sexta-feira, 13 de agosto de 2021

Introdução


Índice

Anexo “1”: conceito de oferta “não-concorrencial” e a ineficiência do “moderno capitalismo bursátil”


Anexo “2”: a diferença entre “preço de mercado” e “valor intrínseco”
 

Anexo “3” : Sustentação inicial de que o "moderno capitalismo bursátil se equipara a uma “conspiração” e/ou a uma “pirâmide financeira”


Anexo “4”: Nossa contestação à hipótese do “comportamento mimético” no “moderno capitalismo bursátil”
 

Anexo “5”: o “moderno capitalismo bursátil” tem um tempo de vida limitado e objetiva transferir riquezas dos trabalhadores e pequenos acionistas para “determinado capital financeiro”


Anexo “6”:
A “preferência pela liquidez” do “moderno capitalismo bursátil”, equipara esta instituição social a uma pirâmide financeira


Anexo “7”: Análise da evolução dos “preços de mercado” e dos “valores intrínsecos” dos títulos de Vale e Petrobras nos últimos 10 (dez) anos.


Introdução


Há mais de vinte anos como pequeno investidor tivemos um enorme problema na intercessão da área de Bolsa de Valores com a área de fundo de pensão. Desde então temos estudado os assuntos técnicos relacionado a estas instituições sociais. Entretanto, não demoramos a perceber que tal problema não surgia apenas para nossa pessoa. O problema igualmente surgia para outras pessoas. Não obstante, estas outras pessoas não percebiam que enfrentavam tal problema. Concluímos, então que se tal problema surgiu para nós é porque deveríamos ser parte da solução do mesmo. Ao longo do tempo, tomamos conhecimento de dois aforismos de autoria de Einstein: 

(1) “não podemos resolver um problema se estivermos no mesmo plano do pensamento que o criou;” 

(2) a imaginação é mais importante que o conhecimento, porque o conhecimento é limitado, ao passo que a imaginação abrange o mundo inteiro. Portanto, era necessário resolver o problema num nível superior ao do plano do pensamento que o criou e com imaginação.
 

Permite-nos ilustrar tal desafio o seguinte pensamento:


[...] Cada indivíduo tem o poder natural e inerente de pensar o que quiser pensar, mas isso requer muito mais esforço do que ter pensamentos que são sugeridos pelas aparências. Pensar de acordo com as aparências é fácil; pensar de verdade, não obstante as aparências, é laborioso e requer maior emprego de energia que qualquer outro trabalho que formos chamados a executar. Não existe trabalho do qual a maioria das pessoas fuja como o de manter continuamente um pensamento. É o mais duro trabalho do mundo. Isto é especialmente correto quando a verdade é contrária as aparências. Cada aparência no mundo visível tende a produzir uma forma correspondente na mente que a observa; e isso só pode ser evitado mantendo o pensamento da VERDADE. (64)
 

Neste sentido, após estudo profundo de obras do economista francês André Orléan chegamos ao resumo dos principais pontos de tais obras:
 

(1) A Bolsa de Valores não financia a acumulação;
 

(2) A Bolsa de Valores não serve para avaliar os títulos negociados;
 

(3) O comportamento mimético impera na Bolsa. Não obstante, concordemos totalmente com a inteligência contida nos itens (1) e (2), iremos discordar da inteligência contida no item (3).

Entretanto, financiar a acumulação e avaliar os títulos bursateis é comumente mente lembrado como as principais justificativas, se não únicas, para a existência das Bolsas de Valores. Por exclusão, concluímos que a Bolsa de Valores deve servir para alguma outra coisa, diferente das encontradas nos itens (1) e (2). 

Adicionalmente, iremos sustentar que as instituições sociais conhecidas como “hodierno capitalismo bursátil” e “fundo de pensão”, têm 4 (quatro) características em comum: “conspiração”, “pirâmide financeira”, “manipulação” e “oligopólio” (instituições sociais altamente hierarquizadas). 

Assim, doravante iremos demonstrar que estas duas instituições sociais servem apenas para transferir riquezas dos trabalhadores e pequenos acionistas para “determinado capital financeiro”. Adicionalmente, iremos sustentar que tanto o “hodierno capitalismo bursátil” quanto o “fundo de pensão” se equiparam a uma “pirâmide financeira”. 

Ademais, as “pirâmides financeiras” são uma espécie de conspiração com um tempo de vida limitado, conforme doravante iremos demonstrar. Consequentemente, o “hodierno capitalismo bursátil” e o “fundo de pensão” são instituições sociais que têm seus dias contados; em outros termos, o “hodierno capitalismo bursátil” e o “fundo de pensão” são instituições sociais fadadas a deixar de existir, como doravante iremos demonstrar. 

A extinção de tais instituições sociais será uma conseqüência do seguinte aforismo: “na era da informação a ignorância é uma escolha.” Em outros termos, as pessoas vão perceber que estavam sendo enganadas e vão requerer aos Estados a extinção de tais instituições. 

Por outro lado, o economista francês François Chesnais sustenta que o "fundo de pensão" é uma escolha política; escolha em benefício dos mercados financeiros. Entretanto, após estudo igualmente profundo concluímos que os prejudicados pelo “hodierno capitalismo bursátil” são o trabalhador (ativo, aposentado, pensionista) e o pequeno acionista. Tal prejuízo se equipara a uma transferência de riquezas destes dois grupos para o sistema financeiro, mormente para os “proprietários materiais da poupança concentrada coletiva” (alguns poucos executivos do fundo de pensão). A chegada a tal conclusão foi semelhante à montagem de um quebra-cabeça gigante. Portanto, tal conclusão não nos parece equivocada, como doravante iremos sustentar. Em outros termos, doravante iremos sustentar que tanto o “hodierno capitalismo bursátil” quanto o “fundo de pensão” são instituições sociais que tem sido utilizada principalmente como simples meios de transferência de riquezas. Tal transferência de riquezas é materializada por meio de um misto dos fenômenos de concentração financeira e centralização financeira, conforme iremos doravante demonstrar. 

Permite-nos compreender os conceitos dos fenômenos da “concentração financeira” e da “centralização financeira”, o seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica: 

[...] Na história do capital, a expropriação dos meios de produção permitiu que se desse curso ao processo de subsunção real do trabalho, isto é, a subordinação do processo de trabalho ao capital, permitindo a criação de valor por intermédio da exploração da força de trabalho. À medida que o capitalismo avançou, o movimento da concorrência intercapitalista operou um processo de concentração e centralização* do capital que, conjuntamente a outras mudanças de natureza sociopolítica, deu surgimento à indústria moderna (PAULO (9) NETTO; BRAZ, 2006).

* Pinto (1997) assevera que há na doutrina uma grande confusão entre esses dois termos que devem ser entendidos como movimentos separados. Apresenta a concentração de capitais como um aumento da composição orgânica do capital e a centralização como uma expropriação dos capitais individuais por outros capitalistas, de modo que poderia haver a ocorrência desse processo sem aquele, em que pese ao fato de não ser uma prática comum. (9) 

Adicionalmente, iremos sustentar que quanto maior for o tempo de duração do “hodierno capitalismo bursátil” e do “fundo de pensão” mais riquezas serão transferidas dos dois grupos antes mencionados para “determinado capital financeiro”. 

Antes dissemos que a Bolsa de Valores deve servir para alguma coisa diferente de financiar a acumulação e avaliar os títulos bursateis. Assim, tentar descobrir qual seria esta outra coisa deve ser o primeiro passo do presente trabalho. O primeiro tênue indício de que o “hodierno capitalismo bursátil” se equipara a uma “pirâmide financeira”, segunda característica antes mencionada, podemos lograr compreensão por meio da leitura do seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica: 

[...] Les théoriciens de la valeur travail (Smith, Ricardo et Marx) reconnaissent d'ailleurs explicitement que d'importants écarts peuvent exister entre ces deux grandeurs. En effet, à leurs yeux, si les évolutions de la valeur sont au fondement des évolutions des prix, la conformité entre valeur et prix ne prévaut que tendanciellement, sur le long terme. (18) 

Traduzindo: 

[...] De fato, os teóricos do valor trabalho (Smith, Ricardo e Marx) reconhecem explicitamente que pode haver grandes diferenças entre estas duas grandezas. Assim, na opinião destes, enquanto a evolução do valor é a base para a evolução dos preços, a conformidade entre o valor e o preço tende a prevalecer apenas no longo prazo. (18) 

O fragmento de texto, acima mencionado, observa que “[...] a conformidade entre o valor e o preço tende a prevalecer apenas no longo prazo.” Consequentemente, como exceto no longo prazo existe uma conformidade entre estas duas grandezas, nos demais períodos de tempo existe uma não- conformidade entre estas duas grandezas. Portanto, a hipótese que estamos sustentando de que “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “pirâmide financeira” obtém algo semelhante a um simples “sinal verde” a partir da leitura do fragmento de texto acima. 

Entretanto, pretendemos a seguir nos aprofundar na sustentação de que as instituições sociais conhecidas como “hodierno capitalismo bursátil” e “fundo de pensão” se equiparam as primeiras duas características antes mencionadas, quais sejam, “conspiração” e “pirâmide financeira”. Neste sentido, respectivamente, vamos passar a seguir à leitura de dois fragmentos de texto encontrados na literatura técnica: 


[...] The market, considered as a whole, cannot dispose of a security. [...] This is what I have called “the liquidity paradox”, namely, that the individual liberty to sell a security whenever one pleases exists only by virtue of an implicit commitment on the part of the financial community as a whole to hold on to the totality of securities over the long term. Yet this mutual dependence, which clearly sets financial markets apart from ordinary markets, is concealed from view by the effects of competition. Ordinary markets bring together two groups with clearly divergent interests: producers and consumers. Prices are formed as a result of the tension between these two opposed forces, the one pushing prices upward, the other downward. This is the basis for the law of supply and demand, which prevents either party from gaining too great an advantage over the other. In financial markets, by contrast, nothing of the sort occurs. There is no group of buyers that negotiates with a group of sellers; instead there is a group of individuals, each of whom acts as a buyer and a seller. Structurally, then, above and beyond whatever local reasons there may be for buying or selling, their interests converge. (18) 

Traduzindo: 

[...] O mercado, considerado como um todo, não pode dispor de um título. [...] Isso é o que chamei de “paradoxo da liquidez”, ou seja, a liberdade individual de vender um título sempre que quiser existe apenas em virtude de um compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo. No entanto, esta dependência mútua, que distingue claramente os mercados financeiros dos mercados normais, é ocultada de vista pelos efeitos da concorrência. Os mercados normais reúnem dois grupos com interesses claramente divergentes: produtores e consumidores. Os preços são formados como resultado da tensão entre essas duas forças opostas, uma empurrando os preços para cima e a outra para baixo. Esta é a base para a lei da oferta e da demanda, que impede que uma das partes obtenha uma vantagem muito grande sobre a outra. Nos mercados financeiros, ao contrário, nada disso ocorre. Não há um grupo de compradores que negocia com um grupo de vendedores; em vez disso, há um grupo de indivíduos, cada um dos quais age como um comprador e vendedor. Estruturalmente, então, acima e além de quaisquer razões locais que possam existir para comprar ou vender, seus interesses convergem. (18) 

[...] Tampouco prospera a idéia de que a propriedade das empresas é entregue aos trabalhadores por intermédio dos fundos de pensão. Há aqui um equívoco conceitual entre propriedade formal e real, pois não é denominação jurídica da titularidade que efetivamente evidencia o conteúdo da propriedade. Independente da mesma, o que define a propriedade é o poder de alocação e, principalmente, o destino das riquezas produzidas que, cada vez mais, se concentram em poucas mãos. (9)

A expressão “dependência mútua, ocultada de vista pelos efeitos da concorrência”, encontrada no primeiro fragmento de texto, é o principal indício de que o “hodierno capitalismo bursátil” se equipara a uma “conspiração” e/ou a uma “pirâmide financeira”, pois no “hodierno capitalismo bursátil” “[...] acima e além de quaisquer razões locais que possam existir para comprar ou vender, os interesses dos compradores e vendedores convergem”, como podemos ler neste mesmo fragmento de texto. Entretanto, tal convergência nada mais é que uma espécie de manipulação, como doravante veremos. Por outro lado, o principal indício de que o “fundo de pensão” se equipara a uma “conspiração” e/ou a uma “pirâmide financeira” encontramos no segundo fragmento de texto: “[...] o que define a propriedade é o poder de alocação e, principalmente, o destino das riquezas produzidas que, cada vez mais, se concentram em poucas mãos”, como a seguir iremos demonstrar. Ou seja, a constatação de que “[...] o que define a propriedade é o poder de alocação” é um forte indício de que o fundo de pensão equipara-se a uma “pirâmide financeira” e/ou a uma “conspiração”, como veremos. 

Em primeiro lugar, cabe-nos aqui observar que se não houvesse a “dependência mútua”, mencionada no primeiro fragmento de texto, a evolução dos preços no “hodierno capitalismo bursátil” seria bastante diferente daquela encontrada na realidade. Neste sentido, iremos sustentar que o surgimento de preços extravagantes no “hodierno capitalismo bursátil” se equipara a evolução dos preços de uma “pirâmide financeira” e/ou uma “conspiração. 

Ademais, iremos doravante sustentar que o surgimento de “preços extravagantes” no “moderno capitalismo bursátil” fundamenta-se em 3 (três) constatações: 

(1) Os preços de mercado bursátil seguem uma oferta “não- concorrencial”; 

(2) O “moderno capitalismo bursátil” equipara-se a um oligopólio; 

(3) Grande parte dos participantes do “moderno capitalismo bursátil possuem assimetria de informação. 

Em segundo lugar, parece-nos importante aqui realçarmos algo mencionado no primeiro fragmento de texto acima, vale dizer: “[...] esta dependência mútua [...] é ocultada de vista pelos efeitos da concorrência.” Assim, são apenas “efeitos da concorrência”, as palavras encontradas no fragmento de texto acima. Em outros termos, nos mercados bursateis não existe concorrência, pois nos mercados bursáteis prevalece uma oferta “não-concorrencial”, como doravante veremos.


Por outro lado, no segundo fragmento de texto encontramos podemos ler o seguinte: 

“[...] o que define a propriedade é o poder de alocação”

Permitem-nos ilustrar tal observação dois fragmentos de texto encontrados na literatura técnica. 

O primeiro é de autoria de um grande trader, o norte- americano, Warren Buffett; no segundo dois grandes economistas sintetizam o que vem a ser fundo de pensão, conforme se segue: 

 [...] Pension fund managers continue to make investment decisions with their eyes firmly fixed on the rear-view mirror. This general fight-the- last-war approach has proven costly in the past and will likely prove equally costly this time around. (24) 

 [...] Um segundo conjunto de contestações à “sabedoria convencional” sobre a oportunidade de um desenvolvimento da previdência com capitalização obrigatória é mais fundamental e pode ser reconduzido a uma verdade afirmada claramente por Keynes, na Teoria Geral. Face à idéia segundo a qual os trabalhadores, ao fazerem poupança financeira em contas individuais, estariam em condições de acumular fundos, ao longo do tempo, cujos rendimentos lhes garantiriam uma pensão em termos reais, vale ainda a observação que “como coletividade, não podemos fazer reservas para o consumo futuro, mediante mecanismos financeiros, mas apenas pela produção física corrente”. Em outras palavras, em termos reais, os bens reais dos pensionistas de 2030 não podem ser retirados senão da produção real de 2030. O mesmo ponto é sublinhado até mesmo por Milton Friedman, grande adversário de Keynes, que, em 1999, reafirmou que “as taxas pagas pelos trabalhadores de hoje são usadas para pagar os pensionistas de hoje”, ainda que tenha perdido a ocasião de atacar a reserva dos fundos estatais no seu país e manifestar o temor de um crescimento de imposições futuras. Em suma, a questão do pagamento real das pensões se refere à distribuição real do rendimento do período em que aquele pagamento é efetuado, e não há como contornar esta circunstância com mágica de cartas. Pelo contrário, na medida em que as políticas de compressão dos gastos previdenciários públicos ou a instituição da previdência complementar obrigatória, deprimem, ao invés de ampliar a força de trabalho ocupada e a sua atividade, não fazem senão piorar a situação. (33)

 


Nenhum comentário:

Postar um comentário