Introdução
Índice
Anexo “1”: conceito de oferta “não-concorrencial” e a ineficiência do “moderno capitalismo bursátil”
Anexo “2”: a diferença entre “preço de mercado” e “valor intrínseco”
Anexo “3” : Sustentação inicial de que o "moderno capitalismo bursátil se equipara a uma “conspiração” e/ou a uma “pirâmide financeira”
Anexo “4”: Nossa contestação à hipótese do “comportamento mimético” no “moderno capitalismo bursátil”
Anexo “5”: o “moderno capitalismo bursátil” tem um tempo de vida limitado e objetiva transferir riquezas dos trabalhadores e pequenos acionistas para “determinado capital financeiro”
Anexo “6”: A “preferência pela liquidez” do “moderno capitalismo bursátil”, equipara esta instituição social a uma pirâmide financeira
Anexo “7”: Análise da evolução dos “preços de mercado” e dos “valores intrínsecos” dos títulos de Vale e Petrobras nos últimos 10 (dez) anos.
Introdução
Há mais de vinte anos como pequeno investidor tivemos um enorme problema na intercessão da área de Bolsa de Valores com a área de fundo de pensão. Desde então temos estudado os assuntos técnicos relacionado a estas instituições sociais. Entretanto, não demoramos a perceber que tal problema não surgia apenas para nossa pessoa. O problema igualmente surgia para outras pessoas. Não obstante, estas outras pessoas não percebiam que enfrentavam tal problema. Concluímos, então que se tal problema surgiu para nós é porque deveríamos ser parte da solução do mesmo. Ao longo do tempo, tomamos conhecimento de dois aforismos de autoria de Einstein:
(1) “não podemos resolver um problema se estivermos no mesmo plano do pensamento que o criou;”
(2) a imaginação é mais importante que o conhecimento, porque o conhecimento é limitado, ao passo que a imaginação abrange o mundo inteiro. Portanto, era necessário resolver o problema num nível superior ao do plano do pensamento que o criou e com imaginação.
Permite-nos ilustrar tal desafio o seguinte pensamento:
[...] Cada indivíduo tem o poder natural e inerente de pensar o que quiser pensar, mas isso requer muito mais esforço do que ter pensamentos que são sugeridos pelas aparências. Pensar de acordo com as aparências é fácil; pensar de verdade, não obstante as aparências, é laborioso e requer maior emprego de energia que qualquer outro trabalho que formos chamados a executar. Não existe trabalho do qual a maioria das pessoas fuja como o de manter continuamente um pensamento. É o mais duro trabalho do mundo. Isto é especialmente correto quando a verdade é contrária as aparências. Cada aparência no mundo visível tende a produzir uma forma correspondente na mente que a observa; e isso só pode ser evitado mantendo o pensamento da VERDADE. (64)
Neste sentido, após estudo profundo de obras do economista francês André Orléan chegamos ao resumo dos principais pontos de tais obras:
(1) A Bolsa de Valores não financia a acumulação;
(2) A Bolsa de Valores não serve para avaliar os títulos negociados;
(3) O comportamento mimético impera na Bolsa. Não obstante, concordemos totalmente com a inteligência contida nos itens (1) e (2), iremos discordar da inteligência contida no item (3).
Entretanto,
financiar a acumulação e avaliar os títulos bursateis é comumente mente
lembrado como as principais justificativas, se não únicas, para a
existência das Bolsas de Valores. Por exclusão, concluímos que a Bolsa
de Valores deve servir para alguma outra coisa, diferente das
encontradas nos itens (1) e (2).
Adicionalmente,
iremos sustentar que as instituições sociais conhecidas como “hodierno
capitalismo bursátil” e “fundo de pensão”, têm 4 (quatro)
características em comum: “conspiração”, “pirâmide financeira”,
“manipulação” e “oligopólio” (instituições sociais altamente
hierarquizadas).
Assim,
doravante iremos demonstrar que estas duas instituições sociais servem
apenas para transferir riquezas dos trabalhadores e pequenos acionistas
para “determinado capital financeiro”. Adicionalmente, iremos sustentar
que tanto o “hodierno capitalismo bursátil” quanto o “fundo de pensão”
se equiparam a uma “pirâmide financeira”.
Ademais,
as “pirâmides financeiras” são uma espécie de conspiração com um tempo
de vida limitado, conforme doravante iremos demonstrar.
Consequentemente, o “hodierno capitalismo bursátil” e o “fundo de
pensão” são instituições sociais que têm seus dias contados; em outros
termos, o “hodierno capitalismo bursátil” e o “fundo de pensão” são
instituições sociais fadadas a deixar de existir, como doravante iremos
demonstrar.
A
extinção de tais instituições sociais será uma conseqüência do seguinte
aforismo: “na era da informação a ignorância é uma escolha.” Em outros
termos, as pessoas vão perceber que estavam sendo enganadas e vão
requerer aos Estados a extinção de tais instituições.
Por
outro lado, o economista francês François Chesnais sustenta que o
"fundo de pensão" é uma escolha política; escolha em benefício dos
mercados financeiros. Entretanto, após estudo igualmente profundo
concluímos que os prejudicados pelo “hodierno capitalismo bursátil” são o
trabalhador (ativo, aposentado, pensionista) e o pequeno acionista. Tal
prejuízo se equipara a uma transferência de riquezas destes dois grupos
para o sistema financeiro, mormente para os “proprietários materiais da
poupança concentrada coletiva” (alguns poucos executivos do fundo de
pensão). A chegada a tal conclusão foi semelhante à montagem de um
quebra-cabeça gigante. Portanto, tal conclusão não nos parece
equivocada, como doravante iremos sustentar. Em outros termos, doravante
iremos sustentar que tanto o “hodierno capitalismo bursátil” quanto o
“fundo de pensão” são instituições sociais que tem sido utilizada
principalmente como simples meios de transferência de riquezas. Tal
transferência de riquezas é materializada por meio de um misto dos
fenômenos de concentração financeira e centralização financeira,
conforme iremos doravante demonstrar.
Permite-nos
compreender os conceitos dos fenômenos da “concentração financeira” e
da “centralização financeira”, o seguinte fragmento de texto encontrado
na literatura técnica:
[...]
Na história do capital, a expropriação dos meios de produção permitiu
que se desse curso ao processo de subsunção real do trabalho, isto é, a
subordinação do processo de trabalho ao capital, permitindo a criação de
valor por intermédio da exploração da força de trabalho. À medida que o
capitalismo avançou, o movimento da concorrência intercapitalista
operou um processo de concentração e centralização* do capital que,
conjuntamente a outras mudanças de natureza sociopolítica, deu
surgimento à indústria moderna (PAULO (9) NETTO; BRAZ, 2006).
*
Pinto (1997) assevera que há na doutrina uma grande confusão entre
esses dois termos que devem ser entendidos como movimentos separados.
Apresenta a concentração de capitais como um aumento da composição
orgânica do capital e a centralização como uma expropriação dos capitais
individuais por outros capitalistas, de modo que poderia haver a
ocorrência desse processo sem aquele, em que pese ao fato de não ser uma
prática comum. (9)
Adicionalmente,
iremos sustentar que quanto maior for o tempo de duração do “hodierno
capitalismo bursátil” e do “fundo de pensão” mais riquezas serão
transferidas dos dois grupos antes mencionados para “determinado capital
financeiro”.
Antes
dissemos que a Bolsa de Valores deve servir para alguma coisa diferente
de financiar a acumulação e avaliar os títulos bursateis. Assim, tentar
descobrir qual seria esta outra coisa deve ser o primeiro passo do
presente trabalho. O primeiro tênue indício de que o “hodierno
capitalismo bursátil” se equipara a uma “pirâmide financeira”, segunda
característica antes mencionada, podemos lograr compreensão por meio da
leitura do seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica:
[...]
Les théoriciens de la valeur travail (Smith, Ricardo et Marx)
reconnaissent d'ailleurs explicitement que d'importants écarts peuvent
exister entre ces deux grandeurs. En effet, à leurs yeux, si les
évolutions de la valeur sont au fondement des évolutions des prix, la
conformité entre valeur et prix ne prévaut que tendanciellement, sur le
long terme. (18)
Traduzindo:
[...]
De fato, os teóricos do valor trabalho (Smith, Ricardo e Marx)
reconhecem explicitamente que pode haver grandes diferenças entre estas
duas grandezas. Assim, na opinião destes, enquanto a evolução do valor é
a base para a evolução dos preços, a conformidade entre o valor e o
preço tende a prevalecer apenas no longo prazo. (18)
O
fragmento de texto, acima mencionado, observa que “[...] a conformidade
entre o valor e o preço tende a prevalecer apenas no longo prazo.”
Consequentemente, como exceto no longo prazo existe uma conformidade
entre estas duas grandezas, nos demais períodos de tempo existe uma não-
conformidade entre estas duas grandezas. Portanto, a hipótese que
estamos sustentando de que “moderno capitalismo bursátil” se equipara a
uma “pirâmide financeira” obtém algo semelhante a um simples “sinal
verde” a partir da leitura do fragmento de texto acima.
Entretanto,
pretendemos a seguir nos aprofundar na sustentação de que as
instituições sociais conhecidas como “hodierno capitalismo bursátil” e
“fundo de pensão” se equiparam as primeiras duas características antes
mencionadas, quais sejam, “conspiração” e “pirâmide financeira”. Neste
sentido, respectivamente, vamos passar a seguir à leitura de dois
fragmentos de texto encontrados na literatura técnica:
[...]
The market, considered as a whole, cannot dispose of a security. [...]
This is what I have called “the liquidity paradox”, namely, that the
individual liberty to sell a security whenever one pleases exists only
by virtue of an implicit commitment on the part of the financial
community as a whole to hold on to the totality of securities over the
long term. Yet this mutual dependence, which clearly sets financial
markets apart from ordinary markets, is concealed from view by the
effects of competition. Ordinary markets bring together two groups with
clearly divergent interests: producers and consumers. Prices are formed
as a result of the tension between these two opposed forces, the one
pushing prices upward, the other downward. This is the basis for the law
of supply and demand, which prevents either party from gaining too
great an advantage over the other. In financial markets, by contrast,
nothing of the sort occurs. There is no group of buyers that negotiates
with a group of sellers; instead there is a group of individuals, each
of whom acts as a buyer and a seller. Structurally, then, above and
beyond whatever local reasons there may be for buying or selling, their
interests converge. (18)
Traduzindo:
[...]
O mercado, considerado como um todo, não pode dispor de um título.
[...] Isso é o que chamei de “paradoxo da liquidez”, ou seja, a
liberdade individual de vender um título sempre que quiser existe apenas
em virtude de um compromisso implícito por parte da comunidade
financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo
prazo. No entanto, esta dependência mútua, que distingue claramente os
mercados financeiros dos mercados normais, é ocultada de vista pelos
efeitos da concorrência. Os mercados normais reúnem dois grupos com
interesses claramente divergentes: produtores e consumidores. Os preços
são formados como resultado da tensão entre essas duas forças opostas,
uma empurrando os preços para cima e a outra para baixo. Esta é a base
para a lei da oferta e da demanda, que impede que uma das partes obtenha
uma vantagem muito grande sobre a outra. Nos mercados financeiros, ao
contrário, nada disso ocorre. Não há um grupo de compradores que negocia
com um grupo de vendedores; em vez disso, há um grupo de indivíduos,
cada um dos quais age como um comprador e vendedor. Estruturalmente,
então, acima e além de quaisquer razões locais que possam existir para
comprar ou vender, seus interesses convergem. (18)
[...]
Tampouco prospera a idéia de que a propriedade das empresas é entregue
aos trabalhadores por intermédio dos fundos de pensão. Há aqui um
equívoco conceitual entre propriedade formal e real, pois não é
denominação jurídica da titularidade que efetivamente evidencia o
conteúdo da propriedade. Independente da mesma, o que define a
propriedade é o poder de alocação e, principalmente, o destino das
riquezas produzidas que, cada vez mais, se concentram em poucas mãos.
(9)
A
expressão “dependência mútua, ocultada de vista pelos efeitos da
concorrência”, encontrada no primeiro fragmento de texto, é o principal
indício de que o “hodierno capitalismo bursátil” se equipara a uma
“conspiração” e/ou a uma “pirâmide financeira”, pois no “hodierno
capitalismo bursátil” “[...] acima e além de quaisquer razões locais que
possam existir para comprar ou vender, os interesses dos compradores e
vendedores convergem”, como podemos ler neste mesmo fragmento de texto.
Entretanto, tal convergência nada mais é que uma espécie de manipulação,
como doravante veremos. Por outro lado, o principal indício de que o
“fundo de pensão” se equipara a uma “conspiração” e/ou a uma “pirâmide
financeira” encontramos no segundo fragmento de texto: “[...] o que
define a propriedade é o poder de alocação e, principalmente, o destino
das riquezas produzidas que, cada vez mais, se concentram em poucas
mãos”, como a seguir iremos demonstrar. Ou seja, a constatação de que
“[...] o que define a propriedade é o poder de alocação” é um forte
indício de que o fundo de pensão equipara-se a uma “pirâmide financeira”
e/ou a uma “conspiração”, como veremos.
Em
primeiro lugar, cabe-nos aqui observar que se não houvesse a
“dependência mútua”, mencionada no primeiro fragmento de texto, a
evolução dos preços no “hodierno capitalismo bursátil” seria bastante
diferente daquela encontrada na realidade. Neste sentido, iremos
sustentar que o surgimento de preços extravagantes no “hodierno
capitalismo bursátil” se equipara a evolução dos preços de uma “pirâmide
financeira” e/ou uma “conspiração.
Ademais,
iremos doravante sustentar que o surgimento de “preços extravagantes”
no “moderno capitalismo bursátil” fundamenta-se em 3 (três)
constatações:
(1) Os preços de mercado bursátil seguem uma oferta “não- concorrencial”;
(2) O “moderno capitalismo bursátil” equipara-se a um oligopólio;
(3) Grande parte dos participantes do “moderno capitalismo bursátil possuem assimetria de informação.
Em
segundo lugar, parece-nos importante aqui realçarmos algo mencionado no
primeiro fragmento de texto acima, vale dizer: “[...] esta dependência
mútua [...] é ocultada de vista pelos efeitos da concorrência.” Assim,
são apenas “efeitos da concorrência”, as palavras encontradas no
fragmento de texto acima. Em outros termos, nos mercados bursateis não
existe concorrência, pois nos mercados bursáteis prevalece uma oferta
“não-concorrencial”, como doravante veremos.
Por outro lado, no segundo fragmento de texto encontramos podemos ler o seguinte:
“[...] o que define a propriedade é o poder de alocação”
Permitem-nos ilustrar tal observação dois fragmentos de texto encontrados na literatura técnica.
O
primeiro é de autoria de um grande trader, o norte- americano, Warren
Buffett; no segundo dois grandes economistas sintetizam o que vem a ser
fundo de pensão, conforme se segue:
[...] Pension fund managers continue to make investment decisions with
their eyes firmly fixed on the rear-view mirror. This general fight-the-
last-war approach has proven costly in the past and will likely prove
equally costly this time around. (24)
[...] Um segundo conjunto de contestações à “sabedoria convencional”
sobre a oportunidade de um desenvolvimento da previdência com
capitalização obrigatória é mais fundamental e pode ser reconduzido a
uma verdade afirmada claramente por Keynes, na Teoria Geral. Face à
idéia segundo a qual os trabalhadores, ao fazerem poupança financeira em
contas individuais, estariam em condições de acumular fundos, ao longo
do tempo, cujos rendimentos lhes garantiriam uma pensão em termos reais,
vale ainda a observação que “como coletividade, não podemos fazer
reservas para o consumo futuro, mediante mecanismos financeiros, mas
apenas pela produção física corrente”. Em outras palavras, em termos
reais, os bens reais dos pensionistas de 2030 não podem ser retirados
senão da produção real de 2030. O mesmo ponto é sublinhado até mesmo por
Milton Friedman, grande adversário de Keynes, que, em 1999, reafirmou
que “as taxas pagas pelos trabalhadores de hoje são usadas para pagar os
pensionistas de hoje”, ainda que tenha perdido a ocasião de atacar a
reserva dos fundos estatais no seu país e manifestar o temor de um
crescimento de imposições futuras. Em suma, a questão do pagamento real
das pensões se refere à distribuição real do rendimento do período em
que aquele pagamento é efetuado, e não há como contornar esta
circunstância com mágica de cartas. Pelo contrário, na medida em que as
políticas de compressão dos gastos previdenciários públicos ou a
instituição da previdência complementar obrigatória, deprimem, ao invés
de ampliar a força de trabalho ocupada e a sua atividade, não fazem
senão piorar a situação. (33)
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