] [...] [...] Entretanto, doravante iremos sustentar que a evolução dos preços de alguns títulos bursateis negociados no “moderno capitalismo bursátil”, adicionalmente ao fato de obedecerem a uma oferta nãoconcorrencial obedece a um poder oligopolista. [...] [...] [...] Prosseguindo em nossa abordagem, uma importante recuperação secundária teve por seu momento inicial o mês de Fevereiro / 2016, tanto para os títulos de Petrobras quanto para os títulos de Vale. Coincidência, ou não, tal recuperação sugerenos que o “moderno capitalismo bursátil brasileiro”, mormente a evolução dos preços dos títulos de Petrobras e Vale se equipara a um oligopólio, como a seguir iremos sustentar. 4. Adicionalmente, vai-nos permitir aprofundar um pouco mais na compreensão da inteligência contida no item “2”, o seguinte fragmento de texto igualmente de autoria do economista francês, André Orléan: [...] Quant à la fonction de financement, rappelons qu’aux États-Unis, durant cette même période (1995-2000), l’émission nette d’actions est restée négative, principalement en raison des importants programmes de rachats de titres, alors même que le marché financier exerçait une influence dominante sur les firmes et sur tout le développement économique ! A tout le moins, ce fait prouve que la puissance du marché des actions a d’autres sources que le seul financement de (28) l’accumulation. Traduzindo: [...] Quanto à função de financiamento, deve-se lembrar que, nos Estados Unidos, durante o mesmo período (1995- 2000), a emissão líquida de ações permaneceu negativa, principalmente devido aos grandes programas de recompra de ações. Mesmo assim, o mercado financeiro exerceu uma influência dominante nas empresas e em todo o desenvolvimento econômico! No mínimo, esse fato prova que o poder do mercado de ações tem outras fontes além do financiamento da acumulação. (28) O fragmento de texto, mencionado no presente item, é de autoria do economista francês, André Orléan. Concordamos integralmente com a inteligência contida nestes dois fragmentos de texto, mormente com importante afirmação feita por André Orléan no primeiro destes fragmentos, qual seja: “[...] a plausibilidade das ações terem um valor intrínseco está longe de ser óbvia.” Entretanto, podemos ler no segundo fragmento de texto acima, que André Orléan sustenta que existem outras fontes do poder do mercado de ações, além do financiamento da acumulação. Tentar descobrir quais são estas outras fontes do poder do mercado de ações, além do financiamento da acumulação, deve ser o próximo passo do presente trabalho. 5. Que la Bourse comme institution de financement, par là différenciée de la Bourse comme institution de spéculation, soit devenue inutile, ce sont les entreprises qui pourraient en parler le mieux. Le problème ne se pose simplement pas pour les petites et moyennes... qui ne sont pas cotées, mais dont on rappellera tout de même qu’elles font l’écrasante majorité de la production et de l’emploi — on répète pour bien marquer le coup : l’écrasante majorité de la production et de l’emploi se passe parfaitement de la Bourse. Plus étonnamment, les grandes entreprises y ont fort peu recours également — sauf quand leur prend l’envie de s’amuser au jeu des fusions et des offres publiques d’achat (OPA). Car lorsqu’il s’agit de trouver du financement, le paradoxe veut que les fleurons du CAC 40 et du Dow Jones aillent le plus souvent voir ailleurs : dans les marchés obligataires, ou bien, par une inavouable persistance dans l’archaïsme... à la banque ! Une succulente ironie veut qu’il y ait là moins l’effet d’une réticence philosophique qu’un effet de plus de la contrainte actionnariale ellemême, qui voit dans toute nouvelle émission l’inconvénient de la dilution, donc de la baisse du bénéfice par action. En somme, le triomphe du pouvoir actionnarial consiste à dissuader les entreprises qui le pourraient le plus de se financer à la Bourse ! Traduzindo: [...] O fato de a Bolsa como instituição financeira, tão distinta da bolsa como instituição especulativa, se ter tornado inútil, é algo que as empresas poderiam dizer melhor. O problema simplesmente não se coloca às pequenas e médias empresas... que não são cotadas, mas que, convém recordar, são responsáveis pela esmagadora maioria da produção e do emprego - repetimos para chamar a atenção para o seguinte: a esmagadora maioria da produção e do emprego está perfeitamente a salvo do mercado bolsista. Mais surpreendentemente, as grandes empresas também fazem muito pouco uso dele - exceto quando lhes apetece jogar o jogo das fusões e ofertas públicas de aquisição. Porque quando se trata de encontrar financiamento, o paradoxo é que as bandeiras do CAC 40 e do Dow Jones procuram mais freqüentemente noutro lugar: nos mercados obrigacionistas, ou, por uma persistência inabalável no arcaísmo... no banco! Uma ironia suculenta é que isto é menos o efeito de uma reticência filosófica do que um efeito adicional do próprio constrangimento do acionista, que vê em qualquer nova questão a desvantagem da diluição, e portanto de uma queda nos ganhos por ação. Em suma, o triunfo do poder acionista consiste em dissuadir as empresas que mais poderiam beneficiar de financiamento na bolsa de valores! Prosseguindo em nossa abordagem, no item “6” apresentamos os conceitos de “mais-valia” e da “dinâmica que leva o preço de mercado a viver sua própria vida e a evoluir independentemente do seu valor”. Em seguida, no item “6”, sustentamos que a obtenção de uma “mais-valia” é a conseqüência da “dinâmica que leva o preço de mercado a viver sua própria vida e a evoluir independentemente de seu valor”. 6. Neste sentido, iremos apresentar a seguir dois fragmentos de texto encontrados na literatura técnica. Em primeiro lugar, iremos apresentar um fragmento de texto encontrado na literatura técnica sobre o que vem a ser a “mais-valia”. Em segundo lugar, iremos mostrar o surgimento no “moderno capitalismo bursátil” de uma “dinâmica que leva o preço de mercado a viver sua própria vida e a evoluir independentemente do seu valor”: [...] [...] [...]  [....] Le prix de l’action varie et on pourrait considérer que le bénéfice de l’actionnaire (ou sa perte) dépend essentiellement de sa plus–value, c’est–à–dire de la différence entre le prix de l’action au jour où il la vend et au jour où il l’avait préalablement acquise, auquel il faudrait ajouter, de manière accessoire, la valeur des dividendes perçus au fil des années. (52) [...] [...] [...] Traduzindo: [...] [...] [...]  [...] O preço da ação varia e pode-se considerar que o lucro (ou prejuízo) do acionista depende essencialmente de sua mais-valia, ou seja, da diferença entre o preço da ação no dia da venda e no dia da aquisição anterior, ao qual deve ser somado, ainda, o valor dos dividendos recebidos ao longo dos anos. (52) [...] [...] [...]  [...] Une dynamique s’installe ainsi qui conduit le prix à « vivre sa propre vie », à évoluer de manière indépendante de sa « valeur » en fonction de sa tendance lue par les différents acteurs dans son évolution historique récente. L’inclination des intervenants à suivre la tendance qu’indique la tendance explique les phénomènes dits de « bulle financière » où le prix décolle, parfois pour des années, de la « valeur » définie comme valeur actuelle des dividendes futurs, manifestant la persistance d’un excès d’acheteurs par rapport au nombre des vendeurs. Inversement, lorsque la tendance s’amorce à la baisse, le même effet de renforcement peut (52) conduire au krach. [...] [...] [...] Traduzindo: [...] [...] [...] [...] Assim, se estabelece uma dinâmica que leva o preço a "viver sua própria vida", a evoluir independentemente de seu "valor" de acordo com a tendência lida pelos diferentes atores em sua recente evolução histórica. A inclinação dos participantes em seguir a tendência que a tendência indica explica o chamado fenômeno da "bolha financeira" onde o preço se descola, às vezes durante anos, do "valor" definido como o valor presente dos dividendos futuros, mostrando a persistência de um excesso de compradores em relação ao número de vendedores. Inversamente, quando a tendência começa baixar, o mesmo efeito de reforço pode levar a um colapso. (52) [...] [...] [...] Por meio da leitura e interpretação dos dois fragmentos de texto acima não nos parece equivocado sustentarmos que a obtenção de uma “mais-valia” se equipara a uma transgressão da economia produtiva. Ademais, tal “mais-valia” é obtida por somente alguns poucos participantes do mercado, como adiante veremos. Quer nos parecer que a obtenção de tal “mais-valia” é apenas uma conseqüência da “dinâmica que leva o preço de mercado a viver sua própria vida e a evoluir independentemente de seu valor”. [...] [...] [...] Neste sentido, encontramos no Anexo “3” os seguintes fragmentos de texto: [...] [...] [...] Ademais, doravante iremos sustentar que uma “maisvalia” passou a ser obtida de forma sistemática e recorrente por determinados participantes do mercado por meio de uma “dinâmica que leva o preço a viver sua própria vida, a evoluir independentemente de seu valor”. Entretanto, tal obtenção de uma “mais-valia” de forma sistemática e recorrente viabiliza uma transferência de riquezas igualmente de forma sistemática e recorrente para alguns poucos participantes do mercado, como temos sustentado ao longo do presente trabalho. [...] [...] [...] Entretanto, antes dissemos que a “mais-valia” é uma dessas outras fontes do poder do mercado de ações. Doravante, iremos sustentar que a “mais-valia” é não apenas uma destas “outras fontes de poder do mercado de ações”, mas indiscutivelmente é a mais importante destas fontes. [...] [...] [...] Prosseguindo em nossa abordagem, no item “7”, sustentamos que a “dinâmica que leva o preço de mercado a viver sua própria vida e a evoluir independentemente de seu valor” é a conseqüência “[...] do compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo.” Em outros termos, tal “[...] dinâmica” é a conseqüência do “paradoxo da liquidez”. 7. Por seu turno, a “dinâmica que leva o preço de mercado a viver sua própria vida e a evoluir independentemente de seu valor”, acima mencionada, parece-nos ser a conseqüência da inteligência contida no seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica: [...] The market, considered as a whole, cannot dispose of a security. [...] This is what I have called “the liquidity paradox”, namely, that the individual liberty to sell a security whenever one pleases exists only by virtue of an implicit commitment on the part of the financial community as a whole to hold on to the totality of securities over the long term. Yet this mutual dependence, which clearly sets financial markets apart from ordinary markets, is concealed from view by the effects of competition. Ordinary markets bring together two groups with clearly divergent interests: producers and consumers. Prices are formed as a result of the tension between these two opposed forces, the one pushing prices upward, the other downward. This is the basis for the law of supply and demand, which prevents either party from gaining too great an advantage over the other. In financial markets, by contrast, nothing of the sort occurs. There is no group of buyers that negotiates with a group of sellers; instead there is a group of individuals, each of whom acts as a buyer and a seller. Structurally, then, above and beyond whatever local reasons there may be for buying or selling, their interests converge. (18) Traduzindo: [...] O mercado, considerado como um todo, não pode dispor de um título. [...] Isso é o que chamei de “paradoxo da liquidez”, ou seja, a liberdade individual de vender um título sempre que quiser existe apenas em virtude de um compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo. No entanto, esta dependência mútua, que distingue claramente os mercados financeiros dos mercados normais, é ocultada de vista pelos efeitos da concorrência. Os mercados normais reúnem dois grupos com interesses claramente divergentes: produtores e consumidores. Os preços são formados como resultado da tensão entre essas duas forças opostas, uma empurrando os preços para cima e a outra para baixo. Esta é a base para a lei da oferta e da demanda, que impede que uma das partes obtenha uma vantagem muito grande sobre a outra. Nos mercados financeiros, ao contrário, nada disso ocorre. Não há um grupo de compradores que negocia com um grupo de vendedores; em vez disso, há um grupo de indivíduos, cada um dos quais age como um comprador e vendedor. Estruturalmente, então, acima e além de quaisquer razões locais que possam existir para comprar ou vender, seus interesses convergem. (18) Prosseguindo em nossa abordagem, no item “8”, sustentamos que a “dinâmica que leva o preço de mercado a viver sua própria vida e a evoluir independentemente de seu valor” é a conseqüência “[...] do compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo.” Em outros termos, tal “[...] dinâmica” é a conseqüência do “paradoxo da liquidez”. No item “8”, sustentamos que o “[...] compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo” significa que àqueles que mantêm a “[...] totalidade dos títulos no longo prazo” podem estar carregando um pesado fardo. Neste sentido, doravante iremos sustentar que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “pirâmide financeira”. 8. Prosseguindo em nossa abordagem parece-nos oportuno a leitura do seguinte fragmento de texto de autoria do economista francês, André Orléan: [...] [...] [...] [...] An individual investor's expectation, in other words, is formed on the basis of what he expects the expectations of his fellow investors to be. An essentially mimetic sort of rationality is at work here, for it seeks to mimic the market in order to anticipate its course, however erratic this may be. If the investor believes that market prices will rise tomorrow, self-interest instructs him to buy shares, even if he also believes that this prospect, FROM THE POINT OF VIEW OF FUNDAMENTALS, MAKES NO SENSE. (maiúsculo nosso) [...] [...] [...] Traduzindo: [...] [...] [...] [...] Em outras palavras, a expectativa de um investidor individual é formada com base no que ele espera que sejam as expectativas de seus colegas investidores. Um tipo essencialmente mimético de racionalidade está em ação aqui, pois busca imitar o mercado para antecipar seu curso, por mais errático que seja. Se o investidor acredita que os preços de mercado vão subir amanhã, o interesse próprio o instrui a comprar ações, mesmo que ele também acredite que essa perspectiva, DO PONTO DE VISTA DOS FUNDAMENTOS, NÃO FAZ SENTIDO. (maiúsculo nosso) Entretanto, parece-nos que por ocasião da redação do fragmento de texto, por André Orléan, o economista francês se esqueceu de algo que ele próprio disse: [...] [...] [...] “[...] o fato de um indivíduo ter a liberdade para vender um título sempre que desejar existe apenas em virtude de um compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo.” (18) [...] [...] [...] Deste modo, “[...] o compromisso implícito [...]”, encontrado no fragmento de texto acima, nitidamente contrasta com a expressão “[...] Um tipo essencialmente mimético de racionalidade está em ação aqui [...]”. No entanto, tal contraste permite-nos sustentar que a evolução dos preços no “moderno capitalismo bursátil” pode ser diferente de um simples “comportamento mimético”. Assim, devido ao “[...] compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo” significa que àqueles que mantêm a “[...] totalidade dos títulos no longo prazo” podem estar carregando um pesado fardo. Neste sentido, doravante iremos sustentar que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “pirâmide financeira”. E, nas “pirâmides financeiras” os últimos a vender são os que mais perdem. Neste sentido, antes vimos que tais títulos são adquiridos devido a INTERESSES que CONVERGEM. Igualmente, doravante iremos sustentar que tais títulos são mantidos em carteira de forma quase que permanente devido à convergência de INTERESSES. Consequentemente, àqueles participantes do mercado que “mantêm em carteira” de forma quase que permanente títulos que têm por “valor intrínseco” valores bem inferiores aos do respectivo “preço de mercado”, estão transferindo riquezas para “determinado capital financeiro”, como doravante veremos. Adicionalmente, doravante iremos sustentar que prevalece em certos mercados bursáteis, além de uma oferta “nãoconcorrencial”, certo poder oligopolístico. Entretanto, uma oferta “não-concorrencial”, mormente quando associada a um poder oligopolístico, contraria totalmente a “hipótese dos mercados eficientes”, como doravante veremos. [...] [...] [...] Assim, no mesmo sentido “[...] DO PONTO DE VISTA DOS FUNDAMENTOS, NÃO FAZ SENTIDO [...]” encontramos na literatura técnica o seguinte fragmento de texto: “[...] Como “pirâmides da felicidade”, as bolhas especulativas apóiam-se numa hipótese impossível: a de que novos investidores sempre entrarão na ciranda, para sustentar os ganhos dos que chegaram antes. Provavelmente, ninguém melhor do que Hyman Minsky evidenciou os encadeamentos da economia de mercado, resumidos por ele na eloqüente expressão “cegueira ao desastre”. Minsky dedicou particular atenção aos distúrbios provocados por Charles Ponzi, especulador dos anos 20, que iludiu pessoas ingênuas, seduzidas por promessas de rendimentos extraordinários. Na falta de qualquer ativo real capaz de cobrir os rendimentos anunciados, Ponzi oferecia a seus primeiros clientes o capital aportado pelos que vinham depois. A sustentabilidade do conjunto supunha, portanto, a manutenção infinita do fluxo de novos clientes. Próximas à fraude, todas as bolhas especulativas baseiam-se num mecanismo bastante semelhante. Elas requerem uma entrada constante de investimentos, para manter o mercado em alta e a ilusão de que, assim, todo mundo ganha. O segredo da bolha é a adesão especulativa. Investimentos de alta rentabilidade atraem aplicadores cada vez mais comuns — portanto, cada vez menos esclarecidos, porém mais numerosos. (14)” [...] [...] [...] Consequentemente, estamos aqui sustentando que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “pirâmide financeira”. Por seu turno, tal sustentação permite-nos contestar a hipótese do “comportamento mimético”. [...] [...] [...] Prosseguindo em nossa abordagem, encontramos, respectivamente, nos itens “9” e “10”, os seguintes fragmentos de texto que reforçam nossa sustentação de que o “moderno capitalismo bursátil” equipara-se a uma “pirâmide financeira”:  [...] O crescimento do setor financeiro e dos ganhos que este proporciona só é possível na proporção exata do aumento da mais-valia não acumulada, e um, como o outro, admitem limites que foram atingidos. (22) [...] [...] [...] [...] Este cenário é tipicamente àquele de uma crise nos fundos de pensões, quando toda uma geração de aposentados passa ao mesmo tempo, de uma situação de investidor, que compra títulos para aquela de um aposentado, que vende os títulos para financiar o seu consumo. Em síntese, “[...] este cenário [...] quando toda uma geração de aposentados passa ao mesmo tempo, de uma situação de investidor, que compra títulos para aquela de um aposentado, que vende os títulos para financiar o seu consumo”, equivale a uma “pirâmide financeira”. [...] [...] [...] 9. Prosseguindo em nossa abordagem, reforça nossa sustentação de que o “moderno capitalismo bursátil” equipara-se a uma “pirâmide financeira” o seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica: [...] [...] [...] [...] La croissance de la sphère financière et des revenus qu’elle procure n’est possible qu’en proportion exacte de l’augmentation de la plus-value non accumulée, et l’une comme l’autre admettent des limites, qui ont été atteintes.(22) [...] [...] [...] Traduzindo: [...] [...] [...] [...] O crescimento do setor financeiro e dos ganhos que este proporciona só é possível na proporção exata do aumento da mais-valia não acumulada, e um, como o outro, admitem limites que foram atingidos. (22) [...] [...] [...] Assim, a expressão “[...] admitem limites que foram atingidos” reforça nossa sustentação de que o “moderno capitalismo bursátil” se assemelha a uma “pirâmide financeira”. Neste sentido, igualmente as “pirâmides financeiras” têm um tempo de vida limitado. E, tal limitação temporal põe em evidencia mais um nítido contraste com a inteligência contida em certo fragmento de texto de autoria do economista francês, André Orléan, antes mencionado: [...] [...] [...] “[...] Um tipo essencialmente mimético de racionalidade está em ação aqui, pois busca imitar o mercado para antecipar seu curso, por mais errático que seja. Se o investidor acredita que os preços de mercado vão subir amanhã, o interesse próprio o instrui a comprar ações, mesmo que ele também acredite que essa perspectiva, do ponto de vista dos fundamentos, não faz sentido.” 10. Igualmente, permite-nos ilustrar nossa contestação a hipótese do “comportamento mimético” o seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica: [...] Tout dépend au fond de ce que l’on fait des revenus des actifs financiers. Tant que ceux-ci sont intégralement réinvestis, lês patrimoines croissent en-dehors de tout lien matériel avec la sphère réelle et l’écart peut potentiellement devenir infini. Mais si une partie des droits de tirage qui correspondent aux revenus financiers cherchent à se porter dans la sphère réelle, autrement dit à s’échanger contre des biens et services, ce transfert doit se plier à la loi de la valeur ou plus prosaïquement à celle de l’offre et de la demande. [...] Ce scénario est typiquement celui d’une crise des fonds de pension, quand toute une génération de retraités passe en même temps de la situation d’épargnant qui achète des titres à celle de retraité. qui vend les titres pour financer sa consommation. (22) [...] [...] [...] Traduzindo: [...] Tudo, no fundo, depende do que fazemos com os ganhos dos ativos financeiros. Enquanto eles forem totalmente reinvestidos, os ativos crescem sem qualquer conexão física com a economia real e a diferença pode tornar-se potencialmente infinita. Mas se uma parte destes direitos de retiradas correspondentes aos ganhos financeiros procurar se transferir para a esfera real – ou seja, procurar se trocar por bens e serviços –, tal transferência deve obedecer à lei do valor ou, mais prosaicamente, àquela lei da oferta e da procura. [...] Este cenário é tipicamente aquele de uma crise nos fundos de pensões, quando toda uma geração de aposentados passa ao mesmo tempo, de uma situação de investidor, que compra títulos para aquela de um aposentado, que vende os títulos para financiar o seu consumo. [...] [...] [...] Em síntese, “[...] este cenário [...] quando toda uma geração de aposentados passa ao mesmo tempo, de uma situação de investidor, que compra títulos para aquela de um aposentado, que vende os títulos para financiar o seu consumo”, pode ser equiparado a uma “pirâmide financeira”. [...] [...] [...] No item “11”, ilustramos que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “pirâmide financeira”. Entretanto, ainda neste item procuramos uma maneira de quantificar que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “pirâmide financeira” (“cerne do problema”). 11. Adicionalmente, vai-nos permitir ilustrar que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “pirâmide financeira” a leitura do seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica: [...] But, financial assets represent the right to a share of the surplus value that is produced. As long as this right is not exercised, it remains virtual. But as soon as anyone exercises it, they discover that it is subject to the law of value, which means one cannot distribute more real wealth than is produced. THE DISCREPANCY BETWEEN THE EXUBERANT INFLATION OF THE FINANCIAL SPHERE AND THE MORE MODERATE GROWTH OF THE REAL ECONOMY IS THE CRUX OF THE PROBLEM. (44) (maiúsculo nosso) [...] [...] [...] Traduzindo: [...] [...] [...] [...] Mas, os ativos financeiros representam uma parcela da mais-valia que é produzida. Enquanto esse direito não for exercido, ele permanecerá virtual. Mas logo que alguém o exerce, ele descobre que esse está sujeito à lei do valor, o que significa que não se pode distribuir mais riqueza real do que a produzida. A DISCREPÂNCIA ENTRE A INFLAÇÃO EXUBERANTE DA ESFERA FINANCEIRA E O CRESCIMENTO MAIS MODERADO DA ECONOMIA REAL É O CERNE DO PROBLEMA. (44) (maiúsculo nosso) [...] [...] [...] Como conseqüência do “moderno capitalismo bursátil” se equiparar a uma “pirâmide financeira” encontramos no item “12” o seguinte fragmento de texto: [...] Quanto à contribuição das finanças para o crescimento, sugiro que você compare a taxa média de crescimento dos gloriosos anos 30, portanto sem finanças desregulamentadas e com um mercado de ações insignificante (5% ao ano em média), e aquela do período de desregulamentação-viva de duas décadas. O caso é visto rapidamente. E isso não é de forma alguma um apelo retrógrado, mas simplesmente a idéia - lógica - de que um contraexemplo é suficiente para arruinar uma generalidade. Do qual, portanto, não devemos mais ser prisioneiros. 12. “[...] O benefício não está assegurado, depende do mercado. Assim, esses sistemas favorecem igualmente a insegurança social: sabe-se o que se paga, mas não o que se vai receber. Os gestores dos fundos aludidos agitam os estudos, mostrando que, num longo período, as ações sempre rendem. Um destes gestores explica ao jornal econômico Les Echos: “A queda da Bolsa? Este risco não diz respeito ao poupador, pois ele tem a seu favor a duração. A natureza das Bolsas faz bem as coisas!”. O problema é que a natureza humana não faz as coisas tão bem. Tudo depende do início da aposentadoria. Se ele se situa em um momento de alta da Bolsa, o cálculo da renda ou do capital investido será feito no Zênite. Em período de derrocada, ele será o mais baixo possível. O economista norte-americano Christian E. Weller calculou que tendo investido a mesma quantia durante 40 anos, um aposentado a partir de 1966 teria dobrado seu investimento. Dez anos mais tarde, um aposentado iniciando nas mesmas condições não ganharia mais que 40% do que tivesse investido. E a situação das bolsas piorou muito de 1976 para cá.” (36) No item “13” encontramos o seguinte fragmento de texto: [...] O público também detém ativos financeiros indiretamente, em grande parte por meio dos fundos de pensão. Mas, aqui tem ocorrido um efeito paradoxal: devido à maneira por meio do qual os fundos de pensão são avaliados, o “QE” geralmente tem aumentado mais as obrigações dos fundos de pensão do que dos seus ativos. (49) É do conhecimento comum que realiza prejuízo certo investidor que comprou determinada ação e numa posterior baixa de tal título venda o referido título por preço em moeda constante inferior ao da compra anterior. Por outro lado, realiza lucro certo investidor que esteja igualmente comprado em determinado título e numa eventual e posterior alta de tal título venda o referido título por preço superior em moeda constante ao de uma compra anterior. Entretanto, parece-nos incompreensível que venha a ter prejuízo determinado investidor que na eventualidade de determinado título alcançar preço superior em moeda constante ao de uma anterior aquisição do mesmo título venha a vendê-lo. Não obstante, parece-nos que é isto o que ocorre nos fundos de pensão do Reino Unido. Neste sentido, podemos ler no texto antes mencionado que como conseqüência da alta das ações ocorre nos fundos de pensão do Reino Unido certo paradoxo. Assim, devido ao modo como os fundos de pensão são avaliados o “QE” geralmente tem aumentado mais as obrigações destas instituições sociais. Em apertada síntese, a observação acima nos permite chegar a mais uma conclusão: no “hodierno capitalismo bursátil” sempre existe um beneficiário e um perdedor. O beneficiário é usualmente “determinado capital financeiro”; o perdedor é geralmente o “trabalhador”. Chegamos à conclusão de que o beneficiário do “hodierno capitalismo bursátil” é “determinado capital financeiro”, pois como antes vimos o estímulo proporcionado pelo “QE” só foi possível devido à ajuda dos bancos centrais. 13. Como conseqüência do “moderno capitalismo bursátil” se equiparar a uma “pirâmide financeira” encontramos na literatura técnica o seguinte fragmento de texto: [...] Pour ce qui est de la contribution de la finance à la croissance, je vous suggère de comparer le taux de croissance moyen des trente glorieuses, donc sans finance dérégulée et avec une Bourse croupion (5% l’an en moyenne), et celui de la période de hourrah-dérégulation depuis deux décennies. L’affaire est vite vue. Et ceci n’est nullement un plaidoyer passéiste mais simplement l’idée — logique — qu’un contre-exemple suffit à ruiner une généralité. Dont nous ne devrions donc plus être prisonniers. (55) Traduzindo: [...] Quanto à contribuição das finanças para o crescimento, sugiro que você compare a taxa média de crescimento dos gloriosos anos 30, portanto sem finanças desregulamentadas e com um mercado de ações insignificante (5% ao ano em média), e àquela do período de desregulamentação-hurra de duas décadas. O caso é visto rapidamente. E isso não é de forma alguma um apelo retrógrado, mas simplesmente a idéia - lógica - de que um contraexemplo é suficiente para arruinar uma generalidade. Do qual, portanto, não devemos mais ser prisioneiros. 14. A literatura técnica sustenta que os extravagantes preços alcançados pelos títulos bursáteis são conseqüência da formação de “bolhas especulativas”. Entretanto, as “bolhas especulativas” igualmente podem surgir como conseqüência do “QE” *, como veremos, por meio da leitura do seguinte fragmento de texto do economista britânico, John Kay: [...] Now there is far more liquidity in the system, most of it supporting the short-term trading of financial institutions. Or at least there is the appearance of liquidity: when confidence dried up towards the end of 2008, so did liquidity. The primary intention and effect of central bank interventions since 2008 has been to restore such liquidity. [...] In the modern financial economy, the main effect of “QE” is to boost asset prices, as market gyrations of recent weeks have clearly illustrated. But is the pursuit of higher asset prices an effective or desirable means of promoting economic growth? The distributional impact of the policy demands attention; the one certain consequence of boosting asset prices is that those with assets benefit relative to those without. [...] The public also holds financial assets indirectly, largely through pension funds. But here there has been a paradoxical effect: because the way pension funds are valued, “QE” has generally increased pension funds' liabilities more than their assets. (49) * Quantitative Expansion Traduzindo: [...] Agora há muito mais liquidez no sistema, a maior parte dela suportando as negociações de curto prazo das instituições financeiras. Ou pelo menos há a aparência de liquidez: quando a confiança secou no final de 2008, o mesmo aconteceu com a liquidez. A principal intenção e efeito das intervenções do banco central desde 2008 tem sido restaurar essa liquidez. [...] Na economia financeira moderna, o principal efeito do “QE” é impulsionar os preços dos ativos, como as oscilações de mercado das últimas semanas têm claramente ilustrado. Mas é a busca por preços mais elevados para os ativos um meio eficaz ou desejável de se promover o crescimento econômico? O impacto distributivo desta política exige atenção; a conseqüência certa de impulsionar os preços dos ativos é que aqueles com ativos se beneficiam mais em relação àqueles sem. [...] O público também detém ativos financeiros indiretamente, em grande parte por meio dos fundos de pensão. Mas, aqui tem ocorrido um efeito paradoxal: devido à maneira por meio do qual os fundos de pensão são avaliados, o “QE” geralmente tem aumentado mais as obrigações dos fundos de pensão do que dos seus ativos. (49) *Expansão Quantitativa Neste sentido, parece-nos oportuno realçar algo acima mencionado: o paradoxo de o “QE” geralmente aumentar mais as obrigações dos fundos de pensão do que dos seus ativos. O estímulo conhecido por “QE” é a espécie mais recente do gênero incremento de “liquidez”. Entretanto, pretendemos aqui chamar a atenção do leitor para respectivamente, uma observação e um questionamento do economista britânico, John Kay. Neste sentido, o economista britânico observou: [...] Na economia financeira moderna, o principal efeito do “QE” é impulsionar os preços dos ativos, como as oscilações de mercado das últimas semanas têm claramente ilustrado. Mas é a busca por preços mais elevados para os ativos um meio eficaz ou desejável de se promover o crescimento econômico? Iremos a seguir discutir a afirmação e o questionamento encontrado no antes mencionado fragmento de texto de autoria do economista britânico, John Kay. É do conhecimento comum que realiza prejuízo certo investidor que comprou determinada ação e numa posterior baixa de tal título venda o referido título por preço em moeda constante inferior ao da compra anterior. Por outro lado, realiza lucro certo investidor que esteja igualmente comprado em determinado título e numa eventual e posterior alta de tal título venda o referido título por preço superior em moeda constante ao de uma compra anterior. Entretanto, parece-nos incompreensível que venha a ter prejuízo determinado investidor que na eventualidade de determinado título alcançar preço superior em moeda constante ao de uma anterior aquisição do mesmo título venha a vendê-lo. Não obstante, parece-nos que é isto o que ocorre nos fundos de pensão do Reino Unido. Neste sentido, podemos ler no texto antes mencionado que como conseqüência da alta das ações ocorre nos fundos de pensão do Reino Unido certo paradoxo. Assim, devido ao modo como os fundos de pensão são avaliados o “QE” geralmente tem aumentado mais as obrigações destas instituições sociais. Em apertada síntese, a observação acima nos permite chegar a mais uma conclusão: no “hodierno capitalismo bursátil” sempre existe um beneficiário e um perdedor. O beneficiário é usualmente “determinado capital financeiro”; o perdedor é geralmente o “trabalhador”. Chegamos à conclusão de que o beneficiário do “hodierno capitalismo bursátil” é “determinado capital financeiro”, pois como antes vimos o estímulo proporcionado pelo “QE” só foi possível devido à ajuda dos bancos centrais. No caso dos EUA a ajuda veio do FED e do Departamento do Tesouro, como antes vimos. Entretanto, o FED é uma empresa privada. Não obstante, é do conhecimento comum que toda empresa privada procura obter os interesses de seus donos. Logo, o simples fato de o FED ser uma empresa privada é um indício de que o “moderno capitalismo bursátil” pode ser equiparado a um favoritismo, mesmo uma “conspiração”. Encontramos a explicação para nossa observação acima no fato de que embora o estímulo conhecido por “QE” venha a conter crises, igualmente viabiliza que determinado capital financeiro obtenha uma “maisvalia” de forma sistemática e recorrente. Neste sentido, antes sustentamos que uma das fontes do poder do mercado de ações, além do financiamento da acumulação, é a obtenção de uma “mais-valia”. Ademais, doravante vamos sustentar que a obtenção de uma “mais-valia” é a principal destas outras fontes. Por fim, mas não menos importante, antes sustentamos que a obtenção de uma “mais-valia” de forma sistemática e recorrente por apenas alguns poucos participantes do mercado é um indício de que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “conspiração”. Por outro lado, não nos parece equivocado sustentarmos que existem indícios de que o trabalhador é o principal “perdedor” do hodierno capitalismo bursátil, pois como antes vimos devido ao modo como os fundos de pensão são avaliados no Reino Unido o “QE” geralmente tem aumentado mais as obrigações de tais instituições sociais. Assim, nos fundos de pensão do Reino Unido o aumento a maior das obrigações com toda certeza é um prejuízo para os associados de tais instituições sociais: os trabalhadores. Ademais, a obtenção de uma “mais-valia” por “determinado capital financeiro” de forma sistemática e recorrente equivale a uma transferência de riquezas dos trabalhadores e pequenos acionistas para “determinado capital financeiro”, como adiante veremos. Entretanto, tal “transferência de riquezas” é um sinal enviado pelo próprio mercado que vai-nos permitir reforçar duas conclusões: (1) o “moderno capitalismo bursátil” pode ser equiparado a uma “conspiração”; (2) e que o mesmo tende a deixar de existir. Chegamos a estas duas conclusões com fundamentos no simples fato de que como o “moderno capitalismo bursátil” se resume ao ganho de uns poucos em detrimento da perda de dois grupos específicos, conforme demonstramos. Assim, podemos dizer que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “conspiração”. Entretanto, é do conhecimento comum que toda “conspiração” depois de descoberta tende a deixar de existir. Logo, o “moderno capitalismo bursátil” tende a deixar de existir. Permite-nos reforçar a sustentação acima, o contraste entre a inteligência contida nos seguintes fragmentos de texto: [...] Próximas à fraude, todas as bolhas especulativas baseiam-se num mecanismo bastante semelhante. Elas requerem uma entrada constante de investimentos, para manter o mercado em alta e a ilusão de que, assim, todo mundo ganha. O segredo da bolha é a adesão especulativa. (14) [...] Agora há muito mais liquidez no sistema, a maior parte dela suportando as negociações de curto prazo das instituições financeiras. (49) Assim, o primeiro fragmento de texto acima mencionado é parte do conceito de “pirâmide financeira”, antes apresentado. Por outro lado, o segundo fragmento de texto acima é parte essencial do texto que faz referência ao “QE” igualmente antes apresentado. Em síntese, “[...] uma entrada constante de investimentos, para manter o mercado em alta [...]”, expressão encontrada no primeiro fragmento de texto tem a mesma inteligência de certa expressão encontrada no segundo fragmento de texto acima: “agora há muito mais liquidez no sistema, a maior parte dela suportando as negociações de curto prazo das instituições financeiras.” Deste modo, não nos parece equivocado concluirmos que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “pirâmide financeira”. Por seu turno, somos levados a relembrar algo que sustentamos anteriormente: a principal fonte do poder do “moderno capitalismo bursátil” é a obtenção de uma “mais-valia” por alguns poucos participantes do mercado bursátil, em detrimento dos trabalhadores e pequenos acionistas. Igualmente, chegamos a tal conclusão de forma excludente, pois como sustentamos anteriormente o “moderno capitalismo bursátil” não serve tanto para avaliar os títulos bursáteis quanto para financiar a acumulação. Parece-nos oportuno sustentar que certa prática com efeito semelhante a do “QE” tem ocorrido nos fundos de pensão brasileiros: a manutenção em carteira de forma quase que permanente de determinados títulos que são apenas a matéria prima para transações, conforme a seguir iremos sustentar. 15. Prosseguindo em nossa abordagem, a seguir vamos apresentar três indícios de que o “moderno capitalismo bursátil brasileiro” se equipara a um oligopólio: [...] [...] [...] Em primeiro lugar, sugere-nos que o “moderno capitalismo bursátil brasileiro” se equipara a um oligopólio certa constatação a que chegamos anteriormente no presente anexo: o fato dos títulos de Petrobras e Vale terem tido valorizações desproporcionais, que ultrapassaram em mais de 12 (doze) vezes a valorização média dos demais títulos da composição do índice Ibovespa, num período de pelo menos 16 (dezesseis) anos. Assim, pretendemos demonstrar que tais valorizações desproporcionais beneficiam os detentores das ações por meio de um misto do uso de derivativos e informações privilegiadas. [...] [...] [...] Em segundo lugar, sugere-nos que o “moderno capitalismo bursátil brasileiro” se equipara a um oligopólio o surgimento de longos períodos de alta e baixa, os quais podem ser visualizados nos gráficos de certos títulos bursateis listados na Bolsa de Valores brasileira. O surgimento de longos períodos de baixa e alta sugere-nos que uma manipulação de longo prazo esteve por trás da evolução dos preços dos mencionados títulos bursateis. Neste sentido, antes registramos no presente anexo que os títulos de Petrobras e Vale tiveram valorizações desproporcionais, pois ultrapassaram em mais de 12 (doze) vezes a valorização média dos demais títulos da composição do índice Ibovespa, num período de pelo menos 16 (dezesseis) anos. Do mesmo modo, igualmente longos períodos de baixa podem ser observados nos gráficos de tais títulos. Neste sentido, a simples visualização dos gráficos “9” e “10”, permite-nos comprovar tal afirmação. Neste sentido, vimos no Gráfico “10” que o preço de mercado dos títulos de Vale encolheu 92% em dólares norte-americanos no período compreendido entre Jan / 2011 a Fev / 2016. [...] [...] [...] Similarmente, podemos ver no Gráfico “9” que o preço de mercado dos títulos de Petrobras encolheu aproximadamente 90% em dólares norte-americanos no período compreendido entre Jan / 2010 a Fev / 2016. [...] [...] [...] Em terceiro lugar, permite-nos sustentar que o moderno capitalismo bursátil brasileiro se equipara a um oligopólio a leitura e interpretação das seguintes notícias encontradas na Internet: [...] [...] [...] Notícia “1” https://www.moneytimes.com.br/camacolhe- pedido-da-petrobras-edissolve- tribunal-de-acao-de-petros-eprevi/ [...] [...] [...] Notícia “2” https://www.cut.org.br/noticias/opreco- do-golpe-petrobras-paga-r-10- bilhoes-a-acionistas-norteamericanos- 151f/*[...] [...] [...] *Contribuição do colega Miro [...] [...] [...] Notícia “1” A Petrobras (PETR4) recebeu nesta quinta-feira (25/03/2021) decisão favorável da Câmara de Arbitragem do Mercado, que acolheu um pedido de impugnação realizado pela empresa e dissolveu o tribunal arbitral que havia proferido sentença parcial em processo instaurado pelos fundos de pensão Petros e Previ, informou a companhia. A decisão, segundo a Petrobras, reconhece a nulidade da sentença parcial na arbitragem, confirmando decisão proferida pela 5ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro em novembro do ano passado. Agora, as partes deverão eleger três novos árbitros para condução do procedimento e novo julgamento da causa, acrescentou a estatal, que não forneceu mais detalhes do processo devido à confidencialidade prevista em regras da CAM. “A Petrobras reitera que continuará a se defender vigorosamente, em respeito a seus acionistas, em todas as arbitragens de que é parte”, afirmou a empresa. Segundo reportagens na imprensa, publicadas pelo Valor Econômico, Petros e Previ teriam pedido no procedimento ressarcimentos à Petrobras em razão de prejuízos relacionados às descobertas da Operação Lava Jato, que apurou propinas envolvendo políticos e empresas estatais e privadas no Brasil. Notícia “2” HOME CUT - CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES NOTÍCIAS O preço do golpe: Petrobras paga R$10 bilhões a acionistas norteamericanos Para coordenador geral da FUP, valor é para pagar o golpe de 2016, já que nem a Justiça dos EUA nem a do Brasil exigiram essa compensação financeira antes do julgamento final da ação movida contra a empresa Publicado: 25 Junho, 2018 - 17h00 | Última modificação: 25 Junho, 2018 - 17h22 Escrito por: Rosely Rocha, especial para Portal CUT TÂNIA RÊGO/AGÊNCIA BRASIL notice Em mais um ato de lesa pátria, a Petrobras divulgou oficialmente, nessa segunda-feira (25), que fez um acordo com investidores americanos, acionistas e detentores de títulos da estatal, para tentar acabar com uma ação coletiva contra a empresa. Apesar do acordo aprovado "de forma definitiva" pela Corte Federal de primeira instância em Nova York, a própria Petrobras reconheceu que a ação coletiva (Class Action), nos Estados Unidos, não está encerrada e que a decisão pode ser objeto de recurso à Corte de Apelações do Segundo Circuito. A “Class Action” foi movida por investidores da estatal em decorrência de perdas provocadas pelo suposto envolvimento da companhia nos supostos desvios investigados pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal. A Federação Única dos Petroleiros (FUP) questiona o valor da indenização de R$ 10 bi, já que é sete vezes maior do que os R$ 1,4 bi, que a Operação Lava Jato recuperou para a companhia Para o coordenador geral da FUP, Simão Zanardi, a decisão da estatal mostra a subserviência da Petrobras frente ao mercado financeiro internacional. “É um absurdo a Petrobras pagar os fundos abutres sem pagar também os acionistas brasileiros. O correto seria pagar a todos os acionistas, não apenas os residentes nos Estados Unidos. Isto é um crime”, declara. Segundo o dirigente, embora tenha anunciado oficialmente o acordo somente nessa segunda-feira, a decisão de pagar os acionistas norteamericanos foi do ex-presidente da estatal Pedro Parente, que já havia dito que queria “ficar bem” no mercado internacional. “Nada justifica pagar uma ação sem julgamento final, sem que tenham se esgotado todos os recursos. A Petrobras tem várias ações já transitadas e julgadas na área trabalhista, tem dívidas de impostos no Brasil e a empresa não paga, mas paga para bancos e acionistas dos Estados Unidos”, denuncia Zanardi. Para ele, os 10 bilhões de reais pagos aos norte-americanos deixam claro que é o pagamento pelo apoio que os Estados Unidos deram à Operação Lava Jato e, conseqüentemente, ao golpe de 2016, que destituiu a presidenta Dilma Rousseff, eleita democraticamente com mais de 54 milhões de votos. - Assim, por meio da leitura e interpretação da inteligência contida nas notícias, acima mencionadas, tomamos conhecimento que distintos aplicadores financeiros obtiveram resultados totalmente diferentes em tribunais do Brasil e dos EUA, respectivamente. Em outros termos, não nos parece equivocado dizer: existem duas castas de aplicadores financeiros na Bolsa de Valores brasileira: os de dentro do oligopólio; e os de fora deste. [...] [...] [...] 16. Selecionamos da literatura técnica acima os seguintes fragmentos de texto: “[...] Portanto, é possível descrever essa incerteza, distinguindo as conseqüências de cada ação com referência a um estado correspondente do mundo.” “[...] dois tipos de probabilidade são habitualmente distinguidos: probabilidades objetivas, que são calculáveis à priori, e probabilidades subjetivas, que devem ser calculadas com base nas crenças individuais.” “[...] Essa perspectiva analítica pode ser transposta diretamente para as decisões de investimento.” “[...] Quando um investidor compra um bem de capital (normalmente uma parte do capital, ou ações, de uma empresa), adquire o fluxo de receitas que este bem irá produzir durante toda a sua vida útil.” Com fundamentos nos fragmentos de texto acima selecionados, iremos sustentar que o “valor intrínseco” da empresa Vale em Dezembro / 2020 era 0 (zero). [...] [...] [...] Como demonstração inicial da observação acima iremos sustentar que tanto o “preço de mercado” quanto o “valor intrínseco” dos títulos bursáteis de Vale estiveram próximos de 0 (zero) em passado recente. [...] [...] [...] Neste sentido, iremos sustentar em primeiro lugar que o “preço de mercado” dos títulos de Vale esteve próximo de 0 (zero) em passado recente. Em segundo lugar, iremos sustentar que o “valor intrínseco” dos títulos de Vale esteve próximo de 0 (zero), igualmente em passado recente. Podemos facilmente comprovar a primeira afirmação por meio da simples visualização do Gráfico “1”, abaixo disponibilizado: [...] [...] [...] Gráfico 1 – ADRs de Vale na Bolsa Nasdaq (acesso em 15/09/2016) [...] [...] [...] www.nasdaq.com/symbol/vale/int er active-chart (opção: Max.) [...] [...] [...] Assim, podemos visualizar no Gráfico “1”, acima apresentado, que o “preço de mercado” dos títulos ADRs de Vale encolheu aproximadamente 92% em dólares norte-americanos no período de Janeiro / 2011 à Fevereiro / 2016. Portanto, não nos parece equivocado concluirmos que uma queda adicional de apenas 8% no preço de mercado dos títulos de Vale levaria o preço de mercado de Vale para 0 (zero)[...] [...] [...] Por outro lado, vamos sustentar a segunda afirmação, por meio da análise de duas notícias encontradas na Internet. Neste sentido, vamos a seguir apresentar as notícias que denominaremos de “Análise Vale 1” e “Análise Vale 2”. [...] [...] [...] “Análise Vale 1” [...] [...] [...] “[...] During the last three years, Vale has failed to grow revenues or improve margins. Even worse, the company has paid out almost $8B in dividends since 2009, while it has incurred Free Cash Flows of less than $1.2B at the same time. In conjunction with that, Net Debt has increased from less than $10B in 2009 to whoping $24b+ as of the end of 2014. In addition to that, interest expense has almost doubled from $594M in 2009 to $1.1B last year. Capital expenditures totaling $56B over the past 6 years, which were largely financed by the debt, have failed to produce any meaningful returns. [...] Dividends are unsustainable and largely paid by money raised from asset sales and debt. [...] [...] [...] Traduzindo: [...] [...] [...] “[...] Durante os últimos três anos, a Vale não conseguiu aumentar as receitas ou melhorar as margens. Pior ainda, a empresa pagou quase US $ 8 Bi em dividendos desde 2009, embora tenha incorrido em fluxos de caixa livre de menos de US $ 1,2 Bi, no mesmo período. Em conjunto com isso, a dívida líquida aumentou de menos de US $ 10 Bi em 2009 para impressionantes números superiores a US $ 24 Bi no final de 2014. Além disso, a despesa de juros quase dobrou de US $ 594 Mi em 2009 para US $ 1,1Bi no ano de 2014. As despesas de capital totalizaram US $ 56 Bi ao longo dos últimos 6 anos, que foram em grande parte financiadas pela dívida, e falharam em produzir quaisquer retornos significativos. [...] Os dividendos são insustentáveis e foram grandemente pagos com dinheiro levantado da venda de ativos e aumento de dívida. [...] [...] [...] A leitura da notícia acima indica-nos que os dividendos pagos pela Vale de 2009 a 2014 foram bastante superiores aos “fluxos de caixa livre” desta mesma empresa neste mesmo período de tempo. Neste sentido, os dividendos pagos pela Vale de 2009 a 2014 foram retirados em grande parte de recursos provenientes da venda de ativos e aumento de dívida, conforme mencionado na notícia acima. Assim, US $ 8 Bi - US $ 1,2 Bi= - US $ 6,8 Bi. Ou seja, o fato da Vale ter pago US$ 6,8 Bi em dividendos além dos “fluxos de caixa livre” sugere-nos que o “valor intrínseco” desta empresa neste período de 6 (seis) anos esteve próximo de 0 (zero). Assim, tal diferença a menor de US $ 6,8 Bi sugere-nos, no mínimo, que a Vale ficou após 2014 com a obrigação “moral” de “recuperar” tais dividendos pagos com insuficiente contrapartida de “fluxos de caixa livre”. [...] [...] [...] Reasons Why Vale Is A Fail? (NYSE:VALE) [...] [...] [...] Seeking Alpha http://seekingalpha.com/article/29 9 2216-reasons-why-vale-is-afail? auth_param=14eeqk:1ag3de q:f580f47d8ee466982567d59998 e749d6&d r=1 [...] [...] [...] Encontramos a fundamentação para a nossa observação acima na leitura e interpretação do seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica: [...] [...] [...] [...] Le retournement boursier doit donc être interprété comme une forme de rappel à l’ordre de la loi de la valeur qui se fraie la voie, sans se soucier des modes économiques. Que dit cette loi ? Deux choses assez simples : qu’il n’y a de valeur que celle créée par le travail, et qu’on ne peut distribuer plus de valeur que celle qui a été créée. Cette loi n’exclut pas les phases d’envol boursier, PARCE QU’ELLE INTRODUIT UNE DISTINCTION ÉLÉMENTAIRE ENTRE LES FLUX DE REVENUS ET LES PLUS-VALUES CORRESPONDANT À LA VALORISATION DES PATRIMOINES. La richesse virtuelle peut évoluer de manière parfaitement extravagante tant qu’elle ne prétend pas être convertie en pouvoir d’achat et donner lieu à des revendications de revenus incompatibles avec la création de valeur réelle. (45) (maiúsculo nosso) [...] [...] [...] Traduzindo: [...] [...] [...] [...] A reversão bursátil, portanto, deve ser interpretada como uma forma de um lembrete da existência da lei do valor, que segue sua trilha independentemente das tendências econômicas. O que diz esta lei? Duas coisas bem simples: que há um valor que é apenas aquele criado pelo trabalho e que não se pode distribuir mais valor do que aquele criado. Esta lei não exclui as fases de alta bursátil, PORQUE INTRODUZ UMA DISTINÇÃO BÁSICA ENTRE OS FLUXOS DE RECEITAS E OS GANHOS CORRESPONDENTES À VALORIZAÇÃO DOS PATRIMÔNIOS. A riqueza virtual pode evoluir de forma perfeitamente extravagante, desde que não reivindique ser convertida em poder de compra e dar origem a reivindicações de renda incompatíveis com a criação de valor real. (45) (maiúsculo nosso) [...] [...] [...] Assim, o pagamento de US$ 8 bi em dividendos de 2009-2014 pela Vale, ao passo que os “fluxos de caixa livre” deste mesmo período foram de apenas o equivalente a US $ 1,2 bi expõe a fragilidade do valor intrínseco de Vale naquele período de tempo. Uma segunda notícia vai igualmente nos permitir continuar nossa sustentação de que em passado recente o “valor intrínseco” da empresa Vale esteve próximo de 0 (zero). Neste sentido, a seguir iremos ler o fragmento de texto que denominamos de “Análise Vale 2”, igualmente encontrado na Internet: [...] [...] [...] “Análise Vale 2” [...] [...] [...] « Fugir da Bolsa por juros nos EUA e corte de rating é não conhecer o passado do mercado » [...] [...] [...] (25/11/2015 - Infomoney) [...] [...] [...] Dilema da Vale [...] [...] [...] Mesmo sem citar a tragédia envolvendo a Samarco na cidade de Mariana (MG), o cenário da Vale é bem complicado por causa da enorme sensibilidade da empresa ao preço do minério de ferro o que ficou mais evidente no momento atual de forte queda que a commodity acumula nos últimos meses. Só para se ter uma idéia: se o minério de ferro cair de US$ 50 para US 45 (algo que vem ocorrendo com freqüência), a geração de caixa da Vale zera, ou seja, a empresa será obrigada a fazer uma chamada de capital caso esse cenário se mantenha. [...] [...] [...] - Pretendemos aqui realçar a seguinte expressão encontrada no fragmento de texto acima: [...] [...] [...] “[...] Só para se ter uma ideia: se o minério de ferro cair de US$ 50 para US $ 45 (algo que vem ocorrendo com freqüência), a geração de caixa da Vale zera, ou seja, a empresa será obrigada a fazer uma chamada de capital caso esse cenário se mantenha.” [...] [...] [...] Entretanto, ao lermos e interpretarmos o fragmento de texto acima, mormente a expressão “a geração de caixa da Vale zera, ou seja, a empresa será obrigada a fazer uma chamada de capital caso esse cenário se mantenha”, compreendemos porque a Vale não deveria ter pago US$ 8 Bi em dividendos de 2009 a 2014. Neste sentido, a Vale não deveria ter pago US $ 8 BI de dividendos de 2009 a 2014, porque os “fluxos de caixa livre” da Vale neste período de tempo foram de apenas US $ 1,2 BI, o que contraria o especificado pela literatura técnica como antes vimos. Em outros termos, uma empresa que não pode pagar dividendos em determinado período de tempo, aproxima-se de uma empresa que nada vale, conforme os dizeres do conceito de “valor intrínseco”, apresentado no Anexo “5”. [...] [...] [...] Consequentemente, não nos parece equivocado dizermos que na época da notícia acima (“Novembro de 2015”) o “valor intrínseco” da empresa Vale era algum número nas proximidades de zero, ou mesmo zero. [...] [...] [...] Parece-nos oportuno aqui observarmos que a conclusão a que chegamos na “Análise Vale2” coincide com a mesma conclusão a que chegamos na “Análise Vale 1”. [...] [...] [...] Adicionalmente, as duas conclusões acima nos permitem uma terceira conclusão: no fundo do poço dos “preços de mercado” de Fevereiro / 2016 dos títulos bursáteis de Vale igualmente o “valor intrínseco” dos títulos bursáteis de Vale esteve próximo de 0 (zero). [...] [...] [...] Prosseguindo em nossa abordagem, visualizamos no Gráfico “1” que o “preço de mercado” dos títulos ADRs de Vale encolheu aproximadamente 92% em dólares norte-americanos no período de Janeiro / 2011 à Fevereiro / 2016. Entretanto, após Fevereiro / 2016 iniciou-se uma aparentemente vigorosa recuperação dos “preços de mercado” dos títulos de Vale, exceto em alguns poucos meses após o acidente ocorrido em Brumadinho. Assim, os títulos de Vale3 que eram cotados em Fevereiro / 2016 por R$ 9 / ação são cotados atualmente (13/08 /2021) em R$ 108 / ação, como podemos constatar por meio da simples visualização do Gráfico “2”, abaixo disponibilizado. [...] [...] [...] https://www.advfn.com/p.php?pid =staticchart&s=BOV%5EVALE3&t =37&p=5&dm=0&vol=0&width=67 0&height=600&min_pre=0&min_a fter=0 [...] [...] [...] Gráfico “2” [...] [...] [...] https://www.advfn.com/stockmarket/ bovespa/VALE3/chart (acesso em 13/08/2021) [...] [...] [...] Entretanto, a seguir iremos sustentar que esta última alta de aproximadamente 5 (cinco) anos (Fevereiro 2016 / Agosto 2021) dos “preços de mercado” dos títulos bursáteis de Vale foi artificial, pois não guarda nenhuma correspondência com uma melhora do “valor intrínseco” da empresa Vale. Permite-nos sustentar tal afirmação a apresentação de duas notícias com impacto negativo nos balanços contábeis de Vale. A primeira notícia é a de que a Vale será obrigada a pagar pesadas indenizações, como conseqüência do acidente ocorrido em Brumadinho. Assim, encontramos na Internet o seguinte fragmento de texto: [...] [...] [...] “[...] A Vale informou que o impacto, para a empresa, com o acordo global de Brumadinho, foi R$ 19,9 bilhões (US$ 3,872 bilhões), dos quais R$ 5,4 bilhões (US$ 1 bilhão) serão liquidados com a liberação de depósitos judiciais feitos pela mineradora.” [...] [...] [...] (“Preços do minério garantem bom resultado à Vale mesmo com provisão para Brumadinho” / Empresas / Valor Econômico - 25 de fev. de 2021) [...] [...] [...] Uma segunda notícia é a enorme dívida líquida apresentada pela empresa Vale em Dezembro / 2020. Neste sentido, encontramos na Internet o seguinte fragmento de texto: [...] [...] [...] “[...] A dívida líquida da Vale no final do ano passado era de US$ 25,075 bilhões.” [...] [...] [...] (https://www.jornaldocomercio.co m/_conteudo/2017/02/economia/5 48 600-vale-diz-ser-possivelatingir- di vida-liquida-de-us-15-binos- proxim os-12-meses.html - 8 de ago. de 2021) [...] [...] [...] Ao tomarmos por fundamentos as duas notícias acima, não nos parece equivocado sustentarmos que o “valor intrínseco” dos títulos bursáteis de Vale em Dezembro / 2020 não apenas equipara-se ao “valor intrínseco” de Vale que encontramos tanto na “Análise Vale 1”, quanto na “Análise Vale 2”, mas é ainda pior do que o “valor intrínseco” encontrado nestas duas análises. Assim, a Vale apresentava uma dívida líquida de US $ 24 Bi no final de 2014, conforme mencionado na “Análise Vale 1”. Por outro lado, a dívida líquida da Vale em Dezembro / 2020 era de US$ 25,075 bilhões, como igualmente antes vimos. Entretanto, a Vale informou que o impacto, para a empresa, com o acordo global de Brumadinho, foi de US$ 3,872 bilhões. Assim, podemos dizer, que a dívida líquida da Vale em Dezembro / 2020 era de US$ 28,947 Bi = US$ 25,075 Bi + US$ 3,872 Bi. Em síntese, não nos parece equivocado dizermos que a dívida líquida da Vale evoluiu de US $ 24 Bi no final de 2014 para US$ 28,947 Bi no final de 2020. Por outro lado, os “preços de mercado” de Vale evoluíram de US$ 9/ ação em Fevereiro / 2016 para US $ 108 / ação em 13/08/2021. [...] [...] [...] Consequentemente, a comparação entre estas duas últimas observações permite-nos concluir que a valorização dos títulos de Vale após Fevereiro / 2016 até Agosto / 2021 não encontra correspondente apoio nos fundamentos da empresa Vale, pelo menos até Dezembro / 2020. [...] [...] [...] Em síntese, é cristalino que tanto a conclusão acima, quanto a conclusão da “Análise Vale1”, bem como a conclusão da “Análise Vale2”, ajustam-se ao conceito de probabilidades objetivas, apresentado no início do presente anexo. Assim, estas três análises se ajustam ao conceito de probabilidades conhecidas “a priori”, conforme podemos constatar por meio da leitura e interpretação dos fragmentos de texto que antecedem tal conclusão. Logo, após tal conclusão parece-nos que a manutenção em carteira de títulos de Vale, mormente de forma contínua, é uma prática arriscada e que pode trazer conseqüências bem negativas para os titulares de tais títulos. [...] [...] [...] Adicionalmente, podemos ler na “Análise Vale 2” que “[...] o cenário da Vale é bem complicado por causa da enorme sensibilidade da empresa ao preço do minério de ferro.” Neste sentido, o preço do minério de ferro é de aproximadamente US$ 168 / tonelada métrica atualmente (13/08/2021). Não obstante, encontramos na Internet menção de que estas altas dos últimos pouco mais de 5 (cinco) anos (Fevereiro 2016 / Agosto 2021) dos preços do minério de ferro são atribuídas à baixa dos estoques do referido minério. Deste modo, a “enorme sensibilidade da empresa ao preço do minério de ferro”, mencionada na “Análise Vale 2”, Vale teria ocasionado uma melhora acentuada nos preços dos títulos de Vale. Entretanto, embora a alta nos “preços de mercado” dos títulos de Vale3 tenha sido acentuada de Fevereiro / 2016 a Agosto / 2021, estamos sustentando que tal melhora nos “preços de mercado” dos títulos de Vale3 não guarda nenhuma correspondência com os “valores intrínsecos” da empresa Vale, como antes vimos no presente anexo. Em outros termos, estamos sustentando que tal “enorme sensibilidade da empresa Vale ao preço do minério de ferro” não passa de um misto de "manipulação" e "oligopólio". Em apertada síntese, a manipulação dos títulos bursáteis de Vale de Fevereiro 2016 a Agosto 2021 teve por suporte inicial a evolução dos preços de uma commodity de oferta “concorrencial”: o minério de ferro. Neste sentido, iremos sustentar que a evolução dos preços dos títulos de Vale que passou a ocorrer simultaneamente à valorização dos preços do minério de ferro após Fevereiro de 2016, foi apenas um misto de “manipulação” e “oligopólio” como doravante veremos. [...] Consequentemente, não nos parece equivocado sustentarmos que uma eventual recuperação dos estoques do minério de ferro muito provavelmente reconduzirá os preços do minério de ferro para menores preços. Assim, como o mercado não é uma coisa estática os preços dos títulos bursáteis de Vale vão tender igualmente para menores preços. [...] [...] [...] Assim, esta última conclusão igualmente equiparase as três outras conclusões que chegamos no presente anexo. Ou seja, esta nossa última conclusão enquadra-se no conceito de probabilidades objetivas. Entretanto, como antes vimos às probabilidades objetivas são probabilidades conhecidas à “priori”. Permite-nos ilustrar a conclusão acima o seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica: “[...] Ora, o próprio mercado manda sinais. Outras, entretanto, demoram mais tempo para compreender o que está acontecendo e continuam suas operações utilizando as mesmas estratégias como se o mercado fosse uma coisa estática.” [...] [...] [...] Vai-nos permitir compreender a antes mencionada acentuada evolução dos preços do minério de ferro o comentário que faremos após a leitura e interpretação do seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica: [...] [...] [...] [...] Em resumo, o custo de produção das unidades marginais é, em uma situação de oferta concorrencial, o preço fundamental em torno do qual o preço de mercado oscila, porque existem forças de compensação que conduzem os preços aos fundamentos. Essas forças resultam do fato de que uma commodity pode ser produzida em uma quantidade que é a priori ilimitada. Se o preço de mercado exceder os custos de produção, a produção, após um período mais longo ou mais curto, eventualmente aumenta, o que diminui o preço. Se o preço de mercado for menor que o custo de produção das unidades marginais, a produção acaba sendo reduzida porque essas unidades fecham e o preço aumenta novamente. [...] Mas o preço de mercado continua sujeito a uma inegável ancoragem "real". Isto é o que leva os profissionais do mercado e os analistas de "commodities" a dizer, "com toda razão", que "a física sempre acaba por impor sua lei". (34) [...] [...] [...] A leitura e interpretação do fragmento de texto acima são suficientes para compreendermos o mecanismo conhecido por “regulação”. Em apertada síntese, no caso concreto da queda dos preços do minério de ferro para até US $45 / tonelada métrica, mencionado na Análise Vale “1”, causou o fechamento de algumas minas produtoras do minério de ferro, o que causou a diminuição dos estoques do referido minério noticiado na Internet. Em seguida, tal diminuição dos estoques do mencionado minério, ocasionou um conseqüente aumento dos preços do minério de ferro, devido aos efeitos do mecanismo de “regulação”, acima mencionado. Por outro lado, os preços dos títulos bursateis de Vale teriam tido uma acentuada valorização devido à mencionada “[...] enorme sensibilidade da empresa Vale ao preço do minério de ferro”. Entretanto, estamos sustentando que esta mencionada “enorme sensibilidade da empresa Vale ao preço do minério de ferro” não passa de um misto de “manipulação” e “oligopólio”. [...] [...] [...] Em síntese, estamos sustentando que uma análise isenta do mercado bursátil deve ser feita similarmente àquela análise que os médicos urologistas fazem do PSA.* Desta maneira, não devemos analisar a evolução do “valor intrínseco” das ações como analisamos uma foto; ao invés, devemos analisar a evolução do “valor intrínseco” das ações como analisamos um filme. Neste sentido, a seguir iremos fazer uma comparação entre a dívida líquida da Vale de Dezembro / 2014 e Dezembro / 2020. [...] [...] [...] *Prostate Specific Antigen [...] [...] [...] Assim, a dívida líquida da Vale era superior a US $ 24 Bi no final de 2014, conforme podemos ler na “Análise Vale 1”. Entretanto, mesmo com a enorme melhoria nos preços do minério de ferro nos últimos pouco mais de 5 (cinco) anos (Fevereiro 2016 / Agosto 2016) não houve uma correspondente diminuição da dívida líquida da empresa, como seria o esperado. Ao invés, houve um aumento da dívida líquida da empresa, como antes vimos. Lamentavelmente, grande parte do aumento da dívida líquida da Vale é conseqüência de indenizações que a Vale será obrigada a fazer, como conseqüência do acidente de Brumadinho. Em síntese, temos razões para suspeitarmos que os “preços de mercado” dos títulos de Vale atualmente (Agosto / 2021) são insustentáveis. Neste sentido, parece-nos oportuno relembrarmos que o mercado do minério de ferro obedece a uma oferta “concorrencial”. Logo, a esperada queda dos preços do minério de ferro, como antes sustentamos, provavelmente reconduzirá os “preços de mercado” dos títulos de bursáteis de Vale para menores preços. [...] [...] [...] Parece-nos oportuno fazermos uma pausa em nossa abordagem para a leitura e interpretação do seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica: [...] [...] [...] [...] Essa hipótese é baseada em uma concepção particular do tempo humano, segundo a qual não há uma ruptura qualitativa entre o passado, o presente e o futuro. É certo que, nesta concepção, o futuro ainda é incerto, mas começa a ser probabilizável. O ator econômico autômato calcula assim o futuro tal como calcula o presente. Simplesmente as variáveis, certeiras do passado e do presente, são probabilísticas no futuro. O mesmo cálculo, portanto, engloba passado, presente e futuro. A mesma racionalidade dos atores autômatos está em ação. É por isso que o futuro é "previsível". Certamente esta previsão está sujeita a incertezas (previsíveis), entretanto TAL INCERTEZA É SEMPRE REDUZIDA PELO ACÚMULO DE INFORMAÇÕES E, PORTANTO, DIMINUI À MEDIDA QUE O HORIZONTE DA PREVISÃO SE APROXIMA. (34) (maiúsculo nosso) [...] [...] [...] A leitura e interpretação do fragmento de texto acima permite-nos compreender por que partir de certo lapso temporal o futuro embora ainda continue a incerto, passa a ser probabilístico. [...] [...] [...] Antes sustentamos que o “valor intrínseco” dos títulos bursáteis de Vale em Dezembro / 2020 equipara-se ao “valor intrínseco” de Vale que encontramos tanto na “Análise Vale 1” quanto na “Análise Vale 2”, qual seja, 0 (zero). [...] [...] [...] Permite-nos ilustrar a conclusão acima o seguinte fragmento de texto que retiramos do conceito de “pirâmide financeira", antes mencionado: [...] [...] [...] “[...] Na falta de qualquer ativo real capaz de cobrir os rendimentos anunciados, Ponzi oferecia a seus primeiros clientes o capital aportado pelos que vinham depois.” (14) [...] [...] [...] Em síntese, a evolução dos preços de mercado dos títulos de Vale de Fevereiro 2016 a Agosto 2021 pode ser equiparada a seguinte expressão: “[...] falta de qualquer ativo real capaz de cobrir os rendimentos anunciados.” Igualmente, vai-nos permitir ilustrar nossa sustentação de que em Dezembro / 2020 o “valor intrínseco” dos títulos de bursáteis de Vale é 0 (zero) os seguintes aforismos de autoria do grande trader norte-americano, Warren Buffett: [...] [...] [...] (1) Price is what you pay; value is what you get. (24) [...] [...] [...] (2) In the short run, the market is a voting machine, but in the long run, it is a weighing machine. (24) [...] [...] [...] [...] [...] [...] Neste sentido, gostaríamos aqui observar que nossa conclusão antes mencionada significa que os últimos titulares de ações que nada valem, como os titulares de títulos de Vale, correm o risco de receber pouco, ou nada. [...] [...] [...] [...] [...] [...] Igualmente, permitenos ilustrar nossa última conclusão o seguinte comentário encontrado em certo blog freqüentado por traders: [...] [...] [...] “[...] Se você observar o gráfico de Vale há 6 anos atrás ele mostrava só um lado da MONTANHA ... Eu falava para uns caras na última corretora que eu trabalhei, SE VOCÊ TEM UM LADO DA MONTANHA FATALMENTE NO FUTURO TERÁ O OUTRO LADO. Não deu outra. Mas as pessoas são céticas só acreditam quando acontece. Tenho um amigo que foi meu cliente, e tem já há muito tempo, eu calculo 400.000 Vale5... Falei isso para ele, quase perdi o amigo...” (maiúsculo nosso). [...] [...] [...] (comentário retirado do blog Investmania em 04/12/2014) [...] [...] [...] Neste sentido, doravante iremos sustentar que os aposentados e pensionistas participantes de um fundo de pensão podem estar transferindo riquezas para alguns poucos executivos de tais instituições sociais. Desta forma, principalmente por meio de um misto do uso de mecanismos endógenos à liquidez associados a informações privilegiadas é viabilizada uma transferência de riquezas de titularidade dos aposentados e pensionistas de um fundo de pensão, como nos permite compreender o seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica: “[...] a teoria da agência enfatiza a tendência natural de os dirigentes (de cooperativas), em função da posição que ocupam, deterem mais informações que os associados, cujo poder de controle se apresenta fraco. Desse modo, a assimetria de informação abre espaço para informações oportunistas, pois pressupõe que o agente pode utilizar informações em seu benefício próprio. Assim, resta como alternativa a observação dos resultados alcançados pelo agente.” (54) Assim, do mesmo modo que os dirigentes de cooperativas detêm mais informações que os associados de uma cooperativa, não nos parece equivocado sustentarmos que os “pMdpcc”* detêm mais informações que os “pFdpcc”*. *proprietários MATERIAIS da poupança concentrada coletiva ** proprietários FORMAIS da poupança concentrada coletiva Por fim, mas não menos importante, observamos no Gráfico "1" que o último longo período de baixa dos títulos bursáteis ADRs de Vale ocorreu de Janeiro / 2011 a Fevereiro / 2016, ou seja, cinco anos e um mês. Entretanto, o último período de alta destes mesmos títulos teve por início Fevereiro / 2016 e dura até o presente (Agosto / 2021). Deste modo, já atinge aproximadamente cinco anos e cinco meses este último período de alta, como podemos constatar pela visualização do Gráfico “2”. A comparação dos tempos destes períodos significa uma importante informação enviada pelo próprio mercado. Neste sentido, o fato do tempo de duração deste mais recente ciclo de alta dos títulos bursáteis de Vale já ter ultrapassado o tempo de duração do anterior ciclo de baixa deste mesmo título em aproximadamente 5 (cinco) meses é um sinal enviado pelo próprio mercado de que tal ciclo de alta pode estar próximo ao seu final. Consequentemente, tal observação reforça nossa sustentação anterior de que os “preços de mercado” dos títulos bursáteis de Vale tendem para menores preços. Adicionalmente, nos parece que àqueles participantes do mercado que obtiveram o grosso dos lucros devido a esta última tendência de alta (Fevereiro 2016 a Agosto 2021), provavelmente serão os mesmos participantes do mercado que irão obter o grosso dos lucros na tendência de baixa que provavelmente se avizinha. [...] [...] [...] Inicialmente, iremos sustentar tal prognóstico com fundamentos na alternância dos longos ciclos de alta e baixa dos preços encontrados tanto nos preços do minério de ferro quanto nos “preços de mercado” dos títulos bursáteis de Vale, como podemos comprovar pela simples visualização dos gráficos de longo prazo de tais commodities. Voltaremos ao tema na parte do presente trabalho consagrado à “manipulação” e ao “oligopólio”. [...] [...] [...] 17. Sur le papier, le plan d’ensemble ne manquait pas d’allure. Des agents (les épargnants) ont des ressources financières en excès et en quête d’emploi, d’autres (les entreprises) sont à la recherche de capitaux : la Bourse est cette forme institutionnelle idoine qui mettrait tout ce beau monde en contact et réaliserait la rencontre mutuellement avantageuse des capacités de financement des uns et des besoins des autres. Elle ferait même mieux encore : en apportant des ressources permanentes (à la différence de l’endettement, les capitaux propres, levés par émission d’actions, ne sont pas remboursables), elle stabiliserait le financement et en minimiserait le coût. Patatras : rien de tout ça ne tient la route. Traduzindo: No papel, o plano geral parecia muito bom. Alguns agentes (poupadores) têm recursos financeiros excedentes e procuram emprego, outros (empresas) procuram capital: a Bolsa de Valores é a forma institucional adequada que colocaria todas essas pessoas bonitas em contato e conseguiria o encontro mutuamente vantajoso das capacidades de financiamento de alguns e das necessidades de outros. Faria melhor ainda: ao fornecer recursos permanentes (ao contrário da dívida, o patrimônio, levantado pela emissão de ações, não é reembolsável), estabilizaria o financiamento e minimizaria seu custo. Falácia: nada disso se sustenta. 18. Des chroniques débonnaires du regretté Jean-Pierre Gaillard, longtemps journaliste boursier sur France Info, à l’apparition des chaînes boursières, en passant par l’incessante répétition « CAC 40 - Dow Jones - Nikkei », la Bourse aura bientôt quitté le domaine des institutions sociales pour devenir quasiment un fait de nature — une chose dont la suppression est simplement impensable. Il est vrai que deux décennies et demie de matraquage continu ont bien oeuvré à cette sorte de naturalisation, et notamment pour expliquer qu’une économie « moderne » ne saurait concevoir son financement autrement que par des marchés et, parmi eux, des marchés d’actions* (la Bourse au sens strict du terme). Traduzindo: Das crônicas joviais do falecido Jean-Pierre Gaillard, antigo jornalista de Bolsa de Valores da France Info, ao surgimento dos canais de Bolsa, através da repetição incessante "CAC 40 - Dow Jones - Nikkei", a Bolsa logo terá partido do domínio das instituições sociais para se tornar quase um fato da natureza - algo cuja abolição é simplesmente impensável. É verdade que duas décadas e meia de espancamentos contínuos funcionaram bem para este tipo de naturalização e, em particular, para explicar que uma economia "moderna" não poderia conceber o seu financiamento a não ser pelos mercados e, entre eles, os mercados de ações. * (a Bolsa de Valores no sentido estrito do termo). 19. Et c’est ici le terminus du discours de la Bourse. La Bourse n’est pas une institution de financement des entreprises — elles n’y vont plus sauf pour s’y faire prendre leur cash-flow* ; elle n’est pas le roc d’une « économie de fonds propres » — pour l’essentiel ceux-ci viennent d’ailleurs : des entreprises ellesmêmes ; elle n’est pas la providence qui sauve les start-up de l’attrition financière — on pourrait très bien agir autrement.Elle est une machine à fabriquer des fortunes. Et c’est tout. Bien sûr, pour ceux qui s’enrichissent, ça n’est pas négligeable. Mais pour tous les autres, ça commence à suffire. Traduzindo: E esse é o fim da conversa da Bolsa de Valores. A Bolsa de Valores não é uma instituição para financiar empresas - elas não vão mais lá, exceto para obter seu fluxo de caixa *; não é o alicerce de uma "economia de capital" - na maior parte, isso vem de outro lugar: das próprias empresas; não é a providência que salva as start-ups do atrito financeiro - poderia muito bem fazer de outra forma. É uma máquina de fazer dinheiro. E isso é tudo. Claro, para quem fica rico, isso não é desprezível. Mas para todos os outros, está começando a ser o suficiente. 20. C’est là typiquement le genre d’énoncé qui offre un concentré pur de l’idéologie néolibérale : la naturalisation des faits sociaux. Alain Minc n’est pas capable de bâtir un « argument » économique sans invoquer la loi de la pesanteur. Or la Bourse est une forme institutionnelle, elle n’est pas sortie du cul d’une poule ni tombée du ciel. Elle a été faite de main d’homme. Par conséquent elle peut être défaite s’il apparaît qu’on y a plus d’avantages que d’inconvénients — ce qui me semble notoirement le cas. Il y a eu un moment où on s’est dit que l’institution « monarchie de droit divin » était pénible. Elle a fini dans le même panier que la tête du roi et depuis ça va mieux. On pourrait dire cependant que c’est bien la loi de la pesanteur qui a fait tomber le couteau de la guillotine… Mutatis mutandis bien sûr — on n’est pas des sauvages — il se pourrait, vu sous cet angle, que MM. Minc & Co découvrent un jour un aspect de la loi de la pesanteur qui ne leur était pas apparu. Traduzindo: Esse é tipicamente o tipo de afirmação que oferece um puro concentrado da ideologia neoliberal: a naturalização dos fatos sociais. Alain Minc não é capaz de construir um "argumento" econômico sem invocar a lei da gravidade. Mas a Bolsa é uma forma institucional, não saiu do cuzinho de galinha nem caiu do céu. Foi feito à mão. Portanto, pode ser desfeito se se verificar que existem mais vantagens do que desvantagens - o que para mim parece ser claramente o caso. Houve um tempo em que pensávamos que a instituição da "monarquia do direito divino" era dolorosa. Ela acabou na mesma cesta que a cabeça do rei e desde então está melhor. Pode-se dizer, porém, que foi a lei da gravidade que fez cair a faca da guilhotina ... Mutatis mutandis claro - não somos selvagens - poderia ser, visto por este ângulo, aquele MM. Minc & Co um dia descobriu um aspecto da lei da gravidade que não havia aparecido para eles. 21. Prosseguindo em nossa abordagem, parece-nos oportuno aqui alertarmos que a multimencionada expressão “[...] compromisso implícito”, pode vir a deixar de existir. Neste sentido, a seguir iremos observar que a partir de certo lapso temporal o futuro embora ainda continue a incerto passa a ser probabilístico, conforme nos permite compreender a leitura do seguinte fragmento de texto: [...] Cette hypothèse est ellemême fondée sur une conception particulière du temps humain selon laquelle il n'y a pas de rupture qualitative entre passé, présent et avenir. Certes, dans cette conception, l'avenir est incertain, mais il est probabilisable. L'acteur économique automate calcule donc au futur comme il calcule au présent. Simplement les variables, certaines dans le passé et au présent, sont probabilisées dans l'avenir. Un même calcul englobe donc passé, présent et avenir. La même rationalité des acteurs automates y est à l'oeuvre. C'est pourquoi l'avenir est « prévisible ». Certes, la prévision est entachée d'incertitude (calculable), mais CETTE INCERTITUDE EST TOUJOURS RÉDUCTIBLE PAR ACCUMULATION D'INFORMATIONS, ET DIMINUE DONC À MESURE QUE L'HORIZON DE LA PRÉVISION SE RAPPROCHE. (34) (maiúsculo nosso) Traduzindo: [...] Essa hipótese é baseada em uma concepção particular do tempo humano, segundo a qual não há uma ruptura qualitativa entre o passado, o presente e o futuro. É certo que, nesta concepção, o futuro ainda é incerto, mas começa a ser probabilizável. O ator econômico autômato calcula assim o futuro tal como calcula o presente. Simplesmente as variáveis, certeiras do passado e do presente, são probabilísticas no futuro. O mesmo cálculo, portanto, engloba passado, presente e futuro. A mesma racionalidade dos atores autômatos está em ação. É por isso que o futuro é "previsível". Certamente esta previsão está sujeita a incertezas (previsíveis), entretanto TAL INCERTEZA É SEMPRE REDUZIDA PELO ACÚMULO DE INFORMAÇÕES E, PORTANTO, DIMINUI À MEDIDA QUE O HORIZONTE DA PREVISÃO SE APROXIMA. (34) (maiúsculo nosso) O ponto importante que podemos extrair da leitura do fragmento de texto acima mencionado é o seguinte: “[...] tal incerteza é sempre reduzida pelo acúmulo de informações e, portanto, diminui à medida que o horizonte da previsão se aproxima. (34) Neste sentido, encontramos na literatura técnica dois fragmentos de texto que quando associados entre si alertam-nos que a probabilidade de um colapso do mercado, mormente de certos títulos bursateis é algo esperado, conforme a leitura dos seguintes fragmentos de texto nos permite compreender: [...] O crescimento do setor financeiro e dos ganhos que este proporciona só é possível na proporção exata do aumento da mais-valia não acumulada, e um, como o outro, admitem limites que foram atingidos. (22) [...] Se por um motivo ou outro não quiserem mais mantê-lo, seu valor cairá para zero, e o último que ficar com ele corre o risco de ser arruinado, embora não tenha feito nada. (18) Ademais, encontramos no Anexo "5.1" o seguinte fragmento de texto: "[...] Adicionalmente, no fragmento de texto antes mencionado Krugman observou: “[...] Mais especificamente, suspeito agora que o tipo de regime de medidas econômicas moderadas que [...] permite que os mercados trabalhem [...] seja inerentemente instável. Trata-se de algo que se pode sustentar durante aproximadamente uma geração, mas não por um período muito mais longo do que isto.” Assim, a limitação temporal, acima mencionada, é uma característica do “tipo de regime de medidas econômicas moderadas”, conforme Krugman sustenta. Igualmente, é do conhecimento comum que uma das características essenciais das “pirâmides financeiras” é a limitação temporal de tais fenômenos. Não obstante, como antes equiparamos o “moderno capitalismo bursátil” ao “tipo de regime de medidas econômicas moderadas”, conforme antes sustentamos neste Anexo "5.1", não nos parece equivocado mais uma vez equipararmos o “moderno capitalismo financeiro” a uma “pirâmide financeira”. Em síntese, chegamos às seguintes conclusões: (1) tanto o “regime de medidas econômicas moderadas”, quanto o “moderno capitalismo bursátil” se equiparam a uma "pirâmide financeira"; (2) tanto o “regime de medidas econômicas moderadas”, quanto o “moderno capitalismo bursátil” “[...] se pode sustentar durante aproximadamente uma geração, mas não por um período muito mais longo do que isto”. Assim, o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma "pirâmide financeira". Entretanto, como antes vimos às "pirâmides financeiras" têm um prazo de existência limitado. Consequentemente, o “moderno capitalismo bursátil” tem um prazo de existência limitado. [...]" Entretanto, os economistas apresentam uma alternativa ao colapso: a purga do “mico”, por meio da aceleração da inflação, conforme a leitura do seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica nos permite compreender: […] Depuis l'après-guerre, dans tous les pays, une politique monétaire très favorable à la croissance a donc engendré une dissymétrie dans la création monétaire et par conséquent un gonflement périodique du volume des droits financiers en excès sur la richesse future. Dès lors, la purge de ce mistigri fut nécessaire, quel que fût le système financier. On a vu quelles en étaient les deux formes pures : l'accélération de l'inflation et les krachs. Les formes concrètes que prit cette purge furent en revanche très dépendantes du type de système [...]. (34) [...] Dans le système internationalement cloisonné et principalement d'intermédiaires qui était celui des pays riches avant la libéralisation des années 1980, la forme principale d'élimination du mistigri était progressive et apparemment indolore. C'est l'accélération de l'inflation, qui a réalisé le programme de Keynes : l'euthanasie des rentiers au profit de ceux qui consomment et de ceux qui investissent. L'accélération de l'inflation perturbe l'évaluation des prix relatifs, donc leur extrapolation et la prise de décision pour les investissements à venir. (34) Traduzindo: [...] Desde o período pós- guerra, em todos os países, uma política monetária muito favorável ao crescimento levou, portanto, a uma assimetria na criação monetária e, conseqüentemente, a uma inflação periódica do volume de direitos financeiros em excesso sobre a riqueza futura. A partir daí, a purga deste mico foi necessária, independentemente do sistema financeiro. Vimos às duas formas purgas: a aceleração da inflação e os colapsos. As formas concretas que este expurgo tomou foram, por outro lado, muito dependentes do tipo de sistema [...]. (34) [...] No sistema internacionalmente particionado e principalmente de intermediários que foi o dos países ricos antes da liberalização da década de 1980, a forma de eliminação primária do “mico” foi progressiva e aparentemente indolor. É a aceleração da inflação, que realizou o programa de Keynes: a eutanásia dos rentistas em benefício daqueles que consomem e daqueles que investem. A aceleração da inflação perturba avaliação dos preços relativos, portanto, a extrapolação e a tomada de decisão para os investimentos por vir. (34) Parece-nos oportuno observarmos algo acima mencionado: a forma de eliminação primária do “mico” pode ser progressiva e aparentemente indolor. Entretanto, igualmente devemos observar que tal forma “progressiva e aparentemente indolor” inequivocamente está diretamente ligada ao tempo. Por seu turno, "a eutanásia dos rentistas em benefício daqueles que consomem e daqueles que investem" igualmente está ligada ao tempo. Neste sentido, antes vimos que as “pirâmides financeiras” têm seu tempo de vida ligado ao tempo. O relacionamento entre as observações acima é mais um indício de que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “pirâmide financeira”. Voltaremos ao tema na parte do presente trabalho consagrada à “manipulação” e ao "oligopólio". Em resumo, encontramos neste Anexo "6" os seguintes fragmentos de texto que sugerem-nos que "moderno capitalismo bursátil" se equipara a uma "pirâmide financeira": (1) [...] Consequentemente, a palavra “preço” mostra-se adequada e conveniente para substituir a palavra “valor” no fragmento de texto em comento. Adicionalmente, o “[...] compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo”, antes apresentado na Introdução "4", contrasta radicalmente com a inteligência contida nos conceitos de “valor intrínseco” e/ou “mercados eficientes”, antes mencionados. As observações acima reforçam a sustentação que temos feito ao longo do presente trabalho: o "moderno capitalismo bursátil equipara-se a uma "pirâmide financeira". (2) [...] Consequentemente, a obtenção de uma “mais-valia aqui e agora” contrasta radicalmente tanto com o conceito de “valor intrínseco” quanto com o conceito de “mercados eficientes”, antes apresentados. Em outros termos, tal constatação é mais uma robusta evidência de que o “moderno capitalismo bursátil” pode ser equiparado a uma “pirâmide financeira”. [...] (3) [...] Em síntese, o “[...] compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo” encontrado no "moderno capitalismo bursátil" transforma o que é apenas uma aposta pessoal em dividendos futuros em uma "riqueza imediata aqui e agora”. Entretanto, tal transformação artificial revela a falta de fundamentação da correspondente riqueza obtida, o que inequivocamente permite-nos equiparamos o "moderno capitalismo bursátil" a uma “transgressão da economia produtiva”. Do mesmo modo tal transformação equipara o "moderno capitalismo bursátil" a uma “pirâmide financeira”. (4) [...] Consequentemente, o “[...] compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo”, nada tem a ver com a inteligência contida nos conceitos de “valor intrínseco” e/ou “mercados eficientes”, antes mencionados. Assim, a conclusão acima é mais um indício que permite-nos equiparar o “moderno capitalismo bursátil” a uma “pirâmide financeira”. (5) [...] Em síntese, a obtenção de uma “mais-valia” se equipara, essencialmente, a um ganho financeiro. Por seu turno, as expressões “[...] o Departamento do Tesouro e o FED fizeram o que era necessário em cada ocasião” e “[...] Continuarão a fazê-lo ainda que isso contrarie formalmente as teorias professadas.”, conduz-nos a concluir uma vez mais que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “pirâmide financeira”. [...] Em outros termos, a inteligência contida na expressão “[...] entrada constante de investimentos, para manter o mercado em alta [...]” encontrada no fragmento de texto acima pode ser equiparada a inteligencia contida em certa expressão encontrada no fragmento de texto antes mencionado, qual seja: “[...] fizeram o que era necessário em cada ocasião [...] para criar liquidez e outros meios necessários para conter as crises”. (6) [...] Parece-nos oportuno observarmos algo acima mencionado: a forma de eliminação primária do “mico” pode ser progressiva e aparentemente indolor. Entretanto, igualmente devemos observar que tal forma “progressiva e aparentemente indolor” inequivocamente está diretamente ligada ao tempo. Por seu turno, "a eutanásia dos rentistas em benefício daqueles que consomem e daqueles que investem" igualmente está ligada ao tempo. Neste sentido, antes vimos que as “pirâmides financeiras” têm seu tempo de vida ligado ao tempo. O relacionamento entre as observações acima é mais um indício de que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “pirâmide financeira”. Voltaremos ao tema na parte do presente trabalho consagrada à “manipulação” e ao "oligopólio". Conclusão: [...] [...] [...] Em síntese, podemos dizer que todos os indícios de que o moderno capitalismo bursátil se equipara a uma “pirâmide financeira” são fundamentados na matemática. Entretanto, a matemática é uma ciência exata. Adicionalmente, uma “pirâmide financeira” tem duas características essenciais: transferência de riquezas e tempo de vida limitado. Consequentemente, o “moderno capitalismo bursátil” serve APENAS para transferir riquezas. Adicionalmente, não nos parece equivocado dizermos que tal instituição social tende a deixar de existir. Por fim, mas não menos importante, não nos parece equivocado sustentarmos que algo que tende a deixar de existir está em tendência irreversível de baixa. [...] [...] [...] Dizem que na era da informação a ignorância é uma escolha. Neste sentido, uma instituição social que tende a deixar de existir é a Bolsa de Valores. Entretanto, são do conhecimento comum que os últimos a vender são os que mais perdem. Assim, devemos alertar o leitor que atualmente existem milhares de moedas conhecidas por Criptos. Por exemplo, Bitcoin, Shiba, etc. Não obstante, é do conhecimento comum que a evolução dos preços de tais Criptos equipara-se a evolução dos preços das pirâmides financeiras. Assim, iremos sustentar no Anexo “8” que a evolução dos preços dos títulos de Petrobras e Vale equipara-se ao das “pirâmides financeiras”. Deste modo, o problema básico passa a ser a concorrência entre os Criptos e os títulos de Petrobras e Vale. Logo, não nos parece equivocado sustentarmos que a evolução dos preços dos títulos de Petrobras e Vale está em tendência irreversível de baixa.