sexta-feira, 13 de agosto de 2021


Anexo “3”

Sustentação inicial de que o "moderno capitalismo bursátil se equipara a uma “conspiração” e/ou a uma “pirâmide financeira” 

A seguir, iremos apresentar os conceitos de “pirâmide financeira” e de “conspiração” encontrados na literatura técnica. 

Em primeiro lugar, iremos conhecer o conceito de “pirâmide financeira” por meio da leitura do seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica: 

[...] Como “pirâmides da felicidade”, as bolhas especulativas apóiam-se numa hipótese impossível: a de que novos investidores sempre entrarão na ciranda, para sustentar os ganhos dos que chegaram antes. Provavelmente, ninguém melhor do que Hyman Minsky evidenciou os encadeamentos da economia de mercado, resumidos por ele na eloqüente expressão “cegueira ao desastre”. Minsky dedicou particular atenção aos distúrbios provocados por Charles Ponzi, especulador dos anos 20, que iludiu pessoas ingênuas, seduzidas por promessas de rendimentos extraordinários. Na falta de qualquer ativo real capaz de cobrir os rendimentos anunciados, Ponzi oferecia a seus primeiros clientes o capital aportado pelos que vinham depois. A sustentabilidade do conjunto supunha, portanto, a manutenção infinita do fluxo de novos clientes. Próximas à fraude, todas as bolhas especulativas baseiam-se num mecanismo bastante semelhante. Elas requerem uma entrada constante de investimentos, para manter o mercado em alta e a ilusão de que, assim, todo mundo ganha. O segredo da bolha é a adesão especulativa. Investimentos de alta rentabilidade atraem aplicadores cada vez mais comuns — portanto, cada vez menos esclarecidos, porém mais numerosos. (14) 

Em síntese, essencialmente, o segredo da bolha é a adesão especulativa, como podemos ler no conceito de “pirâmide financeira”, de autoria do economista francês Frédéric Lordon, acima mencionado. Em outros termos, essencialmente o segredo das “pirâmides financeiras” é a adesão especulativa. Por seu turno, doravante iremos sustentar que a partir de certo lapso temporal às extravagantes e desproporcionais valorizações alcançadas por certos títulos bursáteis
são um fator de conhecimento objetivo dos futuros “preços de mercado”. 

Em segundo lugar, uma referência de que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “conspiração” encontramos na leitura do seguinte fragmento de texto de autoria do trader britânico Robert Beckman (1992): 

[...] The securities industry will never admit this, and probably won’t like to hear it said. But, it is a fact, and you can be certain of that: the securities industry is like a massive global conspiracy. Like any conspiracy, the stock market is not what it appears to be. IF IT PORTRAYED ITSELF AS IT ACTUALLY WERE, NO DOUBT IT WOULD CEASE TO EXIST. As an investor, it is not possible to accumulate stock profits by participating in the illusion as it is perceived. For the average investor, investing is a game of chance, nothing more, nothing less. (18) (maiúsculo nosso) 

Traduzindo:


[...] A indústria de ações nunca vai admitir isso, e provavelmente não vai gostar de ouvir isso ser dito. Mas, é um fato, e você pode estar certo de que: a indústria de títulos é como uma conspiração global maciça. Como qualquer conspiração, a Bolsa de Valores não é o que esta parece ser. SE A BOLSA FOR RETRATADA – COMO ESTA REALMENTE FOI, SEM DÚVIDA, ESTA DEIXARÁ DE EXISTIR. Como um investidor, não é possível acumular lucros com ações, participando da ilusão como ela é percebida. Para o investidor médio, investir é um jogo de azar, nada mais, nada menos. (18) (maiúsculo nosso) 

No fragmento de texto acima o trader Robert Beckman faz duas sustentações: (1)  a Bolsa de Valores é uma conspiração; (2) “se a Bolsa for retratada – como esta realmente foi, sem dúvida, esta deixará de existir.” 

Adicionalmente,uma indicação mais profunda de que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “conspiração” iremos constatar por meio da preferência pela liquidez, escolha feita pelo “moderno capitalismo bursátil”, mormente pelo “capitalismo bursátil anglo-saxônico”. 

Neste sentido, a “preferência pela liquidez” é uma transgressão concebida no interesse dos detentores dos títulos, conforme a leitura do   seguinte fragmento de texto encontrado na literatura técnica nos permite compreender: 

[...] Conseqüentemente, a liquidez financeira deve ser interpretada, não como estando ao serviço da produção, mas como constituindo pela sua própria natureza, uma  transgressão da economia produtiva, transgressão concebida no interesse dos detentores dos títulos. (18)

No mesmo sentido, do acima mencionado encontramos na literatura técnica o seguinte fragmento de texto: 

[...] Keynes não cessou de lutar contra a primazia injustamente concedida à liquidez: “De todas as máximas da finança ortodoxa não há nenhuma mais anti-social do que o fetichismo da liquidez. Tal teoria ignora o fato de que para a comunidade como um todo, não há nada que corresponda à liquidez do investimento”. (28) 

Em síntese, estamos sustentando novamente que : o “[...] compromisso implícito por parte da comunidade financeira como um todo de manter a totalidade dos
títulos no longo prazo” é o principal indício de que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “conspiração”. Adicionalmente, a afirmação acima está em sintonia com uma das afirmações encontradas na Introdução do presente trabalho,
qual seja: “A Bolsa de Valores não serve para avaliar os títulos bursáteis.” Em outros termos, o “[...] compromisso implícito por parte da comunidade financeira
como um todo de manter a totalidade dos títulos no longo prazo” é apenas um lado de uma moeda: a “face”; entretanto, do outro lado desta mesma moeda encontramos o “valor”, conforme doravante iremos sustentar. Por seu turno, tal “comportamento implícito [...]" viabiliza a obtenção de uma “mais-valia” (ganho financeiro) por alguns poucos participantes do mercado, como doravante igualmente iremos sustentar.



Adicionalmente, podemos associar esta “dependência mútua que claramente diferencia os mercados financeiros dos mercados comuns”, com a “ineficiência dos mercados bursateis”, Assim,a hipótese que estamos sustentando de que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “pirâmide financeira” e/ou a uma “conspiração” é reforçada. Neste sentido, parece-nos oportuno relembrarmos algo que antes sustentamos: esta “dependência mútua conduz a uma “ineficiência do mercado”. Igualmente, a hipótese de que o “hodierno capitalismo bursátil se equipara a uma “pirâmide financeira” é fortalecida, pois a possível diferença entre o “preço de mercado” e o “valor intrínseco” significa que alguém possa estar pagando hoje um “preço de mercado” bastante diferente do “valor intrínseco” que será conhecido apenas a posteriori, como veremos ao longo do presente trabalho. 

Resumindo: inicialmente sustentamos que o “moderno capitalismo bursátil” não serve para avaliar os títulos bursáteis. Em seguida, apresentamos o conceito de “mais-valia” e discorremos sobre a “dinâmica que leva o preço a viver sua própria vida, a evoluir independentemente de seu valor”.

Adicionalmente, afirmamos que a causa essencial do surgimento de “bolhas especulativas” em Bolsa de Valores é conseqüência do relacionamento existente entre a obtenção de uma “mais-valia” por alguns poucos participantes do mercado e da “dinâmica que leva o preço de mercado a viver sua própria vida e a evoluir independentemente de seu valor”. Em seguida, observamos que os mercados bursáteis são mercados ineficientes.

Consequentemente, o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “conspiração”. Em outros termos, ao equipararmos o “moderno capitalismo bursátil” ser equiparado tanto a uma “conspiração”,quanto a um “mercado ineficiente”, não nos parece equivocado sustentarmos que o “moderno capitalismo bursátil” pode ser equiparado a um “jogo de cartas marcadas”. Ademais, como conseqüência de termos equiparado o “hodierno capitalismo bursátil” a uma “pirâmide financeira”, sustentamos que este tem um tempo de vida limitado, pois como
é do conhecimento comum as "pirâmides financeiras" têm um tempo de vida limitado. Igualmente, as conspirações são ligadas ao tempo, pois toda conspiração depois de revelada tende a deixar de existir. 

Ademais, doravante iremos sustentar que a “mais-valia” passou a ser obtida de forma sistemática e recorrente por determinados participantes do mercado por meio de uma “dinâmica que leva o preço a viver sua própria vida, a evoluir independentemente de seu valor”. Entretanto, tal obtenção de uma “mais-valia” de forma sistemática e recorrente viabiliza uma transferência de riquezas igualmente de forma sistemática e recorrente, por alguns poucos participantes do mercado, como iremos demonstrar ao longo do presente trabalho. Por seu turno, doravante iremos sustentar que a obtenção de uma “mais-valia” de forma sistemática e recorrente, por alguns poucos participantes do mercado, é mais um indício de que o “moderno capitalismo bursátil” se equipara a uma “conspiração”. 

Adicionalmente, antes vimos que o economista francês, André Orléan, sustenta que “[...] o poder do mercado de ações tem outras fontes além do financiamento da acumulação.” (28) 

Entretanto, antes dissemos que a “mais-valia” é uma dessas outras fontes do poder do mercado de ações. Doravante, iremos sustentar que a “mais-valia” é não apenas uma destas “outras fontes de poder do mercado de ações”, mas indiscutivelmente é a mais importante destas fontes. 
 

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